I miss...

2 Um chá surpreendente


Notas iniciais
Eeeei, não tem reviews, mas eu entendo e tal, também, ainda é o começo, e meus capitulos são longos, mas minhas amigas gostaram, então ca estou de novo... Esse também está grande porque nesse carnaval eu viajei para a casa dos meus avós, e então li dois livros: Um dia e Impecaveis (o segundo de PLL), gostei muitissimo de ambos, recomendo. Então estava com vontade de escrever e tal, e fiz esse capitulo meio animadinha... Espero que gostem

A cada comentário sem conteúdo solto durante o jantar Christopher me fazia alguma careta discreta, porém engraçada, tive de me segurar infinitamente para não causar algum desconforto com algum riso que me escapasse. Pude imaginar que seria realmente interessante se ele por ventura me cortejasse. Mas não, não pretendo me casar ou me prender à alguém assim tão cedo, e, consideremos, acabei de o conhecer.

Mais tarde pude observar enquanto alguns senhores dançavam com suas esposas, o álcool que consumi já estava “surtindo efeito”, então achei melhor permanecer sentada em uma poltrona apenas observando. Meus avós estavam aparentemente se divertindo, e eu me sentia tão feliz em vê-los, o amor dos dois é algo realmente admirável, um amor que qualquer pessoa desejaria para si.
– Não vai dançar? – a voz de Christopher interrompia meus pensamentos.
– Ah não... O vinho não me caiu exatamente bem hoje... – respondi com sinceridade.
– Então a senhorita estaria bêbada? – questionou rindo.
– Não acho que estou efetivamente bêbada, na verdade. Apenas com um pouco de enjoo, da forma que se eu me movimentar demais posso vir a regurgitar aquele animal estranho que comi a pouco. – disse e ele soltou uma gargalhada.
– Cara Luísa, vejo que essa temporada de apresentações será muitíssimo engraçada com sua presença.
– Por que acha isso? – questionei curiosa.
– Você verá. – respondeu antes de se afastar e começar a subir pela escadaria. Por um momento fiquei confusa sobre o que seria, mas, logo esqueci, no momento, pensar fazia minha cabeça doer.

Já se passavam de meia noite quando retornamos da festa. Eu estava exausta, e meus avós pareciam estar também.
– Então princesa, se divertiu? – perguntou vovô Bill.
– Ah sim vovô, fora maravilhoso só de poder compartilhar isso com vocês dois. – respondi sorrindo.
– Querida, considero que deva estar cansada, deseja acompanhar-nos em um chá ou já quer se dirigir à seu aposento? – minha avó pergunta após sentar-se em uma poltrona.
– Acho que já prefiro ir dormir, estou realmente cansada e minha cabeça dói.
– Claro, compreendo... Bem, Bill, pode pedir a Greta que nos prepare um chá? – se dirigiu à meu avô. Enquanto vovô Bill se dirigia à cozinha eu subia as escadas pesadamente com a intenção de que pudesse dormir o quanto antes. Mas era obvio que não conseguiria. Na cama macia me pus a pensar sobre meu dia: o quão cansativa estava por meus dias de viagem, o quanto estava feliz por rever meus avós, e, principalmente, pensei sobre os bailes de apresentação, pois agora, via isso como uma boa coisa, afinal, se a maioria dos rapazes fossem como Christopher, eu não me importaria em ser cortejada.

O segundo dia em que estive com meus avós fora bastante divertido, pude dar um passeio à cavalo com meu avô e conhecer alguns pontos da propriedade. Confesso que o calor me incomodara bastante, pois o vestido que eu usava não era bem o que poderia se caracterizar como “fresco”. Depois almoçamos e relembramos momentos divertidos que passamos juntos, em toda minha vida não os vi tantas vezes, mas, sempre que nos encontrávamos algo razoavelmente engraçado acontecia. Poderia caracterizar meu avô como o homem mais engraçado que já conhecera na vida, mais até que meu pai.
Aproximadamente às três da tarde estava eu ocupadíssima no jogo peculiar de “afunda ou não afunda” com objetos aleatórios que estavam dispostos em torno da banheira. Meus dedos já estavam claramente enrugados, sinal de que já deveria abandonar a água com espuma que, alguns minutos atrás, era morna e convidativa. Stella havia deixado sobre a cama um vestido verde e branco que eu agora considerara ideal para o sol penoso do dia de hoje, agradecera mentalmente por ela considerar esse aspecto na escolha de minhas roupas. Após vestir-me, escovei meus cabelos e escolhi um chapéu pequeno do mesmo tom verde do vestido. Meus avós me esperavam para o habitual “chá da tarde em família”, me permiti rir lembrando-me desse costume britânico peculiar.


– Princesinha, eu não poderei ficar para o chá, terei de ir resolver algumas burocracias... por favor me desculpe. – vovô Bill diz depositando um beijo em minha testa.
– Tudo bem vovô, haverão outras oportunidades. – sorri compreensiva. Eu considerava meu avô uma pessoa muito admirável, quando era pequena pensava que ele era como alguma celebridade, e de certa forma ele é, não aparece em jornais ou coisas do tipo, mas, pra mim, ele é uma grande estrela.
Eu caminhava a passos curtos pela sala em direção à varanda.
– Ah, e querida... – gritou meu avô ao pé da escada. Girei nos calcanhares para dar de cara com seu grande sorriso. — ... temos visitantes para esse chá.
– É claro que tem... – falei de súbito voltando a caminhar. “Visitas? Que tipo de visitas?” me perguntei inquieta. Vi Greta entrando com uma bandeja. – Greta, quem são essas visitas?
– Bem, é a senhora Milles e seu filho. – respondeu andando apressada para a cozinha. “A senhora Milles e seu filho, e seu filho, SEU FILHO, o jovem rapaz Christopher.” Que maravilha, acho que essa talvez seria uma boa hora para retornar a banheira convidativa com sabão aromatizado de lavanda, e, brincar de “afunda ou não afunda” com minha própria cabeça e uma âncora em cima, claro. Mas eu queria ver Christopher, não queria? Claro que queria. Queria sim. Então convicta de que eu estava ao menos ‘apresentável’, caminhei em direção à porta.
– Boa tarde vovó. Ó, que surpresa agradável, senhora Milles. – sorri meu sorriso mais convincente e simpático, ela retribuiu. Em seguida me virei para Christopher, que se mostrava muitíssimo elegante com um colete sobre a camisa branca e uma calça de um preto fosco. – Muito bom te ver.
– Te digo o mesmo. – me respondeu levantando rapidamente e puxando a cadeira ao seu lado para que me sentasse.
– Ah, muito obrigada. – sorri em agradecimento.
– Estávamos aqui conversando sobre sua festa de debutante, Lauren se ofereceu para ajudar-me a preparar. – Minha festa seria na casa de meus avós, aparentemente por ter um salão grande (gigante, a meu ver), e ter dezenas de quartos para acomodar os convidados que moram efetivamente longe. Eu não questionaria.
– Posso dizer que me sinto muitíssimo agradecida e surpresa pela consideração. Essa festa é importante para minha família. – sorri sincera.
– Eu entendo, na minha época também foi. São meses maravilhosos, maravilhosos mesmo, aproveite muito e escolha um bom rapaz para deixar que lhe corteje. – Eu tinha certeza que não poderia saber se um rapaz é ‘bom’ de fato em uma festa de pouco mais de 5 horas, onde, tinha certeza, eu daria um jeito de estar um pouco bêbada demais para levar em consideração qualquer coisa. Mas mesmo assim concordei.
– Eu com certeza escolherei muito bem. Dentre as opções possíveis, claro.
Greta me serviu um pouco de chá com leite e entrou novamente. O assunto bailes se seguiu por algum tempo. Agora era evidente que aquilo era algo realmente importante para os ingleses, “para os ingleses”, como se eu não fosse inglesa. De alguma forma estranha não me sentia tão inglesa assim. Queria poder tomar um café agora, comer alguns croissants, caminhar em alguma Rue qualquer com o vento gelado mantendo minhas bochechas geladas e, de certa forma, adormecidas. Talvez eu fosse francesa demais. Preferi não pensar nisso.
– Luísa, querida, gostaria de acompanhar o jovem Christopher em uma volta pelo jardim? – perguntou minha avó em tom sugestivo até demais. Então ficou claro qual era o real objetivo daquele chá. Luísa e Christopher, Chris e Isa. Ótimo.
– Ah vovó... Acho que o jovem Christopher já deve estar cansado de observar o jardim da propriedade que se localiza a menos de 2 quilômetros da residência dele. Não está, Christopher? – olhei para ele esperando que entendesse o real significado do chá e da deixa que acabo de dar.
– Creio que não Luísa, na verdade, iria adorar que você me mostrasse a propriedade situada a menos de 2 quilômetros da minha residência, se não se importar, claro. – Observei Lauren segurando o riso, claramente orgulhosa da ousadia que seu filho demonstrava.
– Ela não se importa. – respondeu minha avó, rápida. “Obrigada Charlotte, mas, minha banheira me espera”, pensei em dizer.

– Ó Christopher, muito obrigada pela sua atitude ‘gentil’ em fazer-me acompanha-lo nesse passeio abafado.
– Não imaginei que ficaria tão lisonjeada, mas, todavia, não há de que. – respondeu sarcástico.
– Você não notou que querem que, ãhn, bem... como posso dizer?... – pensei por um tempo uma forma menos vergonhosa de dizer. Nenhuma palavra me veio em mente.
– Que querem que eu te corteje? É isso? – disparou rapidamente. Eu prendi a respiração por uns 3 segundos em reação a confiança que carregava suas frases. Christopher riu.
– Isso, seria claramente isso. – respondi o mais rápido que pude em tom calmo.
– Eu penso que essa ideia é bacana, talvez até muito bacana. – Então era isso que ele pensava? Não pude deixar de sorrir, porque me parecera um elogio.
– Por quê? – uma parte de mim mais interessada perguntou.
– Porque eu te acho interessante, talvez a corteje, realmente. – disse sem dirigir o olhar a mim.
– Ah sim, claro. – respondi pensando na banheira, a quantos metros ela estaria de mim agora? Uns 100 metros, talvez.
– E você? – perguntou e naquele momento eu pensei “talvez se eu saísse correndo agora, tirando meus sapatos, eu chegue lá em 5 minutos, mas, de qualquer forma, não tenho uma âncora mesmo.”
– Ah, eu sinceramente não sei, te acho interessante também. Alguém que gostaria de conhecer, com certeza. Mas não sei se alguém para me cortejar. – respondi com mais sinceridade do que esperava.
– Mas claro, que você como uma rebelde talvez queira inovar as coisas, e me cortejar, talvez não seja exatamente uma má ideia. – Não pude deixar de rir, Christopher também riu.
– Que visão mais idealista. – respondi. Já estávamos nos aproximando do enorme portão de ferro, íamos fazer o contorno e voltar para a varanda. Quando de repente Christopher parou. – Ah não, já cansou? – questionei com uma sobrancelha arqueada.
– Não cansei, mas é que reparei que aqui tem algumas rosas, não as tinha visto antes. – comentou.
– É, meu avô cultiva algumas flores para minha avó, têm rosas, orquídeas, lírios... São muito bonitos. – disse, um tanto pensativa.
– Podemos ir lá?
– Podemos, claro.
O guiei por entre as dezenas de flores que meu avô mantinha no canto um pouco mais afastado da entrada. Ele me dissera mais cedo que ali era o melhor lugar na propriedade para se cultivar algumas ‘belezas naturais’, fiz um trocadinho do tipo “por que o senhor não me mantêm ali?” e ele riu. Agora caminho por entre elas com um jovem que conheço a menos de 24 horas, ouvindo comentários sobre como são bonitas e lembrando que aquele rapaz admitiu existir uma possibilidade de vir cortejar-me futuramente. Nem tão futuramente assim, a temporada de bailes já iria começar em 5 dias.
– Talvez possamos nos ver amanhã, não? – perguntou enquanto acariciava a pétala de uma rosa vermelha.
– Claro que sim, vai vir aqui tomar mais um chá casual? – não pude resistir a indireta.
– Quem sabe... – nós rimos. – O fato é que minha mãe considera vital que eu a veja durante essa semana. – Ah que maravilha, então a hipótese de cortejar-me vem do que sua mãe quer. Que ótimo. Não disse nada, ele também não. – Eu gostaria de vê-la. – Mas é claro que gostaria. Eu também gostaria de não estar ouvindo isso, mas infelizmente não me ocorre o que eu “gostaria” que ocorresse. Mas quem se importa? Eu não.
– Apareça quando quiser, eu lhe farei companhia, pode acreditar. – respondi em um tom educado e muito mais sincero do que imaginei que soaria. – Bem, agora temos que voltar, nós sumimos da área de visão das “grandes senhoras supervisoras”. — Christopher soltou um riso abafado.
– Vamos. – concordou.

Posso dizer que não me senti exatamente magoada, nem ofendida. Primeiro porque eu nem sequer sinto algo por Christopher, e, segundo porque eu estou cansada de saber que tudo, absolutamente TUDO, que ocorria com pessoas da nossa idade, era ideia dos pais. Eu mesma só estava participando dessa bobagem de cerimonia por conta dos meus pais. Mas devo dizer que ele perdeu pontos comigo por conta do que disse. Ou na verdade ganhou? Não sei ao certo. No momento estou pensando em como não conheço rapazes, digo, eu conheço alguns, meus primos, o entregados de leite, os irmãos de algumas de minhas amigas... Mas nenhum desses é de fato um “rapaz com potencial”, digo, nenhum desses é um que eu poderia um dia considerar um candidato a marido. Penso que essas semanas de baile serão um tanto provatórias para mim e meus hormônios malucos. Ótimo.
Agora estava imaginando o que diria Gabriela diante disso... “nossa Luísa, deixe de ser mole”, era o que Gabriela costumava dizer para TUDO. Me lembro de diversas ocasiões onde ela me disse isso. Mas não vem ao caso. Gabriela era minha melhor amiga, sempre foi, ela estava comemorando arduamente o fato de não precisar se apresentar em baile algum, de ser, de certa forma, “livre para ir e vir”. Ela tinha pais franceses revolucionários, que não ligavam para nenhuma dessas “tradições incanceláveis”. Sorte a dela.
Eu precisava dormir, acho que precisava muito dormir. Não queria mais usar meu cérebro essa noite, mas estava sendo complicado, como se era de esperar. “Você está exagerando querida” a voz de Gabriela me veio em mente, então peguei no sono.

Notas finais
Então galera, gostaram? eu quero reviews, por favorrrr... até mais :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.