ILHA DOS DESEJOS
15 Capítulo 15 - O Cofre de Nassau
Sarah percebeu que Jacob estava acordado antes mesmo de abrir os olhos.
Não porque ele tivesse se mexido.
Era justamente o contrário.
Jacob estava imóvel demais.
Ela abriu os olhos devagar.
O quarto ainda estava mergulhado na penumbra, mas uma linha clara atravessava a cortina. Jacob estava deitado de costas, uma mão atrás da cabeça, olhando para o teto.
Sarah virou-se para ele.
— Que horas são?
— Cinco e quarenta.
— Isso deveria ser ilegal.
Jacob sorriu sem olhar.
— Volte a dormir.
— Você está acordado.
— Isso não impede você.
Sarah aproximou-se.
Colocou a cabeça sobre o peito dele.
— Impede.
Jacob passou automaticamente o braço ao redor dela.
— Nervoso?
— Não.
Sarah levantou o rosto.
— Você mente muito mal de manhã.
— Estou pensando.
— Em Nassau.
— Sim.
Ela ficou em silêncio.
— Meu pai esteve lá — continuou Jacob. — Charlie morreu lá. Edward se escondeu lá. Isabella colocou alguma coisa num cofre lá.
— E hoje você vai descobrir o quê.
— Talvez.
Sarah apoiou o queixo sobre o peito dele.
— Está com medo do que vai encontrar?
Jacob demorou.
— Estou com medo de descobrir que não conhecia nenhuma das pessoas que fizeram parte da minha vida.
Sarah observou seu rosto.
— Você conhecia.
— Como sabe?
— Porque segredos não apagam tudo que existiu antes deles.
Jacob olhou para ela.
— Isabella traiu você. Isso não significa que cada momento que viveram foi falso. Billy escondeu coisas. Isso não significa que nunca foi seu pai. Edward mentiu...
— Muito.
— Bastante.
— Dormiu com minha noiva.
— Jacob.
— Só estabelecendo fatos.
Sarah tentou não sorrir.
— E mesmo assim houve um tempo em que ele foi seu melhor amigo.
Jacob ficou quieto.
— Pessoas podem ser mais de uma coisa — continuou ela. — Talvez seja justamente isso que esteja deixando você tão irritado.
— Eu preferia quando os vilões eram óbvios.
— Facilitaria.
— Muito.
Sarah beijou seu peito.
— Então não procure um vilão hoje.
Jacob franziu a testa.
— Procure fatos.
Ele sorriu.
— Você realmente entrou na minha vida para me irritar.
— Está no contrato.
— Não lembro dessa cláusula.
— Letras pequenas.
Jacob passou a mão por seus cabelos.
— Fica perto de mim hoje.
Sarah ergueu os olhos.
— Eu já prometi.
— Prometa outra vez.
A brincadeira desapareceu.
Ela compreendeu.
— Fico.
Jacob tocou seu rosto.
— Obrigado.
— Mas tem uma condição.
— Claro.
— Você também fica perto de mim.
Ele sorriu.
— Combinado.
O avião deixou Saint Claire pouco depois das sete.
Embry ficou na ilha.
Não gostou.
Reclamou durante vinte minutos.
Jacob foi irredutível.
Alguém precisava permanecer na propriedade, coordenar a segurança e verificar quem poderia ter observado a descoberta da chave.
Paul acompanharia Jacob, Sarah e Edward.
Havia ainda dois homens de segurança.
Edward ocupava um assento do outro lado da cabine.
Sarah percebeu que ele olhava pela janela havia quase meia hora.
— Está nervoso? — perguntou.
Edward virou-se.
— Muito.
Jacob levantou os olhos do tablet.
— Bom.
Edward soltou uma risada.
— Sua capacidade de acolhimento continua extraordinária.
— Obrigado.
— Não foi elogio.
— Aceito mesmo assim.
Sarah olhou entre os dois.
Havia algo diferente.
Ainda existia raiva.
Muita.
Mas agora surgiam pequenos espaços entre ela.
Momentos nos quais Jacob esquecia de odiar Edward.
E momentos nos quais Edward esquecia de esperar o próximo ataque.
Sarah suspeitava que nenhum dos dois percebia.
— Quando foi a última vez que esteve no banco? — perguntou ela.
Edward respondeu:
— Nunca.
Jacob franziu a testa.
— Você disse que sabia qual era.
— Isabella me contou.
— Mas nunca viu o cofre?
— Não.
— Então como sabe que a chave funciona?
Edward olhou para ele.
— Não sei.
Jacob fechou os olhos.
— Excelente.
Sarah segurou o riso.
— Pelo menos estamos consistentes.
— Com o quê? — perguntou Jacob.
— Com descobrir que sabemos menos do que imaginávamos.
Edward sorriu.
— Ela realmente combina com você.
Jacob virou lentamente o rosto.
— Edward.
— Foi um comentário inocente.
— Não existem comentários inocentes vindos de você.
Sarah interveio:
— Eu aceito.
Jacob olhou para ela.
— Não ajude.
Ela sorriu.
— Você fica bonito com ciúme.
— Não estou com ciúme.
Edward voltou imediatamente para a janela.
— Eu não ouvi nada.
Sarah riu.
Jacob tentou continuar sério.
Não conseguiu completamente.
Nassau surgiu abaixo deles cercada por um azul quase impossível.
Sarah olhou pela janela.
— É lindo.
Jacob observou Sarah em vez da paisagem.
Edward percebeu.
Não comentou.
O avião pousou pouco depois das oito.
Um veículo já os aguardava.
Jacob havia tomado precauções.
Nenhuma reserva em seu nome.
Rota alterada.
Equipe local contratada naquela manhã.
O banco não fora avisado antecipadamente sobre a visita.
Sarah percebeu tudo.
— Você realmente não brinca quando fica paranoico.
— Prefiro “cauteloso”.
Edward respondeu:
— Paranoico.
Jacob olhou pelo retrovisor.
— Você ainda pode ir no porta-malas.
— Cauteloso — corrigiu Edward.
Sarah riu.
O Commonwealth Private Bank ocupava um prédio discreto no centro financeiro.
Nada na fachada sugeria que milhões pudessem estar escondidos atrás daquelas paredes.
Jacob saiu primeiro.
Paul verificou a entrada.
Sarah saiu em seguida.
Jacob imediatamente colocou a mão em suas costas.
Ela olhou para ele.
— Estou aqui.
— Sei.
— Só lembrando.
Edward saiu por último.
Por um instante, ficou olhando para o prédio.
Jacob percebeu.
— O quê?
— Isabella falou desse lugar muitas vezes.
A mão de Jacob parou nas costas de Sarah.
— Quando?
— Nos últimos meses.
— E você nunca veio.
— Não.
— Por quê?
Edward respirou fundo.
— Porque ela disse que aquilo era para você.
Jacob ficou imóvel.
— O cofre?
— O que estava dentro.
Silêncio.
— Então por que não me contou depois que ela morreu?
Edward fechou os olhos.
— Porque eu era covarde.
Jacob sustentou seu olhar.
Não havia defesa.
Nenhuma justificativa.
Apenas a resposta.
— Certo.
E entrou.
O primeiro problema surgiu quinze minutos depois.
A chave existia.
O cofre também.
Mas Jacob não tinha autorização para abri-lo.
— Como assim? — perguntou.
A gerente permaneceu extremamente educada.
— O compartimento foi registrado sob instruções fiduciárias específicas.
— Em nome de quem?
— Não posso fornecer essa informação sem confirmação de identidade ou documentação sucessória apropriada.
Jacob colocou a chave sobre a mesa.
— Tenho a chave.
— Eu compreendo, senhor Black.
— E Isabella Swan...
Ele parou.
Por um instante, o passado pareceu atravessar sua expressão.
Sarah tocou discretamente sua mão.
Jacob respirou.
— Isabella Swan deixou essa chave para mim.
A gerente digitou alguma coisa.
Seu rosto mudou.
— Isabella Swan?
— Sim.
— Um momento.
Saiu.
Edward ficou tenso.
— Isso foi estranho.
Jacob olhou para ele.
— O quê?
— A reação.
Sarah assentiu.
— Ela reconheceu o nome.
Dez minutos.
Quinze.
Paul apareceu na porta.
— Senhor, talvez devêssemos...
A gerente voltou.
Trazia um envelope.
— Senhor Black, peço desculpas pela espera.
Colocou-o diante dele.
— Há uma instrução vinculada ao compartimento.
Jacob olhou.
— Que instrução?
— Caso alguém chamado Jacob Black aparecesse pessoalmente portando a chave, este envelope deveria ser entregue antes de qualquer procedimento.
O coração de Jacob acelerou.
— Quem deixou?
A gerente hesitou.
— Isabella Swan.
Ninguém falou.
Jacob pegou o envelope.
Seu nome estava escrito na frente.
Jacob.
A letra dela.
Sarah viu a mão dele tremer.
Muito pouco.
Mas tremeu.
— Quer ficar sozinho? — perguntou.
Jacob imediatamente respondeu:
— Não.
Olhou para ela.
— Fica.
Sarah aproximou sua cadeira.
Edward começou a levantar.
— Eu posso sair.
Jacob olhou para ele.
Durante alguns segundos, nenhum falou.
— Fica também.
Edward parou.
A surpresa foi evidente.
Jacob desviou os olhos.
— Se Isabella mencionou você em algum lugar, prefiro não precisar repetir.
Edward sentou novamente.
— Certo.
Jacob abriu.
Havia uma carta.
Curta.
Ele começou a ler.
Jacob,
se você está lendo isto, alguma coisa aconteceu antes que eu conseguisse contar pessoalmente.
Jacob parou.
Respirou.
Continuou.
Antes de qualquer coisa, sinto muito. Não pelo que descobri. Pelo que fiz com você. Não existe explicação para Edward que transforme minha escolha em algo menos cruel. Eu menti para você. Traí sua confiança e continuei aceitando seu amor enquanto escondia outro homem. Você não merecia isso.
Edward baixou os olhos.
Jacob ficou imóvel.
Sarah apertou sua mão.
Ele continuou.
Mas o que está neste cofre não é sobre nossa traição. É sobre Billy, meu pai e algo que começou antes de nós.
Jacob respirou fundo.
Billy não começou.
Meu pai também não.
Jacob parou.
Edward levantou os olhos.
Sarah franziu a testa.
Jacob continuou.
Eles entraram depois. E, quando entenderam o que estavam protegendo, tentaram sair.
Silêncio.
Jacob virou a página.
Se Billy estiver morto quando você ler isto, não aceite que foi apenas o coração dele sem verificar.
A mão de Jacob apertou o papel.
Sarah viu.
Se meu pai também estiver morto, procure Quil Mercer.
Edward ficou pálido.
Jacob ergueu os olhos.
— Quil.
Sarah lembrou imediatamente.
O antigo chefe de segurança de Billy.
Oficialmente morto.
Edward havia sido ajudado por ele anos depois da suposta morte.
Jacob continuou.
Quil sabe onde começou.
Mais uma linha.
E, Jacob, se Edward estiver vivo, escute antes de decidir o que fazer com ele. Não estou pedindo que perdoe. Não sei se eu mesma mereceria seu perdão. Mas ele sabe coisas que você vai precisar saber.
Jacob parou.
Edward virou o rosto.
— Ela sempre teve péssimo timing — murmurou.
Jacob quase respondeu.
Não conseguiu.
Havia uma última frase.
Eu queria ter voltado para casa naquela noite.
Jacob fechou os olhos.
Sarah segurou sua mão com mais força.
Durante alguns segundos, ninguém falou.
Então Jacob dobrou a carta.
Cuidadosamente.
— Quero abrir o cofre.
O compartimento ficava três andares abaixo.
Portas.
Códigos.
Biometria.
Assinaturas.
A gerente acompanhou-os até uma sala privada.
O cofre não era grande.
Jacob inseriu a chave.
Girou.
Um clique.
A porta abriu.
Dentro havia três coisas.
Uma pasta grossa.
Um pequeno disco rígido.
E uma caixa de madeira.
Edward soltou o ar.
— Meu Deus.
Jacob pegou a pasta primeiro.
Documentos.
Centenas.
Empresas.
Transferências.
Procurações.
Contratos.
Fotografias.
Sarah começou a separar.
— Blue Horizon.
Edward aproximou-se.
— Aster.
Jacob encontrou outro nome.
Northstar Maritime.
— Conhece? — perguntou.
Edward perdeu a cor.
— Sim.
— O que é?
— Uma empresa que não deveria existir mais.
— Por quê?
— Porque Charlie mandou fechar antes de eu trabalhar para você.
Sarah pegou outro documento.
— Não fechou.
Edward olhou.
— Não.
Jacob continuou.
Então encontrou uma lista.
Nomes.
Datas.
Valores.
Billy.
Charlie.
Outros que não reconhecia.
E no topo, repetido em vários documentos, apenas duas iniciais.
R.M.
Jacob franziu a testa.
— Quem é R.M.?
Edward olhou.
— Não sei.
Sarah não acreditou imediatamente.
— Tem certeza?
— Tenho.
Jacob estudou o rosto dele.
— Nunca ouviu?
— Não.
Sarah apontou.
— Então talvez seja quem precisamos identificar.
Jacob virou a página.
Outra anotação manuscrita de Isabella:
R.M. aparece antes de Billy. Antes de Charlie. É aqui que começa.
Ninguém falou.
Sarah sentiu um arrepio.
— Então Isabella descobriu.
Edward aproximou-se.
— Parte.
Jacob fechou a pasta.
— Disco.
Havia um laptop seguro na sala.
Edward conectou.
Senha.
— Claro — murmurou Jacob.
Sarah olhou para a carta.
— Isabella deixou alguma coisa?
Edward examinou o disco.
— Dica.
Na tela:
Onde você me pediu para ficar.
Jacob ficou imóvel.
Sarah olhou para ele.
— Sabe?
Jacob pensou.
Então lembrou.
Paris.
Dois anos antes da morte.
Isabella queria voltar cedo.
Ele precisava permanecer por negócios.
Tinham discutido.
No hotel, ela ameaçara pegar o primeiro voo.
Jacob segurara sua mão e dissera:
Fica comigo até amanhã.
Mas aquilo parecia amplo demais.
Então outra lembrança.
O restaurante.
Uma sobremesa.
Isabella rindo porque Jacob pronunciara francês de maneira terrível.
— “Demain.”
Edward franziu a testa.
— O quê?
— Amanhã.
Digitou.
DEMAIN
Erro.
Sarah pensou.
— “Onde”, não “quando”.
Jacob olhou para ela.
Sarah continuou:
— Onde você pediu para ela ficar.
Ele lembrou.
O hotel.
— Le Bristol.
Digitou.
Erro.
Edward suspirou.
— Ela gostava de complicar.
Jacob olhou para ele.
— Não ajude.
Sarah quase sorriu.
Então Jacob lembrou.
Não Paris.
Saint Claire.
A primeira vez que Isabella quis deixar a ilha depois de uma discussão com o pai.
Estavam na praia.
Ela estava chorando.
Jacob segurara seu rosto.
— Fica comigo.
— Onde? — perguntou Sarah.
Jacob olhou para ela.
— Na casa de hóspedes.
Edward ficou imóvel.
A lembrança atingiu os dois por motivos completamente diferentes.
Jacob percebeu.
A raiva tentou voltar.
Sarah apertou sua mão.
Agora não.
Jacob respirou.
Digitou:
SAINTCLAIRE
Erro.
Edward falou baixo:
— Ela chamava a casa de Blue House.
Jacob virou-se.
— O quê?
Edward percebeu o terreno.
— Isabella chamava assim.
— Nunca ouvi.
— Eu sei.
Jacob fechou os olhos.
Sarah interferiu.
— Tentamos.
Digitou:
BLUEHOUSE
A tela abriu.
Silêncio.
Jacob olhou para Edward.
— Odeio você.
Edward assentiu.
— Eu sei.
Mas havia tristeza, não provocação.
Centenas de arquivos.
Isabella tinha trabalhado durante meses.
Digitalizara documentos.
Gravara conversas.
Organizara datas.
Criara uma cronologia.
Sarah abriu o primeiro áudio.
Voz de Charlie.
Outra masculina.
Mais velha.
— Consegue reconhecer? — perguntou.
Jacob ouviu.
Não.
Edward também não.
No áudio, Charlie dizia:
— Billy quer sair.
A voz respondeu:
— Billy não decide.
Charlie:
— Ele pode destruir tudo.
A voz:
— Então impeça.
Fim.
Jacob sentiu o sangue gelar.
— Quando?
Sarah verificou.
— Cinco meses antes da morte de Billy.
Edward sentou-se.
— Merda.
Jacob abriu outro.
Charlie novamente.
Dessa vez nervoso.
— Não vou continuar.
A outra voz:
— Vai.
— Billy estava certo.
— Billy está morto.
Jacob ficou imóvel.
A voz continuou:
— E você continua vivo porque ainda é útil.
Fim.
Ninguém respirou.
Sarah olhou para a data.
— Três anos antes da morte oficial de Charlie.
Jacob se afastou da mesa.
— Então meu pai tentou sair.
— Parece — disse Sarah.
— E Charlie depois.
Edward assentiu.
— E Isabella descobriu.
— Sim.
Jacob olhou para a caixa de madeira.
Ainda não tinham aberto.
— O que tem ali?
Sarah puxou.
A caixa estava trancada.
Pequena fechadura.
Edward verificou.
— A chave não serve.
Jacob examinou.
Na tampa havia algo gravado.
J.B.
Seu coração acelerou.
— É para mim.
Sarah tocou seu braço.
— Parece.
Jacob tentou forçar.
— Não.
— Jacob.
— Não vou esperar outra chave.
Edward pegou a caixa.
— Posso?
Jacob hesitou.
Entregou.
Edward examinou a dobradiça.
— Antiga.
— E?
— Dá para abrir sem destruir.
— Faça.
Alguns minutos.
Clique.
A caixa abriu.
Dentro havia uma fotografia.
Apenas uma.
Jacob pegou.
Quatro homens.
Muito mais jovens.
Billy Black.
Charlie Swan.
Quil Mercer.
E um quarto homem.
Jacob não conhecia.
Edward, sim.
A reação foi instantânea.
Ele recuou.
— Não.
Jacob levantou os olhos.
— Quem é?
Edward ficou pálido.
— Não pode ser.
— Quem?
Edward apontou para o quarto homem.
— Aro Volturi.
Sarah franziu a testa.
— Volturi?
Edward assentiu lentamente.
— Sim.
Jacob olhou para a fotografia.
— Quem é ele?
Edward parecia ter dificuldade para respirar.
— Um homem ligado à Northstar Maritime.
Silêncio.
Sarah sentiu a conexão.
— A empresa que deveria ter sido fechada.
Edward assentiu.
— Sim.
Jacob virou a fotografia.
No verso havia uma frase.
Escrita por Billy.
Nós quatro começamos. Apenas dois tentaram terminar.
Jacob ficou imóvel.
— Quatro.
Sarah olhou para a fotografia.
Billy.
Charlie.
Quil.
Aro.
— Mas Isabella escreveu que Billy não começou.
Edward aproximou-se.
— Talvez “começamos” não signifique que criaram o esquema.
Sarah assentiu.
— Pode significar que entraram juntos em alguma fase.
Jacob colocou a fotografia sobre a mesa.
— E quais dois tentaram terminar?
Ninguém respondeu.
Billy, aparentemente, era um.
Charlie talvez o outro.
Ou Quil.
Ou Aro.
Ainda não sabiam.
Sarah pegou o último item no fundo da caixa.
Um envelope menor.
Na frente:
Para Jacob — somente depois de abrir todos os arquivos.
Jacob olhou para a quantidade de documentos.
— Isabella continua mandando em mim quatro anos depois de morta.
Edward soltou uma risada involuntária.
— Isso parece ela.
Jacob olhou.
Edward parou de rir.
Então, para surpresa de ambos, Jacob disse:
— Parece.
O silêncio mudou.
Sarah percebeu.
Pequeno.
Quase imperceptível.
Mas alguma coisa entre aqueles dois homens começava a encontrar um caminho através dos destroços.
Passaram mais de três horas na sala.
Fotografaram.
Copiaram.
Catalogaram.
Nada sairia dali sem duplicação.
Sarah insistiu.
Jacob concordou.
Edward concordou.
Jacob reclamou que Edward concordava demais com Sarah.
Sarah mandou os dois trabalharem.
Ao meio-dia, tinham certeza apenas de algumas coisas.
Billy tentou sair de alguma operação.
Charlie, em algum momento posterior, também demonstrou intenção de sair.
Isabella descobriu.
Quil Mercer sabia mais do que Edward havia contado.
Aro Volturi estava ligado à Northstar.
E alguém identificado apenas como R.M. aparecia em documentos anteriores à participação de Billy e Charlie.
Sarah fechou a pasta.
— Temos um problema.
Jacob olhou.
— Um?
— Um novo.
— Qual?
Ela mostrou as datas.
— Os registros com R.M. são anteriores à entrada de Billy e Charlie e continuam por vários anos.
Edward ficou imóvel.
Jacob compreendeu.
— Então R.M. não é necessariamente Aro.
— Exatamente — disse Sarah. — As iniciais podem pertencer a outra pessoa.
Edward levantou-se.
— Então passamos anos olhando para os nomes errados.
Sarah respondeu:
— Talvez.
Jacob pegou a fotografia.
— Precisamos encontrar Quil.
Sarah concordou.
— Primeiro precisamos sair daqui com segurança.
Jacob olhou para ela.
— Você está preocupada.
— Muito.
— Bom.
Sarah ergueu uma sobrancelha.
— Bom?
— Significa que finalmente está desenvolvendo instinto de autopreservação.
— Não exagere.
Edward aproximou-se da porta.
— Vou chamar Paul.
Jacob segurou seu braço.
Edward olhou.
— Não.
— O quê?
— Ninguém sai sozinho.
Edward observou a mão de Jacob.
Depois seu rosto.
— Está preocupado comigo?
Jacob soltou imediatamente.
— Não estrague.
Edward quase sorriu.
— Certo.
Quando deixaram o banco, Nassau estava tomada pela luz do início da tarde.
Paul saiu primeiro.
Os dois seguranças verificaram a rua.
Jacob manteve Sarah ao lado.
Edward atrás.
Chegaram ao carro sem problema.
Sarah soltou o ar.
— Viu? Nada aconteceu.
Jacob abriu a porta para ela.
— Não provoque o universo.
Sarah entrou.
Edward foi para o outro lado.
Então parou.
— Jacob.
O tom fez todos congelarem.
— O quê?
Edward olhava para o para-brisa.
Havia um envelope preso sob o limpador.
Paul sacou a arma.
Jacob puxou Sarah para trás.
— Fica.
Dessa vez ela não discutiu.
Paul retirou o envelope com luvas.
Nenhum fio.
Nenhum mecanismo.
Apenas papel.
Entregou a Jacob.
Ele abriu.
Uma fotografia.
Tirada naquela manhã.
Os três entrando no banco.
No verso:
Isabella chegou mais longe que Billy. Vocês acabaram de chegar mais longe que Isabella.
Sarah sentiu um frio.
Havia uma segunda linha.
Agora vocês têm a atenção dele.
Jacob releu.
— “Dele.”
Edward aproximou-se.
— Igual à mensagem.
Sarah lembrou.
Agora ele sabe que você está vivo.
Olhou para Jacob.
— São duas pessoas.
Jacob virou-se.
— O quê?
— Ou pelo menos a pessoa que manda as mensagens fala sobre outra.
Edward entendeu.
— Um observador e alguém acima dele.
Sarah assentiu.
— Talvez.
Jacob olhou para a rua.
Pessoas.
Carros.
Turistas.
Executivos.
Qualquer um.
— Entramos no carro. Agora.
O veículo partiu.
Jacob permaneceu com a mão sobre a de Sarah.
Edward observava pela janela traseira.
Paul falava com a segurança.
Então o telefone de Edward vibrou.
Todos olharam.
Edward abriu.
Uma mensagem.
Não voltem para Saint Claire.
Jacob aproximou-se.
Outra apareceu.
Ele está esperando vocês lá.
Sarah sentiu o coração acelerar.
Jacob pegou o próprio telefone.
Ligou imediatamente.
— Embry.
Nada.
Tentou novamente.
— Embry.
Sem resposta.
Jacob ficou branco.
— Ligue para a casa.
Paul tentou.
Nada.
Sarah sentiu o medo mudar de forma.
Jacob ligou outra vez.
Então alguém atendeu.
Silêncio.
— Embry?
Respiração.
Jacob ficou imóvel.
— Quem é?
Uma voz masculina respondeu.
Baixa.
Calma.
Desconhecida.
— Você abriu o cofre, Jacob.
O sangue dele gelou.
Sarah aproximou-se.
— Quem é você?
A voz ignorou.
— Seu pai deveria ter ensinado você a deixar certas coisas enterradas.
Jacob apertou o telefone.
— Onde está Embry?
Uma pausa.
— Vivo.
— Quero falar com ele.
— Ainda não.
— Se tocar nele...
A voz riu.
— Você ainda pensa como Billy.
Jacob parou.
— Você conheceu meu pai.
— Melhor do que você imagina.
A ligação terminou.
Jacob tentou retornar.
Número inexistente.
Sarah segurou seu rosto.
— Jacob.
Ele olhou para ela.
— Embry está vivo.
— Se acreditarmos nele.
— Por enquanto, precisamos.
Edward falou:
— Não podemos voltar para a ilha às cegas.
Jacob virou-se.
— Embry está lá.
— Eu sei.
— Então voltamos.
— E fazemos exatamente o que querem.
Jacob avançou.
— Ele é meu amigo.
Edward sustentou seu olhar.
— Eu sei.
A frase teve outro peso.
Porque Edward também havia sido.
Talvez ainda fosse alguma coisa próxima disso.
— Então me ajude — disse Jacob.
Edward assentiu.
— Vou ajudar.
Sarah pegou a fotografia encontrada no cofre.
Quatro homens.
Billy.
Charlie.
Quil.
Aro.
Olhou novamente.
Depois para Edward.
— Você disse que reconheceu Aro.
— Sim.
— Tem certeza?
— Absoluta.
Sarah apontou para Quil.
— E Quil?
— Claro.
Ela aproximou a foto da janela.
— Então temos outro problema.
Jacob olhou.
— Qual?
Sarah apontou para o reflexo de uma vitrine atrás dos quatro homens.
Uma quinta pessoa aparecia parcialmente.
Quase escondida.
Edward aproximou-se.
Seu rosto mudou.
— Meu Deus.
Jacob sentiu o estômago apertar.
— Quem é?
Edward ficou olhando.
— Não sei.
Sarah franziu a testa.
— Então por que essa cara?
Edward apontou para a mão da pessoa refletida no vidro.
Havia um anel.
Grande.
Escuro.
Com um símbolo.
Jacob reconheceu.
Não porque tivesse visto naquela fotografia.
Mas porque vira o mesmo símbolo durante toda a infância.
Gravado numa caixa que Billy mantinha trancada em seu escritório.
Uma caixa que desaparecera depois da morte dele.
Jacob ergueu os olhos.
— Eu conheço esse símbolo.
Sarah sentiu um arrepio.
— De onde?
Jacob respondeu:
— Do meu pai.
E naquele instante compreendeu que talvez o segredo de Billy Black nunca tivesse começado em Nassau.
Talvez tivesse começado dentro da própria casa onde Jacob crescera.
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