I miss...

1 O inicio de tudo.


Notas iniciais
Bom galera, essa história se passa no século XX então os personagens falam de uma forma mais formal e tal... Espero que vocês gostem da história coisa e tal.

Eu estava arrumando minhas coisas, minhas muitas coisas. Não que eu fosse ficar na Inglaterra por muito tempo, na verdade, eu não tinha a menor vontade de ir, mas mesmo agora no século XX, minha família ainda preza os costumes antigos, então eu precisaria ser ‘formalmente apresentada a sociedade como dama’, mas eu sabia bem que o motivo de investirem tanto em vestidos e insistirem que eu vá a todos esses bailes era que arranjasse alguém para me cortejar, claro. Não que eu ache isso importante, por mim eu não teria a necessidade de casar, eu gostaria de ter uma profissão, imagine que surpreendente, meus pais ficariam loucos... Mas esses três meses que passarei no Reino Unido devem me servir de algo.
— Luísa, vamos, já é hora. – disse Marta adentrando minha porta e pegando duas de minhas malas. Marta era minha governanta, na realidade eu a considerava como uma segunda mãe, ela sempre estava la quando eu precisava, e eu a amava.
— Claro, claro... mas isso se faz mesmo necessário? – perguntei para fazer uma graça.
— Obviamente minha querida, agora temos de ir, por favor.

Durante os dias em que estive no navio, li alguns livros, escrevi algumas histórias, pensei em como seria tudo depois que essa temporada acabasse. Meu pai havia me dado um baralho, mas era incrível a dificuldade de achar uma dama que jogasse naquele navio...

Minha estadia na Inglaterra estava oficialmente começando, eu ficaria inicialmente em uma fazenda com meus avós por uma semana, depois seguiria para a casa dos meus tios em Londres onde a tortura definitivamente começaria, 45 dias de bailes de apresentação e rapazes com cheiro de cerveja ou perfumes exagerados tentando me cortejar, já posso até imaginar.
Nas horas em que me dirigia à fazenda dos meus avós pude observar que era realmente longe da cidade, pois havia muitas árvores e gado também, o odor era muito agradável, bem mais puro, talvez eu pudesse gostar da semana que passaria ali.
Assim que desci do carro vi minha avó sentada na varanda, ela estava tão concentrada em sua leitura que nem sequer me viu. Eu admirava o gosto que tinha por conhecimento, de fato, para alguém da época dela, uma mulher ler não era comum, mas ela o aprendeu sozinha, vovô diz que talvez tenha sido isso que o fez se apaixonar por ela. Levantei a barra de meu vestido e corri em direção à varanda, ela abriu um largo sorriso e fechou seu livro.
— Vovó! – gritei pulando em seu pescoço assim que subi as escadas.
— Que saudades eu estava de você minha princesa.
— Eu também dona Charlotte, muita saudade. E... então... essa sua nova casa é realmente muito grande... – disse ao reparar a imensidão acima de mim, eu não visitava meus avós realmente há muitos anos, desde que eles se mudaram para o interior eu só os havia visto uma vez, em Paris, então ainda não conhecia essa mansão, nem ao menos sabia que era tão grande, devia ter como que uns 50 quartos.
— Princesinha! – gritou meu avô aparecendo na porta.
— Grandão! – gritei de volta o abraçando, meu avô cheirava à hortelã e à fumo, adorava seu cheiro... – Como está?
— Estou velho, nem te perguntarei como está pois vejo que continua sendo a minha princesinha. – disse soltando seu riso ritmado – Bem, querida, vou à casa do John ajuda-lo com as coisas para esta noite, você se importa em ir sozinha depois? – dirigiu-se à minha avó.
— Claro que não querido. Pode ir.
— Gostaria de ficar essa tarde com você minha lindinha, mas infelizmente prometi à um amigo que o ajudaria, podemos nos ver mais tarde? Sim? Ótimo, eu a amo. — vovô me deu mais um abraço apertado e um beijo na testa de minha avó. Em seguida saiu apressado em direção à um carro parado ao lado da fonte.
— Bem, vamos subir, Greta já preparou o quarto. – disse enquanto adentrávamos a porta de um enorme salão. Subimos em uma das escadas e passamos como que por cinco portas até entrarmos em uma.
— Vovó, o que tem hoje à noite? – perguntei curiosa.
— O que?
— Que o vovô Bill disse...
— Ah sim, haverá um baile essa noite. Quero que descanse para nos acompanhar esta noite, não será uma festa para jovens, mas, teremos alguns, o filho dos Milles, com certeza estará la, porque é anfitrião, e talvez mais algumas jovens com quem pode conversar...
— Tudo bem vovó... – finalizei sentando na cama, era macia.
— Bem, Joel já deixou suas coisas no armário, pode se trocar, e dormir um pouco, o almoço será servido ao meio dia, não se atrase ou entenderei que não vai comer... Vou deixa-la mais à vontade. Até depois.
— Até...
O quarto era relativamente bonito, o papel de parede era azul, gosto de azul, é a cor da sabedoria. A cama era grande e tinha muitas almofadas, no banheiro tudo era branco e dourado, tinha uma pintura de um lago na parede acima de uma escrivaninha, a qual continha alguns livros, minhas malas estavam todas no closet, fechadas, pelo visto eu teria que desfazê-las, eu não me importava, na verdade eu gostava de me sentir mais em casa. Meus pais não tinham tanto dinheiro assim, em Paris tínhamos uma casa razoavelmente grande, além de Marta tínhamos uma empregada, mas, na casa de meus avós tudo sempre fora muito mais luxuoso... Muitos empregados, tudo sempre na mão, me lembro de não me sentir tão à vontade, acho que minha avó decidiu me deixar um pouco...
Tirei meu espartilho com bastante dificuldade, e em seguida o resto das roupas que me restaram, vesti minha camisola e me deitei a fim de dormir.

Acordei com batidas na porta que se abriu lentamente.
— Com licença senhorita, posso entrar? – perguntou uma jovem de cabelos avermelhados.
— Sim, claro. – respondi enquanto me sentava.
— Sou Stella, serei sua dama de companhia essa semana. Bem, dona Charlotte a está esperando para o chá da tarde na varanda em 10 minutos. Irei desfazer suas malas e preparar seu vestido para a noite de hoje, têns alguma preferência?
— Oh não... perdi o almoço... já irei descer. Gostaria de usar algum simples, não tenho nenhum em mente, mas estou certa de que o que escolher irei gostar, muito obrigada.

O chá com a vovó foi divertido, conversamos e rimos bastante, eu já estava bem descansada então falei muito. Ela me contou sobre como conheceu meu avô na época dos bailes de apresentação e que ela acha que será importante para mim também, ao menos para fazer amigas. Espero que seja divertido mesmo, porque até agora não sinto a menor empolgação para que isso comece. Quando o relógio bateu 18 horas desci as escadas ao encontro de minha avó, ela estava realmente muito elegante com um vestido de cor creme e os cabelos grisalhos presos em um coque sob o chapéu também de cor creme. Eu usava um vestido cor de salmão e meus cabelos estavam parcialmente presos. Joel dirigiu por um trajeto curto, o qual eu poderia ter feito à pé. A casa dos Milles era bastante grande também, Joel parou em frente as escadas da entrada e um mordomo que aguardava aos pés da escadaria abriu a porta para que eu e vovó descêssemos.
— Minhas queridas! – vovô disse vindo até nós assim que adentramos o salão. Ele estava trajando um belo terno, posso crer que havia se trocado ali. – Venham, nossos amigos estão loucos para conhece-la princesinha. – andamos em meio às pessoas até pararmos em um circulo com 4 pessoas. Minha avó cumprimentou à todos e eu fiz o mesmo.
— Olá Charlotte, está divina esta noite. – disse um homem semi-calvo de uns 40 anos com a barba por fazer.
— Ah, obrigada John. – minha avó respondeu sorrindo.
— Então essa é a bela Luísa? – perguntou uma moça com cabelos ruivos e belos olhos azuis.
— Sim, minha princesinha! – respondeu vovô Bill. – Luísa, esses são: Lauren, — apontou para a mulher ruiva — esposa de John, — apontou para o senhor calvo — James, — mostrou um senhor loiro – e Ellen, esposa de James. – a senhora morena ao seu lado.
— Bem, Luísa, creio que não deve querer ficar em meio aos adultos essa noite, — disse a ruiva com um largo sorriso se aproximando de mim e me fazendo seguir com sigo pelo salão. – meu filho Christopher está ansioso para conhece-la, imagine, o primeiro baile em que temos alguém jovem neste salão.
— Pensei que haveriam mais jovens...
— Ah não querida, as jovens dessa cidade foram todas para Londres, e mesmo que estivessem aqui, não viriam à essa festa, dizem que é lugar de “velhos”. Christopher querido, esta é Luísa. – disse ao chegarmos em uma sala alta com muitos livros, uma biblioteca. Ouvi o som de um livro se fechando, virei minha cabeça, um jovem bastante atraente de cabelos loiros estava sentado em uma poltrona no canto da sala. – Gostaria que a distraísse essa noite, muito obrigada meu querido. – Lauren saiu da sala rapidamente se dirigindo à um casal que estava parado próximo a porta.
— Olá. – ele se aproximava lentamente dando a mão para que eu a apertasse. O fiz sem dizer nada. – Minha mãe as vezes é um pouco invasiva, aposto que nem sequer lhe perguntou se gostaria de fazer companhia a seu jovem filho emburrado.
— Não, tudo bem. – respondi dando um leve riso o qual não consegui conter. – Acho que será demasiadamente divertido conversar com o senhor.
— Senhor? Tenho dezoito anos, me chame de Chris por favor. A não ser que queira que eu a chame de senhora... – abriu um sorriso, e que sorriso.
— Não, obrigada, pode me chamar de Luísa. – nós rimos.
— Bem, vamos nos sentar. – caminhamos até uma mesa redonda com estofados individuais ao redor. – Então, você é francesa?
— Na verdade não... sou inglesa, mas moro na França desde os 3 anos de idade.
— Seu sotaque é bem forte. – disse rindo.
— Você também tem sotaque, de onde é?
— Eu estudei quase a minha vida toda na Irlanda, acho que adquiri acidentalmente. – respondeu com um sotaque francês forçado. Nós rimos.
— Você é sempre assim? – questionei em meio aos risos.
— Francês?
— Não, engraçado.
— Às vezes. Digamos que estou tentando lhe divertir.
— Uau, devo lhe dizer que está dando certo.
Christopher era bonito, devo admitir, tinha belos olhos azuis e o cabelo loiro um pouco desleixado. Também é significativamente simpático. E atraente.
— E você vai se apresentar esse mês?- questionou servindo chá em duas xícaras.
— Sim... não que eu queira, mas é necessário, seguir a tradição da família. – falei segurando uma das xícaras com chá. — Eu gostaria de servir o país, sabe, ser militar, mas talvez eu prefira mesmo estudar. Talvez medicina...
— E uma família? Não pensa em ter uma família? – Me encarou de lado com as sobrancelhas arqueadas.
— Digamos que... não é minha prioridade. – sorri.
— A maioria das garotas da sua idade quer casar, ter filhos, ter conforto... e você quer servir ao exercito? – bufou rindo.
— Não quero ser igual a maioria. – disse me levantando e seguindo, da sala ao salão e do salão ao jardim lateral.
— Ei! Luísa! Espere! – me virei e encontrei Christopher descendo as escadas com pressa. Segui em frente pelo jardim, mas ele me alcançou. Não sou obrigada a conversar com alguém que pensa que o certo é seguir os costumes do século XIX, por favor... — Queria te dizer que eu entendo... eu te entendo. Meu pai é general do exercito, acho que este ano, com o inicio dessa guerra que está se formando, eu terei de ir, ou ainda ano que vem, não é certo, eu odeio a guerra, queria ficar aqui, e ter minha vida, mas, nossa, é tão difícil... – disse apoiando a cabeça entre as mãos. Não entendia ao certo se ele estava desabafando realmente ou atuando muitíssimo bem. Parei e me virei em um movimento rápido para ver seu rosto.
— Isso é sério? Sinto muito...
— Sim... é. Eu queria fazer musica. Toco piano muitíssimo bem, sem querer me gabar, é claro. – sorriu, e eu não pude deixar de sorrir também. Continuei a caminhar e ele me acompanhou.
— Claro que toca... – ri. Caminhamos um pouco sem dizer nada.
— Está vendo essas roseiras? – perguntou apontando para o lado, um lugar onde haviam muitas rosas, deveriam ter como que umas 15 roseiras de diferentes cores.
— Sim... as rosas estão lindas. – paramos.
— Eu às plantei e cuido delas, é a única coisa nessa propriedade que é de fato minha.
— Amo as rosas brancas, são tão lindas... as outras também, mas, as brancas tem algo mais encantador... – comentei passando os dedos em um botão que ainda não havia desabrochado.
— Eu poderia lhe dar uma agora... ah, você sabe os significados de cada cor de rosa? – perguntou tirando uma amarela da roseira.
— Não... por quê? – perguntei.
— Te darei uma amarela. Pois não posso lhes dar uma branca, se o fizesse, estaria dizendo que quero seu amor inocente e eterno, para mim, pra sempre. – disse esticando a mão que estava com a rosa. – Cuidado com os espinhos.
— Ah, nossa, não fazia ideia disso... obrigada pela rosa, e pela informação também. – respondi pegando a rosa e seguindo o seu conselho quanto aos espinhos.
— Bem, está ficando frio, quer entrar? Já devem estar servindo o jantar.
— Claro, claro, acho que será de bom grado se entrarmos. – respondi girando nos calcanhares.
— Desculpe-me perguntar, mas... você usa calças? – questionou.
— Algumas vezes... por quê? – indaguei curiosa.
— Porque você me parece uma garota bem rebelde, deve usar calças para fugir das regras. – respondeu sério.
— Não sou rebelde, nem um pouco rebelde. – respondi rindo.
— Uma garota que não quer casar, e, sim, servir ao exercito não é rebelde? – disse entre risos baixos.
— Eu apenas tenho ideais diferentes, mas, pense comigo, se eu fosse rebelde, não estaria aqui.
— É faz sentido. Bem, boa sorte em se sentar ao lado de meu pai. – mostrou a cadeira vazia entre John e vovô Bill. – Ele pode ser mais invasivo que minha mãe.
— Obrigada pelo aviso, mas acho que sei me virar.
Chris se sentou entre Ellen e uma senhora de cabelos grisalhos, havíamos perdido a entrada, mas eu não me importava, não estava com fome.
— Então princesinha, está se divertindo? – sussurrou meu avô.
— Sim vovô, a noite está sendo bastante agradável. – respondi com sinceridade enquanto cortava o animal indefinido que estava em meu prato.
— Christopher é um bom rapaz, não? – questionou entre goles de vinho. Eu concordei com a cabeça enquanto ria de algo que um senhor falou na outra ponta da mesa, não pude escutar o que. – Acho que ele irá nos bailes esse mês, seria muito bom se ele a cortejasse. – seria realmente muito bom.
— Claro vovô. – cochichei de volta em um tom de “disse isso por educação”.

Notas finais
Então galera??? O que vocês acharam do primeiro capitulo? Está razoavelmente grande, mas bem, achei justo. Quero reviews por favor...