Notas iniciais
minha é criatividade é menos de 8000

O que estava acontecendo? Primeiro meu desmaio no meio da aula, culpa da “Voz misteriosa”, e agora esse monstro. Meu dia não podia estar melhor. Bom, vamos rever umas coisas, ele estava atrás de Lisbeth e de mim: checado; ele sabe falar: checado; eu estou apavorado: checado.

Ele estava se aproximando de Lisbeth, um brilho assassino faiscava em seus olhos. Lisbeth estava paralisada, tentei gritar para ela correr, mas minha voz morreu nos lábios, meu corpo tremia. Então a “voz” gritou – O que está fazendo Fuller? Ajude – a!

Tem razão, o medo agora não é uma opção. Com uma coragem que nunca experimentei antes, corri em disparada em direção do monstro, em uma tentativa de impedir que ele a atacasse, mas com um reflexo, o ele girou o corpo e me deu um soco, com isso fui parar no outro lado da rua. Ele continuava a se aproximar dela. Mas então vi a cena mais louca da minha vida: uma mulher de cabelos grisalhos acabara de pular a janela da casa de Lisbeth, empunhando uma lança branca e um escudo, gritando:

– Em nome da rainha!

Ela espetara a lança bem no olho do monstro, que uivou de dor e cambaleou para trás. Lisbeth estava caída no chão, mas a mulher a ajudou a levantar e disse:

– Está bem filha?

– Sim, mas onde está Jon? – disse Lisbeth ainda atordoada.

– Jon? Quem é esse?

Lisbeth olhou em volta, quando me achou ela apontou para mim, tossindo fortemente. A mãe dela virou o rosto para mim, ela tinha um rosto anguloso; olhos verdes e poucas rugas. Quando me olhou, seu rosto se encheu duma expressão de terror e nojo, como se eu fosse à coisa mais repugnante da face da Terra. Mas então seu rosto se iluminou como se tivesse tido uma ideia, ela se virou para Lisbeth e murmurou alguma coisa.

Lisbeth assentiu, e veio correndo em minha direção. Ela parou ao meu lado e agarrou o meu braço me levantando, quando me levantei ela falou com tom de urgência:

– Minha mãe disse para irmos para sua casa.

– Por quê? – perguntei confuso.

– Ela disse que sua mãe tem que ser avisada, ela saberia o que fazer.

– Como? Ela é só uma corretora!

– Eu não sei! Ela só disse para irmos! – ela gritou.

Ela estava começando a chorar, então percebi o porquê. Ela não queria deixar a mãe sozinha combatendo aquele monstro. Eu sou meio lerdo mais eu percebo essas coisas. Nós tínhamos que chegar em casa o mais rápido o possível. Pelo bem da mãe de Lisbeth.

Quando chegamos em casa, entramos com tudo porta a dentro. Comecei a chamar Sacha por toda a casa. A encontrei no meu quarto praguejando por pisar em uma das minhas coisas (como sempre). Agarrei seu braço e a arrastei escada a baixo, me perguntando como ela poderia ajudar numa situação daquelas.

Quando Lisbeth contou o acontecido a minha Sacha, seu rosto se encheu de terror, então murmurou:

– Jon pegue suas coisas estamos saindo, Lisbeth me ajude com algumas coisas. – disse ela mais calma do que nunca.

– O que está acontecendo mãe? – disse quase gritando.

– Venator – ela rosnou.

– O quê é isso? – mas eu sabia o que aquilo queria dizer: Caçador.

– Só vá logo Jon – ela gritou.

Subi as escadas e entrei no meu quarto. Pus minhas roupas dentro de uma mochila surrada e desci as escadas. Quando cheguei à porta, minha mãe estava empunhando uma espada branca com entalhes em azul vivo e um escudo, como a que a mãe de Lisbeth usava. Ela parecia uma amazona e seu rosto estava com uma expressão austera, ela parecia estar pronta para a batalha.

Sacha se aproximou da mesinha que tinha no canto da sala e tirou um papel negro com inscrições prateadas nas bordas. Ela se aproximou de mim e disse:

– Jon, essa será sua arma. Use – a em momentos críticos, me ouviu? – eu assenti confuso.

Como um pedaço de papel me pode ser útil? Mas então Sacha puxou meu braço e colocou o papel sobre ele. Uma chama negra emergiu na ponta do papel e se alastrou pelo meu braço, como se tivessem posto gasolina nele. A chama era fria como gelo, um arrepio subiu pela minha coluna. Normalmente eu entraria em pânico ao ver meu braço em chamas, mas tinha algo nelas que me faziam se sentir bem, confiante e invencível.

Elas lentamente se apagaram, mas não sem deixar uma marca: Solus Dignus.

– O único digno – disse Sacha com certo tom de orgulho na voz.

– Do quê, mãe? – perguntei, admirando as palavras marcadas.

– De comanda-la.

– Comandar o quê?

– Você pergunta demais, garoto. – Disse ela com cara de entediada.

Lisbeth abafou uma risadinha com a manga da blusa, Sacha fez um gesto para a gente sair. A noite estava ainda mais fria, quando estávamos na calçada, Lisbeth começou a esfregar os braços com as mãos tremendo de frio, e Sacha estava apenas com uma calça jeans, uma camiseta da Pucca e uma blusa leve. E ainda dizia que não estava com frio.

Sacha nos falou que primeiro temos que ir ajudar a mãe de Lisbeth, pois ela teria algo que nos ajudaria com o nosso problema: agora que os caçadores acharam o que queriam, viriam legiões deles. Perguntamos o porquê da perseguição dos caçadores a nos dois, e ela respondeu simplesmente: “Vocês têm parentescos peculiares”.

Quando chegamos à casa de Lisbeth, parecia que tinham explodido uma caixa de granadas lá dentro. O que seria a sala de estar, agora só tinha pedaços de madeira fumegantes, um sofá pegando fogo e uma TV pela metade.

A mãe de Lisbeth estava sentada no sofá em chamas, como se fosse a coisa mais normal do mundo, tipo: “Olha, minha calças são aprova de fogo!”.

Ela olhou para nós, com cara de que queria mais farra, seu rosto estava cheio de fuligem e alguns cortes leves.

Lisbeth correu em sua direção e deu um abraço que durou no mínimo uns 10 segundos. Sacha começou a se aproximar dela e disse:

– É Holly, você exagerou de novo – disse ela apontando para toda a sala.

– O que você queria Sacha, era um caçador classe 2, – disse ela parecendo cansada.

– E por acaso conseguiu alguma coisa boa com isso?

– Isso! – ela enfiou a mão atrás do sofá e puxou a cabeça do Venator. – Lindo espolio de guerra, não?

– Guarda isso Holly, olha o que você fez com ela – disse ela apontando para Lisbeth, que se escondera atrás de uma pilastra carbonixada.

– Tá, mais eu levo isso para a minha sala de troféus, Stormgard. – disse ela colocando a cabeça de volta – E vejo que você concedeu a espada ao garoto. Vejo que vai dar muita merda com ela nas mãos dele, – disse apontando para as marcas no meu braço — Solus Dignus? – Holly deu uma gargalhada – Estamos ferrados.

– Eu decido isso, Holly – disse Sacha sobriamente.

Eu estava curioso o porquê de Holly chamar Sacha de Stormgard. Olhei para ela buscando respostas, ela me olhou como se dissesse: explico depois.

– Então Holly, vamos precisar da chave do portal – disse Sacha voltando o olhar para ela.

– Chave do quê? – disse Lisbeth.

– Chave do portal – disse Holly abanando o rosto com a mão – é como nos movemos entre as dimensões para executarmos missões. Mas Stormgard, cadê a sua chave.

– Perdi há muito tempo atrás.

– A Rainha vai arrancar o seu couro.

– Eu sei. Mas vamos logo Holly? Se não percebeu, estamos com um pouco de pressa.

Holly levantou do sofá, suas calças soltavam um pouco de fumaça em lugares que não vou nem comentar, Lisbeth e eu demos algumas risadas, mas Sacha somente revirou os olhos.

Quando Holly voltou, estava com uma pedra negra na mão e começou a escrever no chão algumas palavras que reconheci como: Deferimus Limbo.

Assim que ela terminou, ela se levantou batendo nas calças para tirar a sujeira e disse:

– Todos prontos para viajar ao Limbo?

– Limbo? – disse Lisbeth e eu em uníssono.

Pelo jeito amanhã não vamos para a escola amanhã.