I work with death and related
12 The boy who knew nothing
Notas iniciais
Era difícil acreditar que ele era filho da Morte.
Quando Mary me falou que eu teria que vigiar Jon Fuller, o filho daquele que tirou quase tudo desse povo, eu imaginava um garoto diferente.
Naquela manhã, Mary me falara para acompanhá-la com sua filha, Lisbeth, que no meio do caminho, encontraríamos o Fuller. As encontrei na entrada do pátio. Mary tentava explicar uma coisa ou outra a uma garota que achei que seria Lisbeth. Quando vi Lisbeth pensei que era brincadeira ou coisa parecida, pois ela igual à rainha dos pés a cabeça. Mary fez as apresentações e as baboseiras de sempre. Fomos ao pomar que havia atrás do castelo, e nesse trajeto tentei analisar Lisbeth, e tentar saber que tipo de pessoa iria tomar posse da fortaleza quando Mary não pudesse mais. Ela era o tipo de garota insegura, que sempre confiaria nos outros caso ela não pudesse decidir por si mesma. Ela e a rainha não eram tão diferentes assim.
Então voltamos à entrada do pátio, os guardas pareciam tensos com alguma coisa, mas só havia um garoto no portão de entrada. A rainha respirou fundo, levantou o braço direito num gesto de chamada.
– Fuller. Venha cá. – Mary chamou. O garoto se virou e começou a caminhar em nossa direção.
Era um garoto da minha altura, possivelmente da mesma idade. Tinha os cabelos escuros como à meia-noite, pele pálida, e olhos negros penetrantes. Ele usava uma camiseta preta, um jeans escuro e um all-star velho. Já tinha ganhado um ponto comigo.
Lisbeth o vislumbrava com um brilho febril nos olhos, e sua mão tremia como se fosse ter uma convulsão.
Quando o Fuller chegou, a tremedeira de Lisbeth parou.
– Quer visitar a cidade, eu imagino. – disse a rainha
– Sim senhora. – ele concordou com um tom surpreso. Mary tinha esse efeito nas pessoas, elas pensam que ela sabe ler mentes.
– Vou levar minha filha para andar pela cidade. Você pode ir também. – ao ouvir isso ele pareceu animado e ao mesmo tempo chateado por Mary ir junto – Rachel lhe mostrará a cidade.
Com um salto sai de trás da rainha, e Fuller me olhou com curiosidade.
Caminhar com o filho da Morte. Coisa que muitos considerariam loucura, mas como conselheira da rainha, tinha que aceitar os riscos. Ele tinha o olhar inquieto, gravando cada esquina, cada rua, cada pessoa. Mary não se preocupava com o que Jon era, mas com o que ele poderia se tornar. A profecia que a rainha tanto temia poderia não se aplicar a ele, e ele seria a próxima Morte. Mas a sorte estava lançada. Ele poderia ser nosso salvador, mas também nossa perdição, mas naquele momento, ele era apenas Jon Fuller, o rapaz que não sabia de nada.
Observando Jon, fiquei pensando num trecho da profecia: ele será guiado por aquele que governou primeiro e aquele que começou o conflito. Segundo os livros de historia (objetos que eu sempre evitava), o primeiro que governou o Limbo, foi Rillian, o grande rei. Mas ele havia morrido a mais de 2 mil anos, 31 anos depois que a arce invictum fora construída. Mas quando se trata da Morte, os mortos sempre estão envolvidos (Dã). Mas a parte que se refere a aquele que começou o conflito que me intrigava. Não se sabe nada a respeito desse sujeito, e a qual conflito se tratava. Mesmo havendo uma chance de ser essa guerra, poderia ser qualquer outra coisa. Era uma coisa que deveria se refletir profundamente.
Em meio a meus devaneios, um garotinho loiro esbarrou em mim e seu rosto ficou vermelho de vergonha.
– Desculpa moça – ele disse baixinho. Agachei e pus a mão em seus cabelos.
– Não foi nada. Mas tome cuidado. – disse tentando transparecer confiança. Esfreguei seus cabelos e o dispensei.
– De onde você tira tanta confiança? – Jon perguntou com um brilho bobo no olhar.
– Não sei. Apenas tendo. – respondi tentando passar calma.
– Como é ser conselheira?
– Como é ser filho da morte? – mas que merda de pergunta é essa, Rachel? Ele pensou por 2 segundos.
– Uma merda. – ele respondeu.
– Então um não é diferente do outro. – finalmente alguém sabe como é ser uma coisa que você não quer — Nunca quis ser conselheira, mas as circunstancias não me deixaram outra escolha.
– E o que aconteceu? – esse cara era real? Geralmente pessoas não perguntam a minha trágica historia, e se ouvem acabam caindo no sono ou falam merda. Mas ele parecia diferente, mas isso era papo para outra conversa.
– É uma longa história. – tentei puxar outro assunto — Diga-me, com o que você vai à festa de hoje? – seu rosto ficou com uma expressão azeda.
Logo Martin, meu irmão, apareceu logo atrás de Jon, com um sorriso que dava pra ver até de costas, simplesmente por ver Jon ali parado.
– Provavelmente esqueceu-se da festa. — Martin comentou.
Após isso aconteceu vários cascudos, uma troca de olhares constrangedores (mas tinha que admitir, gostei de vislumbrar aqueles olhos mais profundamente), mais cascudos, e para variar uma ameaça de morte.
Após Martin ir se reportar ao seu superior, eu e Jon ficamos a sós novamente. Fomos até a zona rural, numa área que não era muito longe da minha casa, sentamos em cima dum muro e ficamos observando o sol se pôr. Era difícil acreditar que aquele garoto era filho da morte. Ele fora a pessoa mais viva que encontrei em muito tempo. Aprendi a analisar as pessoas desde que tomei o lugar de conselheira, e Fuller não se encaixava nos padrões para se tornar a Morte, nem de perto.
Encontramos uma campina, que era conhecida por sua única árvore. Olhei para Jon, e quis brincar um pouco, achei que não iria fazer mal algum.
– Vamos até lá? Quem chegar por último limpa todos os banheiros do castelo! – disse já começando a correr.
– Assim não vale! – ouvi Jon berrar atrás de mim.
Nunca disputei uma corrida tão acirrada como aquela. Mesmo com os tropeços e empurrões, estávamos nos divertido. Diversão. Era uma coisa que eu não tinha faz muito tempo. E pensar que ele me devolvera isso.
Quando chegamos à base da árvore, estávamos sem fôlego, eu, particularmente, estava esgotada. Jon se sentou e recostou na árvore. Nesse momento, meu corpo se deitou em cima do de Jon, com a minha cabeça em sua barriga. A pele pálida de Jon assumiu uma cor vermelha, mas também não era pra menos, eu o tinha pegado de surpresa.
– O que está fazendo? – ele perguntou.
– Me deitando. Acho que você não vai me matar por isso – disse fechando os olhos, sentindo o calor de seu corpo.
Era incrível como o filho da morte era quente. Quando falamos dele e de quem ele é filho, imaginamos uma pessoa fria, literalmente fria, e uma personalidade arrogante. Mas ele era diferente. Abri meus olhos discretamente, e o vi olhando para o nada, talvez imaginando o que estaria esperando por ele no futuro, ou pensando em alguém em especial. Caso a profecia se referisse a ele, nos sabíamos exatamente, qual seria seu futuro.
Quando dormi, sonhei que estava de volta ao palácio. Era de noite, e uma névoa gélida rodeava meus calcanhares. No portão principal, um rapaz estava encostado junto à porta de carvalho de braços cruzados. Caminhei em sua direção. Ele respirava pesadamente, como se tivesse acabado de correr uma maratona. O garoto era 10 centímetros mais alto que eu, mas o que me assustava nele era que ele era ligeiramente parecido com Jon. Tinha os mesmo cabelos bagunçados e negros como obsidiana, e a pele pálida. A única coisa que diferenciava nele era os olhos dourados. Ele usava uma camiseta branca e uma calça jeans, mas seus pés estavam descalços. Ao perceber a minha presença, ele me olhou curiosamente.
– Olá Rachel. – quando ele falou, sua voz retumbou como trovão.
– Quem é você? – perguntei.
– Sou aquele que governou primeiro. Apenas isso. – ele respondeu calmamente.
– O que você quer? Por que está aqui?
– Quero o fim dessa guerra inútil. Os outros Aspectos estão ficando sem paciência. Essa baboseira toda. – ele disse girando a mão, como se estivesse machucada.
– O que houve com a sua mão? – perguntei.
– Nada. – ele sorriu – Apenas verificando se ainda estou inteiro aqui.
– Como assim? Isso não é apenas um sonho?
– Sim e não. Você esta sonhando, mas eu não sou parte dele. – ele chutou a parede do castelo com raiva – Vamos acordar, Jon? – ele gritou.
– Jon? Você conhece Jon Fuller?
– Sim. Conheço esse moleque. Infelizmente, eu vou ter que ensinar algumas coisas a ele. – ele chutou de novo a parede – Especialmente a como controlar esse poder de falar com os mortos.
– Espera. Então você está... Você sabe... – só a simples idéia de estar falando com um morto, fazia meu estomago dar cambalhotas, mas falar isso iria me fazer vomitar.
– Morto? – pus a mão em frente à boca, e senti um gosto ruim lá dentro – Não é uma condição que eu goste.
– E como Jon pode fazer isso? Falar com os mortos. – eu tinha que saber de uma coisa.
– É um bônus de ser o sucessor da morte. E sim ele pode falar com qualquer um que esteja morto, antes que você pergunte.
Senti um aperto no coração. Jon poderia falar com qualquer um que morreu, qualquer um. Esse pensamento retumbou forte em mim. Ele não perderia alguém querido para ele completamente, ele ainda poderia interagir com ela. Naquela hora, senti inveja de Jon e sua condição.
– Mas não é uma coisa que se queira mocinha. – não havia percebido, mas o rapaz tinha se aproximado de mim. Ele estava apenas a 1 metro de distância – Mesmo com esse poder, você apenas se machucaria, pois a pessoa não estaria mesmo lá com você. Ela seria apenas uma lembrança constante que você a perdeu. Você só poderia encontrá-la quando... Bem... – sua voz havia ficado triste e melancólica – Acho que já falei demais.
Seus olhos dourados pareciam menos brilhantes e mais tristes. Ele olhou para cima e sussurrou uma coisa para si mesmo. Ele olhou nos meus olhos e murmurou:
– Você parece tanto com ela. – ele deu um sorriso. Então tudo ficou escuro.
Quando acordei, Jon me olhava com um ligeiro sorriso no canto da boca. Então me lembrei de Rillian em meu sonho.
Você parece tanto com ela, ele havia dito.
Você parece tanto com ele, pensei.
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