I work with death and related
1 My life become a mess
Meu nome é Jon Fuller, 16 anos. Nunca conheci meu pai e vivo com minha mãe desde que me entendo por gente.
Nem era 8:00 da manhã, comecei meu dia caindo na cama, que por sinal já tinha tido dia melhores, pois todas as ripas de madeira estavam quebradas, e a cama mal se aguentava em pé, era uma surpresa para mim ela aguentar tanto tempo comigo dormindo em cima. Meu quarto era recheado de tranqueiras que eu encontrava perdidas por aí, mas por alguma razão elas me interessavam, e quase todo dia pisava em uma delas, e acredite, era pior que pisar em LEGO.
Se me lembro bem era quinta-feira que minha vida foi de mal à pior quando fui a escola, nunca dei muita importância para aquele edifício que em nos obrigavam a ficar 6 horas por dia sentados numa carteira e botavam alguém ali para dissecar sapos ou sobre achar o X da equação em questão. Mas aquele dia em questão foi interessante, pois uma aluna nova tinha chegado, seu nome era Lisbeth Cooper, ela tinha cabelos tão negros como a noite caindo por sobre os ombros e olhos tão azuis que pareciam com o céu ao meio-dia, ela tinha se mudado para Nova Iorque por causa do trabalho da mãe, mas segundo ela não vão se mudar mais por conta de uma promoção. Normalmente pensaria que seria uma garota a mais para pedir a borracha emprestada quando tivesse esquecido a minha, mas tinha uma coisa nela que despertava minha curiosidade, como ao que eu sentia em relação as minhas quinquilharias espalhadas pelo quarto.
O professor a colocou no assento no lado esquerdo da sala, enquanto eu estava na carteira ao lado da janela tentando tirar um cochilo, tentando compensar os minutos perdidos que aquela queda me tirou. Era intervalo quando justo quando estava perto dormir, chegou Martin, meu amigo nas horas vagas e companheiro de laboratório, ele tinha um cabelo ruivo, mais sardas que eu podia contar em seu rosto, tinha o porte físico de um atleta de basquete, mas não era muito alto em comparação com os outros garotos. Quando levantei os olhos para ver o que ele queria, ele já começou a falar:
– Jon, não vai acreditar quem aceitou sair comigo amanhã!
– Quem é a coitada, que Deus tenha pena da alma dela. – respondi com sono.
– Cala essa boca, foi a Jessie quem aceitou.
Jessie era líder de torcida do colégio, e só saia com os jogadores pelo que se sabe, nunca era vista sem suas seguidoras, se não estivéssemos na escola, diria que elas fazem um culto de adoração a ela, o que eu não duvido que aconteça. Como eu sou uma pessoa que não gosta desse tipo de coisa, mantenho distancia dela, mas Martin tinha uma insistência em tentar achar o amor de sua vida, e apostava todas as suas fichas em Jessie.
– E então, você vai conversar com a garota nova? – ele perguntou.
– Não tenho nada com a tratar com ela – respondi
– Um de nós tem que ir lá dar as boas vindas a ela, e você não tirou os olhos dela nem por um segundo a aula toda.
Isso eu não podia negar, pois normalmente, estou olhando pela janela ou dormindo na aula de biologia. Mas naquele dia não conseguia parar de olhar parar Lisbeth, sempre que tentava prestar atenção na aula, o que eu raramente fazia, em questão de dez segundos já estava espiando ela por cima do meu caderno. Essa minha curiosidade eu não podia ignorar, essa vontade de saber tudo sobre ela, ou com o que eu conseguisse descobrir já conseguiria me contentar.
Pensando nisso, senti meu rosto ficar quente, e torcendo para as minha bochechas não ficarem vermelhas. De repente ouvi uma voz gritando atrás da sala: Vai falar com ela!
Virei-me para ver quem estava gritando, mas só vi uma turma conversando, provavelmente em como vai colar na prova do Sr. Farell, que era professor substituto da Prof.ª Labisky, que ensinava biologia, mas se acidentou na escada quebrando a perna. No começo adoramos a noticia, mas logo descobrimos que o Sr. Farell era mil vezes pior, e começamos a dividir as supostas “respostas do teste” que Thomas, um gordinho de dentes tortos nada confiável, distribuía para os alunos pela generosa bagatela de 30 dólares a resposta.
Martin, nada habituado a ser ignorado, deu um puxão na minha camisa e começou a dizer:
– Ei! Tá me ouvindo? Eu disse que você tem que ir falar com ela, e não adianta tentar me ignorar. – dessa vez com mais insistência.
– Tá já ouvi! Não precisa encher o saco!
Com relutância, levantei da minha mesa e fui falar com Lisbeth, do outro lado da sala. Ela estava desenhando no caderno alguma coisa que não consegui distinguir, mas sabia que não era nada humano, agora sim a minha curiosidade esta em chamas, ansiando descobrir cada detalhe dessa garota.
Quando cheguei à mesa dela, fui logo me apresentando para evitar constrangimento:
– Prazer em te conhecer, sou Jon Fuller e bem-vinda a nossa sala. – disse estendendo a mão.
– O prazer é meu Jon Fuller, como já deve saber sou Lisbeth Cooper. – disse ela apertando a minha mão.
Quando olhei para seus olhos, achei que estava me afogando em um mar azul, o toque de sua mão era tão macia quanto algodão, e seu cheiro era como se eu estivesse num jardim na primavera. Me senti um mendigo perto dela, meu cabelo negro estava todo despenteado como se tivesse acabado de acordar, o que não estava longe da verdade, uma camisa velha de uma banda que nem me lembrava mais o nome, e um All-Star com a sola do pé direito saindo.
Evitando tal pensamento, perguntei a ela:
– E então, já fez algum amigo por aqui?
– Por enquanto só conheci você; o pessoal não é muito sociável com pessoas novas, não é? – disse ela dando uma risada baixinha.
– Pode se dizer que sim – respondi dando um sorriso.
– Você pode me dizer quem é aquele garoto? Ele não parou de acenar para cá desde que você chegou aqui.
Virei-me para ver quem era, torcendo para não ser Martin, e lá estava ele acenando feito um bobo, — que droga Martin, agora não! — pensei. Tentando ignora-lo, olhei para Lisbeth e disse:
– Aquele é o Martin, amigo em horas vagas e orgulhoso dono da cabeleira mais ruiva da escola.
Depois de uma conversa rápida com Lisbeth, voltei para a minha mesa e fiquei esperando o professor de educação física, hoje era dia de jogar vôlei e não estava muito empolgado para ficar pulando como uma perereca tentando rebater uma bola. Quando cheguei a quadra, uma turma do 3º ano, eu acho, estava lá, considerando que eu nunca vi eles, praticando basquete, mas não dei importância, e fui me sentar na arquibancada tentar dormir como faço normalmente, mas parece que não ia dormir hoje, porque a porcaria da bola de basquete veio como um míssil direto pra minha cabeça. Um garoto veio buscar a bola e disse:
– Desculpa pela bola, o Davis ali é um desastrado, – Davis era um garoto, alto, cabelo loiro e com cara de tonto, o que era estranhamente normal nessa escola. – Vou falar para ele tomar cuidado, fique bem, Alma Penada. – disse isso com um olhar de escarnio.
Alma penada? Essa é nova, já me chamaram de muitas coisas, mas de Alma Penada é a primeira vez. Vai ver é que eu estava muito pálido, mas não tinha gostado daquele olhar, fazia parecer que tinha alguma doença e era melhor ficar longe de mim. Já estava na metade da aula e desisti de dormir, e comecei a observar o pessoal da minha sala jogar voleibol, não demorou muito para Martin me achar e me puxar para jogar pelo time dele. Por alguma razão eu tinha uma habilidade de pressentir quando alguém tinha intenções de machucar ou pressentir catástrofes, com o incêndio na casa do meu tio, 10 segundos antes de começar o fogo, já estava correndo para fora da casa dele. Essa minha “habilidade” era muito útil para mim e meus colgas de equipe, pois poderia avisar quando uma bola ia para na cara de alguém, e evitava muitos narizes quebrados na aula.
Quando a partida ia começar, Martin começou a gritar:
– Vamos lá! O Jon tá com a gente, então parem de ficar com medo de uma bola assassina tentar acertar vocês.
Um grupo de nerds tinha ficado mais aliviado e começaram com um saque confiante, e o jogo continuou assim durante um 5 minutos, até eu começar a reparar em quem estava jogando no meu time, Lisbeth estava no fundo, devolvendo as jogadas com a energia de uma jogadora profissional. Por um momento eu me desliguei do mundo e fiquei olhando ela, e foi nessa fração de segundo que Thomas, o gordinho, disparou uma bola, que poderia muito bem se enterrar no concreto. Quanto voltei ao mundo real, era tarde demais. Só vi um bola a uns 10 centímetros do meu rosto, pronta para arrancar todos os dentes da minha boca. então ouvi a mesma porcaria de voz que ficou me enchendo o saco o dia inteiro, dizendo:
- É garoto parece que você vai ter que ir no dentista hoje. Mas não estou com vontade de ver sangue saindo da sua boca hoje, então, vou ter ajudar só um pouco.
Em seguida, tudo ficou escuro.
Fale com o autor