ILHA DOS DESEJOS

21 Capítulo 21 — A bússola não aponta para casa


Sarah acordou antes de Jacob.

Por alguns segundos, não se mexeu.

A cabeça estava apoiada sobre o peito dele, uma das pernas presa entre as dele e o braço pesado de Jacob envolvia sua cintura como se, durante a noite, tivesse decidido que aquela era a maneira mais eficiente de impedir que ela desaparecesse.

Sarah sorriu.

Era estranho como aquilo já parecia natural.

Três semanas antes, Jacob Black mal suportava a presença dela na própria casa.

Agora dormia abraçado a ela.

Sarah ergueu lentamente o rosto.

Jacob dormia de verdade.

Sem a testa franzida.

Sem tensão no maxilar.

Sem aquele estado permanente de alerta que parecia fazer parte dele.

Ela ficou olhando.

— Isso é perturbador.

A voz sonolenta a assustou.

— Você estava acordado?

Jacob não abriu os olhos.

— Agora estou.

— Eu só estava olhando.

— Exatamente.

Sarah apoiou o queixo no peito dele.

— Narcisista.

— Você estava me admirando.

— Estava verificando se ainda respirava.

Jacob finalmente abriu os olhos.

— E?

— Infelizmente.

Ele apertou sua cintura.

— Cruel.

— Realista.

Jacob virou-se rapidamente.

Sarah soltou um pequeno grito quando ficou presa sob ele.

— Jacob!

— Infelizmente?

— Foi brincadeira.

— Tarde.

— Temos pessoas na casa.

— Não me importo.

— Eu percebi.

Ele abaixou o rosto.

Sarah colocou a mão sobre sua boca.

— Café.

Jacob beijou a palma.

— Depois.

— Documentos.

Outro beijo.

— Depois.

— R.M.

Jacob parou.

Sarah sorriu.

— Funcionou.

— Golpe baixo.

— Extremamente eficiente.

Ele soltou um suspiro dramático e voltou a deitar.

Sarah riu.

— Cinco minutos.

Jacob virou o rosto.

— O quê?

Ela se aproximou novamente.

— Eu disse cinco minutos.

O sorriso dele apareceu lentamente.

— Finalmente está aprendendo a negociar.

— Cala a boca.

Dessa vez foi Sarah quem o beijou.


Vinte e sete minutos depois, chegaram à biblioteca.

Embry olhou para o relógio.

Depois para Sarah.

Depois para Jacob.

Sarah apontou para ele.

— Nem uma palavra.

Embry levantou as duas mãos.

— Eu não disse nada.

Edward, diante do computador, murmurou:

— Tecnicamente, você disse sete.

Sarah olhou para ele.

Edward ergueu os olhos.

Por um segundo houve silêncio.

Então um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.

Foi estranho.

Quase normal.

Jacob percebeu.

Não gostou exatamente.

Mas também não odiou.

Talvez aquilo fosse progresso.

Paul girou o notebook.

— Temos alguma coisa.

Sarah imediatamente se aproximou.

Na tela estava a página restaurada durante a madrugada.

AUTORIZAÇÃO EXTERNA — R.M.

Abaixo:

A.V. não possui autoridade para revogar unilateralmente.

Ephraim Black constava como testemunha.

Sarah leu duas vezes.

— Quando apareceu?

— O processamento terminou às quatro e treze.

Jacob aproximou-se.

— Então R.M. tinha autoridade acima de Aro.

Sarah imediatamente corrigiu:

— Não necessariamente acima.

Jacob respirou.

— Certo.

Ela apontou para o texto.

— Sabemos apenas que Aro não podia revogar sozinho alguma autorização ligada a R.M.

Quil apareceu à porta.

— Isso já é muito.

Todos olharam.

Ele se aproximou.

Leu.

Seu rosto mudou.

Sarah percebeu.

— Você já viu essa expressão antes.

— Não exatamente.

— Mas reconhece a linguagem.

Quil assentiu.

— Northstar funcionava com autorizações cruzadas.

— Explique.

— Nenhuma pessoa deveria controlar tudo.

Edward soltou uma risada amarga.

— Parece ter funcionado maravilhosamente.

Quil ignorou.

— No início, determinadas movimentações exigiam duas autorizações. Algumas três.

Sarah apontou.

— Então R.M. poderia ser uma pessoa com poder de veto.

— Poderia.

— Ou uma entidade.

— Sim.

Jacob cruzou os braços.

— Como descobrimos?

Quil respondeu:

— Procurando os estatutos originais.

— Onde?

— Se eu soubesse, já teria dito.

Embry soltou uma tosse que parecia muito com uma risada.

Jacob olhou.

— Está bem?

— Perfeitamente.

Sarah voltou ao documento.

— Harry escreveu que a mulher desconhecida talvez tivesse o original.

Quil assentiu.

— Exato.

— Então ela pode saber o que significa R.M.

— Talvez.

Jacob olhou para Paul.

— E a mulher?

Paul fechou o notebook.

— Encontramos mais imagens.


Foram para a sala de monitoramento.

Paul colocou na tela imagens recuperadas de câmeras do aeroporto de Nassau.

Quatro anos antes.

Isabella aparecia descendo do helicóptero.

Sozinha.

Sarah aproximou-se.

— Então Embry estava certo: a mulher não saiu de Saint Claire com ela.

— Sim.

Outra câmera.

Isabella entrando no terminal.

Onze minutos depois, a mulher aparecia.

Vinha de fora do aeroporto.

— Elas se encontraram em Nassau — disse Sarah.

— Sim.

Outra imagem.

As duas conversando.

A mulher entregava alguma coisa para Isabella.

Uma pasta.

A mesma pasta que Isabella carregava na fotografia já conhecida.

Edward se aproximou.

— Então a pasta veio dela.

Paul passou para a câmera seguinte.

As duas entravam num carro.

— Placa?

— Já pedi verificação.

Quil estava imóvel.

Sarah percebeu.

— Você reconheceu.

— Não.

— Quil.

— Não reconheci a mulher.

— Mas?

Ele apontou para o carro.

— Reconheci isso.

Ampliaram.

No para-brisa havia uma pequena autorização.

Um símbolo.

Não o da Northstar.

O mesmo da pulseira.

Edward confirmou:

— É o selo.

Sarah olhou para Quil.

— O que significa?

— Custódia.

— Custódia de quê?

— Ativos.

Jacob perdeu a paciência.

— Dinheiro?

— Não apenas.

Quil apontou para o símbolo.

— Esse selo era usado antes da Northstar. Muito antes.

Sarah sentiu um arrepio.

— Pela Fundação Clearwater?

Quil olhou para ela.

— Em alguns documentos, sim.

Sarah permaneceu imóvel.

— Então a mulher pode ter ligação com a fundação.

— Pode.

— Não comigo.

— Não disse isso.

— Ótimo.

Jacob colocou a mão em suas costas.

Sarah não afastou.

Paul avançou a gravação.

Quarenta e três minutos depois, Isabella e a mulher voltavam.

Isabella estava chorando.

Edward ficou imóvel.

Sarah percebeu.

— Você nunca a viu assim?

— Muitas vezes.

A resposta surpreendeu.

Edward continuou:

— Isabella chorava quando estava sozinha. Só não gostava que as pessoas vissem.

Jacob baixou os olhos.

Outra coisa que talvez nunca tivesse sabido sobre a mulher com quem quase se casara.

Na gravação, a desconhecida segurou o rosto de Isabella.

Disse alguma coisa.

Não havia áudio.

Depois a abraçou.

Não era um abraço formal.

Era íntimo.

Longo.

Isabella agarrou a mulher pela cintura.

Sarah sentiu algo mudar.

— Elas se conheciam.

— Sim — disse Edward.

— Bem.

— Parece.

Sarah olhou para ele.

Edward quase sorriu.

— Estou aprendendo.

Ela assentiu.

— Continue.

A mulher beijou a testa de Isabella.

Depois se afastou.

Isabella segurou seu braço.

Parecia não querer deixá-la ir.

Jacob observava.

— Quem era você? — murmurou.

A mulher finalmente se afastou.

Antes de sair do enquadramento, virou-se.

Por menos de dois segundos, a câmera capturou seu rosto quase de frente.

Paul congelou.

Melhorou a imagem.

Sarah se aproximou.

Quarenta e poucos anos na época.

Talvez cinquenta.

Cabelos escuros.

Traços finos.

Olhos impossíveis de distinguir.

Edward ficou imóvel.

— Eu já vi ela.

Jacob virou-se.

— Onde?

Edward fechou os olhos.

Tentou lembrar.

— Não sei.

— Edward.

— Estou tentando.

Ele passou a mão pelo rosto.

Então abriu os olhos.

— Funeral de Charlie.

Silêncio.

Quil virou-se.

— O quê?

— Ela estava no funeral de Charlie.

— Tem certeza? — perguntou Sarah.

— Não absoluta.

— Então?

— Acho que estava.

— Sozinha?

Edward pensou.

— No fundo.

— Falou com Isabella?

— Não lembro.

— Charlie estava fingindo estar morto naquele momento — disse Jacob.

Sarah percebeu.

— Se ela sabia...

— Poderia ter ido observar Isabella — completou Paul.

Sarah balançou a cabeça.

— Ou poderia acreditar que Charlie realmente estava morto. Ainda não sabemos.

Jacob olhou para ela.

— Você torna tudo mais difícil.

— A realidade faz isso.


A placa do carro voltou pouco antes do almoço.

O veículo pertencera, quatro anos antes, a uma empresa chamada Meridian Fiduciary Services.

Sarah parou.

— Meridian.

Edward olhou.

— M.

Jacob imediatamente respondeu:

— R.M.

Sarah levantou um dedo.

— Não.

Embry começou a rir.

Jacob fechou os olhos.

— Eu sabia que isso vinha.

— Temos uma empresa chamada Meridian. Isso não transforma R.M. em qualquer coisa Meridian.

— Certo.

Paul continuou:

— A empresa foi encerrada três anos atrás.

— Proprietário?

— Estrutura fiduciária. Beneficiário oculto.

— Administrador?

Paul olhou para Quil.

— Aro Volturi.

Silêncio.

Jacob soltou o ar.

— Naturalmente.

Sarah analisou.

— Então sabemos que o veículo usado pela mulher estava ligado a uma empresa administrada por Aro.

— Sim.

— Isso não significa que ela trabalhava para ele.

— Não.

Quil se aproximou.

— Talvez fosse o contrário.

Todos olharam.

— Explique — disse Sarah.

— Se ela era custodiante de ativos anteriores à Northstar, Aro poderia administrar a empresa para manter acesso ao que ela controlava.

Jacob franziu a testa.

— Isso é hipótese.

Quil sorriu.

— Muito bem.

Sarah olhou para Jacob.

— Estou orgulhosa.

— Não exagere.


Depois do almoço, Paul conseguiu uma lista parcial de passageiros internacionais associados à mulher.

Nada.

Nenhum nome consistente.

Helen Moore aparecia duas vezes.

Outros três nomes, todos aparentemente falsos.

Mas havia uma fotografia recente.

Seis meses antes.

Miami.

A mesma mulher.

Mais velha.

Viva.

Sarah sentiu o coração acelerar.

— Ela está viva.

Paul assentiu.

— Estava há seis meses.

— Como encontrou?

— O sistema comparou imagens de imigração disponibilizadas numa investigação financeira antiga.

— Nome usado?

Paul ampliou.

Helena Moore.

Edward soltou uma respiração.

— Quase o mesmo.

— Documento britânico — continuou Paul. — Provavelmente falso.

Sarah olhou para a mulher.

Ela existia.

Não era apenas uma fotografia de quatro anos atrás.

— Onde foi depois?

— Não sabemos.

Jacob cruzou os braços.

— Descubra.

Paul assentiu.

Quil aproximou-se da tela.

Ficou olhando.

— Espere.

— O quê? — perguntou Sarah.

— A cicatriz.

Ampliaram.

Havia uma pequena marca perto da sobrancelha direita.

Quil ficou pálido.

— Eu conheço ela.

Jacob imediatamente se virou.

— Quem?

Quil continuou olhando.

— Eu não a via há mais de vinte anos.

Sarah sentiu o coração acelerar.

— Nome.

Quil não respondeu.

— Quil.

Ele respirou fundo.

— Margaret.

— Margaret o quê?

Quil olhou para Sarah.

— Não sei qual sobrenome usa agora.

— Qual usava?

Quil hesitou.

— Clearwater.

O silêncio foi brutal.

Sarah não se mexeu.

Jacob imediatamente ficou ao lado dela.

— Não — disse Sarah.

Quil permaneceu quieto.

— Você acabou de dizer que não reconhecia.

— Não reconheci.

— E agora reconhece?

— A cicatriz.

— Isso não basta.

— Não.

Sarah respirou.

— Quem era Margaret Clearwater?

Quil respondeu:

— Uma das pessoas que administravam a fundação.

— Parente de Harry?

— Não sei.

Sarah soltou uma risada sem humor.

— Excelente.

— Sarah...

— Não.

Ela levantou a mão.

— Não vamos fazer novamente.

Olhou para todos.

— Clearwater não significa minha família.

— Certo — disse Jacob.

— Ela pode ter adotado o nome profissionalmente.

— Sim.

— Pode ter se casado com alguém chamado Clearwater.

— Sim.

— Pode ser parente.

— Também.

Sarah olhou para Quil.

— Mas você não sabe.

— Não.

— Então Margaret Clearwater é apenas uma mulher ligada à Fundação Clearwater que você conheceu décadas atrás.

— Sim.

— E você acredita que é a mulher da fotografia por causa da cicatriz.

— E do rosto.

— Acredita.

— Sim.

— Não sabe.

Quil assentiu.

— Não sei.

Sarah respirou.

— Ótimo.

Jacob olhou para ela.

— Você está bem?

— Não faço ideia.

Ele segurou sua mão.

Dessa vez ela apertou forte.


No final da tarde, Sarah saiu para a varanda.

Precisava de ar.

O mar estava absurdamente bonito.

Como sempre.

Aquilo começava a irritá-la.

A ilha podia ao menos colaborar com o clima.

Jacob apareceu alguns minutos depois.

Não perguntou se podia sentar.

Sentou.

Sarah continuou olhando o mar.

— Clearwater.

— Sim.

— Outra.

— Sim.

— Meu tio conhecia essa estrutura.

— Sim.

— Uma mulher com o mesmo sobrenome pode ter sido administradora.

— Pode.

Sarah olhou para ele.

— Você está aprendendo muito rápido.

— Sobrevivência.

Ela sorriu.

Depois ficou séria.

— Tenho medo de descobrir.

Jacob não respondeu imediatamente.

— De quê?

— Que minha família esteja no meio disso.

— E se estiver?

— Não sei.

— Continua sendo você.

Sarah olhou.

— É fácil dizer.

— Não.

Jacob aproximou a cadeira.

— Descobri que meu pai escondeu coisas de mim. Meu avô estava ligado à origem da Northstar. Minha noiva me traiu. Meu melhor amigo dormiu com ela. O pai dela desviava dinheiro e fingiu a própria morte.

Sarah fez uma careta.

— Quando você coloca assim...

— Minha família é uma catástrofe.

Ela riu.

— Jacob.

— E ainda sou eu.

Ele segurou sua mão.

— Você foi quem me ensinou isso.

Sarah baixou os olhos.

— Harry pode ter feito coisas que você não conhece.

— Pode.

— Sua mãe também pode saber coisas.

Sarah imediatamente ficou tensa.

Jacob percebeu.

— Não estou acusando.

— Eu sei.

— Estou dizendo que nenhuma delas muda quem você decidiu ser.

Sarah ficou quieta.

— Você decidiu acreditar nisso sobre Isabella?

A pergunta o pegou desprevenido.

Jacob olhou para o mar.

Demorou.

— Estou tentando.

— E Edward?

Outra demora.

— Mais difícil.

Sarah sorriu.

— Imaginei.

— Mas estou tentando separar o que ele fez de tudo que ele é.

— Isso parece quase perdão.

Jacob olhou para ela.

— Não abuse.

Sarah riu.

Ele a puxou pela cadeira até ficar mais perto.

— Ei!

— Longe demais.

— Estávamos a cinquenta centímetros.

— Exatamente.

Ela se inclinou.

— Controlador.

— Você sabia.

— Infelizmente.

Jacob beijou sua testa.

Sarah permaneceu encostada nele.

— Jacob?

— Hum?

— Ontem eu disse uma coisa.

Ele sorriu imediatamente.

— Eu lembro.

— Não sorria.

— Impossível.

— “Deve ser cansativo me amar.”

— Minha frase favorita.

Sarah revirou os olhos.

— Foi sem querer.

— Claro.

— Foi.

— Sarah.

Ela olhou.

Jacob estava sério agora.

— Não precisa explicar.

O coração dela acelerou.

— Por quê?

Ele passou o polegar por seus dedos.

— Porque eu também ainda não estou pronto para dizer algumas coisas.

Sarah respirou.

— Ainda?

— Ainda.

Ela sorriu.

— Covarde.

— Muito.

— Eu também.

Jacob levou a mão dela aos lábios.

— Então ficamos covardes juntos por enquanto.

— Combinado.


Às sete e quarenta e três da noite, Paul entrou na sala.

Sarah e Jacob estavam com os demais.

Ele não falou imediatamente.

Isso bastou para todos perceberem.

— O que aconteceu? — perguntou Jacob.

Paul colocou um envelope sobre a mesa.

— Encontraram isso no portão da propriedade.

Jacob ficou de pé.

— Quem?

— Ninguém viu.

— Câmeras?

— Falharam por quarenta e seis segundos.

Embry perdeu o humor.

— De novo?

— Sim.

Jacob olhou para Quil.

— Aro?

— Não sei.

Sarah aproximou-se.

— Não toque.

Paul já usava luvas.

Abriu.

Uma fotografia.

Sarah sentiu o sangue gelar.

Ela.

Jacob.

Na varanda.

Naquela tarde.

Sentados juntos.

A foto fora tirada de longe.

Da mata.

Jacob ficou pálido de raiva.

No verso havia uma frase:

Ela não pertence a esta história.

Sarah leu.

Depois novamente.

Jacob pegou a fotografia.

— Paul.

— Já estou fazendo varredura.

— Ninguém entra nem sai.

— Certo.

Quil olhava para a frase.

— Isso não parece Aro.

Jacob virou-se.

— Como sabe?

— Aro ameaça diretamente.

Sarah perguntou:

— Quem escreve assim?

Quil não respondeu.

Edward aproximou-se.

— Alguém que conhece Sarah.

Sarah olhou.

— Por quê?

— “Ela não pertence a esta história.”

Edward apontou.

— Não diz “afaste-a”. Não diz “ela vai morrer”. Diz que você não pertence.

Quil entendeu.

— Como se estivesse corrigindo alguma coisa.

Sarah sentiu frio.

Paul retirou outro papel do envelope.

— Tem mais.

Pequeno.

Uma única frase.

Sarah leu.

Harry queria você longe disso.

O mundo parou.

Jacob imediatamente olhou para ela.

Sarah não respirava.

— Quem sabe disso? — perguntou ele.

Quil respondeu:

— Pouquíssimas pessoas.

— Quem?

— Eu.

Sarah olhou para ele.

— Mais quem?

Quil pensou.

— Harry.

— Morto.

— Sim.

— Billy?

— Talvez.

— Morto.

— Sim.

— Margaret?

Quil ficou imóvel.

— Talvez.

Sarah pegou a fotografia.

No verso, abaixo da frase, havia algo que ninguém percebera.

Uma pequena marca.

Desenhada a lápis.

Uma bússola.

Sarah fechou os olhos.

Jacob tocou sua cintura.

— Sarah.

Ela abriu.

— Não.

— O quê?

— Não é ameaça.

Todos olharam.

— Como sabe? — perguntou Paul.

Sarah mostrou o desenho.

— Harry desenhava assim.

Silêncio.

— Essa bússola torta.

Ela passou o dedo próximo ao desenho, sem tocar.

— Colocava em cartões. Bilhetes. No canto dos meus desenhos quando eu era criança.

Jacob sentiu o corpo gelar.

— Está dizendo que Harry mandou isso?

— Não.

Sarah virou-se imediatamente.

— Harry está morto. Eu vi o corpo dele.

— Então alguém está imitando.

— Ou alguém conhecia esse símbolo.

Quil aproximou-se.

— Margaret.

Sarah olhou.

— Você não sabe.

— Não.

— Então não transforme em resposta.

— Certo.

Paul recebeu uma mensagem no celular.

Leu.

Seu rosto mudou.

— Encontramos uma embarcação.

Jacob virou-se.

— Onde?

— Enseada oeste.

— Pessoas?

— Vazia.

— Registro?

Paul mostrou.

O barco estava registrado em nome de uma pequena empresa.

Compass Maritime Ltd.

Sarah sentiu um arrepio.

— Bússola.

Edward olhou para ela.

— Pode ser coincidência.

Sarah quase sorriu.

— Obrigada.

— Estou aprendendo.

Paul continuou:

— Há uma coisa dentro do barco.

— O quê?

— Um telefone.

Jacob já estava andando.

Sarah segurou seu braço.

— Nós vamos juntos.

Ele olhou.

Não discutiu.

— Juntos.


O telefone estava sobre o banco do barco.

Um aparelho simples.

Sem contatos.

Sem histórico.

Uma única gravação de áudio.

Paul verificou o equipamento.

— Sem sinal de mecanismo ou explosivo.

Embry murmurou:

— Adoro que agora precisamos dizer isso.

Jacob não achou graça.

Sarah estava ao lado dele.

Paul apertou o play.

Estática.

Depois uma voz feminina.

Madura.

Calma.

— Sarah Clearwater.

Sarah ficou imóvel.

Jacob segurou sua mão.

A voz continuou:

— Se você encontrou a bússola, então Harry falhou na única coisa que realmente queria fazer.

Sarah sentiu os olhos arderem.

— Manter você fora disso.

Jacob apertou os dedos dela.

A mulher respirou.

— Não confie em mim porque conheço o nome dele.

Pausa.

— Não confie em Quil porque ele diz que o conheceu.

Quil endureceu.

— Não confie em Edward porque Isabella o amou.

Edward fechou os olhos.

— E não confie em Jacob apenas porque você o ama.

Sarah parou de respirar.

Jacob virou-se lentamente para ela.

Embry olhou para o chão.

Ninguém ousou falar.

A gravação continuou:

— Harry me ensinou que confiança não é prova.

Sarah sentiu uma lágrima escorrer.

Então a voz disse:

— A bússola não aponta para casa.

O mundo desapareceu.

Sarah fechou os olhos.

Harry.

Aeroporto.

Infância.

A voz dele.

O código.

Jacob apertou sua mão.

Sarah abriu os olhos.

E respondeu, quase num sussurro:

— Casa é onde alguém espera você voltar.

A gravação ficou silenciosa durante dois segundos.

Depois a mulher falou:

— Então você é mesmo a pequena dele.

Sarah começou a chorar.

A voz prosseguiu:

— Meu nome é Margaret.

Pausa.

— E, se você quiser saber quem é R.M., venha a Nassau.

Jacob imediatamente ficou tenso.

A gravação ainda não terminara.

— Não venha sozinha.

Outra pausa.

— Traga Jacob Black.

Jacob olhou para Sarah.

Então veio a última frase.

— E não conte a Quil.

O áudio terminou.

Ninguém se moveu.

Quil estava pálido.

Sarah olhou para ele.

Depois para Jacob.

Finalmente para o telefone.

Pela primeira vez, alguém não estava apenas deixando pistas sobre R.M.

Alguém afirmava saber a resposta.

E essa pessoa conhecia Harry.

Conhecia Sarah.

Conhecia Jacob.

Conhecia Quil.

E aparentemente tinha esperado anos para que a bússola finalmente fosse aberta.