I told you not to love me.
2 Acaso ou destino?
Não demorou muito para Oliver chegar ao trabalho: Bill’s. Era uma oficina.
– E ai, Ollie!
Todos o cumprimentavam.
Oliver era um rapaz de 22 anos. Formou-se com um ano de atraso no colégio, graças às suas constantes “escapadinhas” noturnas. Não era do tipo “bad boy” ou arruaceiro. Não pertencia a nenhuma “panelinha” escolar. Digamos, apenas, que ele gostava mais de vagar pela noite que acordar certo e ler algum livro chato de história clássica.
Ao terminar o colégio, decidiu que aproveitaria um ano de folga para descobrir o que queria mesmo fazer da vida, enquanto isso arranjou este emprego.
O gosto por carros? Herdara do pai. Isto e outras coisitas mais.
– Bom dia, moças! [Ele cumprimentava os colegas de trabalho. Sempre sorrindo e de ótimo humor] – Vamos ao que interessa!
[...]
Já era fim de tarde. Enquanto isso, a 120km/h uma moto cortava o vento impiedosamente. A nossa bela morena misteriosa acabava de pisar em sua nova cidade. Ela percorria alguns caminhos arborizados, à medida que o Sol preparava o seu gran finale de cores, anunciando a noite que se aproximava. Mas, em poucos segundos todo aquele momento se foi, já que sua moto começou a tender para a direita. A direção estava ruim, então ela encostou-se à estrada.
– Ótimo. Mal posso esperar pelo que me espera, à frente.
Ela chutou o chão e passou a mão sobre o cabelo, partindo ligeiramente os fios.
Então, a única opção que tinha era esperar quem alguém na estrada a ajudasse. Parou e esperou por alguns minutos.
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Ela ficou sentada por quase meia hora, quando finalmente notou a presença de um carro que se aproximava. Cada vez mais perto, até que o primeiro contato foi feito.
– Alguém precisando de ajuda?
Disse o rapaz no volante.
– Depende. O alguém do volante entende alguma coisa sobre motos?
Eles se encararam. Ele apenas sorriu.
Instantes depois e o rapaz já estava quase terminando.
– Confesso que não é meu maior talento, mas está pronto.
Disse ele.
A moça simplesmente montou na moto novamente.
– Ual...Parece que alguém está com tanta pressa que esqueceu de agradecer.
Ele a encarou, mas o engraçado é que ele a olhava intrigado, mas com um meio sorriso no rosto.
Então, a garota também o encarou. Assim, retirou o óculos escuros do rosto e seus olhos puderam apreciar-se.
– Obrigada, estranho.
Ela o encarou.
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Também mantinha o meio sorriso.
Ele não respondeu nada. Manteve a mesma expressão, como se estivesse observando cada mínimo detalhe dentro de seus olhos. Ficou observando ela montar novamente em sua moto.
Quando ela já estava dando partida, eles se falaram pela última vez.
– Até a próxima...Estranha.
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Ele sorriu e ela partiu.
Depois, retornou para o seu carro e deu partida. Em seu rosto, o sorriso permanecia. Mas agora revelava curiosidade. Aquela moça dos olhos intrigantes mexera com sua mente.
[...]
Não demorou muito para Oliver chegar em casa. Atravessou a porta já retirando o casaco e as botas.
– Olha só...Em casa tão cedo.
Dizia Marie, enquanto arrumava a mesa.
– Fazer o que, se não posso manter os meus olhos distantes da mulher mais bela da cidade?!
Ele a abraçou por trás e depois lhe beijou a bochecha.
– Ah, deixe só as outras meninas ouvirem isto!
Ela ria do jeito ativo e brincalhão do filho.
– Ohh! [ Ele demonstrou surpresa] O que quer dizer com isso, moça? Sou um pobre garoto, sem malícia alguma!
Ele a encarava tentando conter o riso.
– Nada! Vá tomar o seu banho, enquanto eu fico aqui, acreditando na sua pureza!
[...]
O jantar já se foi. A lua alcançou sua mais alta posição no céu e as luzes da casa já descansavam sob a escuridão.
O que tudo isto significava? Que agora sim a noite acabara de começar para ele.
Pulou a janela, descendo cuidadosa, mas experientemente para não acordar sua mãe. Nem sequer havia guardado o carro na garagem. Precisou apenas pular sobre os acentos e sair dali.
Não era preciso ir muito longe para encontrar diversão em Vermont. A cidade era bastante movimenta, graças ( também) aos estudantes da Harley’s University. Sempre alegres e animados, eles ocupavam os bares e casas noturnas da cidade.
Oliver estacionou na calçada de um de seus lugares favoritos. Era um bar bastante animado, mas com uma clientela um pouco diferente. Esqueçam as adolescentes bêbadas e garotos iniciantes. Mesmo que comparando as idades, a coincidência exista, a personalidade de ambos frenquentadores diverge completamente.
Assim, ele adentrou o local. Cumprimentava alguns meros conhecidos, até reunir-se aos seus companheiros usuais – seus amigos.
– E aí? [Ele os cumprimentou]
– Grande Ollie! Já estávamos pensando que a sopa de frango da Tia Marie fez efeito e você foi pra cama cedo.
Brincou Thomas, o melhor amigo de Oliver.
– Não, talvez eu deva provar a que a sua mãe faz.
Ele retrucou de volta e os dois trocaram leves socos contra seus ombros, como sempre.
De repente, o diálogo entre eles foi interrompido por Rebecca, uma garota que vivia dando em cima de Oliver.
– Achei que não vinha mais...
Disse ela posicionando-se à sua frente. A distância entre eles era quase nula.
– Rebecca...
Ele apenas balbuciou seu nome.
No exato momento, os rapazes se afastaram um pouco, deixando-os sozinhos.
– Pensei em dizer que sinto a sua falta... [Ela dizia em um tom mais baixo, próximo ao seu ouvido. Como se tentasse seduzi-lo apenas com seu tom de voz.]
O rapaz não dizia ou fazia nada. Ele conhecia a garota, sabia que era do seu feitio todos os jogos de sedução.
– ...e não vai dizer?
Ele a encarou, sério.
Ela apenas sorriu maliciosamente anunciando seu próximo movimento. Rebecca envolveu seus braços em volta do pescoço do rapaz, ajudando-a a subir e sentar-se sobre o balcão.
– Wow... [Era o barulho que, instantaneamente, todos os rapazes ao redor fizeram]
– Por que falar se eu posso demonstrar?
Então, ela já proclamava o que vinha em seguida. Iniciava um beijo entre eles, e antes que o rapaz ( que ainda estava de olhos abertos) pensasse em fazer qualquer coisa, outra coisa lhe chamou a atenção.
Uma garota acabara de chegar ao bar e já estava atraindo olhares, incluindo o seu. Mas ele tinha um motivo especial. Aquela garota lhe parecia extremamente familiar.
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– Lamento, Becca. Mas não estou afim.
Ele piscou para a moça, retirou seus braços sobre si e ajeitou a gola que ela havia bagunçado, quebrando todo clima que havia entre os dois.
Enquanto Rebecca tentava engolir a vergonha e o desprezo sofrido há poucos, Oliver não foi diretamente ao seu destino. Ele ficou a observá-la de longe. Com certeza era ela, a garota da estrada.
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Ele prestou atenção quando ela mexeu nos cabelos, quando se curvou sobre o balcão para pedir a bebida, quando olhou para o relógio e mordiscou levemente o lábio inferior.
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Viu, inclusive, quando um homem – que aparentava uns 30 anos, alto e com uma bebida nas mãos – se aproximou dela.
– Hey...O que uma garota linda assim faz num bar como este e ainda por cima sozinha?
Disse o cara, a encarando de maneira medonha.
Ela não disse nada. Apenas virou a cara e o ignorou.
– Quer bancar a difícil, hã? Mas quer saber? Eu até prefiro. Por que, apenas, não vem comigo e eu te mostro algumas coisas legais?
– Escuta...
Antes que ela pudesse falar qualquer coisa, foi surpreendida por um novo integrante no diálogo.
– Ta tudo bem, querida? Desculpe pelo atraso.
Eles se encararam. O cara importuno apenas observou os dois se olhando, e então saiu, deixando-os a sós.
Eles continuaram se olhando, até que ela tomou a palavra.
– Devo ficar preocupada?
– Não, não acho que ele vá te incomodar novamente.
– Preocupada com você. Está me perseguindo?[Ela sorriu, e ele acabou fazendo o mesmo]
– E por que eu faria isso?
– Primeiro a estrada e agora aqui...2 visitas em apenas um dia.
– Acho que eu não teria interesse em seguir uma pessoa que, logo de cara, foi incrivelmente rude pela manhã e pela noite espantosamente mal educada. Perdoe o acaso e não julgue o destino...Estranha.
Eles mantinham a conversa e seus olhos não se desgrudavam. Era como se um intrigasse o outro.
Então, ela abaixou a cabeça e quando a ergueu novamente, sorriu para ele.
– Quero ver se é tão bom com o taco, quanto é com as palavras, senhor...
– Oliver.
– “Oliver”...
E então ela começou a caminhar na frente, em direção à mesa de bilhar. Quando ele se aproximou também, ela se virou bruscamente, chocando-se contra peito do rapaz.
– Muito obrigada, Oliver. Por tudo...
Eles ainda se olharam por alguns segundos, até que ela se virou e iniciou a partida. Oliver não sabia o motivo, mas aquela garota o intrigava. O que tornava as coisas entre eles ainda mais interessantes.
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