I work with death and related
18 Why they are so much alike?
Notas iniciais
Já fazia dois meses que eu não o via, Jon eu digo.
Motivos? Eu tinha alguns bem toscos. Um deles era que eu tinha medo de ficar perto dele. Mas não era medo dele me tratar mal, longe disso. Ele nunca faria isso comigo. Sempre que eu chegava perto dele, via flashes esquisitos, e às vezes alguns segundos de uma cena. Eu via Jon, mas não era Jon. Ele tinha os mesmos cabelos bagunçados que ele, que caia sobre os olhos e pairava sobre as orelhas, só que ele era mais atlético. Ele tinha uma forte estrutura óssea, e um queixo sólido. Mas tinha os olhos. Ele não tinha os intensos olhos negros que Jon tinha, era um vermelho forte, que impunha respeito e dava um ar sedutor a ele. Sempre que via esse falso Jon, ele estava com um sorriso sarcástico estampado no rosto, e quase todas às vezes ele estava dilacerando alguém. Essa visão me assustava mais do que tudo. Mas quando ele não estava cortando alguém, ele quase chegava a ser uma pessoa normal.
No dia do aniversario de Jon, quando dei as costas para ele, veio outra cena. Essa cena se prolongou durante uns 2 segundos, mas deu para ver nitidamente do que se tratava. O falso Jon abraçava uma mulher bonita. Ela tinha os cabelos castanhos, que se assemelhava muito a caramelo, os olhos dela eram castanhos claros. Ela o abraçava com força, buscando aconchego no peito de seu parceiro. E ela sorria. Talvez ela não soubesse do lado psicótico do falso Jon, ou talvez não se importasse. E ele também sorria. Mas não era aquele sorriso sarcástico costumeiro, era um sorriso sincero, feliz. Ele agarrava a cintura da mulher, trazendo ela mais pra perto, como se cada centímetro ganho fosse uma conquista.
Aquilo me deixou depressiva. Sério.
Só fiquei assim uma vez, quando soube que o Finnick, dos livros dos Jogos Vorazes, morreu decapitado por um puta cachorro dos infernos (também chamados bestantes, desgraçados). Fiquei 10 dias inteiros no meu quarto, batendo a cabeça na parede e murmurando: o Finnick não morreu, o Finnick não morreu, o Finnick não morreu, o Finnick não morreu! Mas que droga, o Finnick morreu!
Por fim acabei caindo na real. Mas cá entre nós: O FINNICK NÃO MORREU!
Mas falando sério, eu invejava a felicidade deles, sendo ela real ou não.
Depois disso, evitei ao máximo o contato com Jon. Era o único jeito de evitar os flashes. Uma noite, Rillian veio falar comigo. Apenas para bater um papo, ele disse. Ele me perguntou das novidades, e eu despejei a história sobre os flashes nele. Depois de ouvir, ele se sentou na cama, e inspirou fundo.
– É o resquício de poder do Jon. Está fazendo você ver cenas do passado.
Perguntei o porquê de eu só ver cenas que se tratam sobre uma única pessoa. Não houve resposta. Talvez ele não soubesse ou não queria falar. Ele nunca foi de dar respostas claras.
Já era outono, eu nem havia percebido. Dois meses passavam rápido. Jon namorava Lisbeth e por algum motivo, isso não me surpreendia, e por algum outro motivo, quando eu ouvia isso, meu estômago dava cambalhotas e o sentia o coração apertar como se quisesse se asfixiar. Eu não sentia nada em relação a Jon, disso eu tinha certeza. Éramos amigos e pronto. Nada mais. Mas sempre que ouvia o nome de Jon eu estremecia. Eu tinha uma noção e meu corpo a contestava. Isso era frustrante.
Naquela manhã, Martin havia dito que iria com Jon até Manhattan, pra tomar café ou coisa parecida, eu apenas assenti dizendo apenas: Tudo bem. Meu pai, que estava lendo o jornal de finanças de Nova Iorque – porque ele trabalha na bolsa de valores de lá – apenas baixou o jornal e balançou a cabeça em direção à porta, que na linguagem aqui em casa quer dizer: Saia agora ou vai lavar todos os banheiros. Decida-se. E Martin, como um raio, já havia saído pela porta.
– Também vou sair – avisei e meu pai somente assentiu. Peguei uma blusa preta com zíper e pus no corpo. Não tinha certeza do que eu iria fazer, mas eu apenas queria sair de casa.
Fiquei vagueando pela cidade, sem rumo e sozinha. Não era uma garota de muitos amigos, mas não era por não tentar. Sempre que eu chegava perto de alguém, eu os ouvia falar: “É ela, mostre respeito; Saia da frente dela, se esbarrar nela, dizem que te mandam pra prisão”. E coisas mais absurdas ainda como: “Dizem que o irmão dela, está preso no porão da casa todo queimado e sem um braço, só porque ele gaguejou na frente dela”. Acho que exagerei na descrição.
Quando sai de meus devaneios, dei por mim na campina, de frente com a árvore onde eu e Jon dormimos. Onde vi Rillian pela primeira vez. Onde verdadeiramente vi Jon Fuller.
Não sabia por que estava lá. Não via que caminho eu tomava. Meu corpo apenas quis ir para lá. Eu não via entendimento para aquela situação.
Fiquei estudando a árvore, talvez esperando uma resposta, ou talvez esperando um raio partir aquela árvore ao meio. Olhei para o céu, nada de nuvens. Apenas um melancólico céu alaranjado.
Vi que nada iria acontecer, decidi sentar-me na base da árvore. Como havia feito há dois meses (se bem que eu deitei). O simples toque dos meus dedos com a grama me fez relembrar os poucos, mas duradouros momentos que passei com Jon, quando ele me fazia rir, me fazia contestar tudo aquilo que eu sabia sobre as pessoas, me fazia lembrar que o mundo não é tão escuro e frio, me fazia feliz...
Pus as mãos em frente ao rosto, e chorei baixinho. Sentia falta dele. Odiava-me por afastar ele de mim, odiava-me por afastá-lo por um motivo tão besta. Queria que ele estivesse ali comigo, me fazendo rir, livrar-me do monstro da solidão. Chorei até dormir.
Acho que alguma coisa tinha ouvido o meu apelo.
Quando acordei, abri os olhos lentamente. Eu vi alguém agachado na minha frente, ele usava uma calça jeans escura, e uma camisa preta com as mangas longas puxadas até o meio do antebraço. Quando vi seu rosto hesitei. Ele tinha um sorriso sarcástico e olhos negros intensos. Jon estava igual ao rapaz que eu via em meus flashes, exceto pelos olhos.
– Finalmente te achei – ele disse inclinando um pouco mais pra frente.
Eu agarrei o pescoço de Jon num abraço, que quase fez perder o equilíbrio.
– Desculpe-me – eu disse entre soluços. – Desculpe-me por tudo.
– Tudo bem, eu não te entendo, mas tudo bem – ele afagou a minha cabeça. – Cortou o cabelo?
Eu ri.
Quando o outono chegou, decidi mudar algumas coisas na minha vida. Havia cortado as pontas verdes do meu cabelo, então acabei com estilo que eu descreveria como: curto atrás, e um pouco grande na frente.
Eu assenti, dizendo “Sim, eu cortei ele, seu pamonha. Agora... não. Você pode chegar mais perto!”. Tá bom! Eu não disse isso. Mas eu queria dizer. Eu apenas assenti.
Ele deu um sorriso tímido, como se tivesse que se segurar.
– Eu gostei. Mostra mais os seus olhos – ele acrescentou. Ele percebeu que ainda tinha lágrimas no meu rosto e limpou uma com a mão – Por que estava chorando? – ele inclinou ligeiramente a cabeça para a esquerda.
– Nada. Por nada – eu menti. Puxei a manga da blusa e limpei meu rosto – Como você me achou?
– Achei que você estaria aqui – ele explicou sentando do meu lado. Ele olhou o vazio, e vi outra imagem do outro Jon, novamente junto da mulher, eles estavam sentados sob a mesma árvore que Jon e eu estávamos. Ela estava dormindo sobre o ombro dele, e o falso Jon lia um livro qualquer.
Naquele momento, percebi que já não me importava com os flashes. Se eles eram um “bônus” que eu tinha que aceitar para ficar perto de Jon, eu aceitaria sem hesitar agora.
– Rachel... – ele disse – Posso te fazer uma pergunta?
– Claro – eu disse segurando os joelhos contra o peito com os braços.
– Gostaria de ir ao passado? – seus olhos pareciam mais escuros.
– Como? – uma ponta de curiosidade transpareceu em minha voz.
– Eu nunca tentei fazer isso voluntariamente. Mas acho que consigo fazer isso – ele cerrou o punho. – Você iria comigo? – ele franziu o rosto.
– Contanto que eu volte antes das sete – brinquei.
– Isso eu não posso prometer – ele deu um sorriso. Ele estendeu a mão.
Eu sem querer querendo entrelacei meus dedos com os dele. Senti ele se remexer inquietamente no lugar, como se estivesse eufórico, e senti-o segurar a minha mão mais firmemente.
Então o mundo se dissolveu.
Quando o chão se solidificou de novo aos meus pés, eu ainda segurava a mão de Jon. Ele deu um sorriso de satisfação.
– Acho melhor você não soltar a minha mão – ele coçou a nuca, com o rosto levemente ruborizado. – É uma coisa estranha de se pedir, mas não me solte. De jeito nenhum.
Nunca, eu pensei. Eu apenas assenti.
Estávamos na Arce Invictum, mas ela parecia diferente, mais nova. Os pássaros cantavam alegremente, e o céu de primavera estava radiante e com poucas nuvens. Caminhamos para dentro do castelo, os guardas estavam de vigia no portão principal, mas alguns guardas formavam uma fileira, o que geralmente significava que alguém iria ver o rei ou o rei iria sair.
– Em que época estamos afinal? – perguntei.
– Quando Rillian ainda estava no poder. Quero ver o que aconteceu para Devan tentar assumir o controle.
– Devan? A primeira Morte?
– Sim – ele assentiu sobriamente.
O nome de Devan não era freqüentemente ouvido no Limbo. O nome por si só já inspirava medo e lembranças dolorosas. Conta-se que ele já quase matou seu irmão, mas alguma coisa ou alguém o fez parar.
Perguntava-me quem teria coragem de ficar frente a frente com Devan, a primeira Morte. Alguém muito burro ou alguém muito corajoso. Quem quer que seja, o povo que vive dentro da Arce Invictum, agradece por salvar Hillen.
Todos sentiam medo dele, menos eu. Era estranho. Quando eu era pequena, antes de dormir, meu pai, contava historias acerca de Devan, e como ele era horrível. Enquanto meu irmão se escondia debaixo dos lençóis, eu tentava imaginar como Devan era, sua aparecia, suas atitudes em relação às pessoas e o mundo que o cercava. Eu sempre achava que havia mais nele do que só um homem sádico. Talvez houvesse tristeza atrás daqueles atos.
Jon e eu atravessamos o portão de entrada do castelo de mãos dadas (rezava para que Lisbeth não me matasse se descobrisse que seu namorado estava com as mãos entrelaçadas com outra garota), e continuamos para a sala do trono que estava fechada.
– Eles poderão nos ver? – perguntei segurando mais firmemente a mão do garoto pálido.
– Não – ele tentou responder calmamente, mas o tom de nervosismo o traiu. – Você já atravessou portas?
– Não – ele sorriu de um jeito sarcástico. Droga como ele parecia com aquele garoto.
Ao atravessarmos, e quando digo atravessarmos, quero dizer ignorar as leis da física e humilhar o pobre coitado que descobriu isso, vimos o mesmo cenário que se encontrava na nossa época, exceto por alguns elementos presentes ali.
Rillian estava sentado na “Grande Cadeira de Plástico” (piadinha interna) de forma displicente, ouvindo o relato de um camponês mal vestido, com aquela cara de “tô cagando pra você e seus problemas”. Havia dois rapazes, um de cada lado do trono. Do lado esquerdo, um garoto de cabelos escuros e olhos incrivelmente azuis, escrevia num pergaminho avidamente, absorto em seus pensamentos. Ele se encaixava perfeitamente na descrição que os livros de historia nos davam sobre Hillen, então assumi que o garoto fosse ele. Quando vi o outro filho de Rillian no lado direito dele, dei um passo para trás.
Jon apontou para ele.
– Aquele é Devan. Nunca gostei muito dele – Jon percebeu a minha reação ao vislumbrar Devan. Ele levantou uma sobrancelha – Você já o viu?
Queria dizer que sim, mas a voz morreu no meio da garganta.
Devan estava sentado numa cadeira simples de madeira ao lado do pai, com cara de entediado, talvez pensando em qual a melhor maneira de conseguir sair de fininho. Por mais incrível que pareça, ele estava usando uma calça jeans e uma camiseta preta. Seus olhos vermelhos pareciam mais intensos do que nos flashes, a camiseta demarcava os músculos, o que dava a ele um ar de maturidade e quase sensual. Olhei em volta, as servas que passavam, davam uma espiadela em Devan de modo desejoso, e mordiam o lábio inferior. Ele também percebera isso, mas ao invés de corresponder as suas fãs, ele apenas revirava os olhos entediado.
– Alô, Terra chamando Rachel, está me ouvindo? – Jon balançava a mão em frente aos meus olhos.
Eu assenti.
– Ufa! Já estava começando a ficar preocupado com você – ele suspirou.
– Eu estou bem – disse sem olhar para Jon.
– Você não me respondeu. Conhece Devan?
– Sim. – ele hesitou.
– Como?
Então contei a historia dos flashes para Jon, mas omiti a visão que tive na sua festa de aniversario. Seria embaraçoso. Quando terminei, ele coçou a nuca, e soltou um uau com os lábios meio comprimidos. Acho que de certa forma era culpa dele eu poder ver cenas do passado. Não, totalmente ERA culpa dele.
Quando Jon ia abrir a boca pra falar, a porta atrás de nós se abriu. Uma mulher de cabelos cor caramelo veio dando passos largos, indo em direção a Rillian. Dessa vez foi à vez de Jon hesitar.
Era a garota que eu via com Devan.
Quando ela irrompeu na sala, Devan se ajeitou na cadeira com súbito interesse na conversa, tentado mostrar para a garota que estava escutando o homem em sua frente, que tentava ser responsável. Ela apenas revirou os olhos, mas depois direcionou um sorriso para Devan, que o correspondeu.
Ela se pôs ao lado de Hillen, que continuava a escrever no pergaminho. Ele levantou o olhar e sussurrou um oi. Ela apenas o saudou abaixando a cabeça.
– Verei o que posso fazer a respeito – disse Rillian se levantando do trono. Cara, como ele tava velho. Seus cabelos pretos foram substituídos por uma juba branca, seus olhos dourados, outrora radiantes, agora já não tinham aquele brilho. Sua pele era enrugada, e suas costas encurvadas. Ele agora usava uma bengala de carvalho para poder ficar de pé. Era estranho vê-lo daquela maneira, frágil.
Depois de dispensar o camponês, Rillian, começou a andar com dificuldade. Hillen foi a seu auxilio, se certificando que o pai não iria cair. Quando ele chegou à frente de Devan, olhou feio para ele, dizendo:
– Por que você não me ajuda aqui, hein? – Devan revirou os olhos.
– Pra que? O velho já vai bater as botas mesmo. E eu vou ter que levar ele. Diferente do que você pensa, eu também tenho um trabalho a fazer. Você cuida dos vivos, e eu com os defuntos. É assim que funciona. – Devan disse secamente, medindo cada palavra.
– E é por essa razão que você não vai tomar lugar de Aspecto que o pai ocupa. Eu vou – Hillen terminou com um sorriso triunfante.
Então Hillen e Rillian subiram as escadas laterais, deixando Devan e a garota sozinhos.
Ela bufou.
– Você não muda nunca, Devan? – ele a olhou dando um sorriso sarcástico.
– Não, e é por isso que você continua andando comigo, Nylla. – ele se levantou.
– Não, eu ando com você, porque seu pai mandou. Só pra ver se você anda na linha – ela pôs as mãos nos bolsos da calça. Devan chegou mais perto dela, com um olhar taciturno.
Tava na cara como o “relacionamento amigos” deles funcionava. Ele a provocava de um jeito, que eu imaginava que só ele podia fazer. E ela era relutante em aceitar.
Jon se remexeu inquietamente.
– Acho que devemos ir.
– Por quê? – perguntei.
– Não acho que mais alguma coisa vai acontecer... – antes que ele pudesse terminar, o mundo se esvaneceu em fumaça.
O vento estava frio, e a grama estava um pouco úmida. Eu sentia alguma coisa me aquecendo, ela se agarrava a mim de um jeito reconfortante. Uma luz fraca atravessava as minhas pálpebras, me fazendo abrir os olhos e encarar a dor.
Quando abri os olhos percebi que era Jon que me aquecia, ele me abraçava com força. Era incrível como o filho da Morte era vivo. Impulsivamente, peguei a gola da camiseta de Jon, e o puxei mais para mim, como se fazia com o cobertor.
– Se você me puxar mais, vou cair em cima de você! – Jon murmurou baixinho.
– Ninguém mandou você ser tão quente.
– O que? – ele me olhou com curiosidade.
– Nada! – desviei o olhar, sentindo meu rosto esquentar.
Vi ao longe, a luz de uma lanterna. Quando ela se direcionou para nos, ela começou a se aproximar. Era Martin, ele vinha correndo, com uma expressão no rosto que dizia: “Quando eu chegar ai, eu mesmo jogo vocês duma ponte”.
Ele chegou arfando, pôs as mãos nos joelhos, tentando achar fôlego.
– Vocês... – ele arfou – sabem... por quanto... tempo eu... procurei vocês?
– Não – Jon e eu dissemos em uníssono. Trocamos olhares constrangidos, mas logo os desviamos.
– Tudo bem – Martin disse. Sentia minha pele arrepiar com o vento. Ou seria o calor peito de Jon roçando contra o meu braço? (Isso era culpa minha) – Ah! Jon, você vai dormir lá em casa hoje.
– O QUÊ? – gritei.
– Por quê? – Jon tentou falar o mais calmamente possível, mas seu rosto vermelho o traia.
– Já está tarde – meu irmão olhou o relógio em seu pulso – meia-noite e meia pra ser mais exato – tínhamos “ficado fora” por 5 horas. – E Sacha teve que resolver uns problemas no mundo humano, e não confia em você pra cuidar da casa. Esses são seus motivos para você vir comigo – Martin deu um sorriso debochado.
– Tudo bem – Jon saiu de cima de mim, e coçou a nuca.
– Pergunta básica, minha querida irmã. Posso?
– Claro. – respondi me espreguiçando.
– O que Jon estava fazendo em cima de você? – ele me olhou indiferente.
Não respondi. Seria embaraçoso tentar explicar, e com a mentalidade do meu irmão, ele entenderia errado. Apenas dei um olhar que dizia: Explico depois. Martin pareceu entender.
Jon se levantou vagarosamente, tentei fazer o mesmo, mas a preguiça foi mais forte. Era difícil se levantar depois que acorda. De noite sua cama parece ser recheada de pedras, procurando a melhor posição para dormir. Mas quando você acorda, não quer largar da desgraçada. Droga de sono.
Jon deu alguns passos para frente, olhando em volta. Ele parou na minha frente. A luz da lua atrás dele era suave, deixava Jon com um ar de maturidade, sua pele pálida parecia quase transparente, e seus cabelos negros com uma intensidade que eu nunca tinha visto. Apesar dos olhos pretos, Jon era uma cópia fiel de Devan. De certa forma, no fundo eu rezava para que Jon não terminasse como Devan.
– Vamos então, cachos negros? – Jon disse estendendo a mão em minha direção.
– Eu não tenho cabelo preto – segurei sua mão. – É só um castanho muito escuro.
– Tudo bem. Eu não ligo – ele me puxou.
– Então vamos embora, seres vivos? – Jon e eu assentimos. Então seguimos meu irmão de volta pra casa. Minha casa.
Fale com o autor