Notas iniciais
Hey! Tô algumas horinhas atrasada, mas tô aqui ♥ De novo, o nome do capítulo diz sobre o que ele se trata, conheçam um pouco sobre a Emma e no final, bom... Leiam que é melhor hahaha Qualquer erro, sorry, eu revisei mas sempre escapa algum. *Leiam as notas finais...* Enjoy!

Emma Swan cresceu em um dos orfanatos mais nobres de Nova Iorque, e toda a história por detrás de sua chegada lá era um grande mistério, a única vez em que conseguiu chegar perto de um documento que pudesse lhe ajudar a descobrir algo, foi descoberta pelo zelador e entregue nas mãos da severa diretora Jones, o grande pesadelo da infância e adolescência da garota. Passou por diversos lares adotivos, conhecida por sua personalidade rebelde e livre, pulava muros, arrumava brigas e não aceitava desaforos, a vida a havia ensinado que não podia abaixar a cabeça, para o seu próprio bem. Descobriu-se lésbica aos quinze anos de idade, quando em uma festa no lar em que estava, beijou um garoto e confirmou a suspeita que tinha desde os treze, — quando havia beijado de “brincadeira” sua colega de quarto no orfanato, e gostado” – garotos definitivamente não eram a “sua coisa”, e finalmente abandonou a fase da negação, onde insistia em repetir para si mesma que tudo não passava de um mal entendido pelo fato de ter crescido rodeada de meninas.

Assim que atingiu a maioridade saiu da instituição praticamente cantando vitória, arrumou emprego numa lanchonete e dormiu no quartinho nos fundos dela até que Liza, sua colega lhe ofereceu o apartamento para dividir. Inconstante como sempre, trocou de trabalho várias vezes, e uma noite enquanto fazia uma entrega em uma escola, conheceu Mary Margaret, uma das professoras, e logo se tornaram amigas. Mary não se importava com a orientação sexual de Emma, só não apoiava sua “mania” de não permanecer em um relacionamento. Um dia sua colega de apartamento conseguiu emprego em outra cidade, e se mudou, Mary então propôs se mudar para morar com ela, e assim a amizade se fortaleceu ainda mais. Emma resolveu tentar entrar para a polícia, já que como as pessoas lhe diziam, ela estava desperdiçando toda sua energia e vitalidade servindo mesas e atendendo telefonemas, e quando para sua total surpresa – já que no fundo autoconfiança não era o seu forte – conseguiu passar, logo se viu apaixonada pela profissão, que não lhe trouxe somente alegria, mas também alguns hematomas e idas para o hospital. Uma noite enquanto treinava na academia do prédio na NYPD, conheceu Mulan, uma linda oriental de personalidade forte, recém-transferida para aquela unidade, e após algumas cervejas nos finais de expediente, começaram a namorar.

Mary que acompanhou o progresso da relação das duas, — não mais tão de perto, já que havia se mudado para morar com David, seu namorado, amigo e colega de trabalho de Emma, responsável por apresentar um ao outro, quase dois anos atrás — e comemorou por dentro quando Emma bateu seu recorde ao completar um ano de namoro, viu tudo desmoronar quando a loira lhe ligou dizendo que haviam terminado, e não quis dar mais explicações.

Então, tudo o que já era de costume no gênio da loira, se intensificou. Aumentou seus turnos chegando a uma carga horária quase desumana, bebia quantidades de café suficientes para manter um elefante acordado e embora negasse sempre que lhe era perguntado, Mary sabia que Emma não estava bem, e fosse por Mulan ou qualquer outro motivo, ela não suportava mais vê-la naquele estado, e mesmo sendo aconselhada por David a não insistir, a professora queria ajudar. Quando suas ideias já estavam esgotadas, a solução aparentemente perfeita surgiu diante dos seus olhos enquanto assistia TV com o namorado.

– É isso! – exclamou.

– Isso o que? – David perguntou erguendo a cabeça que repousava no colo de Mary.

– Olhe ali! – apontou para a TV – Esse lugar, acho que é disso que a Emma precisa.

– Mary...

– Não, eu não vou deixar pra lá, já falamos sobre isso. – disse enquanto pegava o notebook de cima da mesinha de centro e abria o navegador, digitando o que precisava saber.

– Eu entendo, só não sei se isso vai ajudar, parece meio...

– O que? Bobo? Pode até ser, mas eu estou ficando sem opções e não aguento mais ver ela daquele jeito, e também mesmo que não ajude, mal é que não vai fazer. – clicou no link do site e sorriu.

David assentiu e observou enquanto Mary vasculhava o site e em seguida pegava o celular, e alguns toques depois o colocou na orelha e esperou.

– Oi Emma, eu preciso falar com você... Não, está tudo bem, não se preocupe, posso passar aí amanhã no final da tarde?... Ok, até então. – e desligou.

O dia seguinte chegou, e o final da tarde dele também, logo a professora estava na porta do apartamento da amiga, com um papel na mão e um sorriso esperançoso nos lábios, tocou a campainha.

– Já não te falei pra usar a chave, Mary? – Emma perguntou assim que abriu a porta, num tom de falsa irritação.

– Falou, mas eu estava tão empolgada que nem sequer pensei nisso. – entrou, colocou a bolsa no sofá e sentou nele.

– Ok... – a loira franziu o cenho e fechou a porta, indo sentar ao lado da amiga – Acho que pela sua cara notícia ruim não é mesmo.

– Eu disse que não era.

– Veio pra me mostrar seu novo corte de cabelo? Porque eu já vi das três primeiras vezes que você falou, e está lindo.

– Exagerada você... – passou a mão pelos fios recentemente curtos e sorriu – Mas obrigada, de novo.

– Certo, se esse não é o motivo dessa visita então deixa eu adivinhar... Você está grávida?!

– O que? Não. – Mary riu – Deus, não... Quer dizer, não que eu não queira, eu quero, mas não agora, na verdade David e eu... Espera, não foi pra isso que eu vim aqui.

– Tá bom, então fala.

– Eu vou, e como sei que não gosta de rodeios, serei direta. – limpou a garganta e pegou o celular, desbloqueou a tela que já mostrava o que queria e o entregou para Emma – Olha.

E foi o que a loira fez, segurou o aparelho com a mão direita e quando reconheceu o que via, fez uma careta, confusa.

– Então...? – a morena perguntou, ansiosa.

– Então o que? É o site de um SPA.

– SPA Sufallxs, Emma.

– É eu li o nome, mas por que você está me mostrando isso?

Mary revirou os olhos.

– Porque você vai passar cinco dias nele. – disse, naturalmente.

– Como é que é?

– Você ouviu, e eu não aceito não como resposta. Já pesquisei e está tudo anotado nesse papel. – colocou a folha no colo de Emma – O lugar é perfeito, fica no interior da cidade, cercado por montanhas, longe de tudo. É bonito e aconchegante, você tem que ir.

– Não, não tenho.

– Emma...

– Não.

– Você nem me deixou terminar de falar.

– É eu parei quando você disse “montanhas”. Que loucura Mary, não posso largar meu trabalho do nada e me esconder num SPA.

– Sim, você pode porque eu sei que está cheia de férias acumulas e pode tirá-las quando quiser, e só pra constar, ninguém falou em se esconder.

– E o que eu faria num lugar como esse?

– Relaxar minha amiga, relaxar. – pegou de volta o celular e afagou o joelho da loira – Você precisa respirar um pouco fora de tudo isso, dessa cidade, do estresse de andar com uma arma praticamente acoplada em você o tempo todo, e depois de tudo o que houve com a... Bem...

– Ah então é por isso? Toda essa história é por causa da Mulan? – passou a mão no cabelo, exasperada – Droga, eu já disse que estou bem, quando você vai parar de se preocupar?

– Sinceramente? Nunca. E sabe o porquê? Porque você é minha amiga Emma, e enquanto eu puder fazer algo pra te ajudar, eu vou, não importa o quão teimosa você seja.

“Que saco, por que ela tem que ser tão insistente e ainda conseguir ser gentil enquanto faz isso?” – a loira pensava, era difícil se irritar com alguém como Mary.

– Eu não preciso de ajuda, estou bem. – falou, em voz baixa.

– Nem tente, eu não acreditei na primeira vez e não é agora que vou começar, te conheço bem demais pra isso.

– Eu só não quero que você fique achando que é tudo por causa dela, porque não é.

– Eu sei que não, mas você precisa admitir que seja lá o que foi que aconteceu entre vocês duas e sim, eu ainda estou chateada por você não me contar, foi a gota d’água no seu copo do equilíbrio.

– Meu copo do equilíbrio? – Emma riu – Eu te conheço há anos e ainda não me acostumei com essa sua facilidade pra criar metáforas.

– Você me entendeu. – sorriu.

– Ok, só considerando a possibilidade de fazer mesmo isso, deve ser caro pra caramba, quer dizer, pelo pouco que eu vi aí isso é coisa de gente rica.

– Não exatamente. O lugar é lindo, mas não tão caro, saberia disso se tivesse lido o papel que eu te dei. – olhou para a folha que continuava dobrada.

Emma suspirou e pegou o papel, lendo cada anotação feita pela amiga, e pelo que pôde ver realmente não sairia tão caro, afinal eram apenas cinco dias e Mary já havia feito as contas, de acordo com o valor ela poderia pagar com o cartão e descontar de sua conta bancária, onde guardava suas economias há alguns anos. Não causaria nenhum grande estrago financeiramente, e de qualquer maneira a loira nunca fora fixada em dinheiro.

Enquanto ponderava algumas coisas, ouviu a porta abrir e fechar e com o canto do olho observou David entrar, passar em sua frente e beijar Mary rapidamente.

– E aí? Conseguiu convencer essa cabeça dura? – perguntou, em pé.

– Estou quase.

– Viu? Seu namorado já entra no meu apartamento sem fazer cerimônia, só você continua com essa besteira. – brincou e os dois riram – E você estava sabendo disso? – ele assentiu – Posso saber por que não me avisou? WhatsApp, sms, sinal de fumaça... Qualquer coisa teria ajudado.

– Sinto muito, mas eu gosto de viver e Mary teria dado um jeito nisso caso pensasse em abrir a boca.

– Ele está certo. – sorriu.

– Que maravilha... – murmurou e deu um longo suspiro – Está bem, eu topo.

– Mesmo? – a loira assentiu, sorrindo fracamente – Você não vai se arrepender, Emma, eu garanto. – abraçou-a com força.

– É bom você estar certa, Srta. Blanchard, caso contrário quando eu voltar vou ter uma conversinha com seus alunos sobre como a professora deles colocou a melhor amiga numa enrascada. – falou, ainda no abraço, ganhando uma risada como resposta.

– Hey Emma, cadê a cerveja dessa casa? – David perguntou, na cozinha, fazendo as duas se separarem.

– Na prateleira de cima, e trás uma pra mim, depois disso acho que eu mereço.

– Você fala como se fosse alguma espécie de tortura... Agora anda, liga pra lá.

– Vai com calma, ainda nem falei com meu chefe, preciso avisar que vou tirar a semana de folga.

– Ah é verdade... Bom, tudo bem, mas faça isso o quanto antes.

– Sim senhora. – bateu continência e sorriu.

No dia seguinte Swan falou com seu chefe e resolveu tudo, ele praticamente a jogou pra fora do prédio, afinal todos lá sabiam que ela acumulava férias como um colecionador de moedas coleciona moedas. Assim que chegou em casa ligou para o tal SPA e ajeitou tudo também, conferiu seu saúdo bancário e arrumou as malas, no dia seguinte estava terminando de colocá-las no porta malas de seu carro, — com quem só saía no tempo livre, já que durante o expediente dirigia o carro da NYPD, mas sua paixão era o seu fusca amarelo, que havia ganhado em um sorteio de uma marca de sorvete aos vinte e dois anos, praticamente logo que tirou sua carteira de motorista, coisa que aliás ainda não entendia muito bem, dada a sua conhecida falta de sorte -, Mary tocou seu braço fazendo-a se virar para ela.

– Me ligue quando tiver vontade, ok? Eu quero que tenha um tempo só pra você, mas também quero notícias, preciso saber se as fotos fazem juz à realidade.

Emma riu.

– Pode deixar, vou arrumar um tempo entre os vários banhos relaxantes e te deixar atualizada. – se abraçaram – David, se ela quiser mandar mais alguém pra um SPA, vê se avisa a próxima vítima, tá? Não faz o que fez comigo. – brincou e ganhou um empurrão de leve da amiga.

– Não farei. – sorriu e abraçou-a também – Nos vemos em alguns dias, Emma.

A loira assentiu e entrou no carro, fechou a porta e deu a partida, e enquanto saía ouviu Mary gritar e acenar na calçada.

– Sentiremos sua falta!

“Sim, mas o cara da banca de jornal ao lado podia viver sem saber disso.” – Emma riu, sua amiga era uma pessoa excessivamente afetiva, mas na maior parte do tempo isso era bom, fora quando ultrapassava uns limites básicos, mas ela sentiria falta dela também, afinal só mesmo Mary para convencê-la de tudo aquilo.

– Você já botou o pé na água, Emma, agora mergulha. – falou para si mesma e riu – Parece que a coisa das metáforas é contagiosa... – olhou para o panfleto do SPA que havia conseguido e leu o slogan pela milésima vez – Palavras são bacanas, quero ver o resultado. – retomou a atenção na direção.

E ela veria, só não do jeito que imaginava.

Um pouco longe dali, Regina também já havia resolvido tudo, no dia anterior ligou para o tal SPA, certificou-se de pedir algumas referências e por fim – e para alegria de Henry, que observava a mãe ao telefone com um sorriso nos lábios – ela confirmou sua estadia, que começaria no dia seguinte.

Então às oito da manhã de segunda-feira se encontrava na calçada da casa de Tinker, já havia levado tudo o que o filho precisaria para passar por aqueles dias, deixado uma cópia da chave de seu apartamento com a amiga e outra com o menino, e fez todas as recomendações necessárias.

– Ai Regina, se você não entrar logo nesse carro e sair daqui eu mesma te coloco no porta-malas e levo. – a loira brincou, parada ao lado do afilhado, ela era uma das poucas pessoas que poderia falar assim com a morena e sobreviver para contar a história.

– Acho que vai ser difícil de caber junto o monte de bagagem que ela colocou lá. – o menino também provocou, sorrindo.

– Cuidado rapazinho... – advertiu, ainda que sorrindo – E é bom saber o quanto apreciam a minha a presença, agora me diga, você entendeu todas as minhas instruções, Henry?

– Entendi mãe, pode ficar tranquila, vou me comportar.

– Ah eu sei disso, meu problema é com essa estilista levemente desequilibrada que está do seu lado.

– Também amo você. – Tinker sorriu.

– Está bem... – se aproximou do menino e deu um beijo em sua testa – Te vejo daqui alguns dias.

– Mãe! As pessoas estão olhando! – reclamou quando a morena o abraçou de maneira afetiva demais.

– Ok... – se aproximou da amiga e a puxou pelo braço, para que tivessem um pouco e privacidade – Qualquer coisa, e eu digo qualquer mesmo, não hesite em me ligar, ok? – a loira assentiu – Não o deixe dormir muito tarde e atenção com o tempo que ele passa no vídeo game, pra não esquecer a lição de casa, e se...

– Ei... – interrompeu a fala desenfreada da outra – Você já falou isso umas vinte vezes, e eu entendi da primeira. Pode relaxar, vai dar tudo certo, o Henry sobrevive a uma semana comigo, o máximo que posso fazer é entupi-lo de pizza quando tiver preguiça de cozinhar. – brincou.

– Tinker...

– Estou brincando, meu Deus. – a loira riu – Olha Regina, eu falo sério, vá pra esse SPA e se preocupe apenas com você mesma pela primeira vez em... – fez uma cara de pensativa – Bem, sempre.

Regina sorriu e se permitiu enfim relaxar desde que aquela loucura toda havia começado, com um aceno de cabeça e um abraço rápido na amiga, jogou um beijo para Henry e entrou na sua Mercedes preta, deu a partida e saiu.

O sol brilhava imponente no céu, acima das montanhas, a advogada chegou ao local em menos de uma hora, e logo que passou pelo portão viu diversos carros estacionados, e encontrou uma vaga para o seu. Pegou a bolsa de cima do banco do carona, deu uma última olhada no espelho, colocou seu óculos escuro e desceu. Assim que fechou a porta um rapaz jovem andou apressado até ela, que observava tudo a sua volta.

– Bom dia, seja bem-vinda ao SPA Sufallxs. – Regina reparou que ele usava o uniforme do lugar, o garoto sorriu abertamente e ela teve que se controlar para não zombar do excesso de simpatia que ele com certeza matinha apenas para preservar seu emprego.

Como resposta ela apenas sorriu de canto e apertou um botão no molho de chaves, abrindo o porta-malas, o rapaz ainda apressado – provavelmente pelo desejo de agradar – deu a volta e retirou as malas, que eram quatro, colocando-as no carrinho. A última por estar mais pesada bateu brevemente contra o chão antes de ser colocada no lugar, e como sempre, a morena não perdeu o pequeno deslize.

– Cuidado, garoto! Essas malas custam muito mais do que você sonharia ganhar em uma vida inteira. – repreendeu.

Ele sorriu, envergonhado.

– Me desculpe... Por favor, me acompanhe.

Com um revirar de olhos escondido pelos óculos que usava, Regina apertou novamente o pequeno botão, fechando o porta-malas, e seguiu o rapaz até a entrada do SPA. No caminho viu um fusca amarelo entrando no estacionamento, e não pôde deixar de notar o quanto ele contrastava com os diversos outros carros de luxo que haviam ali, e questionou brevemente a si mesma quem seria o dono de uma monstruosidade de mau gosto como aquela, mas enfim decidiu que tinha coisas mais importantes para resolver, e continuou andando.

Pararam em uma porta de vidro imensa, do lado de fora vários vasos de plantas e o chão todo de pedra, que produzia um barulho levemente alto em contato com as rodinhas do carrinho. A morena entrou e observou tudo o que podia, o balcão logo chamou sua atenção e uma moça de cabelos loiros e olhos castanhos sorria para os outros hóspedes, passava-lhe as informações e cada um seguia seu caminho, Regina parou diante dela.

– Bom dia, eu me chamo Ashley, em que posso ajudá-la? – disse, sorrindo.

– Meu nome é Regina Mills, fiz minha reserva ontem e gostaria de saber o número e andar do meu quarto.

– Certo, só um momento... – digitou algo no computador, em seguida levantou e foi até uma espécie de parede repleta de chaves, pegou uma e entregou-a para Regina – Quarto número quarenta e três, terceiro andar, Srta. Mills. Tenha uma boa estadia.

– Será que você não teria uma cópia?

– A senhorita está acompanhada?

– Não querida, acredito que se estivesse você saberia quando puxou meus dados, não é mesmo? – sorriu, mas sem humor algum – Eu preciso de uma para ficar comigo e outra para o rapaz poder usar e guardar minhas malas, vou dar uma volta.

– Claro, eu entendo... – vasculhou em uma gaveta – Aqui, mas por favor, peça para que ele a devolva pra mim. – pediu.

– Não se preocupe, ao contrário da maioria eu tenho bom senso. – virou e foi em direção ao rapaz que a esperava a alguns metros, sem dar chance para analisar a reação da recepcionista – Tome, faça o que tem que fazer e depois as devolva na recepção.

Ele assentiu.

– A senhorita vai andar? Quer que eu chame alguém para acompanhá-la?

Enquanto se afastava ela acenou em negação, e saiu.

Assim que chegou ao lado de fora novamente, se permitiu apreciar e fazer seu julgamento pessoal. O lugar era de fato lindo, a vegetação bem cuidada tomava conta de boa parte do terreno, árvores a perder de vista, as duas piscinas ao longe, bancos de madeira em pontos estratégicos, e então algo em especial chamou sua atenção: uma macieira.

Regina sempre teve completa adoração pelo fruto, era o seu preferido desde criança. Lentamente começou a se aproximar da árvore, onde já podia ver algumas maçãs vermelhas penduradas nos galhos, como se estivesse em transe e com um sorriso se formando nos lábios, ergueu a mão para tirar os óculos escuros, mas em fração de segundos sentiu seu corpo se chocar com algo bruscamente, e com a força do impacto se desequilibrou e mentalmente se preparou para a queda, mas então sentiu uma mão firme em seu braço, segurando-a.

Ainda tentando entender o que tinha acontecido, olhou para cima e se deparou com um emaranhado de cabelos loiros compridos, e um par de olhos verdes levemente arregalados, e descobriu que o algo na verdade era alguém, uma mulher.

– Ai droga, me desculpa! Eu sou mesmo um desastre, machuquei você? – falou desenfreadamente ao se afastar e examinar com os olhos o corpo de Regina.

A morena olhou melhor ao redor e viu uma mala preta de tamanho médio, uma bolsa também preta no formato de um violão, que com certeza não era dela, e seus óculos caídos aos seus pés, felizmente intactos.

– Não, mas poderia, já ouviu falar em uma coisa chamada senso de direção?!

– Pelo visto a língua está intacta. — murmurou.

– Como é?

– Ah, eu...

– Você esbarra em mim, quase me joga no chão e ainda tem a audácia de fazer um comentário como esse?

– Olha só... – franziu o cenho – Qual o seu nome?

– Pra você é Srta Mills, e trate de fazer o seu trabalho direito e não derrubar mais hóspedes pelo caminho.

– Tanto faz... Espera, você acha que eu trabalho aqui? Por quê? – em resposta a morena apenas olhou incisivamente para a outra com cara de desdém – Minha roupa? Sério isso? Escuta, eu estou hospedada aqui, e estava carregando minhas próprias malas porque achei que os rapazes que fazem isso já tem muitas madames como você pra buzinar no ouvido deles.

– Não me chame de madame.

– Ok, então me diz o seu nome.

– Não.

– Por quê? É um daqueles quase impossíveis de pronunciar? – brincou.

– Deve se achar realmente muito engraçada, não é? – alisou as rugas na blusa social que usava.

– Bom, eu faço o que posso. – sorriu – Meu nome é Emma, a propósito.

Regina suspirou, irritada.

– Não me lembro de ter perguntado.

– É, mas eu sou legal e falei mesmo assim.

A morena abaixou, pegou os óculos e os colocou de volta no rosto.

– Porque ainda estou aqui?! – perguntou mais para si mesma do que para Emma.

– Então está tudo bem? Está inteira? Posso respirar em paz?

Revirou os olhos, escondidos pelas lentes escuras, e notou quando a loira pegou a bolsa do violão, pendurou a alça no ombro direito, depois pegou a mala e pendurou a alça no esquerdo.

– Respire como tiver vontade. – tentou passar, mas foi bloqueada pelo corpo da outra.

– Olha Srta. Mills... – deu ênfase no nome, em tom de brincadeira, para desagrado de Regina – Eu só estou tentando ser gentil.

– E espera que eu agradeça por isso?!

Emma se preparou para responder, mas uma voz rompeu atrás dela.

– Algum problema aqui, senhoritas? – perguntou um dos funcionários, com um sorriso amigável nos lábios.

Responderam em uníssono.

– Não. – a loira afirmou.

– Sim. – e a morena como era de se esperar, tinha outra opinião.

Olharam-se mais uma vez, e Regina procurou manter sua postura ereta, para transmitir confiança, se perguntando por que sentia tanta necessidade de demonstrar controle sobre si mesma diante daquela “desconhecida” desastrada.

– Só se for com ela, porque eu estou ótima. – Emma sorriu – Agora vou indo, tenho que descobrir onde fica o meu quarto.

– Quer que eu a acompanhe? – o rapaz perguntou.

– Não precisa, acho que consigo me virar, só toma cuidado com a madame ali, ela é meio nervosinha. – acenou com a cabeça na direção da morena.

– Já disse pra não me chamar dessa maneira.

– E eu já disse que faria isso, se soubesse o seu nome. – zombou.

Regina respirou fundo e contou mentalmente até três, não permitiria que aquela mulher abalasse o seu equilíbrio recém construído.

Se o problema era o seu nome, pois bem, ela poderia resolver isso.

– Regina, meu nome é Regina.

– Viu só? Sua língua não caiu. – riu levemente, aumentando a irritação da outra – Bom Regina, a gente se esbarra por aí. – brincou.

– Você é hilária. – ironizou.

– É eu sei, me falam muito isso. – disse, então virou e começou a se afastar em direção ao hall de entrada, balançando a bagagem enquanto andava.

Regina esperou alguns segundos ainda tentando entender como alguém poderia falar assim com ela, se estivesse no escritório isso jamais aconteceria.

– Precisa de algo Srta. Mills? – o rapaz perguntou, tirando-a do seu “transe”.

– Sim, eu preciso não esbarrar com aquela mulher... — acenou com a cabeça na direção em que Emma havia saído – Nunca mais.

O que ela não considerou é que nem sempre se tem o que quer, e que às vezes aquilo que você deseja, não é o que realmente precisa.

Elas até poderiam não se esbarrar, mas isso não impediria que outras coisas acontecessem.

Notas finais
1º: sim, Emma é lésbica, não pude evitar. 2º: sim, a Mulan é a ex dela, porque eu acho ela muito linda e precisava aproveitar isso de algum jeito. Quem discorda eu entendo, e quem concorda tamo junto ♥ hahaha O próximo sai lá pra terça ou quarta-feira, ok? Mas e aí? O que acharam? Comentários, por favor ♥ Bjs.