I still adore you
1 Going home
Notas iniciais
I'm going back to 505, if it's a 7 hours flight or a 45 minute drive
In my imagination you're waiting laying on your side
With your hands between your thighs
Meu vizinho, Lucius tinha acabado de sair de meu apartamento, sequer fechou a porta. Eu segurava o sutiã azul de Emily, e não sabia o que dizer ou pensar. Como assim minha Emily tinha me traído? Eu não era bom o suficiente para ela? A voz de Lucius não saia da minha cabeça dizendo “Eu encontrei isso no quarto de meu filho Draco, e ele disse ser da Emily”.
“Ela é casada contigo, não é? Então segure sua esposa” Lucius dizia em minha cabeça... Não, ela não era minha esposa ainda, mesmo depois de cinco anos de namoro.
“Eu realmente não aceito que meu filho esteja tendo um caso com Emily.” Afinal, eu estaria aceitando isso? Claro que não.
Levantei-me do sofá e fui para o quarto, quando entrei percebi que o filme já tinha acabado e Emily já dormia. Como um anjo, tão linda. Eu não poderia acordá-la, na teria coragem, não queria olhar em seus olhos. Peguei uma mala em baixo da cama, e coloquei o que era necessário para ir embora. Coloquei meu celular no bolso, peguei a chave do carro, e com um último olhar para Emily, saí de casa.
Eu voltava para Leeds. Para minha verdadeira casa. De onde eu nunca devia ter me retirado.
Estava dirigindo há quatro horas, mas não me sentia cansado por esse motivo. Sentia-me vazio, usado, triste... Me olhei pelo espelho retrovisor, olhos vermelhos e inchados. Precisava beber o suficiente para esquecer e não sentir mais nada. Mas isso não resolveria por muito tempo.
Como eu sentia falta de fazer muitas besteiras em uma só noite. Era meu jeito de não sentir as coisas.
Eu era um bom menino. Coisas ruins sempre me aconteceram, mas eu era uma boa pessoa. Meus pais morreram quando eu era um bebê, e minha avó cuidou de mim desde então. Ela era uma pessoa exigente, sempre queria que eu fosse o melhor em tudo, e isso fazia dela um tanto chata, mas eu sempre soube que ela queria que eu fosse feliz. Quando ela morreu em 2002, foi quando eu mudei muito. Eu comecei a beber, a fumar, e por mais que eu não me orgulhe disso, eu também comecei a usar drogas. Poderia culpar meus antigos amigos dizendo que eles me ofereceram, mas eu aceitei então a culpa era minha.
Mas eu mudei. Eu conheci Emily Kress.
Nunca fiz mal as pessoas, só a mim mesmo. Eu era egoísta, convencido, superficial... Mas ela me mudou, me ensinou a ser feliz, me mostrou o que é o amor. Ela é linda, inteligente, especial de diversas maneiras. Sempre me fez sorrir, mas naquele momento, me fez chorar mais que nunca.
Como a conheci? Fácil dizer, afinal eu nunca me esqueci daquele dia.
Era dia 28 de maio de 2004, fui para uma festa com meus amigos. Eu os forcei a escolher aquela festa entre tantas outras porque senti que algo interessante aconteceria por lá. Durante a noite toda nada legal tinha acontecido, tudo estava igual à sempre. Depois de duas horas todos já estavam bêbados, drogados.
Álcool, maconha, cocaína... Péssima mistura. Sentia minha cabeça prestes a explodir, o som alto e as luzes pioravam tudo.
Saí do salão para tomar um ar. Sentei-me na calçada e apoiei minha cabeça no joelho, tudo girava. Ouvi passos, alguém chegava perto de mim, mas eu não levantei a cabeça.
– Está tudo bem? –A menina que se aproximava me perguntou. Eu respondi com um “não” muito grosseiro, mas percebi que ela continuava do meu lado. Levantei a cabeça o suficiente para ver seu All Star preto. Ela riu. – Dá para perceber isso, só perguntei para fingir que não senti seu cheiro de álcool e cigarro. Quer ajuda?
– Não. – Respondi e ela riu de novo. – Qual o seu problema? – Levantei a cabeça para olhá-la, e apesar de seu sorriso estar me irritando profundamente, percebi que sua beleza era exuberante.
– O meu? Nenhum. É você quem está jogado no chão. – Ela me estendeu a mão. – Vem, eu te ajudo.
–Não preciso de ajuda.
– E eu não preciso te ajudar, agora que já estamos quites, segura logo a minha mão e levante-se.
Segurei sua mão e ela me ajudou a levantar. Apoiei-me sobre ela e andamos até alguns bancos que ficavam a três ruas de distância. Quando me sentei, percebi que ela estava com uma mochila nas costas, mas não perguntei nada. Ela tirou da tal mochila uma garrafa d’água, um pacotinho de amendoim e me entregou os dois.
– Você se sentirá melhor, prometo. – Ela me disse e bebi a água. – O sal do amendoim vai cortar um pouco do efeito do álcool e ajudar a melhorar sua dor de cabeça, mas não vai passar a dor, isso se resolve dormindo.
– Por que está fazendo isso? Me ajudando. – Perguntei e olhei e seus olhos. Ela parecia visivelmente confusa quando respondeu.
– Não sei.
Depois de um tempo, a tontura passando, perguntei por que ela estava carregando uma mochila pesada.
– Eu cheguei em Leeds hoje. Vou morar aqui por um ano e depois volto para Londres. – Ela apoiou a cabeça em meu ombro. – Estou realmente cansada. A propósito, meu nome é Emily.
– Meu nome é Neville.
-/-/-
Acordei no dia seguinte com ela dormindo em meu ombro. Foi estranho, mas bem legal. Emily me ajudou e se importou comigo sem nem me conhecer. Demorou muito para começarmos a namorar, mas quando começamos tínhamos certeza do que queríamos.
E agora ela estava me traindo com Draco. Eu poderia ter acordado ela, e perguntado tudo, mas o que ela diria? “Não meu amor, isso não é o que você está pensando”.
Era melhor assim, quando ela acordasse, perceberia que eu fui embora. Sem bilhetes, sem discussão, sem conversa... Sem um adeus.
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