ILHA DOS DESEJOS
17 Capítulo 17 — O que Billy enterrou
Sarah acordou com o lado de Jacob vazio.
Abriu os olhos lentamente.
Ainda estava escuro.
Olhou para o relógio.
Cinco e doze.
— Claro.
Sentou-se.
A camiseta de Jacob ainda cobria seu corpo, os cabelos estavam completamente desalinhados e, por alguns segundos, ela considerou simplesmente voltar a dormir.
Então percebeu a porta da varanda aberta.
Levantou-se.
Jacob estava do lado de fora.
Descalço.
Calça de moletom.
Sem camisa.
A carta de Billy nas mãos.
Sarah encostou-se à porta.
— Você tem um problema sério com manhãs.
Jacob virou-se.
— Eu acordei.
— Pessoas normais voltam a dormir.
— Nunca aleguei normalidade.
— Verdade.
Ela caminhou até ele.
Jacob abriu um braço.
Sarah entrou naturalmente.
Aquilo já começava a acontecer sem que nenhum dos dois pensasse.
Ela encostou o rosto em seu peito.
— Leu quantas vezes?
— A carta?
— Não, o cardápio do jantar.
Jacob sorriu.
— Umas dez.
— Encontrou palavras novas?
— Infelizmente não.
Sarah ergueu o rosto.
— Então pare.
— De quê?
— De tentar encontrar uma resposta escondida entre frases que seu pai escreveu claramente.
Jacob olhou novamente para a carta.
— “Não confie em Charlie.”
— Bastante claro.
— “Quil sabe onde está a caixa.”
— Também.
— “Não acredite na morte dele até ver o corpo.”
— Considerando que Quil aparentemente está vivo, Billy estava certo.
Jacob ficou quieto.
Sarah percebeu.
— O que está incomodando de verdade?
Ele demorou.
— Meu pai sabia que podia morrer.
Sarah não respondeu.
— Ninguém escreve uma carta dessas se acha que vai estar vivo para explicar.
— Talvez estivesse apenas se precavendo.
— Billy não se precavia.
Jacob soltou uma risada sem humor.
— Billy controlava.
Sarah observou.
— Parece alguém que conheço.
Jacob olhou para ela.
— Isso foi ofensivo.
— Foi preciso.
Ele apertou a cintura dela.
— Cuidado.
Sarah sorriu.
— Vai fazer o quê?
Jacob abaixou o rosto.
— Tenho algumas ideias.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Às cinco e vinte da manhã?
— Você começou.
— Eu apenas fiz uma observação.
Jacob a beijou.
Sarah sorriu contra seus lábios.
O beijo se prolongou.
Quando se afastaram, ela permaneceu próxima.
— Isso foi tentativa de distração.
— Funcionou?
— Parcialmente.
— Posso melhorar.
— Mais tarde.
Jacob suspirou.
— Cruel.
Sarah pegou a carta da mão dele e a dobrou.
— Agora volte para a cama.
— Não vou dormir.
— Eu vou.
— Então por que preciso voltar?
Ela segurou sua mão.
— Porque prometeu ficar perto.
Jacob olhou para os dedos entrelaçados.
Sorriu.
— Chantagem emocional.
— Extremamente eficiente.
E voltou com ela.
Às oito, estavam todos reunidos na cozinha.
Edward parecia ter dormido pouco.
Embry parecia ter sido atropelado.
Paul parecia ser o único funcional.
Jacob olhou para o curativo de Embry.
— Você fica.
— Não.
— Embry.
— Jacob.
Sarah levantou os olhos da xícara.
— Isso é contagioso?
Edward respondeu:
— Conviver com ele causa efeitos.
Jacob apontou para Edward.
— Você não foi consultado.
Embry abriu os braços.
— Estou bem.
— Você ficou desacordado.
— Tecnicamente, dormi muito profundamente no chão.
Sarah riu.
Jacob não.
— Fica.
Embry perdeu o sorriso.
— Eu conheço a propriedade antiga melhor que qualquer um aqui.
Jacob ficou quieto.
Era verdade.
— E conheço o depósito — continuou Embry.
— Como?
— Seu pai me levou uma vez.
Jacob parou.
— Billy?
Embry assentiu.
— Eu tinha dezessete anos.
— Por que nunca contou?
— Porque não havia nada para contar. Na época não era um esconderijo misterioso. A casa velha ainda estava parcialmente em pé. Billy guardava equipamentos lá, ferramentas, peças de barco, coisas da propriedade.
— E o porão?
— Depósito.
— Trancado?
— Sempre.
Jacob fechou os olhos.
— Naturalmente.
Embry sorriu.
— Família saudável.
Edward quase engasgou com o café.
Sarah perguntou:
— Você viu Quil lá?
O sorriso de Embry desapareceu.
— Sim.
— Quando?
— Na mesma época. Uns doze anos atrás.
Jacob ficou sério.
Aquilo colocava Quil naquele lugar muito antes da morte de Billy, de Charlie e de Isabella.
— Então Quil conhecia o depósito — concluiu Sarah.
— Conhecia.
Jacob levantou-se.
— Vamos.
A antiga propriedade dos Black ficava escondida pela vegetação.
Paul seguia à frente com dois homens da segurança. Embry orientava o caminho. Edward vinha alguns passos atrás.
Sarah permanecia ao lado de Jacob.
A antiga casa surgiu entre árvores como um esqueleto.
— Você morou aqui? — perguntou Sarah.
— Meu avô.
— Billy cresceu aqui?
— Parte da infância.
Embry apontou para os fundos.
Encontraram uma porta metálica quase tomada pela vegetação.
Paul verificou a entrada.
— Parece seguro.
Jacob introduziu a chave preta encontrada no escritório do pai.
Girou.
A fechadura cedeu.
Escuridão.
Sarah olhou para a escada.
— Filmes de terror começam exatamente assim.
Edward respondeu:
— Normalmente alguém sugere que todos se separem.
Jacob apontou para ele.
— Ninguém se separa.
Sarah sorriu.
— Finalmente aprendemos alguma coisa com o cinema.
Desceram.
O porão era maior do que Sarah imaginara.
Prateleiras antigas, ferramentas enferrujadas, caixas e um cheiro pesado de umidade.
Embry apontou para uma parede.
— Billy e Quil ficavam mais daquele lado.
Procuraram durante quase vinte minutos.
Foi Sarah quem percebeu.
— Essa estante foi movida.
Paul se agachou.
— Recentemente.
Afastaram o móvel.
Uma segunda porta apareceu.
A chave serviu.
Atrás dela havia outro cômodo.
No centro, sobre uma mesa, estava a caixa de madeira escura.
O símbolo gravado na tampa.
Jacob parou.
— É ela.
Tocou a madeira.
Por um segundo, voltou a ter doze anos.
Billy fechando aquela mesma tampa.
Não mexa nisso, Jacob.
Agora ele abriu.
Documentos.
Fotografias.
Passaportes.
Dinheiro.
Um livro-caixa.
E uma antiga fita de vídeo.
Sarah começou pelos documentos.
— Northstar Maritime.
Edward aproximou-se.
As datas eram de quase vinte anos antes.
Muito antes de Isabella morrer.
Muito antes de Edward trabalhar para Jacob.
Outra empresa apareceu:
Volturi International.
Edward ficou imóvel.
— Aro.
Jacob levantou os olhos.
— Aro Volturi?
— Sim.
— Você conhece?
— O nome. Charlie tinha medo dele.
Sarah olhou para Edward.
— Quanto?
— Muito.
Edward tocou o documento.
— Uma vez ouvi Charlie dizer que Aro era o tipo de homem que nunca ameaçava duas vezes.
— Por quê? — perguntou Jacob.
— Porque a primeira bastava.
Continuaram.
Fotografias.
Aro.
Billy.
Charlie.
Quil.
Os quatro numa marina.
Outra mostrava Charlie entrando sozinho num barco da Northstar.
Outra, Quil entregando documentos a Billy.
Sarah não concluiu depressa.
— Isso mostra que estavam ligados.
Jacob assentiu.
— Não mostra ainda de que lado cada um estava.
Sarah lançou-lhe um pequeno sorriso.
— Está aprendendo.
— Não se acostume.
Então Edward encontrou uma pasta.
Na capa:
ISABELLA SWAN.
Jacob ficou imóvel.
Dentro havia documentos antigos relacionados ao patrimônio dela.
Uma estrutura fiduciária criada quando Isabella ainda era criança.
Beneficiária:
Isabella Marie Swan.
Administrador inicial:
Aro Volturi.
Posteriormente:
Charlie Swan.
Patrimônio estimado nos registros mais recentes da pasta:
US$ 186.000.000.
Embry soltou o ar.
— Cento e oitenta e seis milhões?
Sarah examinou as datas.
— Esse valor foi alcançado posteriormente. A estrutura é muito mais antiga.
Encontrou outra anotação.
Escrita por Billy:
Charlie está movimentando ativos que pertencem à filha. Aro está permitindo. Isabella ainda não sabe.
Sarah mostrou aos demais.
Jacob leu duas vezes.
— Então meu pai sabia.
— Sabia que Charlie estava movimentando patrimônio de Isabella — corrigiu Sarah. — Não sabemos ainda quanto ele conhecia.
Edward sentou-se.
— Isabella não sabia disso quando eu a conheci.
Sarah olhou para ele.
— Mas descobriu depois.
Edward lembrou.
— Algumas semanas antes de morrer, ela me perguntou se era possível alguém amar você e ainda destruir sua vida por dinheiro.
Jacob endureceu.
— E você não perguntou por quê?
— Perguntei. Ela não respondeu.
Jacob estava prestes a retrucar quando Sarah interveio:
— Não transformem uma pergunta de quatro anos atrás numa prova que nenhum dos dois possui.
Silêncio.
Jacob respirou fundo.
Edward assentiu.
— Certo.
Foi então que Paul encontrou a fita.
Havia uma data escrita à mão.
Jacob pegou-a.
Parou.
— Sete anos atrás.
Sarah aproximou-se.
— Antes da morte de Billy?
— Três semanas.
Isso mudou tudo.
Abaixo da data, outra frase:
PARA JACOB.
Nada sobre Isabella adulta.
Nada sobre Charlie estar vivo ou morto.
Nada que Billy não pudesse saber naquele momento.
— Vamos assistir — disse Jacob.
Encontraram um aparelho antigo no próprio depósito.
A imagem surgiu depois de alguns ajustes.
Billy Black apareceu na tela.
Mais jovem do que Jacob o lembrava nos últimos meses de vida.
Mas cansado.
Muito cansado.
Jacob ficou imóvel.
Billy olhou diretamente para a câmera.
— Jacob.
A voz atingiu o filho como algo físico.
Sarah procurou sua mão.
Jacob segurou.
— Se você encontrou esta gravação, provavelmente encontrou também documentos que eu deveria ter explicado enquanto estava vivo.
Billy respirou.
— Se estou vivo quando você assistir, venha falar comigo antes de tirar qualquer conclusão.
Jacob fechou os olhos.
Sarah percebeu imediatamente a diferença.
Billy não estava prevendo a própria morte.
Estava deixando uma garantia.
A gravação continuou.
— Se eu não puder explicar, procure Quil. Ele conhece parte da história. Não toda.
Jacob olhou para a tela.
— A Northstar começou como uma estrutura de investimento e movimentação internacional de ativos. Legal. Agressiva, mas legal. Aro Volturi transformou aquilo em outra coisa.
Edward aproximou-se.
— Quando percebi a extensão do que estava acontecendo, algumas empresas minhas já estavam ligadas à estrutura.
Billy abaixou os olhos.
— Esse erro foi meu.
Jacob ficou imóvel.
Não havia tentativa de se inocentar.
— Charlie entrou depois. Era inteligente. Talvez inteligente demais para o próprio bem. E Aro percebeu isso.
A imagem oscilou.
— Existe um patrimônio em nome de Isabella.
Edward ficou tenso.
Billy continuou:
— Ela é jovem demais para saber o que está sendo feito. E talvez continue sem saber por muitos anos.
Aquilo fazia sentido.
Isabella ainda era muito jovem quando Billy gravara.
— Charlie deveria administrar esse patrimônio em benefício dela. Tenho razões para acreditar que não está fazendo isso.
Sarah olhou para Jacob.
Billy:
— Não sei até onde ele foi.
Pausa.
— E não sei se Charlie entende completamente com quem está lidando.
Outra pausa.
— Talvez seja ganância. Talvez medo. Provavelmente os dois.
Billy passou a mão pelo rosto.
— Estou tentando retirar os ativos Black da estrutura. Aro não gostou.
Jacob sentiu o corpo endurecer.
— Se alguma coisa acontecer comigo, não suponha nada. Investigue.
Sarah quase sorriu apesar da tensão.
Aquilo parecia algo que ela própria diria.
— Não transforme suspeita em verdade só porque está com raiva.
Jacob olhou para Sarah.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Gostei dele — murmurou.
Jacob quase riu.
Billy continuou:
— Quanto a Isabella... ela não tem culpa das escolhas do pai.
Edward baixou os olhos.
— Se algum dia ela descobrir o que existe em nome dela, Charlie terá de explicar sozinho.
Billy olhou diretamente para a câmera.
— Não faça isso por ele.
Silêncio.
— E não faça por mim.
Jacob sentiu os olhos arderem.
— Você não deve nada aos erros dos homens que vieram antes de você.
A gravação terminou.
Ninguém falou durante alguns segundos.
Sarah foi a primeira.
— Agora faz sentido.
Jacob olhou para ela.
— Billy sabia do patrimônio.
— Sim.
— Sabia que Charlie movimentava ativos.
— Sim.
— Suspeitava de Aro.
— Mais do que suspeitava em relação à transformação da Northstar, pelo que ele próprio disse.
— Mas não sabia o que aconteceria depois.
— Exatamente.
Edward permaneceu olhando para a tela apagada.
— Isabella descobriu sozinha.
Sarah assentiu.
— Anos depois.
Jacob olhou para a pasta.
Aquilo, de alguma forma, tornava Isabella ainda mais presente.
Ela não recebera uma explicação pronta.
Procurara.
Investigara.
Encontrara alguma coisa.
E então morrera.
— Precisamos encontrar Quil — disse Jacob.
Uma voz veio da porta.
— Não precisa procurar.
Todos se viraram.
Paul sacou a arma.
Um homem estava parado na entrada.
Cabelos grisalhos.
Cicatriz no pescoço.
Mais velho que nas fotografias.
Quil.
— Eu preferia que ninguém atirasse — disse ele.
Jacob avançou.
— Você está morto.
Quil inclinou levemente a cabeça.
— Oficialmente.
— Você atacou Embry?
— Não.
— Alguém entrou na minha casa.
— Eu sei.
— Como?
— Porque eu estava seguindo o homem que entrou.
Sarah ficou alerta.
— Quem?
Quil olhou para ela.
— Sarah Clearwater.
Jacob imediatamente se colocou um pouco à frente dela.
Quil percebeu.
— Billy fazia a mesma coisa.
— Não fale do meu pai.
— Seu pai morreu tentando manter você fora disso.
Jacob endureceu.
— Quem entrou na casa?
— Um homem ligado a Aro.
Edward ficou imóvel.
— Aro está vivo?
Quil olhou para ele.
— Está.
O silêncio mudou.
Jacob aproximou-se.
— E Isabella?
Quil perdeu o pouco de leveza que restava.
— O que tem?
— Você sabe quem estava com ela naquela noite?
Quil demorou.
— Sei quem falava com ela no vídeo.
Jacob parou.
Sarah também.
— Quem?
Quil respirou fundo.
— Charlie.
Edward ficou branco.
— Impossível.
— Não.
— Charlie morreu onze meses antes de Isabella.
Quil sustentou o olhar.
— Foi o que todos acreditaram.
Jacob sentiu o quebra-cabeça mudar novamente.
— O acidente foi forjado?
— Sim.
Sarah lembrou imediatamente da frase de Isabella.
Você matou meu pai.
— Então Isabella descobriu que Charlie estava vivo.
Quil assentiu.
— Pouco antes de morrer.
Edward recuou.
— Por que ele forjaria a própria morte?
— Essa é uma história longa.
Jacob respondeu:
— Comece.
Quil olhou para a caixa.
— Charlie estava tentando desaparecer da estrutura de Aro. Pelo menos foi isso que ele disse no início.
Sarah percebeu a precisão.
— “Foi isso que ele disse.”
Quil olhou para ela.
— Exatamente.
— Você não sabe se era verdade.
— Não.
Jacob perguntou:
— Então por que voltou?
— Isabella encontrou o cofre de Nassau.
Silêncio.
— E encontrou provas suficientes para destruir muita gente.
Edward respirou fundo.
— Inclusive o pai.
— Principalmente o pai.
Jacob fechou os olhos.
— E naquela noite?
Quil ficou sério.
— Charlie foi encontrar Isabella.
— Para matá-la?
— Não sei.
Jacob avançou.
— Você estava lá.
— Estava.
— Então sabe.
— Eu sei o que vi. Não o que aconteceu depois que saí.
Sarah interveio:
— Foi você quem gravou o vídeo?
Quil olhou para ela.
— Sim.
Silêncio.
Jacob quase avançou novamente.
— Você filmou aquilo e foi embora?
— Charlie pediu que eu registrasse a conversa.
— Por quê?
— Para provar que Isabella estava viva quando ele a deixou.
Sarah franziu a testa.
— Isso significa que Charlie já temia ser responsabilizado por alguma coisa.
Quil assentiu.
— Sim.
— Ou sabia que alguma coisa aconteceria — disse Edward.
— Também é possível.
Jacob sentiu a raiva crescer.
— E você deixou Isabella com ele?
— Quando saí, Charlie também estava indo embora.
— Isabella estava viva?
— Sim.
A mesma resposta de Edward.
Jacob soltou uma risada amarga.
— Impressionante.
Olhou para Edward.
Depois para Quil.
— Todo mundo deixou Isabella viva naquela noite.
Ninguém respondeu.
— Edward deixou pouco depois das onze.
— Sim.
— Você viu Charlie depois.
— Sim.
— E deixou os dois vivos.
— Sim.
— Então alguém veio depois.
Quil permaneceu em silêncio.
Jacob percebeu.
— Quem?
— Eu não sei quem desembarcou.
— Mas sabe alguma coisa.
Quil respirou.
— Um barco da Northstar chegou à ilha naquela noite.
Edward empalideceu.
— Aro?
— O barco pertencia à estrutura dele.
Sarah perguntou:
— Você viu Aro desembarcar?
— Não.
— Então não podemos dizer que Aro estava aqui.
Quil assentiu.
— Correto.
Jacob olhou para Sarah.
Mesmo ali.
Mesmo agora.
Ela continuava impedindo que ele transformasse possibilidades em certezas.
Quil observou os dois.
— Billy teria gostado de você.
Jacob respondeu:
— Não comece.
Sarah quase sorriu.
Então Jacob voltou ao que importava.
— Charlie está vivo agora?
Quil hesitou.
— A última vez que tive confirmação, sim.
— Quando?
— Oito meses atrás.
Edward sentou-se.
Jacob ficou imóvel.
Oito meses.
Não quatro anos.
Não sete.
Oito meses.
Charlie Swan podia estar vivo naquele exato momento.
— Onde?
Quil olhou para ele.
— Europa.
— Onde na Europa?
— Não sei.
Jacob não acreditou.
Quil percebeu.
— Dessa vez é verdade.
Sarah perguntou:
— E Aro?
Quil demorou.
— Aro é mais fácil de encontrar.
Edward ergueu os olhos.
— Por quê?
Quil olhou para a caixa de Billy.
— Porque homens como Aro não desaparecem.
Uma pausa.
— Fazem os outros desaparecerem.
Jacob segurou a pasta de Isabella.
— Então encontramos Charlie.
Edward levantou os olhos.
— Nós?
Jacob percebeu a palavra.
Houve um silêncio.
Quatro anos de raiva não desapareceram.
A traição continuava existindo.
Mas também existia Isabella.
E respostas que pertenciam aos dois.
— Nós — respondeu Jacob.
Edward apenas assentiu.
Sarah observou os dois.
Não era perdão.
Ainda não.
Mas talvez fosse o primeiro fragmento de alguma coisa que um dia pudesse chegar perto disso.
Quando deixaram o porão, Jacob ficou por último.
Olhou para a caixa.
Para os documentos.
Para a tela onde vira o pai pela primeira vez em sete anos.
Billy não soubera o futuro.
Não previra a morte de Charlie.
Não soubera que Isabella descobriria o esquema.
Não conhecera Edward como amante dela.
Não soubera como aquela história terminaria.
Fizera apenas o que podia com aquilo que sabia naquele momento.
E isso, estranhamente, tornou a gravação mais dolorosa.
Billy não deixara uma profecia.
Deixara um aviso.
Sarah estava esperando no alto da escada.
— Jacob?
Ele olhou.
Ela estendeu a mão.
Jacob segurou.
— Está bem?
— Não.
Sarah assentiu.
— Mas vai ficar?
Jacob olhou para ela.
— Vou.
Subiu o último degrau.
E saiu com Sarah para a luz.
Fale com o autor