Então, os irmãos não perderam mais tempo. Correram para o abraço esperado há anos.

– Não acredito! [Dizia Oliver, enquanto levantava o irmão do chão]

– Wow! Onde está o meu irmão mais velho implicante e mandão? [Dizia Miguel enquanto era balançado pelo irmão mais velho]

– Ah, ele ainda está aqui. Mas agora coberto de puro charme e sedução... [Ambos riram]

– ...Ah, não esqueça do bom e velho ego! [Complementou Miguel]

– E do cheiro de whisky! [Disse Marie, tentando demonstrar desaprovação]

– Nossa! É como se nunca tivesse ido embora.Tudo permanece igual! [Miguel riu sobre o próprio comentário]

Quem não pareceu gostar muito dos últimos segundos de prosa foi Oliver, mas este tentou disfarçar muito bem.

[...]

Os irmãos estavam deitados na grama, próximo ao lago da residência. O sol aquecedor tocava suas peles.

– Então...[Disseram ambos]

– Okay...Acho que eu devo algumas explicações....[Disse Miguel]

– Não precisa dizer nada, irmão. Você era um garoto de 16 anos com desejo de ver o mundo. É só.

O rapaz loiro se sentou na grama. Ficou a pensar nas palavras do irmão.

– A América do Sul é tão linda...Morar esses últimos fora me fizeram um bem que não posso conseguir expressar.

Oliver o ouvia atentamente.

– Aposto que sim, irmão. Aposto que sim...

E então ele se levantou e saiu.

[...]

Sam estava desde cedo na Universidade. Agora, estava na sala, quando uma garota chegou com um bilhete mãos e a entregou.

– Pra mim? Quem te mandou...? [Tentou indagar, mas a garota apenas entregou em sair]

Então, ela abriu e leu:

“Você deveria se envergonhar, moçinha.”

Ela ficou confusa. Não tinha remetente. Não tinha nada, a não ser um rabiscado bem pequeno no fundo dizendo apenas “ Lá fora.”

Então, curiosa, ela seguiu as instruções.

Ao atravessar as portas, sua feição preocupada deu lugar a um sorriso aberto e até envergonhado.

Ela se deparou com Oliver, parado frente à porta, esperando encostado na porta do carro.

– Do que eu deveria me envergonhar? [Ela disse vindo em sua direção]

– Eu ia dizer que seria pelo fato de me largar plantado no bar ontem. Mas...

– “Mas...” ? [Ela parou frente a ele]

Então, ele ergueu sua face um pouco mais perto dela e seus olhos fixaram-se um no outro.

– Deixa pra lá. [Ele disse, enquanto ainda estavam “hipnotizados” um pelo outro. Depois, virou o rosto, mas ainda permaneciam próximos]

– Medo? [Ela o encarava de maneira desafiadora]

– Você sabe o que é medo, moça? [Eles voltaram a se encarar]

– Não...Acho que você entende muito melhor que eu.

Os segundos seguintes serviram para que ambos se entreolhassem. Um clima de desafio se formava entre eles.

– Ótimo. Vamos decidir isso hoje. 23H, píer Stª Mônica. Não se atrase. [Ele disse e entrou no carro]

– Ótimo.

[...]

Em uma lanchonete, no centro da cidade, Sophie terminava de ler o seu livro, assim como seu Milkshake.

Mas ao se levantar para pagar, deixara sua carteira cair da bolsa. Assim, sem perceber o ocorrido, foi para a fila de pagamento.

Quando chegou a sua vez, começou a procurar em suas coisas.

– Hm...Só mais um segundo. Eu tenho certeza que está aqui!

– Procurando por isto? [Disse um rapaz logo atrás dela]

– Oh! Minha...[Ela reparou no rapaz]..carteira.

Ela se perdeu em pensamentos, enquanto ele balançava o objeto em sua direção.

– Ah, sim. Obrigada. [Ela disse, recuperando-se do estado “ruborizada”.]

– Hm...Vejo que ainda não terminou o tal romance. [Disse ele]

– “Hmm..” vejo que alguém andou prestando atenção demais na vida alheia. [Ela o encarou]

O rapaz apenas sorriu para ela. Aquele jeito meio arrogante e mandão, de certa forma, o encantava.

– Posso te pagar um café?

– Não, obrigada. Já tomei.

– Eu não disse que seria hoje.

Okay...Ele a deixou sem palavras.

– Okay, então.

– Okay. Neste lugar, amanhã. Mesmo horário.

Ele entregou o papel contendo o endereço e voltou para a sua mesa, continuando seu café.

Sophie ficou alguns minutos perplexa por, desta vez, ele a ter deixado sem palavras. Sem contar no fato de que ELA foi quem ficou parada em pé, enquanto ele retornava ao seu café naturalmente.

Então, conseguiu retornar ao seu nível consciente e sair dali.

– Definitivamente, eu não gosto desse cara.

Ela cruzou a porta, enquanto ele sorria consigo mesmo.

[...]

A noite havia chegado. Como combinado, às 23h Samantha estava no píer. Estava completamente deserto e o único barulho que se ouvia era provocado pelas ondas que, com a força reduzida, batiam nos barcos ancorados.

– Muito bem, Sam! Você está no roteiro perfeito de um filme de terror! [ Ela passava as mãos contra os próprios braços, por causa do vento frio]

Então, ela ouviu um assobio agudo. Quando se virou para ver, percebeu que era Oliver. Assim, ela foi até ele.

– O que estamos fazendo aqui? [Ela perguntou]

– Não é o que estamos fazendo, mas sim o que VAMOS fazer! Rápido, suba.

– Nossa. Não sabia que tinha um barco... [Ela começava a entrar]

– E não tenho.[Ele lhe estendeu a mão para ajudar]

– Está roubando um barco?!

– Não. Você é louca? Apenas...pegando emprestado. E não “eu”, mas sim “nós”!

Ela parou e cruzou os braços.

De repente, eles ouviram um barulho. Alguém também estava no píer, e eles poderiam ser pegos.

Assim, abruptamente, eles se abaixaram.

– Você vem ou...está com medo? [Ele arqueou uma sobrancelha e a encarou]

Ela não precisou responder nada. O sorriso produzido pela adrenalina, que agora corria em suas veias, falou por si só.