I work with death and related

7 Our Hopes and Expectations


- Como assim... Morta? – eu disse meio desconsertado.

- Ela morreu no seu parto. – disse Holly com um pouco de tristeza.

- Como vocês sabem? Ela não estava com meu pai?

- É que ele teve um pouco de decência em nos contar, – Sacha choramingou um pouco — são nesses momentos que temos que esquecer a guerra, e tentar nos conformar com a perda de um ente querido.

- Como sabem que ele não estava mentindo?

- Ele nos entregou o corpo dela para o velamento. – Holly suspirou – A rainha até deixou que seu pai comparecesse no funeral. Mas ele não apareceu.

- Como ela se chamava? – perguntou Lisbeth.

- Violet. – Sacha choramingou outra vez – Já chega desse assunto. Amanhã chegaremos à Arce Invictum. Vamos dormir, temos um caminho longo.

Agora milhares de perguntas vagueavam sobre o meus pensamentos. Como era minha mãe? Seria ela maluca de ter um filho com a Morte? Que motivos a levaram a isso? Sacha me culpa pela morte da irmã? Eram perguntas mais absurdas que as outras. Tentei parar de pensar nisso, mas não consegui.

Depois de duas horas em claro, finalmente peguei no sono. Outra vez sonhei com o castelo de Hayt, meu pai. Como cheguei a essa conclusão? Eu apenas sentia que ele era meu pai, e vários outros fatores que havia contado a vocês. Dessa vez estava de noite, o vento batia nas janelas com violência. Estava chovendo, as chamas dos archotes bruxuleavam fracamente. Atravessei a porta do hall de entrada, dei de cara com um salão de festas bem sombrio, com teias de aranhas nos candelabros e no lustre, parecia que ninguém usava aquele lugar havia séculos. Ninguém estava presente no lugar então dei meia volta e voltei ao hall. Tinham duas escadas no lado direito e no esquerdo do salão, quando olhei para a escada da direita, avistei um rapaz de cabelos negros bagunçados, pele levemente morena, beirando ao branco total, e olhos dourados como ouro. Ele se virou em minha direção, e começou a andar. Quando estava a uns 3 metros de distancia de mim, abriu a boca para falar, mas quando falou, sua voz retumbou como trovão:

- Bem vindo Jon! – ele proclamou.

- Quem é você? – perguntei com um frio subindo minha espinha. Como ele sabia que eu estava ali?

- Me desculpe. Esqueci-me que você nunca me viu. Sou eu. O Primeiro. – ele falou batendo com a ponta dos dedos indicadores no peito.

- Primeiro? É você mesmo? – perguntei com cara de desentendido.

- O que você esperava? Um cara alto, imponente, de capa branca com uma espada na mão e um escudo na outra?

- Err... Sim – desabafei.

- Bom, conforme-se garoto.

- Que lugar é esse? Eu sei que é o castelo do meu pai. – disse enquanto olhava em volta.

- É o passado. Quem já morreu pode visitar o passado a vontade.

- Quer dizer que eu morri? – perguntei berrando.

- Não, garoto se controle. Você já percebeu que estamos conectados, não? Como você é filho daquele moleque que é o Hayt, você pode conversar com quem já morreu e visitar o passado. Em minha opinião, uma habilidade muito útil para se descobrir coisas.

- Então quando eu desmaiei na escola...

- Você visitou o passado... Eu meio que forcei você a isso – ele confessou pondo a mão na cabeça.

- Eu posso conversar com quem morreu? Qualquer um? – perguntei.

- Sim.

- Então eu posso... Você sabe. Falar com ela?

- Sua mãe? – ele fez uma pausa para pensar – Você pode. Mas eu não te aconselho fazer isso.

- Por quê?

- Seu pai conversa muito com ela... Na verdade, ele esta fazendo isso agora. E ela me disse que quando você quiser conversar com ela, tem que ser quando ela não esta com o seu pai. Ele sentiria alguém tentando chamar ela, e iria direto ao sujeito.

- Então me você me avisa quando ela não estiver com ele?

- Sim. – ele disse com solidariedade na voz. – Quando você chegar à Arce Invictum, eles lhe contarão sobre seu destino. Mesmo que a Vida te odeie por ser filho da Morte, suas esperanças e expectativas recaem sobre você.

- Por que ela me odiaria?

- Seu pai cometeu atrocidades em busca de poder. Ele e seus antecessores. Meus filhos. – uma pontada de tristeza surgiu em sua voz – Então ela presumiria que você seria igual ao seu pai.

- Então no pensamento dela seria “Tal pai, Tal filho”? – disse gesticulando aspas com os dedos.

- Você entendeu. Opa. Você terá de sair agora. Bom dia. – disse o Primeiro apressado.

- O que? Mas por que... – tarde demais. Eu acordei.

Quando abri os olhos, os cabelos de Lisbeth estavam sobre o meu rosto, seus olhos azuis brilhavam, como se dissessem “Você é muito fofo dormindo”.

- Bom dia, dorminhoco – ela disse com um sorriso.

- Bom dia, olhos azuis. – respondi correspondendo o sorriso. – Que cheiro é esse?

- Ah! Sacha esta fazendo o café. – ela olhou para os lados e sussurrou – Quem é Primeiro?

- Quem? – tentei disfarçar – onde você ouviu isso?

- Você fala dormindo – ela me ajudou a levantar, pegando no meu braço – então, quem é ele? – agora não adiantava mentir.

- Apenas um amigo. – respondi pegando um copo de plástico com café, virei tudo num gole. O liquido quente desceu rasgando minha garganta.

- Não tem açúcar, espertinho – se pronunciou Sacha.

- Tá bom do mesmo jeito, obrigado. — Me lembrei do que o primeiro disse sobre meu pai conversando com a minha mãe. Não, ainda não era hora de falar sobre isso. Nem sobre eu poder conversar com ela.

- Você dormiu bem? – ela perguntou.

- Sim. Conversei com um amigo sobre a situação.

- Como? – ela pareceu interessada sobre o Primeiro.

- Ah, sabe como é, as vantagens de ser filho da Morte.

- Cuidado com quem esta conversando.

- Tudo bem.

- Vem, pega um pão ali – ela apontou para uma vasilha.

Depois de tomar o café, guardamos tudo nas mochilas e seguimos caminho.

Fiquei pensando no que falaria quando encontrasse minha mãe, mas ainda considero sacha minha mãe, lá no fundo. Ainda não acredito que ela é minha tia. A marca em meu braço direito começou a arder de novo, dessa vez com mais intensidade. Lembrei-me do que o Primeiro falara que ela se alimentava da alma de qualquer ser vivo, até mesmo vegetação. Como não sabia chama – lá, tentei chamar o Primeiro, sem resposta. Novidade. Ele só aparecia quando quisesse. Um dia desses esgano esse fantasma.

Quando chegamos a primeira torre de defesa, um soldado de armadura cinzenta emergiu da única janela existente, e gritou:

- Quem são vocês e que querem?

- Sou Sacha Stormgard, tenente do primeiro comando de expedição, essa é Holly Owens, capitã do esquadrão de abate. Estamos voltando de uma missão, escoltando esses dois.

- Pelo Grande Rei! Disseram que estavam desaparecidas. Senão mortas!

- Bom. Desculpe decepcionar, mas estamos bem vivas, obrigado.

- Podem passar!

Avançamos terreno, até nos encontrar na frente de uma ponte, que faria a ponte do Brooklin ficar com inveja. Atravessamos normalmente, olhei para baixo, a água era cristalina. Ao chegarmos no portão, Sacha se pronunciou e disse a que veio. Rapidamente os guardas abriram o portão. Sacha se virou em nossa direção e disse:

- Se preparem para ver a cidade mais bonita do Limbo!