I will find you
27 Uma boa notícia
Notas iniciais
Depois de um tempo, o vento no terraço começou a se tornar desagradavelmente frio. A noite estava magnífica, mas precisávamos entrar antes que algum médico ou zelador nos encontrasse ali tão tarde da noite. Então, resolvi que deveria levar Iwasawa de volta para o quarto. Ela estava a tremer, abraçada a guitarra e observando atentamente a estrela Sirius. Iwasawa e eu tínhamos uma ligação bonita com o céu... O alto e misterioso nos fascinava...
— Iwasawa... Vamos voltar...? Você está tremendo. – A rosada claramente discordou com a expressão óbvia no rosto. Porém, ela não podia adquirir um resfriado logo agora que estava se recuperando, então não tive escolhas.
— Mas... – Ela relutou e abaixou a cabeça, tentando me convencer com seu melodrama. Quase sempre funcionava. – O céu está tão bonito hoje...
— Eu sei que sim! Também estou amando ficar aqui hoje, só que você não pode adoecer agora com essa friagem. Digo isso pro seu bem, mocinha. – Tentei ser a mais racional possível, já que sabia que ela ficaria ali até amanhecer se deixassem. Vi que encolhera as pernas e se agarrou mais ao objeto de metal. Um sorriso travesso apareceu em meus lábios e fui até ela, sabendo que não haveria jeito, então a segurei em meus braços.
Prontamente as pernas dela se debateram um pouco, revelando que era contrária a ideia de ser tratada assim, mas era necessário fazê-lo. Seus olhos se reviraram e eu me permiti ouvir seus murmúrios enquanto passava pelo corredor, até chegar à porta do quarto escuro.
— Hisako! Eu sei andar por conta própria agora. Mesmo que seja lentamente... – Suas bochechas estavam levemente vermelhas e eu beijei uma delas com cuidado, num silencioso pedido de desculpas.
— Se eu não te trouxesse assim, você ia permanecer lá pra sempre. – Arqueei uma das sobrancelhas e ela deixou a guitarra apoiada no descanso próximo à parede.
— As estrelas sempre me trazem sentimentos bons... Elas exalam a companhia noturna que todo solitário precisa para acreditar que não está literalmente sozinho... Estrelas têm histórias, assim como as músicas mais belas ou tristes... Estrelas dão o sentido maior para que o abismo escuro da noite seja preenchido... – Então outra frase musical apareceu... É, realmente Masami estava de volta. Meu coração se acalentou junto de sua poesia. Quem me dera ser assim, eu poderia acompanhar seu pensamento.
— Eu entendo... Se não fossem elas, eu me sentiria em completa solidão quando fiquei sem você. Sinto que elas trouxeram sua presença de alguma forma. – A vi sorrir quando disse isso, enquanto eu pegava os lanches que havia trago na minha bolsa. Seria o nosso jantar de hoje.
— Eu bem que lhe falei... – Sentei ao lado dela, entregando um dos sanduíches com uma caixinha de suco. – Obrigada.
— Está pensando o mesmo que eu? – Indaguei ao dar uma piscadela discreta.
— Vamos escrever uma música nova? – A rosada concordou prontamente com uma pergunta. Quando é que ela não estaria pronta para uma composição nova?
— Claro. Vamos cantar sobre estrelas. – Peguei meu lanche e observei a expressão de extrema felicidade no rosto dela.
Aquele sorriso, brilho intenso no olhar, trazia a paz que me faltou em todo esse tempo. Suspirei de alivio. Alivio esse que acontecia após toda aquela busca dolorosa e válida se encerrar por completo. Um ruído na porta nos tirou do estado de transe que havia se iniciado após nós termos terminado de comer. O médico voltou junto ao amigo Otonashi, que acenou amigavelmente.
— Boa noite, garotas! É bom ver que a senhorita Hisako cumpre mesmo com a promessa. Não deixou você de modo algum, guerreira Masami-san. – O senhor sentou-se a cadeira próxima da maca, preenchendo a prancheta que sempre levava consigo.
— Isso é sério, Hisako? – A vocalista me olhou sorridente.
— Totalmente verdade, Iwasawa-san. Ela esteve te procurando o tempo todo e quando te achou, não saiu do seu lado e nos prometeu que ia sacrificar a vida no dormitório da escola pra vir cuidar de você. – Otonashi disse calmamente, se aproximando. – A propósito...
— Nós temos uma boa notícia para dar a vocês. – O médico completou a frase. Meus olhos arregalaram. Iwasawa permaneceu calma, como sempre fora.
— E qual é? – Me adiantei de imediato.
— A senhorita Masami já tem alta. Ela já pode voltar. Analisamos os exames e não tem mais perigo que danifique o cérebro dela. Os movimentos já estão totalmente recuperados, só aconselhamos que continue confiante em andar. Você está receosa. É isso que impede que ande mais rápido. – O médico anunciou, mostrando a folha com os resultados.
— A lenta recuperação no movimento das pernas se deu ao seu medo de andar. Agora que as meninas te ajudaram, você conseguiu confiança. Se tivesse feito isso mais cedo, teria conseguido esses movimentos ao mesmo tempo em que conseguiu os dos braços. – O garoto terminou a explicação.
— Caramba! Agora você pode voltar comigo, meu amor! – Tapei os lábios usando as mãos com as últimas palavras que proferi. Não sei se isso seria bem recebido. – Quer dizer, Masa-san.
— De fato! O corvo preso poderá voar agora para poder entoar seus cantos... – Ela me abraçou sem que eu esperasse e eu retribui, como sempre, carinhosamente e com todo o amor do mundo.
— Isso é tudo graças a você, Hisako-san. – Otonashi disse sem alterar o tom da voz. Falou claramente, como se estivesse orgulhoso. – Não deve ser fácil agarrar uma esperança que tinha a luz tão fraca e torná-la possível. Você foi forte, assim como Iwasawa foi por você.
— Eu não poderia deixar ela sozinha aqui. Nunca. – Passei o braço sobre os ombros da rosada, apertando o braço direito dela. – Estou com ela desde o primeiro dia.
— E eu sou muito grata por isso, Hisako... Obrigada por não desistir de mim. – Iwasawa deitou o rosto no meu ombro e eu lhe aconcheguei. Lembrei-me de quando ela acordou, de quando ela se foi e do primeiro dia em que a vi. Foram sentimentos iguais e diferentes ao mesmo tempo. Mas todos eles me guiaram até aqui.
— Não precisa agradecer de modo algum... Esse foi o meu amor gritando alto por você. – Sussurrei baixinho na orelha dela e vi as maças do rosto dela se pintando de rubro, sozinhas.
— Hisako... – Ela disse manhosa, tentando esconder o embaraço e disse quase inaudível. – Eu também te amo.
— Isso é bom... Você não sabe o quanto eu fico feliz de ouvir essas palavras... – Pisquei pra ela e me virei para o médico e o estagiário. – Já podemos fazer nossa mudança?
— Vocês irão precisar de ajuda, garotas. – O menino Yuzuru sorriu de canto. Já sabíamos muito bem com quem contatar.
Meia hora depois chegaram ninguém mais que TK e Yurippe. Eles nos ajudaram com as roupas, que não eram muitas, travesseiros e instrumentos musicais.
— Quem diria, nós estamos agora fazendo a mudança da Iwasawa-san, Hisako! – A líder exclamou enquanto empilhava os travesseiros com os edredons, descendo pelo elevador.
— GirlDeMo rocks! – O loiro dançou com uma das mochilas das nossas guitarras no colo.
— Parece que estaremos de volta em breve nos palcos da vida, Yurippe. – Sussurrei ao colocar os últimos apetrechos no carro. Iwasawa já veio logo atrás e eu ajudei-a a entrar.
— Mal posso esperar! – Yuri mandou um sinal positivo pra nós e acenamos para o médico e para nosso grande amigo.
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