Notas iniciais
Eu sei que me ausentei por um longo tempo... As coisas não estão tão fáceis pra mim. Agradeço ao Maycon por esperar e me cobrar, agradeço à Charlotte que me fez lembrar novamente como é ser um Angel Beater e a Zhiend que me fez sentir a Iwasawa aqui dentro de um jeito novo. Dedico esse capítulo a todos vocês.

Confesso que no momento eu fiquei sem palavras, felizmente ou infelizmente o silêncio foi quebrado com as palavras de Irie.

— É bom lhe ver tão bem novamente, Iwasawa-senpai. – Ela foi retribuída com um sorriso.

— Eu queria mesmo me levantar daqui e sair cantando por aí... Porém as amarras das impossibilidades ainda prendem este corpo fraco aqui, Irie-chan. – Devo dizer que escondi um pequeno sorriso ao ouvi-la poetizando outra vez, mesmo que não fosse uma frase tão feliz, afinal... Ela sempre teve pensamentos tão profundos acerca de tudo.

— Se anime. Logo você receberá alta, Iwasawa... – Acariciei o ombro direito dela com intenção de confortá-la, seu braço ainda estava em torno da minha cintura e eu sentia minhas orelhas esquentando com isso. Não seria muito normal se eu demonstrasse isso com minhas bochechas.

— Nós poderíamos ajudar você a voltar a andar! – A loira se animou, dando um pequeno pulo.

— É uma boa ideia, Sekine. No entanto, você não precisa assustá-la desta vez, certo? – Levantei a sobrancelha, imaginando o desastre que seria se Iwasawa tivesse caído.

— Gomen, gomen! Não vai acontecer de novo. – Ela riu baixinho tentando esconder seu embaraçoso com a situação.

— Nós vamos tomar cuidado desta vez... – Irie cutucou a namorada, exigindo que ela tomasse cuidado.

— Obrigada, meninas. Em toda a minha vida eu nunca tive alguém, porém agora eu tenho todas vocês. Significa muito pra mim. – Senti uma pequena cascata de mechas tom magenta escorrer pelo meu ombro, seguida de uma leve pressão do rosto dela ali. Meu corpo vibrou involuntariamente com a sensação.

— Sempre estaremos aqui Iwasawa. Desde que nos conhecemos, sempre estive, lembra? Pode contar comigo.

– A música nos conectou de alguma maneira, por isso nunca duvidarei de que estaríamos sempre juntas. – Um sorriso apareceu sem permissão no meu rosto com as palavras dela. Nossas amigas permaneceram silêncio, nos observando. Confesso que senti arrepios com a respiração da minha rosada que repousava sobre a base da minha clavícula.

— Senhorita Iwasawa, viemos para... Oh, já está bem acompanhada, hein? – O médico apareceu na porta com vários aparelhos examinadores sobre a prancheta que sempre levava comigo.

— Oh, olá doutor. Hisako trouxe as meninas para me visitar, não me sinto mais só. – Ao ouvir o quão aliviada ela estava, o médico coçou a barba grisalha seguido de um sorriso gentil.

— Isso é ótimo para sua recuperação. Aliás, vim fazer seus exames. – Depois ele virou para mim e o casal ao lado. – Obrigado, garotas. Vocês foram o diferencial para a cura dela.

Fiquei a pensar em tudo o que aconteceu até agora... Quando eu a procurei, quando a encontrei e o que fiz para que ela pudesse acordar. Vê-la sem aqueles aparelhos todos enroscados a sua volta já me trazia esperança de planos futuros... Bons planos por sinal. Eu me pergunto se ela vai poder participar do jogo conosco. O mais provável seria eu deixá-la apenas assistindo já que ela ainda não consegue andar com firmeza.

— Você está ótima, senhorita. – Acordei da minha linha de pensamentos ao ver o doutor guardar o estetoscópio. – Só precisa recuperar o seu andar normal e logo estará de volta para o mundo.

— E nós vamos ajudar para que isso aconteça, né Iwasawa-san? – A loira já foi se animando, apertando os ombros tensos de Irie.

— Oh claro. Irá servir de grande ajuda, Sekine. – Com o consentimento do doutor, tomamos a liberdade de levantar Iwasawa de sua maca e auxiliá-la a dar novos passos. No começo, nós tivemos algumas dificuldades, afinal, os tornozelos dela ainda estavam fracos.

—Isso está sendo mais difícil que aprender solfejo, Hisako..! – A ouvi resmungar enquanto eu e Sekine a levávamos até o refeitório para um almoço ou lanche. Todas nós estávamos morrendo de fome.

— Não é tão ruim assim, né..? Afinal, nós vamos comer uma boa tigela de udón! – Ela fez um beicinho e continuou tentando dar passos pequenos até a mesa enquanto eu segurava em seu tronco.

— Iwasawa-senpai, você está conseguindo, não desista! – Irie disse baixinho, acompanhando todo o esforço que nós fazíamos, tomando um cuidado enorme para que os tornozelos não fraquejassem. Não demorou muito e chegamos aos assentos ao lado das mesas.

— Viu? Você conseguiu. – Eu sorri enquanto baguncei de leve aqueles cabelos rosado-escuro.

— Que ótimo ver que você está se esforçando, Iwasawa-san. – Nos viramos quando ouvimos a voz de Yurippe que veio por trás, colocando as mãos no meu ombro e no da Masami.

— Yuri-san, você também veio! – Ela sorriu calmamente e eu puxei uma cadeira para que se sentasse, afinal, ainda era nossa chefa.

— Acha que eu ia esquecer-me de você, mocinha? Ficamos preocupados por não receber a alta tão cedo quanto esperávamos. – Yuri se jogou na cadeira e fez um sinal com os dedos. – Obrigada, Hisako. Temos negócios a tratar agora mesmo.

Sekine e Irie foram pegar os pratos para o almoço e eu acabei me reunindo com Yuri e Iwasawa, ao redor da mesa. A líder colocou um tablet grande sobre a mesa, era incrível como a família dela era rica o bastante para comprar essas coisas chiques. Tinha algumas listas em um programa de PowerPoint.

— É algo com o campeonato? – Cocei o queixo, me debruçando ao lado dos braços alvos dela sem tirar os olhos da tela.

— Sim, eu falei com o Hinata e o TK antes de chegar aqui. Está tudo bem revolvido quanto aos times. – Ela mostrou como ficaram as divisões da quadra com os jogadores. Sei que me daria bem em qualquer posição, afinal, nunca fui de perder num jogo nem que seja por trapaça, hehe.

— TK e Hinata estão por aí também? É um campeonato escolar? – Iwasawa perguntou com curiosidade.

— Com certeza! É beisebol e os estamos animadas com isso, esperamos muito que você saia daqui logo pra voltar a estudar conosco. Vai ser divertido, apesar de que não é música. – Yurippe abriu um sorriso iluminado e continuou explicando-se. – Hinata estava ausente porque teve que cuidar de Yui enquanto ela estava por aqui, mas como ela recebeu alta, nós solicitamos a volta dele para a escola e assim poderemos formar um time para o torneio.

— Soo... Eu espero ver todos em breve. – Coloquei um leve carinho no topo da cabeça de Iwasawa, observando sua expressão de atenção.

— Que bom! Todos estão ansiosos para ver você de volta. Quem sabe vocês abrem o torneio com um grande show? – Os olhos da vocalista dilataram, fazendo-a quase pular da cadeira.

— Sugoi! Isso seria demais! – Eu me surpreendi um pouco com a reação, mas confesso que a ideia me deixou muito animada também. Até já vejo toda a banda na beira da quadra, sobre o palco... E sim, muitos solos de guitarra.

— Perfeito! Com a ajuda das meninas, com certeza você vai recuperar os movimentos das pernas logo. – Yuri piscou pra mim e eu cocei a nuca, tentando disfarçar meu embaraço.

O casal voltou com as bandejas de comida e conseguimos desfrutar do almoço em ‘família’. Jogamos conversa fora, ouvimos as histórias que Yuri contou sobre Hinata e Yui quando voltaram para casa, opinamos qual prato era o melhor e fizemos pequenos futuros planos... Ver Iwasawa falando tanto e com aquele sorriso que só eu conseguia ver me deixava nas nuvens, uma sensação incrível estava a invadir o meu peito e eu não sei bem descrever. É um sentimento quente, intenso e um pouco doloroso... Dói um pouco ainda ter que esconder isso... Mas eu sei que irá passar... Só preciso revelar isso, na hora certa, no momento certo...

Notas finais
Obrigada por lerem! Até o próximo capítulo! Ganbatte!