I will find you
22 Um encontro novo e... Namoro?
Notas iniciais
— Ah, é mesmo. Me lembrei de você. Quem apanha nunca esquece. – Yuri levantou a sobrancelha ao receber a resposta do garoto.
— O que você quer dizer com isso? – Ele tirou o quepe e o colocou sobre o próprio peito, fazendo uma expressão de vítima.
— Foi você quem fez aquela hipnose quando Otonashi me encontrou inconsciente! Você quis fazer aquilo com quase todos nós! – Ela esbravejou, fechando os punhos.
— Eu peço perdão... Se isso aborreceu o Otonashi-senpai, eu prometo não fazê-lo mais. – Ele deu um passo para trás, seus olhos vermelhos estavam agitados.
— Ótimo. Eu tenho certeza de que isso o deixaria muito aborrecido, não é gente? – Ela virou para nós, que balançamos a cabeça afirmativamente. Acho que se nós não concordássemos, ela ia querer dar tiros em nossas pernas assim como ela fazia com a Kanade antigamente, haha.
—C-Certo, desculpe S-Senhor... – Ele apontou para o loiro, envergonhado e assustado.
— TK. – O garoto respondeu, voltando a amarrar o lenço na cabeça.
— Fique a vontade e se precisar de mim. Estarei na minha sala no último andar. – Ele arrumou a gravata.
— Então, preciso falar com você. É sobre um amigo nosso que esteve ausente nesse tempo... – TK foi atrás dele e quando estavam quase entrando no dormitório, piscou para nós, em sinal de que as coisas iriam dar certo.
Após isso, eu e as outras garotas voltamos para nossos dormitórios. Eu estava cansada de subir a escada, mas fazer o quê? Algo dentro de mim me trazia forças de certa maneira e eu tinha uma hipótese para isso: só de lembrar que Iwasawa está viva e acordada, eu sentia o ar entrar mais puro em meus pulmões, os meus músculos se fortalecendo e a minha alma acordando.
Enquanto tomava meu banho fiquei pensando em possibilidade de coisas que poderiam acontecer nesses próximos dias. Se Iwasawa receber alta, podemos voltar pra escola, dividir o mesmo dormitório juntas e participar dos jogos escolares... Ah, vai um máximo...
Um tempo depois que me vesti, ouvi um pequeno barulho na porta. As vozes familiares de Irie e Sekine apareceram e logo resolvi abrir a porta, creio que elas estavam receosas em me chamar pra ir ao hospital. Será que ainda tenho aquela fachada de garota fria e brava? Oh Deus...
Uh! Para a minha grande surpresa, o que acabei vendo não eram duas kohais olhando para frente com cara de ansiedade e sim, um belo casalzinho de doces garotas dando um beijo amoroso. Dei uma risadinha quase inaudível e as vi corar logo em seguida, virando pra mim.
— Hisako!!! – Sekine quase gritou, subindo nas pontas dos pés. Afastei-me um pouco para trás para evitar um conflito e cocei a nuca.
— Gomene! É que vocês estavam tão bonitinhas juntas! Quero ser madrinha! – Forcei um sorriso para parecer divertida.
— Sério?! – Sekine segurou minhas mãos, vi que suas pupilas azuladas dilataram simultaneamente após minha frase. Isso seria um tipo de surto de felicidade?
— Er... Sim... Se vocês quiserem, claro! – A loira pulou e abraçou a amiga..? Não sei mais dizer o que realmente eram. Pelo que vi, com certeza são mais que amigas.
— Irie-chan e eu estamos namorando, senpai! – Ela disse com toda a felicidade do mundo. Irie estava mais vermelha que um tomate.
— É verdade! Eu quem a pedi em namoro! – A baixista disse com orgulho.
— Oh, isso é ótimo! Eu desejo que vocês sejam muito felizes juntas. – Pisquei e elas sorriram esbanjando amor e alegria. Ah, como o amor adolescente é intenso e bonito. Fico me perguntando se eu e Iwasawa ainda vamos ser assim algum dia... Ugh, pare de sonhar, Hisako. Cadê aquela garota com ar adulto que você sempre foi?
— Obrigada, senpai! – Saí do transe com a resposta das meninas. Em seguida, coloquei as mãos como uma boa senpai e levantei o queixo, perguntando com o peito estufado.
— Estão prontas pra irem ao hospital? Iwasawa está a nossa espera. – Elas logo fizeram reverencia e concordaram freneticamente com a cabeça.
— Sim! Estamos prontas, senpai! Vamos já! – Sorri discretamente e tomei a frente, andando novamente até o hospital. Eu estava um pouco apressada, tamanha vontade de encontrar com a minha garota novamente.
No caminho eu ouvia o casal atrás conversando e fazendo promessas amorosas. Ri mentalmente, aquilo era tão fofo... Será que eu também seria assim? Eu... Nunca pensei em me envolver tão emocionalmente e afetuosamente com alguém. Sempre fui tão fechada que nunca parei pra pensar nesse tipo de coisa. Andar de mãos dadas, trocar abraços e beijos, fazer promessas boas, frases de afeto... Isso parece mais um filme pra mim... No entanto, Irie e Sekine, Yui e Hinata desconstruíram essa minha visão em poucos dias... Isso pode ser tão real quanto tocar violão...
Assim que sacudi a cabeça para voltar ao ‘real’, já estava na porta do hospital e chamando o elevador.
— Mal posso esperar pra ver Iwasawa de pé novamente! – A loira declarou sua vontade, que era a mesma que a minha.
— Ela vai voltar a tocar com a gente, eu sinto isso de alguma forma. – A namorada respondeu após um suspiro esperançoso.
— Eu também... – O elevador parou e saí quase que numa corrida de tanta ansiedade, parando na porta do quarto de Iwasawa.
Vi uma cena que ainda não tinha pensado que aconteceria tão em breve: Iwasawa cambaleando com suas pernas bambas, segurando-se na parede. Era tão bonitinha a determinação que ela colocava para dar cada passo e o sorriso que se abria quando conseguia.
— Iwasawa! Você está andando! – Sekine já saiu correndo como sempre, ela sempre fora muito afobada, no entanto, isso fez com que nossa guitarrista se assustasse e perdesse o equilíbrio e falhasse o próximo passo. Oh Deus, não posso deixar ela se machucar outra vez.
— Cuidado! Iwasawa! – Com minhas técnicas atléticas, consegui me jogar no chão e pegar Iwasawa com cuidado. Isso é tão nostálgico, sempre que ela estava em perigo, eu dava um jeito de salvá-la e desta vez não foi diferente.
— Oh, obrigada, Hisako... – Ela agradeceu, com o rosto todo vermelho e eu suspirei de alívio. Lentamente eu a segurei no colo e a levei até a maca. As garotas me acompanharam e a loira se curvou num pedido de desculpas.
— Gomeneeee! Eu fiquei tão feliz de te ver que esqueci que você não notou nossa presença. – A jovem fez uma breve carinha de choro e Iwasawa sorriu calmamente.
— Ie, tudo bem Sekine-chan. É bom ver você e Irie novamente. – A loira e a namorada se olharam e juntaram as mãos, sorrindo abertamente.
— Vocês tem algo especial para dizer a ela? – Eu dei um empurrãozinho para que elas revelassem a novidade.
— Estamos namorando, senpai. – As duas disseram em coro e eu vi os olhos magenta de Iwasawa arregalarem e uma risadinha baixa logo depois, de felicidade.
— Sério? Oh, eu estou tão feliz por vocês! Unidas pela música! – Ela vibrou de encantamento. De alguma maneira, ver ela assim me deixou com esperanças.
— Obrigada, senpai... Não imagina o quanto isso nos faz feliz. – Irie segurou a mão de Iwasawa, se curvando um pouco.
— Isso é ótimo, não é Hisako? A música tem um poder incrível de amor. – Iwasawa passou a mão pela minha cintura, puxando pra perto e eu senti um imenso arrepio. Após ouvir a frase, meu rosto enrubesceu por completo e apenas concordei freneticamente com a cabeça.
— S-Sim...!
Fale com o autor