I know

3 Capítulo três


Notas iniciais
Bom migos e migas, desculpem plea demora, o calor insuportável de Brasília mata a vontade de escrever de qualquer pessoa, 41°C galera, ceis tão achando que é brincadeira? Huahuhaha, boa leitura! ♥

Heitor foi lá para casa naquela tarde, pedir para a minha mãe me deixar ir à boate com ele e os meninos.

De alguma maneira, mesmo que a minha mãe não fosse com a cara dele, ele conseguia convence-la a me deixar fazer qualquer coisa.

Dito e feito, naquele sábado eu podia sair com eles sem hora para voltar para casa.

Jogamos vídeo game, conversamos sobre a irmã dele que tinha o deixado irritado por algum motivo bobo e sobre uma série de assuntos que não me interessavam muito.

Depois de um tempo a mãe dele ligou o mandando voltar para casa e eu fui estudar.

Minha irmã invadiu o quarto.

– Pedro, hoje é sexta.

– E daí?

– Você está estudando na sexta?

– Desculpa, eu não entendi, tem algum problema?

Ela revirou os olhos.

– Fala pra mamãe que eu fui à casa da Patrícia.

– Falo... Mas volta antes das oito, vamos jan... – Quando me dei conta ela já tinha saído de lá – Jantar com o papai...

Ok, eu posso ser um pouco dramático, talvez muito, mas eu não consegui superar a separação dos meus pais, um dia eles estavam ótimos se divertindo, rindo e no dia seguinte contaram para a gente que não iam ficar mais juntos. Isso não fez sentido algum pra mim.

Deram cinco horas. Meu irmão chegou, tirou a blusa, os sapatos, se jogou na cama e ficou mexendo no celular.

– Mamãe quer que eu vá te vigiar na boate.

– Pode ir...

Falei distraído, eu ainda estava estudando.

– Olha, eu sei que pra você não vai fazer a menor diferença se eu for porque você não vai fazer nada de errado, então eu vou levar a Duda pra jantar, ok?

– Como sabe se eu não vou fazer nada de errado?

– Você... É você. Eu sei que não vai.

– Mas eu já fiz alguma coisa errada.

– Não, você não faz.

Eu já tinha feito sim, só não me lembrava na hora, fiquei olhando para ele um tempinho até me lembrar de alguma coisa.

– Ah, mas e aquela vez que a gente estava na praia e...

– Deixar de passar protetor solar não é errado Pedro, só... Prejudicial à saúde.

(Silêncio)

– Eu já fiz sim.

– Aham...

Ele disse em tom sarcástico e continuou a mexer no celular.

Deram seis horas, minha mãe chegou e perguntou sobre a minha irmã, passei as informações e ela foi busca-la.

Depois que todos estavam em casa. Minha irmã foi tomar banho, enquanto meu irmão lavava a louça e eu ia colocar a comida do Divo.

Quando todos nós já tínhamos tomado banho e feito cada um sua tarefa, meu pai chegou e nos levou para um restaurante.

Foi um ótimo jantar de aniversário, até sua nova namorada chegar e se apresentar.

O nome da loira era Amanda e literalmente tinha idade para ser minha irmã, tinha a idade de Matheus.

Sabe, eu poderia não ter me levantado da cama naquele dia, teria sido bem melhor.

Voltamos para casa os três mal-humorados, mas combinamos de não contar á mamãe sobre a nova amiga do nosso pai.

Acordei bem tarde no dia seguinte, já eram uma e alguma coisa da tarde quando a minha mãe colocou o Divo para lamber minha cara e me acordar, bem típico, e melhor do que ficar gritando para eu levantar. Estavam todos á mesa, escovei os dentes e me juntei a eles.

Eles me olhavam estranho e eu tinha certeza de que eu era o único além da mamãe que sabia que era o meu aniversário. Esperei os parabéns deles, mas não ganhei, nem mesmo da minha mãe.

Fiquei chateado? Fiquei, mas uma hora alguém ia lembrar.

De noite do lado de fora da casa:

Thiago chegou buzinando, ele era o único de nós que já tinha carteira.

Estavam todos espremidos dentro do carro, porém sorridentes e felizes. Chegaram gritando a canção de aniversário que nós mesmos tínhamos criado.

“Pelo menos eles lembraram” – Pensei entrando no carro.

– Em direção a comemoração de aniversário mais legal do grupo!

Letícia gritou.

(1) “Sabemos que eu não estava querendo ir”

(2) “O suor já tinha começado antes da música alta e repetitiva, tudo indicava que seria uma noite longa e bem incomoda”

O caminho foi curto, chegamos, deixamos o carro num lugar não muito seguro e enfrentamos uma fila enorme. Mais suor e a música alta e repetitiva já começava a ser ouvida.

Entramos, e era tudo como eu esperava, para falar a verdade, quase dei meia volta e fui embora. O lugar era quente, a música era alta, tinham grupinhos e grupinhos, os garotos todos tinham o mesmo corte de cabelo, as meninas todas se vestiam do mesmo jeito, mas o que mais me deixou impressionado foi a maneira com a qual os homens chegavam e agarravam as meninas, eles nem sabiam o nome um do outro! E se um estivesse doente?

Eu até tentei dançar um pouco com o meu pessoal, mas eles acabaram se separando, eu fiquei de vela para Lucas e Letícia, não só para eles, eu estava rodeado por várias pessoas se beijando. E para mim isso era pior do que ficar de vela no cinema só para dois ou três casais.

Fui para o bar, pelo menos tinha um bar, me sentei e comecei a pensar em boas maneiras de voltar para casa, fiquei lá, parado e olhando para um ponto fixo, qualquer um que visse a cena pensaria pelo menos por alguns segundos que eu tinha autismo.

– Você parece preocupado, não quer uma bebida?

Era uma voz de mulher. Uma voz bonita, alta e clara.

Olhei para a moça, não tinha entendido se era comigo.

– O que?

– Eu te ofereci uma bebida.

– Ham... É, eu aceito.

Ela chamou o garoto que fazia bebidas e o pediu uma bebida que eu nem sequer sabia pronunciar, mas não era surpresa eu não saber o nome de uma bebida, eu sempre as evitei.

Nós começamos a conversar enquanto ele preparava duas daquelas bebidas. Era de se notar que ela já era uma mulher adulta, que eu era mais novo que ela, mas isso não parecia ter importância para ela.

Eu sempre fui tímido, mas enquanto eu conversava com ela, toda aquela timidez parecia sumir.

– A propósito, meu nome é Helen.

– Sou Pedro.

Ela beijou meu rosto. Não me restaram dúvidas sobre querer beijar sua boca, seus lábios eram macios e quentes.

– E o que você faz da vida, Pedro?

Perguntou tomando um gole da bebida que tinha acabado de ser colocada ao seu lado.

– Eu sou estudante, digo... Em alguns meses vou para a faculdade...

– Então ainda está no colégio?

Tive medo de que se eu respondesse a pergunta ela fosse embora, mas mesmo assim, como eu sustentaria essa mentira.

– Sim.

– E qual curso vai pegar na faculdade?

– Vou fazer medicina veterinária.

– Jura? Meu filho também vai!

Ela simplesmente não se importou, continuou me olhando como se eu fosse um homem que ela gostaria de ter.

– Hum... É um curso interessante. E você? O que faz?

– Sou advogada.

Nos calamos por um tempinho e tomamos um pouco mais das bebidas.

A noite foi passando, mas a gente simplesmente não parava de conversar, era incrível como o assunto não acabava.

Quando olhei para o relógio e vi que eram duas e tantas da manhã, eu tinha desistido da ideia de ela querer ficar comigo, talvez aquele fosse só o jeito dela de fazer amizade, eu não tinha entendido.

Trocamos telefones, decidimos continuar a conversar, mas ela disse que tinha que voltar logo para casa.

A levei até seu carro, eu não queria mais ficar dentro da boate de qualquer forma.

– Como vai voltar para casa, Pedro?

Ela me perguntou.

– Essa é uma ótima pergunta.

Rimos.

– Você mora aonde?

– Lago Norte.

– Eu te levo, moro lá também.

Apesar de tantas pessoas terem me dito que entrar em carros de estranhos era perigoso, naquela noite eu ignorei. Entrei no carro e aceitei a carona sem hesitar.

Ela me levou até a porta da minha casa.

Fui me despedir dela, beijar sua bochecha, mas ela virou o rosto e nossas bocas se encostaram.

Então eu a beijei e acho que não iria me arrepender do feito tão cedo, porque foi maravilhoso.

Naquela noite eu fui dormir com um sorriso estampado no rosto.

Notas finais
Espero que tenham gostado, não deixem de comentar, é frustrante para um autor se dedicar na parada e ninguém comentar '-' Mas obrigada pela leitura de qualquer forma! Bjs de luz...