I told you not to love me.
4 Males que vem para o bem
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Sophie permanecia ao lado do estranho que há pouco conhecera. Ele estava empolgado em suas leituras e anotações contínuas. Vez ou outra, ela direcionava seu olhar a ele, mas rapidamente retornava à posição inicial.
Ele fingia que não notava, mas por dentro queria rir sobre a situação. Ela ainda fazia bico pela conversa de antes. Com certeza, ela não o veria novamente, mas não conseguia simplesmente ignorá-lo.
Mais uma vez, ela o olhou. Como esperado, ele mantinha a sua posição aparentemente concentrado.
– A sua leitura não a agrada senhorita? Hm...Já sei. Vai ver eles não ficam juntos no final. [Ele a surpreendeu, já que não movera um músculo sequer]
– Hmmm... Não que seja do seu interesse, mas...
– Talvez suas vistas estejam cansadas e precisem de um descanso. [Ele finalmente largou suas anotações e a encarou]
Naquele momento, seus olhos se encontraram. Era o encontro entre mar e terra, chocando-se pela primeira vez. E como o esperado entre a interação brusca de duas forças da natureza, um turbilhão avassalador alcançou os dois. Eles não reproduziam som algum, compartilhavam o silêncio provocado pelo ensurdecedor barulho de seus olhares.
– ...Talvez devesse... [Ele se aproximou um pouco dela, mas antes que pudesse terminar sua frase, outra voz participava do diálogo]
– Sophie! Graças a Deus! Já estava tonta de tanto te procurar!
Gritou Samantha de longe, assustando não só a garota, mas o rapaz também.
Ligeiramente, a morena arrumou suas coisas e partiu, mas antes:
– Quem sabe algum dia descubra se eles ficam juntos ou não no final...
Ela o encarou uma última vez e partiu, o deixando sozinho, apenas com os segundos finais do sorriso que ela lhe deixara ao se despedir.
– Talvez...Sophie.
Então, ele também sorriu.
[...]
Mais tarde, Samantha e Sophie dirigiam-se para a casa da moça.
– Hmmmmmmmmm... A gente já pode falar do que estava acontecendo no campus? [Samantha perturbava a amiga]
– Samm! Não houve nada, está bem? Ele é apenas um cara extremamente chato e petulante que eu conheci ali. Com certeza mais um seguindo os passos do papai poderoso! [Ela tentava desdenhar do rapaz, mas a tentativa era quase em vão]
– Aham...Acredito!
E então, Sam começou a vasculhar o bolso de sua jaqueta, quando encontrou algo.
Era um pequeno pedaço de papel bem amassado. Parecia um pedaço arrancado de alguma revista ou algo do tipo, mas tinha algo escrito por cima, de caneta.
– O que é isso?
Perguntou Sophie, observando o estado de transe em que a amiga se encontrava.
Samantha apenas riu e mordeu levemente o lábio inferior.
– É o que eu vou descobrir! [Pode entrar e se sentir à vontade]
Sophie nem precisou perguntar nada. Conhecia a amiga, sabia que quando metia algo na cabeça, nada nem ninguém a impediria. Então, ela adentrou a casa.
– Senhor...Essa é a hora em que eu finjo que perdi a chave e fujo pra um hotel limpinho e arrumado? [Disse ela reparando o estado bagunçado em que a casa estava]
[...]
Samantha seguiu com sua moto até o local anotado no pequeno pedaço de papel. Logo avistou uma oficina.
Desceu e seguiu a pé os poucos metros até a porta. Do lado de fora, alguns carros abertos e em conserto. Então, um homem foi até ela.
– Está perdida, princesa?
Ela virou a cara.
– Perdida e muda?
– Jack! Eu cuido disso. [Disse uma voz conhecida vindo na direção dos dois. Então o outro se afastou.]
– Então era isso...?[ Ela o olhava, tentando esconder o riso ao vê-lo]
– Como assim? [Ele se aproximou dela, mas ainda não totalmente]
– Não seja idiota. O bilhete. [Ela cruzou os braços e o encarou com a sobrancelha arqueada]
– Bilhete? Ora, se quer sair comigo não precisa de um bilhete. Pode dizer olhando nos meus olhos. [Agora eles estavam frente a frente]
Ela apenas abaixou a cabeça e virou o rosto. Então começou a ir embora.
– 20:00H, Castle Rider. Não se atrase.
Ela sorriu e montou em sua moto. Ele sorriu de volta e a respondeu com um aceno militar.
[...]
A jovem pilotava por algumas ruas de Vermont. Seu pensamento começou a voar longe. O fato de em poucas horas vê-lo novamente fazia com que seu coração acelerasse tanto quanto seu motor. Então, ela curvou um pouco a cabeça, sorrindo sem querer.
E foi assim que algo inesperado aconteceu. Um rapaz que, enquanto atravessava, derrubou sua mochila e algumas coisas acabaram caindo no chão.
Então, em um gesto rápido e mal pensado, ela desviou bruscamente sua moto, perdendo completamente o controle. Assim, o veículo automotor derrapou no asfalto, deixando a moça para trás e posteriormente bateu em um poste.
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Imediatamente, o jovem foi ao socorro da garota desacordada no chão.
– Hey, hey...Você está bem? [Ele segurou seu tronco em seus braços]
Samantha oscilava entre a realidade e um previsto desmaio. A força que arranjou apenas serviu para olhá-lo.
– Vai ficar tudo bem! [Disse ele, ainda a segurando]
E então, seus olhos fecharam-se permanentemente.
[...]
O rapaz a levou para o hospital mais próximo. Depois do devido atendimento, ela estava em um quarto descansando.
Ele permanecia ao seu lado, em uma poltrona, lendo. Vez ou outra, ele a olhava, checando se estava tudo bem.
– É um bom livro? Sinto muito tê-lo estragado. [Disse ela, virando-se com dificuldade para ele. E o livro, ela estragara quando a moto derrapou e o livro foi levado junto]
– “Bom” foi o susto que eu acabei de levar...[Então eles se olharam e acabaram rindo]
– Como...
– Eu te trouxe, mas, por favor, não se mecha. Precisa descansar. [Ele foi até ela. Posicionando seu braço ao redor da cabeça dela]
– Agradeço, mas não quero te atrapalhar. Pode ir, estou bem...
– Não vou a lugar algum. De que outra forma deveria agradecer aquela que se feriu, apenas para me salvar?
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Eles se olhavam. O verde de seus olhos penetrava o azul dos dela.
– Apenas me diga seu nome.
– Miguel.
Ela apenas sorriu-lhe.
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