I haven't seen you coming
1 Regina
Notas iniciais
Regina era presidente do escritório de advocacia que seu falecido pai Henry Mills , fundou junto com o amigo Frankie Dowson em seu primeiro ano trabalhando oficialmente como advogado depois de terminar a faculdade. Na mesma época em que já era casado com Cora, e sua primeira filha Zelena tinha apenas alguns meses de nascida. Como quaisquer outras empresas sofreram altos e baixos, mas com o tempo e bastante esforço o sucesso e prestígio foram ficando mais estáveis. Com essa união devido aos negócios e também a amizade presente entre Henry e Frankie, suas famílias se aproximaram, fazendo com que Regina e Tinker – filha única de Frankie, cujo apelido se dava ao amor pela personagem de mesmo nome – se tornassem melhores amigas. As irmãs Mills cresceram entre brigas e muita inveja da parte da mais velha, que sempre acreditou que a morena era a favorita de seus pais. Ao atingir a maioridade Zelena viajou para San Francisco para estudar jornalismo, e Regina mesmo apaixonada por culinária decidiu seguir os passos do pai e cursar direito. Em uma das festas da universidade – em que Tinker a obrigou a ir, já que a morena quase não saía e se dedicava inteiramente aos estudos, ao ponto de ficar sem comer e dormir – conheceu Daniel, também estudante de direito, e logo se apaixonaram perdidamente, tanto que quando o rapaz propôs casamento oito meses depois, ela aceitou sem hesitar. Porém, depois de uma linda cerimônia e duas semanas de lua de mel na Itália, — durante seu período de férias -, Regina teve apenas alguns dias para aproveitar as mudanças em sua vida, quando de repente um telefone abalou a todos: Henry havia passado mal e um tumor inoperável foi detectado em seu cérebro, dando-lhe apenas mais alguns meses de vida. Em meio a tudo, Regina se descobriu grávida, para alegria de todos – aparentemente menos de sua irmã, que havia voltado para a cidade depois da descoberta da doença do pai, após anos quase sem dar notícias, e não poupou-a de olhares amargos e comentários maldosos -. Faltando dois meses para o nascimento do bebê, Henry passou mal novamente, mas nada mais pôde ser feito. Então, algum tempo depois, Regina deu à luz a um lindo menino, ao qual deu o nome Henry, em homenagem a seu pai. O tempo passou e em uma noite enquanto esperava Daniel chegar em casa, e cuidava do filho – na época com cinco anos -, recebeu a notícia de que um ex cliente insatisfeito e com desejo de vingança havia invadido o prédio em que seu marido trabalhava, e ele fora pego no fogo cruzado, sendo atingido por um tiro e morrendo a caminho do hospital.
Devido a tantas reviravoltas, Regina se tornou praticamente outra pessoa, abandonou o emprego e brigou com Zelena – de quem não engolia mais desaforos – pela presidência da empresa, e assumiu o posto ao lado de Frankie, que apesar de insistir, não conseguiu convencer Tinker a ocupar seu lugar, já que ela havia cursado moda e seus sonhos eram outros. Com o peso do cargo e toda sua responsabilidade, Regina se tornou uma mera sombra da moça alegre e descontraída que fora no passado, dando espaço para sua nova versão centrada, rigorosa e um tanto quanto difícil de lidar. Os únicos momentos em que se permitia relaxar eram com o filho – com quem se mudara para um apartamento na parte mais nobre da cidade, depois de vender a casa na qual viveu durante os primeiros anos de casamento, e que ganhara de presente de seus pais -, Tinker, e Cora, que com o passar do tempo adotou uma personalidade peculiar e um gosto exagerado por compras e festas luxuosas.
Sua vida amorosa permaneceu estagnada durante anos, até que finalmente Tinker conseguiu convencê-la a aceitar encontros, que em geral não dava em nada, o maior tempo em que namorou alguém foram três meses, seu nome era Benjamim, um publicitário. Ele foi o único a quem Regina permitiu que frequentasse sua casa e conhecesse Henry, no entanto o menino viu o namorado da mãe apenas duas vezes, e então o relacionamento terminou.
Henry embora não entendesse muito sobre aquele mundo de contratos, julgamentos e etc, tentava se manter tão informado quanto podia, e ficou sabendo por alto de uma fusão que estava sendo planejada, e que quando tudo estava pronto, a outra parte desistiu, ponto à baixo todos os planos de Regina, e deixando como “presente” para ela um dose tripla de mau humor e dor de cabeça. O garoto não aguentava mais vê-la naquele estado, já fazia mais de uma semana e não parecia que iria melhorar tão cedo. Um dia antes, quando saía de um restaurante no qual havia almoçado com sua avó Cora, ele viu um panfleto em cima do balcão, e o pegou.
E bom, ali estava ele.
– Hey Jessica!
A moça de cabelo castanho claro e olhos castanho-escuro digitava algo no computador, mas ergueu a cabeça e abriu um sorriso assim que viu o menino – Henry? Olá, o que eu posso fazer por você?
– Eu queria falar com a minha mãe, sabe se ela está ocupada?
– Ela estava dando alguns telefonemas, mas eu posso ver isso pra você... – pegou o telefone e apertou o ramal do escritório da chefe, que em menos de dois segundos atendeu – Srta. Mills, o Henry está aqui e gostaria de vê-la... – enquanto esperava o garoto olhava em volta, fazia algum tempo que não vinha no trabalho da mãe, havia esquecido de como o lugar era bonito e sofisticado, todo decorado em tons cinza e branco, dando um ar tranquilo e ao mesmo tempo imponente, o granizo do piso sempre impecável, brilhava tanto que Henry podia ver seu próprio reflexo praticamente todo nítido – Sim, eu digo a ele. – retomou a concentração quando viu Jessica devolver o aparelho ao gancho, e olhou com expectativa para ela – Você pode entrar.
– Obrigado.
Sorriu e deu a volta na mesa, se dirigindo a grande porta no final do pequeno corredor, não era necessário que a secretária o acompanhasse, tendo em vista de que como a própria chefe sempre dizia, tudo aquilo um dia seria de Henry, embora é claro o menino cultivasse outros sonhos, ainda não comunicados à sua mãe.
Abriu a porta da sala e colocou apenas a cabeça para dentro.
– Mãe?
– Henry querido, entre. – Regina abriu um sorriso assim que viu o filho, levantou de sua cadeira e foi de encontro a ele, dando-lhe um abraço apertado – Que surpresa, o que faz aqui há essa hora? – olhou o relógio na parede e franziu o cenho – Você acabou de sair da escola, não é? – o menino assentiu – Poderia ter me avisado que viria, o que eu disse sobre fazer as coisas pelas minhas costas? – sim, Henry sabia muito bem o que ela dizia a respeito disso, ele conhecia a mãe que tinha, ela era um tanto quanto rígida em questões como horários, alimentação, estudos e etc.
– Que é errado e eu não devo fazer isso. – falou em voz baixa.
– Exatamente, e ainda assim você fez.
– Eu sei, desculpe, mas eu queria fazer uma surpresa, e além do mais deu tudo certo, eu saí da escola e peguei o ônibus direto pra cá, e estou inteiro. – abriu os braços e sorriu.
– Sim, eu estou vendo. – a morena sorriu com a pose do menino.
– E também você precisa aceitar que eu estou crescendo, já tenho 13, lembra? – disse enquanto colocava a mochila no grande sofá de couro preto do outro lado da sala, e sentava nele.
– Eu gostaria de esquecer querido, mas o tempo está passando, isso é um fato. – voltou para sua mesa e sentou na cadeira. – Porém não se esqueça que não importa a idade que tenha, eu sempre vou ficar de olho em você, entendeu? – deu um meio sorriso.
Ele fez uma leve careta e assentiu, enquanto abria a mochila e procurava pelo panfleto, assim que o encontrou pegou-o e voltou a olhar para a mãe, mas antes que pudesse falar alguma coisa, o telefone na mesa de Regina tocou.
– Quer que eu espere lá fora? – ele perguntou, passando o dedo pelo papel nas mãos.
– Não será necessário, eu serei... Breve. – a última palavra saiu num tom quase ameaçador, e Henry desejou sorte mentalmente para a pessoa do outro lado da linha – Regina Mills. – atendeu – Olá Ms. Cotrain, eu estava esperando sua ligação, gostaria de dizer que é um prazer ouvir sua voz, mas eu estaria mentindo, e nós dois sabemos que não aprecio isso... – “oh sim, esse cara está muito ferrado”, o menino pensava enquanto assistia sua mãe ao telefone, que movimentava a cadeira giratória de um lado para o outro de forma lenta e constante – Acordo? Não vejo como isso seja possível, já lhe foi dada uma chance, se lembra? O prazo foi estabelecido, sua única função era fornecer todos os documentos no dia e hora combinados, e mesmo depois de se auto intitular tão capaz, ainda assim não conseguiu fazer isso... – sua expressão estoica se alterou para irritada – Não me interessa, meu foco é apenas no que foi estipulado e descumprido, seus problemas pessoais são da sua alçada, resolva-os como bem entender, e quando tiver capacidade de lidar seriamente comigo e a minha empresa, talvez possamos conversar, e eu digo apenas conversar, até lá, boa sorte com sua auto piedade que está lhe guiando rumo ao fracasso, e passar muito mal. – num ímpeto desligou o telefone, fazendo um barulho relativamente alto, e deu um suspiro logo em seguida – Sinto muito, você não precisava ter presenciado isso. – disse com sinceridade, claro que queria Henry em seu lugar no futuro, mas ele não precisava desse choque de “realidade” naquele momento, além do mais Regina não gostava de misturar a sua versão advogada com sua versão mãe.
– Ah... Tudo bem, eu entendo. – levantou e começou a caminhar lentamente em direção à mesa da mãe – Acho até que isso reforça o motivo da minha visita. – estendeu o panfleto para ela, que o olhou intrigada.
– O que é isso? – perguntou, pegando o papel comprido da mão do garoto e o lendo em voz alta – SPA Sufallxs...? – franziu a sobrancelha – O que isso significa?
– É o panfleto de um SPA perto das montanhas.
– Sim querido, eu posso ver isso. – falou enquanto colocava o papel em cima da mesa.
Henry se sentiu repentinamente nervoso, havia pensado bastante antes de decidir ir falar com sua mãe, e resolveu que mesmo se não ajudasse muito, mal também não iria fazer.
– Bem, eu... Eu o encontrei no restaurante que fui com a vóv... Cora, ontem. – se corrigiu ao lembrar que a avó não gostava de ser chamada pelo tratamento oficial – E pensei que você podia... Eu não sei, gostar da ideia?... – encolheu os ombros e sorriu.
Regina analisou a frase por um momento.
– Eu? Em um SPA? – deu uma leve risada – Oh Henry, eu aprecio sua iniciativa, mas não posso.
Com uma coragem que não sabia de onde havia surgido, o menino decidiu impor seu ponto de vista.
– Não só pode, como precisa!
– Como é? – se surpreendeu com a determinação na voz do filho.
– Ah mãe, você tem estado uma pilha de nervos nesses últimos dias, eu sei sobre a história da fusão e já sou grande o suficiente pra saber o que isso significa. Você trabalha demais, não descansa quase nada, suas férias não duram nem dois dias e mesmo assim sempre arruma um jeito de não ficar parada, e tudo bem até aí, mas tudo tem limite, e eu não aguento mais te ver assim.
– Henry...
– Não, me escuta, pode até me repreender por te interromper depois, mas agora não, ok? Eu sei que você acha que não pode parar e mesmo não entendendo muito o motivo, eu discordo disso, porque você precisa parar, nem que seja um pouco, pra pegar um ar, entende?
– Querido, o que eu faço raramente me permite “pegar um ar”, como você diz.
– Mas como você mesma disse uma vez, só porque é raro não quer dizer que é impossível... Poxa mãe, eu sei que você pode tirar uns dias se quiser, tem gente que pode cuidar de tudo por aqui, o Sr. Dowson já falou isso várias vezes e eu testemunhei.
– Olha... – Regina endireitou sua postura e usou seu melhor tom suave – Eu entendo sua preocupação, e adoro saber que você se importa comigo, mas não pode me pedir para abandonar tudo e fugir para as montanhas, não faz sentido.
– Não é uma fuga, é só uma pausa, e não precisa fazer sentido, basta te fazer sentir melhor, eu já tenho tudo planejado.
– Mesmo? – sorriu – E o que vai fazer com as suas aulas, mocinho? Não pense que pode escapar delas.
– Ah não, mas eu não vou junto.
– Não?
– Não mãe, se você aceitar esse vai ser o seu tempo, só pra você. Longe de tudo, do escritório, desses contratos... – apontou para os papéis sob a mesa – Das ligações como a do cara que foi trucidado agora a pouco, longe dos problemas, das loucuras da Cora, de casa e de mim também.
Ligeiramente presa na referência à sua conversa no telefone e à sua mãe, Regina se perdeu por alguns instantes, mas logo recobrou a concentração.
– Não tenho nada contra a maioria desses exemplos, só discordo do último, eu não quero ficar longe de você.
– Nem eu, mas está incluso no pacote. – sorriu tristemente, e percebendo um novo argumento pronto a sair da boca da mãe, continuou – São só cinco dias, olha aí no panfleto!
E foi o que a morena fez, observando com mais atenção dessa vez, viu algumas fotos do lugar, que parecia no mínimo aconchegante, embora fosse difícil dizer com certeza, devido ao tamanho pequeno das imagens.
Haviam duas piscinas, uma redonda e outra quadrada, várias árvores, o local aparentava ser imenso e as belas montanhas serviam de fundo para todo o cenário.
Regina suspirou, e levantou o olhar de volta ao menino.
– Se, e eu estou dizendo apenas “se” eu concordar com isso, não acha que ainda existem algumas lacunas nesse seu plano?
– Não, não acho, pra mim parece tudo perfeito. – sorriu com a possibilidade de ter atingido seu objetivo – Olha, não precisa se preocupar comigo, eu já falei com a Tinker e ela disse que pode me aturar por uns dias.
Regina sorriu com o “aturar”, ela sabia o quanto Henry adorava a loira – que era sua madrinha -, e também sabia que o sentimento era recíproco, mas a amiga tendia a se comportar como uma adolescente às vezes, e numa convivência em longo prazo isso poderia ser preocupante.
– Eu não sei se é uma boa ideia.
– Ou fico com ela ou com a Cora, você escolhe.
Pensando um pouco, a resposta foi quase óbvia. Regina amava a mãe com todas as suas forças, mas sabe-se lá o que alguns dias na companhia dela e suas excentricidades poderiam causar ao psicológico do garoto, no melhor dos casos ele voltaria para casa mimado e com um gosto obsessivo por lustres caros e desnecessários.
Por mais doida que Tinker fosse ainda conseguia distinguir alguns limites básicos.
– Retiro o que eu disse... Mas espere, Tinker estava sabendo disso?
– Sim, eu liguei pra ela ontem enquanto você estava no banho, ela disse que concorda com tudo e que se precisasse de alguém pra te arrastar até lá, ela estava às ordens.
– Por que eu não me surpreendo? – sorriu – Henry, eu não sei se posso mesmo fazer isso.
O menino suspirou, e recorreu a sua última arma.
– Eu só quero te ver melhor mãe, e talvez esse lugar ajude. Não custa nada tentar, por favor...? – deu o seu melhor olhar de cachorro que caiu da mudança, misturado com o do Gato De Botas no filme Shrek, e Regina que pensava estar ficando imune a isso, se descobriu completamente errada.
– Está bem.
– Sério? – sorriu e deu a volta na mesa para ficar mais perto da mãe – Você vai?
– Sim, eu vou.
– Eu não acredito! – abraçou-a com força – É isso aí, obrigado mãe.
– Não se acostume, querido. Faço isso por você, mas da próxima vez que me interromper no meio de uma frase ou elevar o tom, ainda que por uma boa causa, haverá consequências, entendido? – disse, enquanto ainda retribuía ao abraço.
– Entendido! – falou animado, ao se afastar.
– Por que eu tenho a leve impressão de que isso tudo é uma desculpa pra se livrar de mim?
– Pensa comigo mãe, se eu quisesse mesmo isso inventava algo com um período maior do que só cinco dias. – sorriu.
– Henry... – alertou.
– Brincadeira. – riu e foi pegar sua mochila.
– Ok, vamos sair pra comer algo? – perguntou enquanto desligava o computador.
– Só se for naquela lanchonete da esquina, o sanduíche de lá é incrível.
– Você sabe o que eu penso daquele lugar. – pegou a bolsa.
– Bom, tudo bem, vou te deixar escolher hoje, você merece.
A morena riu, pegou o panfleto da mesa e saiu atrás do garoto, que já havia desaparecido pela porta.
Chegou na mesa de sua secretária.
– Jessica, eu vou tirar o resto do dia de folga, quando acabar suas tarefas pode ir pra casa, enquanto isso se alguém me ligar, diga que eu morri.
– Mas Srta. Mills...
– Você me entendeu, querida. – falou indo em direção os elevadores, onde Henry já apertava compulsivamente o botão.
Enquanto desciam, algo ocorreu na mente da morena.
– Ah sim, talvez eu deva lhe avisar de que o tempo voa Henry, como você mesmo disse está crescendo, em breve aquele olhar que você usou lá em cima não vai mais funcionar.
O menino que estava envolvido pelo braço esquerdo da mãe, relutando contra a vontade de alegar estar velho demais para esses gestos, por achar que ela merecia por ter cedido ao seu pedido, ergueu a cabeça para olhá-la.
– É eu sei disso, mas até lá ainda tenho muito pra me beneficiar usando ele.
– Espertinho.
Regina murmurou e sorriu fracamente, ela amava muito o filho, só por ele faria o que estava prestes a fazer, passar cinco dias num SPA perto das montanhas, longe de tudo... Esse era um luxo que há muito, realmente muito tempo não concedia a si mesma.
O elevador passava por todos os andares, o prédio era de fato bem alto.
Ela respirou fundo e segurou com mais firmeza o panfleto que ainda tinha em suas mãos, lendo mentalmente o slogan impresso nele.
“Encontre a si mesmo onde jamais pensou em procurar.”
Perdeu-se nas várias interpretações que aquela frase poderia ter, até que percebeu que era exatamente aquele o propósito, uma simples estratégia de marketing para atrair pessoas.
Revirou os olhos e saiu quando as portas se abriram, com Henry correndo na frente.
– Que bobagem, como se algo fosse mudar... – falou em voz baixa, passando pelo hall do prédio e ignorando os cumprimentos das pessoas.
“Não tenho tempo para essa simpatia ridícula de vocês.” – pensou e guardou o panfleto na bolsa, no dia seguinte ligaria para o tal lugar.
Marketing ou não, palavras tem seu peso, e não seria a primeira vez que a morena se enganava, algo com certeza iria mudar.
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