ILHA DOS DESEJOS
18 Capítulo 18 — Os homens que permaneceram mortos
Quil não entrou na casa como convidado.
Também não entrou exatamente como prisioneiro.
Paul encontrou uma solução intermediária: retirou a arma dele, revistou-o duas vezes, confiscou o telefone e o fez sentar-se na cadeira mais distante da porta da sala enquanto dois homens da segurança permaneciam do lado de fora.
Quil aceitou tudo com uma tranquilidade que irritava profundamente Jacob.
Sarah percebeu isso antes mesmo de ele dizer qualquer coisa.
Jacob estava em pé diante da janela, os braços cruzados, o maxilar rígido. Edward permanecia do outro lado da sala, igualmente tenso. Embry, apesar do curativo na cabeça, recusara-se a sair. Paul mantinha-se próximo da porta.
E Quil observava todos eles.
— Pare de olhar para mim desse jeito — disse Jacob.
— Que jeito?
— Como se ainda me conhecesse.
Quil baixou os olhos.
— Conheci você.
— Eu era criança.
— Ainda assim conheci.
— Então deveria saber que minha paciência acaba rápido.
Um pequeno sorriso apareceu no rosto de Quil.
— Isso não mudou.
Jacob deu um passo.
Sarah segurou discretamente sua mão.
Não para impedi-lo.
Para lembrá-lo.
Jacob olhou para os dedos dela.
Respirou.
Sentou-se.
Quil percebeu.
— Ela faz bem para você.
— Mais uma observação sobre Sarah e eu esqueço que você conheceu meu pai.
— Certo.
Embry, no sofá, murmurou:
— Definitivamente continua sendo Jacob.
Sarah quase sorriu.
— Vamos começar pelo que sabemos — disse ela.
Quil olhou para ela.
— Certo.
— Você estava em Saint Claire na noite em que Isabella morreu.
— Sim.
— Edward saiu da antiga casa de hóspedes pouco depois das onze.
— Sim.
Edward se mexeu na cadeira.
Sarah continuou:
— Depois disso, Isabella encontrou Charlie.
— Sim.
— Você gravou parte dessa conversa.
— Sim.
— Charlie estava oficialmente morto havia onze meses.
— Sim.
— E você afirma que o acidente dele foi forjado.
— Foi.
Sarah inclinou levemente a cabeça.
— Você sabe ou acredita?
Quil a observou durante alguns segundos.
— Sei.
— Como?
— Porque ajudei a forjar.
Silêncio.
Jacob se levantou tão rapidamente que a cadeira arrastou no chão.
— Você fez o quê?
Quil não desviou os olhos.
— Eu ajudei Charlie Swan a morrer.
Edward também ficou de pé.
— Você falsificou a morte dele?
— Sim.
— Por quê?
— Porque naquele momento eu acreditava que estava salvando a vida dele.
Jacob soltou uma risada amarga.
— Parece que todo mundo nessa história comete atrocidades tentando salvar alguém.
Quil aceitou.
— Talvez seja exatamente esse o problema.
Sarah olhou para ele.
— Conte desde o começo.
Quil respirou profundamente.
— Alguns meses antes do acidente, Charlie descobriu que Aro sabia das movimentações que ele vinha fazendo nas estruturas ligadas ao patrimônio de Isabella.
Edward interrompeu:
— Movimentações sem autorização.
— Sim.
— Então ele estava roubando a própria filha.
Quil hesitou.
— Estava usando dinheiro que não tinha direito de usar.
— Isso tem um nome.
Quil sustentou o olhar.
— Charlie desviou dinheiro de Isabella.
Edward recostou-se.
Aquilo parecia doer de maneira diferente.
Sarah percebeu.
Charlie não era apenas o pai de Isabella.
Durante anos, fora uma espécie de mentor para Edward.
Talvez até uma figura paterna.
— Quanto? — perguntou Jacob.
— Naquela época? Aproximadamente vinte e três milhões.
Embry assobiou baixo.
— E os cento e oitenta e seis?
— Era o patrimônio total das estruturas em nome de Isabella. Charlie não conseguia acessar tudo.
Sarah perguntou:
— E Aro?
— Aro sabia.
— Permitiu?
— Em alguns momentos.
— Por quê?
— Controle.
Quil olhou para Jacob.
— Aro nunca emprestava dinheiro. Nunca dava favores. Ele comprava dívidas morais.
— Charlie ficou devendo.
— Muito.
Edward falou:
— Então o acidente.
Quil assentiu.
— Charlie entrou em pânico. Disse que queria desaparecer.
— E você ajudou.
— Sim.
Jacob não escondia o desprezo.
— Um carro numa estrada molhada.
— Foi encontrado incendiado.
Sarah franziu a testa.
— Então não havia corpo identificável.
— Havia restos mortais.
Todos ficaram imóveis.
— De quem? — perguntou Sarah.
Quil demorou.
— Eu não sei.
Jacob deu uma risada curta.
— Excelente.
— Essa é a verdade.
— Vocês colocaram um cadáver no carro e você não perguntou quem era?
— Não fui eu quem providenciou.
— Quem foi?
Quil olhou para ele.
— Charlie.
O silêncio ficou pesado.
Sarah se inclinou para frente.
— Isso muda muito.
— Eu sei.
— Você acreditou que ele havia conseguido um corpo sem matar ninguém?
Quil apertou o maxilar.
— Ele disse que Aro tinha providenciado.
Edward soltou uma risada amarga.
— E isso tranquilizou você?
— Não.
— Mas ajudou mesmo assim.
— Sim.
Quil não tentou se defender.
— Foi um dos maiores erros da minha vida.
Jacob permaneceu olhando para ele.
— Um dos?
Quil não respondeu.
Sarah percebeu.
Havia mais.
— Continue.
Quil passou a mão pelo rosto.
— Charlie desapareceu. Isabella acreditou que o pai estava morto. Todos acreditaram.
— Billy já tinha morrido nessa época — disse Jacob.
— Havia quase dois anos.
— Então meu pai nunca soube que Charlie forjou a morte.
— Não.
Aquilo estabelecia definitivamente a linha temporal.
Billy deixara seus avisos.
Morrera.
Anos depois, Charlie forjara a própria morte.
E onze meses depois, Isabella morrera.
— Onde Charlie ficou? — perguntou Edward.
— Europa inicialmente. Depois Caribe. Mudava muito.
— E como Isabella descobriu que ele estava vivo? — perguntou Sarah.
Quil olhou para ela.
— Nassau.
Jacob se inclinou.
— O cofre.
— Parte da resposta estava lá.
Sarah franziu a testa.
— Nós abrimos o cofre. Não havia nenhum documento dizendo claramente que Charlie estava vivo.
— Porque Isabella retirou algumas coisas antes de esconder o restante.
Silêncio.
Edward ergueu a cabeça.
— Quando?
— Dois dias antes de morrer.
Jacob ficou imóvel.
— Isabella esteve em Nassau dois dias antes de morrer?
— Sim.
Embry franziu a testa.
Então sua expressão mudou.
— O helicóptero.
Todos olharam para ele.
— Que helicóptero? — perguntou Jacob.
— O da propriedade.
Embry se levantou devagar.
— Isabella saiu de manhã. Voltou no fim da tarde.
Jacob olhou para ele.
— Você sabia disso?
— Sabia que ela tinha saído. Não sabia por quê nem para onde exatamente.
— E nunca achou importante mencionar?
Embry perdeu a paciência.
— Jacob, quatro anos atrás sua noiva usar um helicóptero não era um acontecimento suspeito! Ela fazia viagens! Você fazia viagens! Eu não tinha uma lista intitulada “coisas que talvez sejam importantes se alguém morrer dois dias depois”.
Jacob fechou a boca.
Sarah murmurou:
— Ponto para Embry.
Jacob lançou-lhe um olhar.
Ela não recuou.
— Isabella foi sozinha? — perguntou Sarah.
Embry começou a responder.
Parou.
Franziu a testa.
— Não.
Edward se endireitou.
— Quem estava com ela?
Embry tentou lembrar.
— Uma mulher.
Silêncio.
Sarah olhou para Quil.
Ele não reagiu.
— Você conhece essa mulher? — perguntou ela.
— Não sei de quem Embry está falando.
— Embry?
Ele fechou os olhos por um momento.
— Eu a vi de longe. Uns quarenta anos, talvez mais. Cabelo escuro. Isabella parecia conhecê-la.
— Funcionária? — perguntou Paul.
— Não reconheci.
— Chegou como?
— Não lembro.
Jacob perguntou:
— Nome?
Embry balançou a cabeça.
— Não ouvi.
Sarah assentiu.
— Então é só isso que temos: uma mulher ainda não identificada acompanhou Isabella numa viagem dois dias antes da morte.
Jacob olhou para Quil.
— E você sabia dessa viagem?
— Soube depois.
— Como?
— Charlie.
Edward ficou tenso.
— Charlie sabia.
— Sim.
— Isabella contou?
— Não sei.
— Então como?
Quil respirou fundo.
— Porque Charlie encontrou Isabella antes de voltar para Saint Claire.
Silêncio.
Jacob aproximou-se.
— Antes da noite em que ela morreu?
— Sim.
— Quando?
— No dia seguinte à viagem a Nassau.
Sarah sentiu a peça se encaixar.
— Então a conversa gravada em Saint Claire não foi o primeiro reencontro deles.
— Não.
Edward ficou pálido.
— Isabella descobriu que Charlie estava vivo, foi a Nassau e depois encontrou o pai.
— Essa é a sequência que consegui reconstruir.
Sarah imediatamente perguntou:
— Conseguiu reconstruir ou testemunhou?
— Reconstruí. Eu só testemunhei o encontro em Saint Claire.
— Melhor.
Quil quase sorriu.
Jacob não.
— O que Isabella queria de Charlie?
— A verdade.
— Sobre?
— Billy. Aro. O dinheiro. A falsa morte.
Quil hesitou.
— E sobre o que Charlie tinha feito usando o nome dela.
Edward perguntou:
— Ela queria contar tudo a Jacob?
— Sim.
Jacob ficou imóvel.
— Inclusive sobre Edward?
Quil olhou para ele.
— Eu não sabia do caso naquela época.
Edward respirou fundo.
— Então não diga que sabia o que ela pretendia contar sobre mim.
Quil assentiu.
— Justo.
Sarah olhou para Edward.
Aquilo importava.
Quil não podia saber tudo.
Ninguém podia.
— Mas Isabella me disse uma coisa naquela noite — continuou Quil.
Jacob voltou-se.
— O quê?
— Que, antes do amanhecer, você saberia quem ela realmente era.
Jacob perdeu a expressão.
Sarah sentiu sua mão fechar.
Não sabia se aquilo era arrependimento.
Confissão.
Medo.
Provavelmente os três.
— E ela não teve o amanhecer — disse Jacob.
Quil baixou os olhos.
— Não.
Paul colocou o telefone de Quil sobre a mesa.
— Agora isso.
Quil olhou.
— O quê?
— Você disse que está seguindo homens de Aro. Quero saber como.
— Não vai encontrar nomes úteis.
— Deixe que eu decida.
Quil deu a senha.
Paul abriu.
Poucos contatos.
Mensagens codificadas.
Fotografias.
Números descartáveis.
Sarah se aproximou.
Uma conversa recente chamou sua atenção.
Contato sem nome.
Última mensagem:
C não estava sozinho.
Sarah ficou imóvel.
— Charlie não estava sozinho quando encontrou Isabella.
Quil aproximou-se.
— Eu nunca vi essa mensagem.
Paul olhou para ele.
— Chegou ontem às três e dezessete.
Quil pegou o telefone.
Leu.
Seu rosto mudou.
Jacob percebeu.
— Quem mandou?
— Não sei.
— Mas reconhece o padrão.
— Sim.
— De quem?
Quil demorou.
— Alguém que já me passou informações sobre Aro.
— Nome.
— Nunca tive.
Sarah leu a mensagem anterior.
Ela viu o anel.
Jacob ficou imóvel.
— O anel.
A fotografia antiga.
O reflexo.
A quinta pessoa.
O símbolo.
Sarah olhou para Quil.
— Aro usa um anel com aquele símbolo?
— Usa.
— Então foi ele?
— Não.
Jacob franziu a testa.
Quil continuou:
— O símbolo não pertence a Aro.
— A quem pertence?
— À Northstar original.
Sarah sentiu um arrepio.
— Quantas pessoas tinham?
— Cinco.
Todos olharam para a fotografia.
Quatro homens visíveis.
Billy.
Charlie.
Quil.
Aro.
E uma quinta pessoa refletida ao fundo.
Jacob pegou a fotografia.
— Billy tinha o anel.
— Sim.
— Charlie?
— Sim.
— Você?
Quil ergueu a mão vazia.
— Tive.
— Aro.
— Tem.
— E o quinto?
Quil ficou em silêncio.
Jacob soltou o ar.
— Não faça isso.
— Jacob...
— Não.
Colocou a fotografia sobre a mesa.
— Você acabou de passar meia hora explicando como todo mundo mentiu para proteger todo mundo. Meu pai fez isso. Charlie fez isso. Isabella fez isso. Edward fez isso.
Edward não contestou.
Jacob apontou para Quil.
— Você não vai fazer.
Quil fechou os olhos.
Quando abriu, havia resignação.
— Ephraim Black.
Jacob não reagiu imediatamente.
Sarah olhou para ele.
— Quem?
A resposta veio baixa.
— Meu avô.
Embry ficou imóvel.
— Ephraim?
Quil assentiu.
— Ele foi um dos cinco.
Jacob levantou a fotografia.
— Está dizendo que meu avô está naquele reflexo?
— Não.
Sarah percebeu imediatamente.
— Então não sabemos quem é a pessoa refletida.
Quil olhou para ela.
— Correto.
— Ephraim fazia parte do grupo, mas isso não prova que seja ele na fotografia.
— Exatamente.
Jacob respirou fundo.
Mais uma possibilidade que não podia ser transformada em fato.
— O que meu avô tinha a ver com Northstar?
Quil se acomodou novamente.
— Mais do que Billy queria que você soubesse.
— Isso não responde.
— Ephraim participou da estrutura inicial que mais tarde se tornou a Northstar Maritime.
— Com Aro?
— Sim.
— Charlie?
— Entrou depois.
— Você?
— Depois de Ephraim e Aro, antes de Charlie.
Jacob olhou para os documentos.
— Então Billy herdou o problema.
— Em parte.
— Mas também participou.
— Sim.
— E tentou sair.
— Sim.
Sarah perguntou:
— Por que Isabella escreveu que Billy não começou tudo?
Quil olhou para ela.
— Porque não começou.
— Ephraim começou.
— Parte.
Sarah estreitou os olhos.
— Você continua escolhendo palavras.
— Porque essa história é cheia de gente que pegou uma estrutura existente e transformou em outra coisa.
Quil apontou para os documentos.
— Ephraim ajudou a criar uma rede de investimentos. Aro transformou essa rede. Billy herdou participações. Charlie explorou falhas. Cada geração colocou uma camada em cima da anterior.
Jacob permaneceu em silêncio.
Aquilo fazia mais sentido do que um único vilão responsável por décadas de acontecimentos.
— E Isabella começou a desmontar — disse Sarah.
Quil assentiu.
— Sim.
Edward olhou para a fotografia.
— Por isso ficou perigosa.
Quil respondeu:
— Para algumas pessoas.
Jacob ergueu os olhos.
— Inclusive Charlie.
Quil demorou.
— Talvez.
— Ele roubou dinheiro dela.
— Sim.
— Fingiu a própria morte.
— Sim.
— Voltou quando ela descobriu.
— Sim.
— E estava com ela horas antes de morrer.
— Sim.
Jacob se aproximou.
— Parece bastante ruim.
Sarah respondeu antes de Quil:
— Parece. Ainda não prova que matou Isabella.
Jacob olhou para ela.
Respirou.
— Eu sei.
Sarah sustentou o olhar.
E acreditou nele.
A discussão durou quase duas horas.
Ao final, Paul tinha uma cronologia escrita.
Billy morrera sete anos antes.
Charlie forjara a própria morte aproximadamente cinco anos antes.
Onze meses depois, Isabella morrera.
Dois dias antes de morrer, Isabella fizera uma viagem a Nassau acompanhada por uma mulher ainda não identificada.
No dia seguinte, encontrara Charlie em local desconhecido.
Na noite da morte, encontrara Charlie novamente em Saint Claire.
Quil filmara parte daquela conversa.
Edward estivera com Isabella antes disso e a deixara viva.
Quil também a deixara viva.
Um barco ligado à Northstar chegara à ilha naquela noite.
Ninguém ainda podia provar quem estava a bordo.
E ninguém podia provar quem colocou Isabella no mar.
Sarah observou a cronologia.
— Finalmente.
Jacob olhou.
— Finalmente o quê?
— Uma lista que separa o que sabemos do que estamos supondo.
Embry levantou a mão.
— Proponho emoldurar.
Jacob lançou-lhe um olhar.
— Você levou uma pancada forte demais.
— Provavelmente.
Edward permanecia olhando para uma linha específica.
Mulher não identificada — Nassau.
Sarah percebeu.
— Está tentando lembrar se Isabella falou de alguém.
— Sim.
— E?
— Nada.
Quil perguntou:
— Como ela se comportou quando voltou de Nassau?
Embry pensou.
— Diferente.
Jacob olhou.
— Diferente como?
— Quietíssima.
— Isabella já era reservada quando queria.
— Não daquele jeito.
Embry fechou os olhos.
— Ela desceu do helicóptero segurando uma pasta contra o peito.
Sarah perguntou:
— E a mulher?
— Não voltou com ela.
Silêncio.
Edward se levantou.
— Então Isabella deixou essa mulher em Nassau.
— Parece.
— Ou ela nunca entrou no helicóptero de volta — disse Sarah.
Jacob olhou para Paul.
— Descubra tudo que puder sobre aquele voo.
Paul assentiu.
— Registros de quatro anos atrás podem ser difíceis.
— Faça o possível.
— Vou fazer.
Quil observava a cronologia.
De repente ficou imóvel.
Sarah percebeu.
— O quê?
— A data.
— Qual?
Ele apontou para a viagem de Isabella.
— Dois dias antes.
— Sim.
Quil pegou o telefone.
Abriu uma pasta de fotografias.
Rolou.
Parou.
Colocou o aparelho sobre a mesa.
Uma imagem ruim.
Captura de câmera de segurança.
Aeroporto em Nassau.
Quatro anos antes.
Isabella atravessando um corredor.
Ao lado dela, uma mulher de cabelos escuros.
Embry se aproximou.
— É ela.
Edward ficou imóvel.
Jacob olhou para Quil.
— De onde tirou isso?
— Recebi depois da morte de Isabella.
— De quem?
— Não sei.
Sarah aproximou a imagem.
A mulher estava parcialmente de perfil.
Óculos escuros.
Uma pasta na mão.
No pulso, uma pulseira metálica.
Sarah ampliou.
— Esperem.
Havia um símbolo.
Não o da Northstar.
Outro.
Edward aproximou-se.
Seu rosto mudou.
— Eu já vi isso.
Jacob olhou para ele.
— Onde?
Edward permaneceu encarando a tela.
— No escritório de Charlie.
— O que é?
— Não sei.
— Edward.
— Eu não sei.
Ele ampliou a imagem.
— Mas Charlie tinha exatamente esse símbolo num selo.
Quil ficou pálido.
Sarah percebeu.
— Você sabe.
Quil olhou para a fotografia.
— Talvez.
Jacob se aproximou.
— Chega de “talvez”.
Quil não respondeu imediatamente.
— Eu preciso ver uma coisa.
— O quê?
— Os documentos do cofre de Nassau.
Jacob estreitou os olhos.
— Por quê?
Quil apontou para o símbolo.
— Porque, se isso for o que estou pensando, a mulher não estava ajudando Isabella a encontrar Charlie.
Sarah sentiu o arrepio.
— Estava ajudando Isabella a encontrar outra coisa.
— O quê?
Quil olhou para Jacob.
— O arquivo que Charlie passou anos tentando destruir.
Silêncio.
— Que arquivo?
Quil respirou fundo.
— O registro original da Northstar.
Edward franziu a testa.
— O livro-caixa?
— Não.
Quil balançou a cabeça.
— O documento que diz quem realmente era dono de cada coisa antes de Billy, Charlie e Aro começarem a mover o dinheiro.
Sarah compreendeu.
— Se Isabella encontrou isso...
— Ela podia provar não apenas que dinheiro havia sido desviado.
Quil olhou para a fotografia da mulher desconhecida.
— Podia provar de quem ele tinha sido roubado.
Jacob ficou imóvel.
— E de quem era?
Quil ergueu os olhos.
— Essa é justamente a parte que Charlie nunca quis que ninguém descobrisse.
Do lado de fora, o mar de Saint Claire continuava calmo.
Dentro da casa, pela primeira vez, eles tinham uma pista que não apontava para um morto.
Apontava para uma mulher sem nome.
Uma mulher que estivera com Isabella apenas dois dias antes de sua morte.
E que talvez ainda soubesse exatamente o que Isabella encontrou.
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