I will never forget you.
33 This can´t be real.
Notas iniciais
Mensagem on:
Sophia: Precisamos conversar.
Miguel: Quando?
Sophia: O mais rápido possível.
Miguel: Hoje? Naquela lanchonete próxima à sua casa?
Sophia: Ok, às 14 hrs.
Miguel: Ok.
Mensagem off:
– E aí? – Indaga Lucca
– Hoje, às duas da tarde. – Respondo
– Eu vou com você. – Afirma
– Só me prometa ficar quieto, dentro do carro. – Peço – Se precisar de algo, lhe mando uma mensagem, ok?
– Tudo bem. – Responde acariciando meu rosto.
– Vamos, temos que levar o Luquinha para a escola – Informo
–-**--
O carro é estacionado na esquina da lanchonete, minhas mãos estão trêmulas, assim como o resto de meu corpo.
– Qualquer coisa você já sabe, né? – Certifica Lucca
– Sei, vai dar tudo certo. –Afirmo mais para mim do que para ele.
Me despeço com um beijo e sigo até a lanchonete. Minhas pernas estão bambas, mas se estabilizam assim que vejo o formato do corpo de Miguel pelo vidro. Respiro fortemente e adentro ao local, o cheiro de hambúrguer e batatas fritas reviram meu estômago, me fazendo sentir um forte enjoo, fazendo com que eu perca um pouco os sentidos.
Miguel nota minha chegada e segura em meus braços, fazendo com que o enjoo passe e a raiva tome conta. Olho para ele com a minha melhor cara de desprezo e sento na cadeira que estava destinada a mim.
– Você está legal? – Pergunta aturdido, e passa a me encarar por inteira.
– Estou, e pare de me olhar assim. – Ordeno firme e ele baixa o olha.
– O que exatamente você quer conversar?
– O que você acha? – Pergunto seca.
– Olha, se for pelo dia no parque, eu nã... – Tenta se defender, mas eu o interrompo.
– Não tente tirar a sua culpa, se desculpando ou culpando Lucca. – Interviro seca novamente
– Então sobre o que exatamente quer conversar? – Pergunta novamente e rio sarcástica
– Por favor, Miguel! Você aparece do nada e quer direitos por uma criança que nem conhece!
– Isso não importa! – Exclama levantando o tom de voz.
– Como não? Você quer virar pai, do nada?
– Não é bem assim! Eu nunca deixei de ser pai dele!
– Você nunca foi pai dele! – Exclamo furiosa – E nunca vai ser!
– Isso não depende só de você!
– Você não tente fazer algo contra mim para se aproximar do MEU filho! Ele não precisa de você! – Levanto o tom de voz e salto da cadeira, o encarando furiosamente.
– Como não? Ele precisa do pai!
– Você ainda não percebeu que ele já tem um pai? Um pai mil vezes melhor do que você um dia poderia ser!
– Ele tem o meu sangue! E eu vou lutar pela guarda dele, nem que eu tenha que passar por cima daquele idiota! – Ameaça e desperta fúria e angustia dentro de mim.
– Ninguém em sã consciência lhe concederia a guarda dele!
– Você não sabe com quem está falando!
– Ah, eu sei bem! Estou falando com um covarde, metido à oficial!
– Você não pode falar isso de mim!
– Ah, não? E o que vai acontecer a mim? Se toca, Miguel! Você não passa de um moleque mimado, que nunca vai crescer!
– Um moleque mimado que lhe fez feliz por muito tempo! Você era uma coitada, deveria me agradecer!
– Você nunca me fez feliz! Você não passava de uma distração para mim! Eu nunca te amei! – Falo cuspindo as palavras em sua cara, e o vejo perder um pouco a linha.
– Isso já não importa mais, as circunstâncias irão mudar! Você vai precisar de mim, não sabe metade do que ainda está para acontecer! – Exclama convencido
– O que exatamente vai acontecer? – Pergunto indiferente mantendo a postura.
– Você logo irá saber. E guarde minhas palavras: Ele vai me conhecer como pai, e se você não colaborar, nunca mais vai ver seu filho! – Ameaça, fazendo com que o sangue de meu corpo suba todo até minha cabeça. Ele acha que pode me ameaçar assim.
Levanto da cadeira sobressaltada, dou três passos em sua direção e lhe profiro um soco no meio da cara, atraindo a atenção de todos a minha volta.
Minha mão lateja, mas a satisfação em o ver contorcer toda a cara, cobre toda e qualquer dor.
– Isso, é só um terço do que eu irei fazer com você se você ousar me ameaçar novamente. – Alerto, e nem esperei por qualquer resposta de sua parte, virei as costas e sai da lanchonete.
Saio atordoada da lanchonete, não sei do que ele estava falando, mas eu vi em seus olhos que ele não estava blefando.
Mas, como eu disse: Ele vai estar muito louco se me ameaçar novamente.
Entro no carro ainda pensando em suas palavras e no soco que lhe dei, Lucca percebe meu estado e vem mais para o meu lado, acariciando minhas mãos.
– O que aconteceu? – Pergunta exaltado examinando minhas mãos.
– Eu dei um soco na cara daquele desgraçado. – Explico e ele me olha espantado.
– Minha vontade é de te agarrar agora mesmo! – Exclama orgulhoso, fazendo com que meus lábios formem um sorriso – Mas, antes eu preciso saber a razão disso.
– Ele acha que pode me ameaçar, mas eu mostrei que não.
– O que ele disse? — Pergunta exaltado já com as mãos na trava do carro.
– Ele não está para brincadeira, a gente tem que pensar em algo. – Falo exasperada
– Calma, o que ele te disse? – Pergunta calmo
– Ele vai até o fim, e ele disse que eu não sei metade do que está acontecendo, e que eu irei precisar dele. – Repito suas palavras e engulo à seco – E que não vai parar de buscar pelo Lucca, esse eu não colaborar, ele vai tirá-lo de mim.
– Esse cara só pode estar louco – Constata – Eu juro, se eu ver ele no meio da rua, eu acabo com ele- Afirma e soca o volante.
– Calma, não podemos nos exaltar agora, eu duvido muito que ele consiga alguma coisa. Mas ele realmente não estava blefando. – Falo, recebendo uma tristeza.
– Não vai acontecer nada, tudo vai se resolver, e ele não vai se aproximar do NOSSO filho. – Fala convicto e beija o topo de minha cabeça, assim, já saindo com o carro.
Passamos o resto do dia pensativos, dirigíamos poucas palavras um ao outro, a preocupação era visível em ambos os rostos. Ele estava realmente aflito em perder o filho, estava agindo diferente com ele, passou horas e mais horas agarrado a ele.
Liguei para Luísa, e assim como a última vez, ela disse que não pode fazer nada por enquanto. O pior é que, se ele realmente for até o fim, iremos ser obrigados a dividir nosso filho com ele, e eu não estou disposta a isso. Onde ele pode ter algum direito? Ele nunca quis saber dele!
Essa história toda não está me fazendo bem, passei o dia desmotivada, com tonturas...Só quero acordar e voltar a viver a minha vida do jeito que estava, mas realmente, estava bom demais para ser verdade.
Lucca e eu, dormimos abraçados um ao outro, na verdade, ele dormiu. Eu não estou bem. Com a maior delicadeza possível, eu me solto de seus braços, e me dirijo ao andar de baixo.
Pego um copo d’água e me sento no sofá, com o volume baixinho, ligo a televisão e deixo no noticiário como sempre.
A notícia que acabo de escutar me faz paralisar, o copo escorrega de minha mão e um desespero toma conta de mim.
POV Manu:
Rafa e eu estamos nos agarrando no meio do chão da sala, realmente não sei qual é dessa urgência toda que um tem do outro, mas só sei descrever isso tudo como: perfeito.
Essa selvageria, essa necessidade, esse desejo ardente, me deixa cada vez mais fora de mim, e me permite pensar coisas que nunca em toda a minha vida pensei.
De repente, a televisão liga, no mínimo esbarramos no controle, iriamos deixar isso para lá, afinal, um barulho de fundo não incomoda ninguém, mas uma certa notícia nos fez parar o que estávamos fazendo.
‘’ Exército brasileiro torna oficial, Brasil irá se juntar aos Estados Unidos contra o Grupo Estado Islâmico, sem oficiais o suficiente, é requerida a presença dos reservistas, esses irão passar por um treinamento de uma semana, e após isso, partirão para o Iraque, onde a Guerra já se iniciou”
– Me fala que você, por algum motivo divino, não prestou serviço militar. – Falo paralisada, sem nem ter o que pensar direito.
– Prestei. –Responde estático.
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