I work with death and related
3 Found it
Notas iniciais
Ela olhava para mim com terror nos olhos, como se tivesse acabado de ver um fantasma.
– O que você disse Jon? – disse ela tentando disfarçar a tensão.
– Se você conhece algum Hayt – nunca tinha visto aquele olhar na minha mãe.
– Não conheço. Pode pegar o óleo para mim Jon? – ela estava tentando dar o seu melhor sorriso, mas parecia que ela estava mostrando os dentes para o dentista.
Hayt e William. Esses nomes não saiam da minha cabeça, por algum motivo, a imagem deles me parecia familiares, como se já tivesse conhecido eles. E quando mencionei Hayt para Sacha, o terror absoluto a invadiu.
“Você tem que esquecer eles garoto.”
De novo ouvi essa voz – Quem é você? – pensei, mas não ouve resposta, novidade. Ela tinha me feito desmaiar no meio da aula, mas meio que agradeço a ela, me salvou de uma ida nada legal ao dentista.
Voltei à sala onde estava Martin e Lisbeth, e me sentei no sofá onde ela estava. Olhei de relance para Lisbeth, e percebi que ela estava um pouco corada. Pelo jeito ela não estava acostumada com garotos sentados ao lado dela. Quando estava ao lado dela, não conseguia ficar quieto, sempre se aproximando dela, como um imã. Mas o que me surpreendeu foi que ela estava fazendo o mesmo. Olhei meio sem jeito para ela e senti o meu rosto ficar quente, e rapidamente virei o meu rosto para o chão, — Tire esses pensamentos da cabeça Fuller, vai ficar parecendo uma idiota apaixonado! – de novo a voz, mas ela tem razão, tenho que manter os pés no chão.
O silencio só era quebrado com o som da televisão e o som constante de pipoca sendo devorada avidamente por Martin, então minha mãe nos chamou para jantar por volta das 19:30. Mesmo tendo digerido dois baldes de pipocas e cinco copos de refrigerante, Martin ainda tinha espaço para mais dois pratos de comida. Tendo todos terminado o jantar, Lisbeth olhou o relógio e levantou num pulo da mesa dizendo:
– Meu Deus, já é 20: 35? Minha mãe vai arrancar o meu couro!
– O quê? Tchau Jon e obrigado Senhora Fuller pelo jantar maravilhoso.
E ele saiu como um velocista porta afora.
Lisbeth estava tão assustada quanto eu ao ver essa cena, do jeito que ele saíra, a mãe dele devia ser um monstro para ele correr tanto. Ela foi um pouco mais discreta, agradeceu a minha mãe pelo jantar e foi em direção à porta. Eu não poderia deixar ela sair sozinha na rua, não queria deixar. Então, com a mesma velocidade de Martin, corri até a porta e perguntei a Lisbeth se poderia levar ela até em casa. Eu e ela coramos um pouco com a cena, mas ela aceitou. Dei um grito a Sacha dizendo que ia voltar logo, e ela por sua vez deu um berro dizendo tudo bem.
A rua estava vazia e a única coisa que se escutava era o vento, nós dois estávamos andando sobre um gramado meio seco. Qualquer palavra que vinha a minha cabeça sumia tão rápido quanto eu podia pronuncia-la, e Lisbeth tentava a puxar qualquer tipo de conversa comigo, como eram os professores, como era o tempo na cidade, que geralmente era quente anoite, mas naquela noite, estava particularmente frio, era o frio que se encontrava em funerais. Enquanto ela batia os dentes de frio eu me confortava nele, o que é muito estranho para mim. Quando eu minha mãe fomos ao funeral da tia Neff, que para mim era apelido de nefasta (longa história), o frio que lá estava fazia o pessoal colocar umas quatro blusas, mas eu sentia segurança e sentido de dever, não sei por que, mas de levar a tia Neff para outro lugar, um melhor do que debaixo da terra. Vai saber por que eu queria isso.
– Você não tem que ir para casa, Jon? – disse ela levantando o meu rosto, e rezei para não estar corando.
Quando ela disse isso, me encontrei na frente da casa dela. Era uma casa de dois andares com muitas janelas dos anos 80, e havia ainda as caixas da mudança do lado de fora. As pilastras eram brancas, mas a casa tinha como cor predominante o vermelho.
Eu não queria sair de perto dela, tá que eu fiquei pensando em merda o caminho inteiro, mas ia encontrar alguma coisa que prestava no meio dos meus pensamentos. Ela estava com aquela cara de tipo “Fala alguma coisa o sem noção”, tomei coragem e falei:
– Então, boa noite Lisbeth.
– Boa noite Jon Fuller.
Eu já estava quase na quina da calçada quando senti um tremor na rua, Lisbeth que estava abrindo a porta, olhou para mim e disse:
– Mas o que foi isso! – seus olhos estavam levemente arregalados
Os tremores continuavam cada vez mais fortes, como se estivessem se aproximando, mas não estava muito longe da verdade. No meio das sombras das árvores uma criatura pulou para o meio da rua. Ela era branca, esguia, com olhos vermelhos sangue e sibilou alguma coisa estranha, mas uma parte eu entendi:
– Achei...
– Vocês? – completou Lisbeth.
Ela entedia também? Mas não era tempo de pensar nisso. Não consegui acreditar no estava vendo, aquilo parecia ter saído de filme de terror ou coisa parecida.
“Agora você tá enrascado Jon, dessa vez não posso te ajudar. Esta por sua conta agora”.
Como assim o voz interior? Vai me deixar sozinho logo agora?
A criatura estava sando passos pesados, que dava para sentir o chão vibrar. Ela ficou na minha frente, prendi minha respiração. O terror que ali havia era aterrador. Não conseguia me mover. O monstro agachou e disse:
– Por enquanto, minha missão não é você! – e continuou andando... em direção de Lisbeth!!
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