I will find you
28 Voltando para a escola
Notas iniciais
A conversa no carro foi bem breve, já que de lá até o dormitório, o caminho era bem breve e pude ver o sorriso calmo de Iwasawa ao ver as luzes da cidade noturna. E posso acreditar que, era uma das coisas que mais inspiravam os melhores compositores. Yurippe estava animadíssima, perguntando como foi a recuperação e TK cantarolava uma música do Michael Jackson que tocava no mp3.
— Iwasawa-san, já consegue andar sem problemas? Se quiser, tem vaga no nosso time de beisebol! – A líder piscou com um olhar ambicioso estampado nas íris esverdeadas.
— Ah, eu fico grata pela oferta, Yurippe-san. Porém, ainda estou com os movimentos lentos. – A rosada respondeu, forçando um sorriso para não decepcionar nossa superiora.
— Sem problemas! Quando se sentir pronta, nós estaremos lá! – A outra levantou o punho no ar, sonhadora.
— Nós vamos jogar mais vezes...? – Arqueei uma das sobrancelhas, imaginando como serão essas rivalidades que Yuri cria com times de esportes, mas ela sempre foi muito competitiva, o que não nos impressionava nenhum pouco.
— Mas é claro que sim! Imagina a cara impagável do Naoi quando nos vir lutando! – Ela respondeu com fogo nos olhos.
— Strong is your fight! – TK continuou cantando. Eu quase o vi fazendo os passinhos famosos de Michael, mas o loiro estava dirigindo com uma alegria imensa estampada nos olhos claros.
— Seria mais fácil persuadi-lo usando o Otonashi-kun. – Murmurei com uma expressão emburrada no rosto. A vocalista ao lado apenas riu baixinho.
— Isso seria simples e fácil demais! Whoops! – O carro balançou um pouco com a virada brusca que loiro fez para dobrar a esquina. – Quero ver ele se arrastar aos nossos pés!
— Será que ele perdeu a capacidade de hipnotizar as pessoas? – Perguntei baixo, enquanto o carro parava e abrimos a porta para carregar a mudança pra cima.
— O vice-presidente do conselho era controlador de mentes? – Masami indagou, enquanto agarrava a mochila de seu violão e ia caminhando devagar pelas escadas. TK foi levando a da guitarra. Depois se separou de nós quando viu a placa escrita ‘Dormitório feminino’ e me entregou o objeto, depois acenou e sussurrou um “Good night” para nós.
— Sim, ele não era um sociopata comum. Naoi costumava ‘ajudar’ as pessoas a voltarem pra cá, mas se alguém o irritava, usava esse artifício para o próprio benefício e como bem quisesse, ou seja, fazendo os outros de idiota. Pobre Hinata-kun, eu já perdi as contas de quantas vezes ele já caiu nessa palhaçada. – A líder trouxe as roupas de Iwasawa, que eram poucas, consistiam somente de um uniforme antigo, a roupa do hospital, botas pretas, um casaco fechado de lã branca e uma saia roxa.
— Oh, entendo... Isso parece um tanto maligno. – A vocalista subiu o último degrau, forçando um pouco a perna, mas finalmente conseguiu. Senti receio de que desequilibrasse. – As pessoas impuras seguem o senso comum para que o benefício venha com atos de egoísmo.
— O fato é que o Otonashi é o único que conseguiu reconhecer algum resquício de bondade e valor que tinha naquele garoto. Por isso, o Ayato só obedece ao que ele diz. – Falei com pesar e apoiei uma das mãos livres nas costas de Iwasawa, ajudando-a a não desequilibrar e finalmente chegamos ao nosso quarto.
— Antigamente ele se achava um ninguém na vida. Então o Otonashi deu alguma esperança de utilidade social para ele. – Ri baixinho quando a Yurippe disse isso, ela conseguia ser grossa às vezes.
— Você é bem malvada quando quer, Yurippe-san. – A rosada disse baixinho e entrou no dormitório, sentando-se na cama que estava intacta.
— Só estou evitando vocês de alguma ameaça. – Ela sorriu de canto, cruzando os braços depois de colocar as coisas que carregou em seus devidos lugares.
— Certo, certo. Nós sempre soubemos disso, na verdade. Está nos seus olhos. – Eu mandei um sinal positivo e a líder piscou para nós, dando um pequeno aceno para depois se retirar.
— Todos são muito especiais pra mim, nunca escondi isso de vocês. – Ela se dirigiu até a porta. – Enfim, estão entregues. Espero vê-las animadas para a aula amanhã. Boa noite! – Seus olhos azul-esverdeados desapareceram pela porta enquanto ela sumiu para seu quarto.
— Oyasumi. – Eu e a minha melhor amiga, ou mais que isso, respondemos em coro.
Houve um tempo em silêncio, apenas para nos darmos conta de que estávamos ali outra vez, num dormitório de colégio, juntas. Ela sorriu calmamente e se levantou para olhar as estrelas pela janela. Acompanhei seu trajeto uns minutos depois, abraçando seu corpo morno por trás de uma maneira aconchegante. Percebi que a expressão de felicidade ficou ainda mais visível em seu pálido rosto e resolvi deixar um beijo no canto do pescoço, onde a pele era exposta. Ouvi um suspiro baixo em resposta, enquanto os olhos brilhantes e quase roxos viajavam pela imensidão do espaço.
— A paz e a calma desse momento não exigem uma explicação e nem um julgamento. Só nos cabe obter um proveito e sentir a linda melodia do silêncio da noite e as cargas de sentimentos amorosos que transcendem de nossas almas livres, Hisako... – Sua voz saiu doce e especial, como de costume. Meu coração disparou em desespero de tantas sensações boas que aquelas frases musicais traziam.
— Não sou tão boa para falar sobre o amor quanto você, Iwasawa. Porém, sou sincera o bastante para concordar com tudo e dizer que, eu esperei por muito tempo na minha vida por esses momentos tão doces e... – Ela se virou para mim e eu simplesmente perdi as palavras quando os olhos dilatados fitaram os meus. – Nossa... C-Como você consegue fazer com que cada ser tenha um fraco imenso por você? – Vi que assim como da primeira vez que perguntei isso, ela não teve uma resposta e eu só consegui sussurrar agora. – Eu te amo, Masa.
— Eu te amo tanto que não seria suficiente compor mil músicas sobre o que sinto... Porque é tão infinito quanto esse céu estrelado. – Senti as mãos suaves tocarem meu rosto, do mesmo modo que a testa coberta de cabelos tom magenta se encontrou com a minha.
— Iwasawa... – Murmurei baixinho, com o sangue subindo pelas bochechas e mostrando o quanto eu estava embaraçada com suas demonstrações de amor. Por fim, nossos lábios se encontraram quando os olhos ficaram próximos demais e se fecharam.
O beijo foi iniciado tão lento e suave quanto sua boca quando entoava uma canção acompanhada das cordas do violão. Depois se aprofundou, cada vez mais amorosa e gentil. Eu me entreguei tanto àquele toque que coloquei seu corpo sobre a cama, apertando os braços ao redor da cintura. Não havia como explicar os limites de felicidade que emanavam de nós duas. Apenas o amor.
Desfrutava das explosões de emoções que incendiavam meu peito a cada ‘eu te amo’ dito entre os beijos. Queria provar mais dela e satisfazer meus desejos apaixonados. Sua boca não se separou da minha por um bom tempo. Quando os lábios tenros acariciavam os meus, cada vez mais intensos, eu apertava o corpo junto ao seu, aproveitando a euforia que me tomava.
A madrugada caiu adentro e nos vimos obrigadas a descansar para enfrentar o dia que estava por vir.
Acordei com Iwasawa dormindo como um anjo bom sobre meu peito agitado. Foi um martírio ter que acordá-la, era tão errado para eu desfazer a paz que estava instalada ali naquele sono inocente... Infelizmente tive que ajudá-la a se erguer da cama e começar a vestir o uniforme, pois a sala de aula nos esperava.
Fomos direto à diretoria primeiramente, assim podíamos explicar a atual situação para a diretora e ainda fugir das aulas torturantes de física. Entregamos os resultados dos exames e efetuamos a matrícula prontamente naquelas horas. De quebra, ainda conseguimos tomar um café. Assim, já podemos ir direto para o primeiro intervalo após toda aquela conversa.
Yurippe e toda a turma do beisebol nos esperavam na quadra. Um Sol com raios agradáveis nos aquecia gentilmente. Masa estava contente ao ver todos ali e então eu fiquei ainda mais contente por isso.
— Iwasawa-senpai! Você finalmente veio! – Yui exclamou, se remexendo na cadeira de rodas nova.
— Ohayo, pessoal. – Ela respondeu com um ar tímido.
— Good mornin’ girls! — TK apontou com os dedos, fazendo um movimento de break dance.
— É bom te ver de novo, Masa-senpai. – Sekine mostrou a língua, colocando as mãos sobre a cintura.
— Que bom que está melhor, Iwasawa-senpai. – Irie disse baixinho, vindo abraçá-la.
— Iwasawa! Há quanto tempo. – Matsushita cruzou os braços, com um sorriso labial.
— Saudações. – Shiina deu de ombros, sorrindo receptiva.
— Finalmente hein, Iwasawa-san! Fico feliz que voltou pra nós! – Hinata coçou a nuca, animado e já com a luva de beisebol na mão.
— Já que está aqui, você quer ficar para ver o nosso treino? A Irie-chan pode acompanhá-la enquanto começamos.
— Eu não vou precisar jogar hoje? Ficarei honrada de ter que lhe fazer companhia, senpai. – A garota se prontificou e eu coloquei um beijo suave na testa da minha vocalista.
— Eu sei que você vai ficar bem com a Irie-chan. Hoje eu vou ter que ser a rebatedora e trocar umas vezes com a Sekine-chan, então eu venho pra cá. Certo? – Sussurrei baixinho na orelha dela e ela respondeu.
— Tudo bem, Hisako. Não se preocupe comigo, não sou tão criança assim. – Ela virou o rosto, completamente vermelha. Tão adorável.
— Boa garota. – Pisquei pra ela e agradeci a nossa baterista. – Obrigada, Irie-chan.
— Bom jogo, Hisako-senpai. – Miyuki fez um aceno e foi ajudar Iwasawa a seguir até os bancos ali perto. Resolvi que daria o meu melhor no jogo para que minha garota se orgulhasse de mim, mas acho que ela não se importaria tanto, sabendo quem eu sou e porque estava ali.
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