I want you...hungry.

7 'Cause what this palace wants is release


Notas iniciais
Escute para entrar no mood | http://www.youtube.com/watch?v=f2JuxM-snGc

Marina desejou a eternidade naquele momento, sabia que não poderia parar o tempo então se virou e estudou o rosto de Clara com atenção. Não tinha certeza de nada, muito menos de quando a veria novamente, mas a pergunta sincera da morena fez por um momento seu coração acalmar.

–Quero que você seja feliz, Clarinha – Começou a responder calma e indecifrável, fazendo Clara sentir-se assustada antes da conclusão da frase – E essa noite eu me senti a mulher mais feliz do mundo, me senti preenchida de todas as formas – Falou de forma safada tentando descontrair

–Eu quero sentir isso todos os dias da minha vida, eu que te pergunto, o que eu faço pra ter você, Clarinha? O que você fez comigo, sua bandida?

Clara riu com o coração aberto, aquela voz trazia alegria, se questionou mais uma vez como seria possível!

–Como isso é possível? – Dividiu em voz alta com Marina – Como alguém pode entrar na vida de outra pessoa sem pedir licença, trazendo consigo tantos sentimentos novos, maravilhosos e em tão pouco tempo? – Continuou com aquela voz rouca que já abalava o mundo da fotógrafa.

–Eu não sei coisinha, eu não sei. Só sei que agora que descobri isso eu não quero perder, nunca mais.

Clara também não queria. Então a realidade a invadiu, olhou para o relógio que já marcava 3h48 da madrugada.

–Nossa já é muito tarde, Marina. Eu preciso ir – Choramingou se entrelaçando na fotógrafa, demonstrando o contrário.

–Eu sei Clarinha, tudo bem. – Concordou tristonha

As duas voltaram a se beijar de forma apaixonada, Clara passeava com uma das mãos pelo corpo de Marina como quem quisesse guardar todas as curvas e a textura daquela pele enquanto a fotógrafa tinha todos os dedos afundados nos cabelos da morena, trazendo-a mais pra si.

Os dedos passearam levemente pelo sexo que ainda estava molhado, Marina gemeu baixinho apertando ainda mais os cabelos que segurava.

–Eu quero tudo isso tanto quanto você — Sussurrou a morena se expondo sem medo — Quero sentir todos os seus gostos.

Então Clara se desvencilhou de forma protestante dos braços de Marina que ficou estirada na cama depois de tais declarações.

A dona de casa perguntou pelo banheiro, recebeu a indicação da fotógrafa que sem dizer nada apontou para uma porta no canto do quarto, a morena se dirigiu até lá.

O espaço era amplo, cheirava tão bem ou ainda melhor do que o quarto. Tinha uma grande banheira branca no centro, no mesmo momento imaginou Marina nua deitada nela. Foi até a pia lavou o rosto, pegou uma escova que estava sobre ela e penteou contrariada os cabelos, estavam lindos e despenteados depois de uma noite daquelas. Prendeu a franja um pouco para cada lado enrolando-a com outra parte dos cabelos.

Olhou-se no espelho e se achou infinitamente mais bonita, estava corada, os lábios finos tinham uma ligeira cor de pêssego. O corpo nu era muito belo, dourado, os seios pequenos e firmes. Sentiu-se valorizada como mulher e fazia tempo que esse sentimento não a pertencia.

Marina observou Clara levantar nua em direção ao banheiro, a bunda ainda tinha marcas vermelhas e os cabelos estavam maravilhosamente bagunçados. Caminhava de forma firme e decidida, parecia até estar lutando com a vontade de ficar, e na verdade estava.

O corpo estava tão relaxado que sentiu um pouco de frio, se enrolou no lençol branco de tecido caro e suave.

Queria prender a morena naquela casa, não gostava de pensar que ela iria partir. Pensou na vida que Clara tinha, era casada e a pouco havia descoberto que era mãe de um menino. Uma situação que ela repudiaria em qualquer outra circunstância, mas não naquela.

Sentiu uma vontade imensa de conhecer o menino, filho daquela mulher maravilhosa, queria saber mais sobre ele...

Clara voltou para o quarto ainda nua, agora Marina a observava de frente, sua boca literalmente se encheu de água e estava ligeiramente aberta.

A morena trazia um roupão branco e macio com as iniciais MM bordadas, o ofereceu em um gesto gentil para a fotógrafa que se sentiu mimada com o carinho.

–Pra ficar mais fácil de conseguir ir embora daqui – Brincou Clara.

Marina sentou-se na cama e vestiu a peça, estava linda e os cabelos já haviam sido claramente ajeitados com os dedos.

Clara também se vestiu e antes de falar alguma coisa Marina decretou

–Meu motorista vai te levar em casa, Clarinha. Quero que chegue bem, está mega tarde, Santa Teresa pode ser um lugar inóspito às vezes. Não vou te colocar dentro de um Táxi e nem adianta falar nada, já está decidido – Sorriu.

Vendo que a anfitriã não aceitaria um não como resposta ela concordou de imediato, agora se preocupava bastante com a hora.

Pensou no marido, deve ter terminado a noite bêbado em casa, sempre acontecia depois desses frequentes jantares. Por isso ainda não havia ligado atrás dela.

Marina sentiu a preocupação da morena e estendeu a mão para Clara, que entrelaçou os dedos nos delas com ternura.

Desceram as escadas em direção à porta e antes mesmo de chegarem no final ouviram uma voz embriagada e alta

–Achei que você era casada, Clara – Provocou Vanessa– Ah, mas vou te falar viu, um viva pra essa modernidade, ôh mundo louco minha gente! É casamento aberto? – Terminou provocando ainda mais as duas.

–Escuta aqui Vanessa, você não tem o direito de falar assim com uma convidada minha, você ta me entendendo? – Esbravejou Marina.

–Mas eu só estou tentando entender essa situação – Debochou a ruiva.

–Você não tem que entender NADA aqui, eu não te devo esse tipo de satisfação, NUNCA DEVI! – Disse Marina de forma exaltada, se sentia muito ferida com as acusações contra Clara.

–Tudo bem, Marina. Eu não me importo, vamos? Eu realmente preciso ir – Disse Clara tentando mentir sobre as acusações que havia acabado de receber.

Ela sempre foi uma mulher correta, não sentia orgulho por ter traído o marido e as palavras de Vanessa a machucaram sim.

Mas ao mesmo tempo sentia em si que o que aconteceu não foi por simples capricho, era sua vida mudando de rumo. Era estranho ter essa certeza, não sabia nem exatamente de onde ela vinha, mas ela a tinha.

Elas continuaram o caminho ignorando a imagem da ruiva completamente bêbada largada no meio do estúdio.

Marina olhou para fora e viu que o motorista havia recebido a mensagem, o pediu para preparar o carro enquanto esperava Clara, a ordem havia sido cumprida com eficiência.

As duas mulheres se olharam, estavam ligeiramente assustadas, não sabiam como seria exatamente dali pra frente apesar de saberem o que desejavam.

Então Marina levou uma das mãos ao rosto de Clara e perguntou à mirando com aquele olhar rasgado e felino que só ela tinha

–Quando é que você volta, hein?


– O mais cedo possível – Respondeu Clara enquanto tinha os lábios ligeiramente tocados pela fotógrafa, o coração voltava a acelerar e o ar falhou.

Beijaram-se pela última vez naquela noite, Clara levou uma das mãos para dentro do roupão levemente amarrado puxando Marina pela cintura, apertou o corpo esguio contra si. O beijo acelerou e a morena terminou com uma lambida nos lábios macios e inchados da fotógrafa.

–Tchau – Disse tentando tranquilizar com um sorriso tímido nos lábios

–Até logo – Respondeu Marina enquanto devorara Clara com o olhar – Me avisa quando chegar?

–Claro, claro, eu aviso – Disse seguindo com muita dificuldade em direção ao carro que à esperava ligado.

Ainda era escuro, mas não demoraria muito para amanhecer. Clara sentiu o peito pesar e os olhos se encheram de lágrima, segurou o choro.

O caminho a diante assustava, pensou no filho, como amava aquela criança, amava mais do que a si mesma. Queria vê-lo feliz e lutaria sempre para que isso fosse possível.

Pensou no marido e de repente seu casamento não fazia mais sentido. Então pensou em Cadu como pessoa e percebeu que também o amava muito, também queria vê-lo feliz e teve certeza de que não seria mais ao seu lado.

Só não sabia se teria forças pra seguir em frente e viver sua felicidade alegre, mas tentaria, por elas... tentaria.

Notas finais
Mais uma vez obrigada pelos comentários e obrigada quem acompanha. Faz continuar! ahaha Beijos, queridos.