ILHA DOS DESEJOS
14 CAPÍTULO 14 - O que os pais escondem
— Mais uma coisa que todos sabiam menos eu.
A frase de Jacob permaneceu no escritório.
Edward não respondeu.
Sarah observou os dois homens e percebeu que a raiva de Jacob não era exatamente a mesma que surgia quando falavam de Isabella. Isabella havia ferido o homem. Edward havia destruído o amigo. Charlie atingira sua confiança.
Billy alcançava o filho.
E talvez fosse justamente por isso que Jacob parecia mais controlado.
Não havia socos.
Não havia gritos.
Apenas aquela quietude perigosa.
Sarah se aproximou da mesa.
— Edward, você disse que Billy e Charlie faziam negócios juntos. O que consegue provar?
Edward olhou para ela.
— Transferências.
— Quantas?
— Tenho registro de nove.
Jacob levantou os olhos.
— Nove?
— Entre empresas ligadas ao grupo Black e estruturas administradas por Charlie.
— Quanto?
— Aproximadamente vinte e oito milhões.
Jacob ficou imóvel.
— Dólares?
— Sim.
Embry assobiou baixo.
Jacob virou-se.
— Não.
Embry levantou as mãos.
— Foi involuntário.
Sarah ignorou os dois.
— Em quanto tempo?
— Três anos.
— Antes da morte de Billy?
— Sim.
Jacob cruzou os braços.
— Meu pai tinha investimentos internacionais. Vinte e oito milhões não eram uma quantia impossível para ele movimentar.
— Concordo — disse Edward.
Jacob pareceu irritado.
— Você está concordando muito comigo ultimamente.
— Estou tentando não apanhar.
Embry tossiu para esconder uma risada.
Sarah não conseguiu evitar um sorriso.
Jacob olhou para os três.
— Excelente. Agora sou entretenimento.
— Um pouco — admitiu Sarah.
Ele lançou-lhe um olhar.
Ela voltou imediatamente aos documentos.
— Continuando.
Edward puxou uma pasta.
— O problema não é apenas o dinheiro.
Jacob abriu.
Havia cópias de transferências, constituições societárias, procurações.
— Então qual é?
Edward apontou para uma data.
— Esta foi a última transferência autorizada pessoalmente por Billy.
Jacob leu.
US$ 6.800.000.
Destino: Aster Holdings Ltd.
— E?
— Veja a data.
Jacob viu.
Quatro meses antes da morte do pai.
Sarah aproximou-se.
— E depois?
Edward mostrou outro documento.
— Dois dias depois, Billy enviou uma ordem para Charlie desfazer a operação.
Jacob franziu a testa.
— Desfazer?
— Integralmente.
— O dinheiro voltou?
— Não.
Silêncio.
— Por quê?
— Charlie alegou que a estrutura já estava comprometida com outro investimento.
— Qual?
— Nunca especificou.
Jacob riu sem humor.
— Meu pai aceitou isso?
— Não.
Edward colocou outro documento sobre a mesa.
Uma carta.
Jacob reconheceu a assinatura antes de ler.
Billy.
Seu pai.
A letra firme.
Direta.
Sem delicadeza.
Muito Billy Black.
Jacob leu em silêncio.
Sarah observou seu rosto.
— O que diz?
Ele não respondeu.
Entregou a folha.
Sarah leu.
Charlie,não estou pedindo. Estou determinando. Encerre a Aster, devolva os ativos e elimine qualquer vínculo restante com o nome Black. Você ultrapassou o que foi autorizado. Não haverá outra advertência.B.Sarah levantou os olhos.
— “Ultrapassou o que foi autorizado.”
Edward assentiu.
— É a frase importante.
Jacob pegou a carta novamente.
— Isso prova que meu pai sabia de alguma coisa.
Sarah fez uma pequena pausa.
— Prova que ele sabia dessa operação e que, naquele momento, discordava do que Charlie tinha feito. Ainda não sabemos até onde ia o conhecimento dele sobre o restante.
Jacob olhou para ela.
— Mas mostra que queria sair.
— Dessa operação, sim.
Edward assentiu.
— É o que os documentos sustentam.
Jacob olhou de Edward para Sarah.
— Vocês combinaram isso?
— O quê? — perguntou Sarah.
— Essa mania de corrigir cada frase minha.
— Chama-se evitar conclusões precipitadas.
Edward murmurou:
— Estou começando a achar útil.
Jacob apontou para ele.
— Não ajude.
Embry sorriu.
— Está ficando divertido outra vez.
— Embry.
— Já calei.
Jacob voltou-se para Edward.
— Quando foi a discussão que você ouviu?
Edward verificou os papéis.
— Doze dias depois desta carta.
— Em Nassau.
— Sim.
— E Billy disse que queria encerrar tudo.
Edward hesitou.
— Disse que queria “acabar com aquilo”. Foi o que ouvi. Não sei se falava apenas da Aster ou de toda a estrutura.
Sarah assentiu.
— Melhor.
Edward ergueu uma sobrancelha.
— Estou sendo avaliado?
— Constantemente.
Jacob quase sorriu.
Quase.
— Quatro meses depois meu pai morreu.
— Sim — respondeu Edward.
Jacob ficou olhando para a assinatura.
Sarah viu sua mão apertar o papel.
— Jacob.
— Estou bem.
— Você usa muito essa frase.
— Porque vocês perguntam demais.
Ela tocou seu braço.
— Não precisa defender Billy de uma acusação que ninguém fez.
Ele olhou para ela.
Sarah continuou:
— Até agora, os documentos mostram que ele participou de estruturas financeiras administradas por Charlie e que, em determinado momento, exigiu o encerramento de pelo menos uma delas. Não sabemos por que entrou. Não sabemos tudo o que sabia. E não sabemos se a tentativa de sair teve qualquer relação com a morte dele.
Edward assentiu.
— Concordo.
Jacob olhou para ele.
— Pare.
— O quê?
— De concordar com Sarah.
Edward franziu a testa.
— Por quê?
— Porque me irrita.
Sarah começou a rir.
— Isso não faz nenhum sentido.
— Não precisa.
Embry apontou para Jacob.
— Ciúme.
— Embry.
— Já calei.
Edward, para surpresa de todos, sorriu.
Jacob viu.
E, por um instante, alguma coisa antiga apareceu.
Tão rápida que quase não existiu.
Uma memória.
Edward sentado em sua cozinha anos antes, provocando-o por alguma mulher.
Embry rindo.
Jacob mandando os dois para o inferno.
O momento passou.
Mas existiu.
Edward percebeu também.
O sorriso desapareceu.
Jacob desviou os olhos.
Ainda era cedo demais.
— Continue — ordenou.
Passaram quase duas horas reconstruindo uma cronologia.
Billy e Charlie começaram a movimentar dinheiro juntos pelo menos nove anos antes.
Sete anos antes, Billy exigira que uma das operações fosse desfeita.
Quatro meses depois, Billy morreu, oficialmente de um infarto.
Charlie continuou administrando algumas das empresas.
Dois anos depois, Charlie foi dado como morto em um suposto acidente de carro em Nassau.
Onze meses depois, Isabella morreu em Saint Claire.
Edward desapareceu três dias após o funeral.
Sarah escreveu tudo numa grande folha.
Depois ficou olhando.
— Tem alguma coisa errada.
Jacob levantou os olhos.
— Além de tudo?
— Na sequência.
Ela apontou.
— Billy tenta encerrar a Aster.
Desceu o dedo.
— Morre quatro meses depois.
Outro ponto.
— Charlie mantém estruturas funcionando.
Outro.
— É dado como morto.
Outro.
— Isabella descobre as estruturas e começa a investigar.
Outro.
— Morre.
Edward completou:
— Eu sabia parte da história.
Sarah olhou para ele.
— E, segundo o que você contou, alguém tentou matar você depois do funeral.
Silêncio.
Embry cruzou os braços.
— Parece um padrão.
Sarah assentiu lentamente.
— Parece. Mas ainda não sabemos se é um padrão real ou se estamos conectando acontecimentos diferentes porque todos envolvem as mesmas pessoas.
Jacob olhou para a linha.
— Pessoas descobrem alguma coisa.
Sarah virou-se.
— Ou tentam sair.
Edward ficou imóvel.
— Billy tentou sair.
— De pelo menos uma operação — corrigiu Sarah.
Jacob apontou para ela.
— Você não cansa?
— Não.
Embry riu.
Sarah continuou:
— Sobre Charlie, ainda sabemos menos.
Jacob franziu a testa.
— Isabella acusou alguém de matar o pai.
— Exatamente. Isabella disse: “Você matou meu pai”. Isso nos diz o que ela acreditava ou do que acusava aquela pessoa. Não nos diz exatamente o que aconteceu.
Edward começou a andar.
— Mas Isabella encontrou alguma coisa que Charlie deixou.
Sarah assentiu.
— E isso nos leva à chave.
Jacob olhou para ela.
— Nassau.
— Precisamos encontrá-la.
— A fundação.
Sarah assentiu.
— Isabella escreveu “procure na casa”. Encontramos a caixa, mas Edward disse que havia outra coisa.
Edward aproximou-se.
— A chave era pequena. Latão. Tinha uma plaqueta azul.
Jacob franziu a testa.
— Você viu?
— Uma vez.
— Onde Isabella guardava?
— Não sei.
Jacob riu sem humor.
— Impressionante como você conhecia minha noiva intimamente e, ao mesmo tempo, não sabe nada útil sobre onde ela guardava coisas.
O golpe foi deliberado.
Edward ficou quieto.
Sarah fechou os olhos.
— Jacob.
— O quê?
— Desnecessário.
— Verdadeiro.
Edward respondeu antes dela:
— Os dois.
Jacob olhou para ele.
Edward continuou:
— Foi verdadeiro e desnecessário.
Embry virou o rosto para esconder um sorriso.
Jacob apertou a mandíbula.
— Estou começando a odiar o fato de todos vocês terem opinião.
Sarah aproximou-se dele.
— Vai sobreviver.
— Duvidoso.
Ela sorriu.
— Vamos procurar a chave.
O sol estava alto quando chegaram às ruínas da antiga casa de hóspedes.
Desta vez não havia leveza.
Paul e outros dois seguranças cercavam a área.
Jacob havia proibido qualquer pessoa de entrar na mata sem comunicação constante.
Sarah olhou para ele.
— Você percebe que trouxe praticamente uma operação militar?
— Sim.
— Para procurar uma chave.
— Depois de alguém fotografar você escondido?
— Argumento aceito.
Edward caminhou até a antiga fundação.
Parou.
Jacob observou.
— O quê?
Edward olhava para o lugar onde antes existira a varanda.
— Nada.
— Você sempre diz “nada” antes de dizer alguma coisa irritante.
Edward soltou uma respiração.
— A última vez que estive aqui, a casa ainda existia.
Jacob endureceu.
Sarah percebeu.
— E Isabella estava viva — completou Edward.
Jacob ficou quieto.
Edward apontou para uma parte da fundação.
— O quarto ficava ali.
Jacob virou-se imediatamente.
— Não preciso de passeio turístico.
Edward fechou os olhos.
— Certo.
Sarah segurou a mão de Jacob.
Ele olhou.
Ela não disse nada.
Apenas apertou.
Funcionou.
— Onde procuramos? — perguntou Jacob.
Edward caminhou até o que restava da cozinha.
— Isabella disse que tinha encontrado um lugar onde Charlie nunca procuraria.
— Por quê?
— Porque ele odiava esta casa.
Sarah franziu a testa.
— Charlie vinha para Saint Claire?
Jacob respondeu:
— Algumas vezes.
— E odiava a casa?
Edward assentiu.
— Dizia que era velha, úmida e pequena demais.
Sarah olhou ao redor.
— Então Isabella escolheu justamente aqui.
— Provavelmente.
Começaram.
Pedra.
Madeira.
Concreto.
Terra.
Uma hora.
Nada.
Duas.
Nada.
Sarah estava ajoelhada junto ao que restava de uma parede quando percebeu.
— Jacob.
Ele apareceu imediatamente.
— O quê?
— Essa pedra.
— O que tem?
— É diferente.
Edward se aproximou.
Sarah limpou a superfície.
As demais pedras eram irregulares.
Aquela era quase quadrada.
— Isso pode ser apenas...
Sarah bateu.
Som oco.
Todos pararam.
Jacob ajoelhou.
— Embry.
— Ferramentas — respondeu ele.
Levaram quase vinte minutos.
A pedra saiu.
Atrás havia uma pequena cavidade.
À primeira vista, vazia.
Jacob sentiu a decepção.
— Merda.
Sarah colocou a mão dentro.
— Espere.
— O quê?
— Tem alguma coisa.
Seus dedos alcançaram o fundo da cavidade.
Ela puxou um pequeno envelope de plástico, endurecido pelo tempo e coberto por uma fina camada de poeira.
Edward perdeu a cor assim que viu o conteúdo.
— É ela.
Jacob pegou o envelope das mãos de Sarah.
Dentro havia uma chave pequena de latão.
Presa a ela, uma plaqueta azul envelhecida.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Sarah olhou para Edward.
— A chave que você viu.
Ele assentiu.
— Sim.
Jacob virou a pequena peça entre os dedos.
— Nassau.
Agora havia algo concreto.
Edward tinha descrito aquela chave antes de encontrarem a cavidade: pequena, de latão, com uma plaqueta azul. Mas, até aquele momento, tudo o que possuíam era a palavra dele de que Isabella a relacionara a Nassau.
Agora a chave existia.
Sarah soltou lentamente o ar.
— Pelo menos essa parte da sua história acaba de ganhar alguma sustentação.
Edward olhou para Jacob.
— Eu preferia que outras partes não ganhassem.
Jacob percebeu a escolha das palavras.
— Não fique muito satisfeito. Uma chave não compra quatro anos de credibilidade.
— Não achei que comprasse.
Sarah voltou a olhar para a cavidade.
— Tem mais alguma coisa aqui.
Ela enfiou a mão novamente e encontrou um papel dobrado, protegido por outra camada de plástico.
— Jacob.
Ele recebeu o papel.
Reconheceu a letra antes mesmo de terminar de abri-lo.
Isabella.
Seu peito apertou.
Havia poucas linhas.
Se Jacob encontrou isto, então eu não consegui contar.
Jacob fechou os olhos por um instante.
Sarah tocou seu braço.
Ele continuou.
A chave é do cofre de Nassau. Edward sabe qual banco. Não confie em quem disser que Billy começou tudo. Ele tentou terminar. Foi por isso que morreu.
Silêncio.
Jacob leu novamente.
Depois uma terceira vez.
Edward se aproximou.
— Eu nunca vi isso.
Jacob levantou os olhos.
— Mas sabia do cofre.
— Isabella me contou que havia um cofre em Nassau e que esconderia a chave. Nunca disse exatamente onde.
Sarah pegou cuidadosamente o bilhete.
— Isso confirma duas coisas.
Jacob olhou para ela.
— Quais?
— Que o cofre existe e que Isabella acreditava que Edward saberia identificá-lo.
Edward ficou imóvel.
Sarah continuou:
— Mas a última frase é diferente.
Jacob sabia qual.
Olhou novamente para o papel.
— “Foi por isso que morreu.”
— Sim.
— Ela achava que meu pai foi morto.
Sarah escolheu as palavras.
— Ela acreditava que a morte de Billy estava ligada ao fato de ele ter tentado encerrar alguma coisa. É isso que o bilhete demonstra sobre Isabella. Não demonstra que a conclusão dela estava correta.
Jacob sustentou seu olhar por alguns segundos.
Depois assentiu.
— Isso não é prova.
Uma pontada de orgulho atravessou Sarah.
— Não.
Edward observou os dois.
— Há alguns dias você teria chamado isso de prova.
Jacob lançou-lhe um olhar.
— Há alguns dias você ainda estava oficialmente desaparecido. Todos estamos fazendo progressos.
Embry soltou uma risada.
Edward quase sorriu.
Sarah voltou ao bilhete.
— Há outra coisa.
Jacob esperou.
— Isabella escreveu o nome de Edward para você. Isso significa que, quando escondeu isto, acreditava que ele poderia ajudar você a chegar ao cofre caso ela não conseguisse contar pessoalmente.
Jacob lançou um olhar duro para Edward.
— Ele fez um excelente trabalho nisso.
Edward absorveu.
— Eu sei.
— Quatro anos.
— Eu sei.
Sarah interrompeu antes que voltassem à mesma discussão.
— Agora temos uma pergunta que pode ser respondida imediatamente.
Olhou para Edward.
— Qual banco?
— Commonwealth Private Bank.
— Em Nassau? — perguntou Jacob.
— Sim.
— Agência?
— Centro financeiro. Isabella usava o setor de cofres privados.
Jacob fechou a mão em torno da chave.
— Então é para lá que vamos.
Sarah respondeu imediatamente:
— Nós vamos.
Jacob virou o rosto lentamente.
— Não.
Ela cruzou os braços.
— Nem comece.
— Sarah...
— Você já tentou me mandar embora da ilha. Não funcionou.
— Nassau é diferente.
— Por quê?
— Porque alguém está tentando impedir que encontremos exatamente o que está naquele cofre.
Sarah inclinou a cabeça.
— Sabemos disso?
Jacob fechou os olhos por um instante.
— Lá vem você.
— É uma pergunta.
— Recebemos ameaças. A energia foi cortada. Você foi fotografada escondido. Edward quase morreu depois do funeral. Agora encontramos uma chave escondida por Isabella.
— Tudo verdade. Mas ainda não sabemos se cada acontecimento foi provocado pela mesma pessoa ou pelo mesmo motivo.
Jacob olhou para ela.
— Você consegue tornar até uma ameaça de morte burocrática.
— É um talento.
Edward murmurou:
— Útil.
Jacob virou-se.
— Não concorde com ela.
Sarah quase riu.
Então voltou a ficar séria.
— Ficar em Saint Claire não me torna magicamente segura.
Jacob apertou a mandíbula.
— Levo você para Miami.
— Não.
— Com segurança.
— Não.
— Sarah.
— Jacob.
Edward olhou para Embry.
— Eles fazem isso sempre?
Embry respondeu:
— Você se acostuma.
Jacob lançou um olhar aos dois.
— Ninguém pediu opinião.
Sarah aproximou-se.
— Eu vou com você.
— Por quê?
A pergunta saiu mais emocional do que Jacob pretendia.
Sarah percebeu.
— Porque isso importa para você.
— Não é suficiente.
— Para mim é.
Jacob ficou em silêncio.
Sarah diminuiu a distância.
— E porque não quero ficar aqui imaginando se você está bem enquanto entra num banco atrás de documentos que Isabella considerou importantes o suficiente para esconder durante quatro anos.
— Não vou sozinho.
Ela olhou para Edward.
— Isso deveria me tranquilizar?
Edward colocou a mão no peito.
— Estou começando a me sentir ofendido.
Sarah sorriu.
— Sobreviva.
Jacob quase riu.
Quase.
— Você fica comigo o tempo inteiro — disse finalmente.
— Combinado.
— Não sai sozinha.
— Combinado.
— Se alguma coisa parecer errada, nós saímos.
Sarah assentiu.
— Nós.
Jacob percebeu a palavra.
— Nós.
Voltaram para a casa no fim da tarde.
A viagem para Nassau seria preparada para a manhã seguinte.
Paul reforçaria a segurança antes da saída.
Embry ficaria responsável por Saint Claire.
Edward iria com eles.
Aquilo gerou uma discussão de quinze minutos.
Sarah venceu.
Jacob alegou que não era uma votação.
Sarah respondeu que ninguém havia perguntado.
Edward permaneceu sabiamente calado.
Naquela noite, Sarah estava na varanda quando Jacob apareceu atrás dela.
Passou os braços por sua cintura.
Ela se apoiou nele.
— Está aprendendo.
— O quê?
— Aproximar sem dar ordem.
— Posso dar uma se quiser.
— Tente.
Jacob beijou seu pescoço.
— Fique comigo esta noite.
Sarah sorriu.
— Isso foi uma ordem?
— Pedido.
Ela virou-se dentro dos braços dele.
— Melhor.
Jacob tocou seu rosto.
— Estou com medo de Nassau.
Sarah ficou séria.
— Eu sei.
— Não por mim.
— Eu sei.
— Isso está ficando irritante.
— Você está previsível.
Ele sorriu.
— Sarah.
— Hum?
— Se alguma coisa acontecer...
Ela colocou um dedo sobre os lábios dele.
— Não.
— Preciso dizer.
— Não precisa.
— Sarah.
— Você não vai transformar esta noite numa despedida de algo que nem aconteceu.
Jacob ficou quieto.
Ela segurou seu rosto.
— Amanhã nós vamos até Nassau.
— Nós.
— Encontramos o cofre.
— Sim.
— Descobrimos o que Isabella deixou.
— Sim.
— E voltamos.
Jacob a observou.
— Você realmente acredita que é tão simples?
Sarah sorriu.
— Não.
— Então por que fala assim?
— Porque alguém nesta relação precisa ser otimista.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Relação?
Sarah percebeu.
— Não comece.
— Você disse.
— Força de expressão.
— Claro.
— Jacob.
Ele sorriu.
— Gostei.
Sarah tentou se afastar.
Jacob a segurou.
— Nem pense.
— Arrogante.
— Você gosta.
— Infelizmente.
Ele a beijou.
E, por alguns minutos, Nassau deixou de existir.
No quarto de hóspedes, Edward recebeu uma mensagem.
Não era do número anterior.
Era apenas uma sequência de coordenadas.
Ele abriu o mapa.
Nassau.
Depois outra mensagem.
Se abrirem o cofre, todos vocês morrem.
Edward ficou olhando.
Por alguns segundos, pensou em apagar.
Não contar.
Proteger Jacob.
Proteger Sarah.
Fazer o que sempre fizera.
Decidir sozinho.
Então lembrou da promessa.
Sem mais segredos.
Levantou-se.
Foi até o quarto de Jacob.
Bateu.
A porta abriu alguns segundos depois.
Jacob estava sem camisa.
A expressão imediatamente irritada.
— O quê?
Edward ergueu o telefone.
— Recebi outra mensagem.
Jacob ficou sério.
Sarah apareceu atrás dele, vestindo novamente uma das camisetas dele.
— O que diz?
Edward mostrou.
Sarah leu.
Jacob também.
O rosto dele endureceu.
Sarah tornou a ler as coordenadas.
— Nassau.
— Sim — disse Edward.
Jacob pegou o telefone.
— Paul precisa receber uma cópia disso agora.
Edward assentiu.
— Já deveria ter feito.
Jacob olhou para ele.
Edward deu de ombros.
— Estou aprendendo.
Sarah cruzou os braços.
— Milagre coletivo.
Jacob ignorou.
— Isso muda alguma coisa? — perguntou Edward.
Jacob olhou para Sarah.
Ela olhou para ele.
Nenhum precisou responder.
Jacob voltou-se para Edward.
— Sim.
Edward esperou.
— Muda a forma como vamos.
Sarah assentiu.
— Não o destino.
Edward olhou de um para o outro.
— Vocês dois são completamente insanos.
— Talvez — respondeu Sarah. — Mas uma ameaça anônima não é motivo para entrar cegamente no banco. É motivo para aumentar a segurança e descobrir de onde ela veio.
Jacob entregou o telefone de volta.
— Paul verifica o número, as coordenadas, os registros e quem teve acesso à informação de que encontramos a chave.
— E até lá? — perguntou Edward.
— Até lá ninguém sai sozinho.
Edward assentiu.
— Certo.
Jacob começou a fechar a porta.
— Boa noite, Edward.
— Jacob...
— O quê?
Edward hesitou.
— Obrigado por não presumir que fui eu quem mandou a mensagem para mim mesmo.
Jacob ficou olhando para ele.
— Não abuse do progresso.
Edward quase sorriu.
— Boa noite.
A porta fechou.
Edward ficou sozinho no corredor.
Olhou para a mensagem.
Depois para a porta.
— Eu realmente senti falta desse idiota.
Do outro lado, Sarah começou a rir.
Jacob também ouviu.
E, contra toda lógica, sorriu.
Porque talvez ainda odiasse parte do que Edward fizera.
Talvez demorasse anos para perdoá-lo.
Talvez nunca conseguisse perdoar tudo.
Mas, pela primeira vez desde que o homem reaparecera, Jacob conseguiu lembrar por que um dia o chamara de irmão.
Na manhã seguinte, Jacob, Sarah e Edward iriam para Nassau.
Não porque uma ameaça provasse que finalmente estavam diante da verdade.
Não porque o bilhete de Isabella solucionasse a morte de Billy.
E muito menos porque já soubessem quem estava por trás de tudo.
Iriam porque, depois de anos de histórias incompletas, finalmente tinham três coisas que podiam ser verificadas:
uma chave;
o nome de um banco;
e uma mensagem escrita pela própria Isabella.
O resto ainda precisava ser provado.
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