Notas iniciais
Oizinho pessoal, era pra eu ter postado mês passado, achei que o final do capítulo tava lindo e perfeito na minha cabeça e fiquei toda confiante, mas na hora de escrever as coisas não batiam. Daí levei esse mês extra pra acertar tudo. Eu escrevi pelo celular então peço desculpas se tiver qualquer erro de formatação, eu arrumo depois. Espero que gostem. Boa leitura!

Cara Delevingne foi vista em possível discussão com a namorada em uma cafeteria, nessa tarde. Elas não se preocuparam com a presença dos paparazzi…”

Foi o que Regina ouviu vindo da tv que estava ligada em algum canal de fofocas, quando chegou em seu apartamento naquela noite. Ao olhar para o sofá viu Tinker meio sentada/meio deitada enquanto dormia tranquilamente. Colocou a bolsa e a pasta no sofá desocupado e atravessou a sala para desligar a tv, deixando apenas o elegante abajur iluminando o cômodo. Quando decidiu acordar a amiga e começou a se aproximar, tropeçou numa sandália preta no meio do caminho e com isso acabou esbarrando na mesinha de centro, fazendo um barulho não muito alto, mas suficiente para despertar a loirinha num pulo.

— O que? Onde? — resmungou olhando de um lado para o outro, até finalmente focar em Regina parada na sua frente com uma mão na cintura.

— O que eu disse sobre deixar sapatos jogados pelo chão? Quase me fez cair em cima de você! — bronqueou.

— Ai meu Deus, me dá um tempinho primeiro… — pediu esfregando os olhos – Que horas são? — perguntou para si mesma e pegou o celular esquecido na outra ponta do sofá – Onze horas, Regina! — exclamou exibindo o aparelho por um momento para depois bloqueá-lo e jogá-lo de lado novamente – Eu não esperava te ver antes da meia noite pelo menos. O que aconteceu?

— Agora não. — pediu – Eu estou cansada e você também já que te encontrei quase babando no meu sofá.

— Mas que bobagem, eu estou óti… — e não conseguiu terminar ao ser interrompida por um bocejo.

— Sim, claro. Dá pra notar. — zombou – Vá pro quarto que amanhã eu respondo todas as perguntas que você quiser. — ela sabia que iria se arrepender de dizer isso, mas precisava de tempo para pensar antes de qualquer coisa.

— Mas...

— Anda logo, Tinker. — interrompeu — E leve isso com você! — disse entregando o par de sandálias para a amiga quando ela se levantou, ainda sonolenta – E o Henry?

— Está vivo e bem, até onde eu saiba. — deu outro bocejo quando chegava perto da escada – Ele queria ficar vendo tv comigo, mas eu disse que ele tinha que ir pra cama às dez em ponto pra você não me jogar pela janela.

Regina sorriu enquanto seguia a amiga, que tinha os passos meio instáveis.

— Espero que tenha funcionado.

— Ele foi, então acho que sim. — no quinto degrau ela deu uma cambaleada para trás, logo sendo amparada pela mão de Regina.

— Você não bebeu enquanto cuidava do meu filho, não é? — perguntou.

— Claro que não! — respondeu, horrorizada pela ideia – Só estou com sono.

— Acho bom… — continuaram subindo.

— Amanhã eu vou te cobrar, viu? Vai me fazer dormir curiosa, isso devia ser crime.

— Acho que você consegue sobreviver. — rebateu – Mas agora se concentre em não cair.

Enfim chegaram ao andar de cima e Tinker foi andando mais seguramente até o quarto de hóspedes, parando brevemente antes de entrar.

— Boa noite.

— Boa noite. — a morena respondeu e assim que viu a loirinha fechar a porta, ela se virou para o outro quarto do lado oposto no corredor.

Era o de Henry, que tinha a porta entre aberta e somente a luz do pequeno abajur azul repleto de estrelas aceso.

O menino dormia de bruços na cama, com o cabelo bagunçado, a perna direita descoberta e o celular na palma da mão.

Regina se aproximou e pegou o aparelho, colocando-o na mesinha ao lado, cobriu o filho adequadamente e com delicadeza tirou os fios que lhe caíam sob a testa, onde depositou um beijo e sussurrou.

— Durma bem, meu príncipe.

Saiu calmamente, tomando cuidado para que seus saltos não a denunciassem. Fechou a porta e voltou ao andar de baixo, pegou a bolsa e a pasta, desligou o abajur e foi para seu quarto, que era acoplado ao escritório.

Tirou o celular de dentro da bolsa e a colocou numa cadeira, ligou a tela do aparelho e suspirou.

“O que esperava? Só tem pouco mais de meia hora, e você mandou ela não ligar.”

Depositou o celular em cima da cama e voltou para o escritório com a pasta na mão. Sabia que podia esperar para se livrar dela, mas tê-la por perto era outro lembrete da noite que tivera. E também não queria correr o risco de acabar lendo o que constava nela por completo. Já havia vivido tudo aquilo, as partes boas e as ruins, não precisava reviver palavra por palavra o que guardava muito bem na memória e no coração. Seria mais libertador rasgar tudo, mas daria trabalho, então viu num canto o triturador de papel adquirido no ano anterior e que mal havia sido usado. Era perfeito. Eficiente e silencioso, já que ela havia escolhido o modelo mais caro justamente por isso. Detestava aparelhos barulhentos.

Ligou na tomada e abriu o arquivo, separou página por página e foi colocando uma a uma dentro do compartimento de triturar. Em menos de um minuto só lhe restou a capa e contra capa da pasta, que era de plástico e ela jogou na lixeira ao lado de sua mesa.

Desligou o triturador e foi para o quarto, tirando a roupa e entrando no banheiro, onde preparou um banho de banheira com os melhores sais ao seu dispor, e entrou na água, sentindo todos os seus músculos relaxarem.

Fechou os olhos, pendeu a cabeça para trás e automaticamente os momentos com Emma vieram à sua mente. Sim, ela queria o sexo, mas não esperava que fosse como foi. As mãos da loira tocando-lhe a pele pareciam tão… Certas. No calor do momento ela não deu muita atenção a isso, e logo depois ao sucumbir ao sono também não teve a oportunidade. Mas, ao acordar naquela cama diferente, sentir o calor de outro corpo perto do dela e se lembrar do que havia acontecido, tudo lhe atingiu com força. Ao virar o rosto viu Emma ainda dormindo tranquilamente com os fios ondulados espalhados pelo travesseiro e os seios à mostra. Sentiu o coração acelerar, e não somente de nervoso, mas principalmente por… Adoração. Uma parte de si quis assumir o controle e acariciar os cabelos da outra, observá-la um pouco mais, quem sabe até acordá-la com um beijo, mas se conteve, fechou os olhos, respirou fundo e o mais silenciosamente possível se levantou e começou a se vestir. As paredes pareciam sufocá-la e a cada segundo ficava mais difícil lutar contra a parte que queria ficar. Mas em sua cabeça ela precisava ir, nada que a deixasse daquele jeito em tão pouco tempo poderia ser seguro. E ela gostava de segurança. Tentou se convencer de que devia ir para casa por causa de Henry, mas sabia que Tinker apesar de meio maluquinha adorava ficar com o menino, e também ela poderia facilmente chegar antes que ele acordasse pela manhã. Então essa desculpa não durou muito nem mesmo para seu subconsciente. Dizer para Emma não ligar para ela havia sido uma reação automática, algo que ela faria em outra situação, com qualquer outra pessoa. Mas que com certeza não a deixaria como deixou, com os passos instáveis e uma súbita vontade de chorar, que ela logo buscou controlar. Durante o trajeto para casa não conseguiu esclarecer seus pensamentos em nada, e ali, naquela banheira, onde pensou que talvez fosse encontrar alguma resposta, só se viu ainda mais confusa.

“Como você pretende comandar o escritório da família com esse coração mole, irmãzinha? Não venha querer bancar a mulher de negócios agora, quando nós duas sabemos que no fundo você não aguenta um sopro!” A voz de Zelena invadiu-lhe a memória, com as palavras que a ruiva usou na primeira briga que tiveram pela sociedade da firma, logo após a morte de Daniel, quando a morena resolveu mudar. Não tinha sido nada fácil, mas ela conseguiu provar o seu valor, e tudo graças ao pulso firme que aprendeu a ter. De repente abriu os olhos e determinada terminou o banho rapidamente, vestiu sua camisola de renda e deitou-se. O sono demorou, mas veio. Ela foi dormir pensando ter resolvido tudo. Repetindo para si mesma:

“Você estava bem antes dela, vai ficar bem depois. Foram apenas duas semanas. Acabou. Não seja boba. Esqueça.”

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— Espero que você tenha um café bem forte me esperando, porque eu preciso despertar. — Tinker disse ao entrar na cozinha na manhã seguinte, com a mesma roupa e cara de sono.

— Bom dia pra você também. — Regina respondeu – E sim, eu tenho. — apontou para a cafeteira cheia.

— Ainda bem que meu dia só começa depois das dez. — e bocejou enquanto se servia de uma xícara do líquido preto e esfumaçante.

— Seria bom poder dizer o mesmo. — lamentou enquanto cortava uma panqueca e espetava com o garfo – Não vai comer?

— Você sabe que eu não consigo comer cedo.

— São 7:45.

— Exatamente. — colocou a xícara no balcão e se debruçou sob ele – Isso é tipo cinco da manhã pra mim.

Regina revirou os olhos, já conhecendo bem os hábitos preguiçosos da amiga.

— Como quiser, só não se esqueça de se alimentar antes de trabalhar. E eu estou falando de comida, não aquelas porcarias que você compra na rua durante o dia.

Tinker sorriu.

Sabia que apesar das provocações e brincadeiras, elas tinham uma amizade verdadeira. E a preocupação de Regina era prova disso. A morena sempre fez questão de manter controle sobre a alimentação daqueles com quem ela se importava.

— Sim senhora, vou passar em algum restaurante confiável no caminho e comer algo bem saudável. — disse – E você não esperou seu filho pra tomar café? Que novidade é essa? — mas não esperou pela resposta e continuou – Ou não acordou ele ainda? Quer que eu vá?

— Claro que eu acordei ele. Olha a hora, a escola começa às 8:15, mas como vem acontecendo com frequência ultimamente, ele está demorando. Resolvi comer pra adiantar as coisas. — suspirou – E mesmo se eu não tivesse chamado ele, não deixaria que você fizesse. Lembra da última vez?

— Ah tenha dó, isso já faz dois anos!

Elas se referiam a uma outra manhã na qual Regina por estar ocupada arrumando um problema de emergência em um documento, pediu para que Tinker acordasse Henry. Entretida resolvendo o que precisava ela não viu o tempo passar, quando terminou e olhou a hora, constatando que já passava mais de dez minutos do horário da entrada da escola e nada dos dois, ela subiu para o quarto do menino e encontrou uma cena inusitada.

Tinker dormia apertada na cama de solteiro, ao lado do afilhado.

Resultado: a loirinha recebeu uma bronca e Regina teve que levar o filho para o trabalho.

— Aconteceria outra vez, eu sei e você sabe.

A outra se preparou para revidar, mas de repente lembrou de algo.

— Por que não para de apontar o que eu fiz de errado no passado e me conta logo como foi sua noite? — ao ver a expressão chocada da morena, ela riu – O que? Pensou que eu ia esquecer? Nada disso.

— Tinker… — tentou.

— Nem começa. Pode ir falando. Como foi? O que vocês conversaram?

— Eu nunca fui do tipo que comenta sobre isso, não é agora que vou começar. — disse ao se levantar para colocar o prato na pia junto com a xícara.

— Ah não ser que nem tenha tido uma conversa… — concluiu maliciosamente – Partiram logo pros finalmentes, não foi?

— Mas é claro que nã…

E ao ouvir o tom diferente ela nem deixou Regina terminar.

— Foi sim! — exclamou de olhos arregalados – Vocês transa…

— Quer falar baixo?! — interrompeu se aproximando – Henry não precisa ouvir isso.

Tinker piscou algumas vezes e quando falou novamente parecia recomposta.

— Eu sabia que você não ia resistir.

— Ah por favor… — reclamou – Agora só falta você me perguntar os detalhes.

— Bom…

— Não!

— Nós duas somos adultas, Regina. E eu sei bem sobre sexo, só não com outra mulher. — justificou.

— Por que não experimenta então ao invés de me perturbar?

— Porque isso não está na minha lista de desejos, pelo menos não atualmente. — e ao ver a cara que a morena fez, continuou – Você sabe que eu não gosto de dizer nunca, mas não tenta mudar de assunto. Se não quer contar como foi, tudo bem. Só me diz uma coisa, você gostou?

Regina sabia que não precisava responder aquilo também se não quisesse. Mas esse era o problema. Ela estava dividida. Um lado seu queria guardar tudo para si e seguir em frente, e o outro estava desesperado para compartilhar qualquer coisinha que conseguisse escapar por seus lábios.

Então ela lembrou da noite com Emma, do prazer que vivenciou, do sentimento inesperado que lhe invadiu...

— Provavelmente mais do que eu devia.

Só se deu conta que havia se expressado em voz alta quando viu Tinker dar um pulinho, animada.

— Olha só que progresso! Mas e aí? O que vocês combinaram? Quando você vai ela de novo?

— Nunca, eu acho. — murmurou assumindo uma postura cansada.

— Como assim? — sem resposta – Regina, o que você fez?

— Por que eu tenho que ter feito alguma coisa?

— Porque eu te conheço. Agora vai, fala.

Após um suspiro, ela começou.

— Eu acabei pegando no sono depois de… Você sabe. E quando acordei mais tarde ela estava lá do meu lado. Tão serena. E eu só…

— Surtou? — completou.

Mesmo contrariada Regina assentiu.

— Então me vesti o mais rápido que eu pude, mas ela levantou e me viu, e...

— E…?

— E eu disse pra ela não me ligar. — terminou.

— Você o que?! — indignou-se – Eu sei que não devia me surpreender, mas realmente achei que seria diferente dessa vez.

— Eu sempre avisei que…

— Você não está com a razão só por ter torcido contra o tempo todo. Podia muito bem ter dado certo se não fosse essa sua mania de afastar as pessoas quando sente algo por elas.

Regina revirou os olhos.

— Me poupe da lição de moral. Foi melhor assim e disso eu tenho certeza. — tentou passar o máximo de segurança possível em sua voz.

— Tem mesmo? — duvidou – Vamos supor que hoje, amanhã ou depois você por algum acaso do destino encontre com ela na rua ou em qualquer outro lugar, e ela nem sequer reconheça sua presença. Como você se sentiria?

Regina quis dizer que continuava não acreditando em destino, quis alegar que toda aquela suposição era ridícula e que algo assim jamais aconteceria. Mas quando percebeu já estava imaginando os cenários que Tinker descreveu e sentiu seu interior “gelar”.

Aquilo não estava certo.

— Eu não… — tentou – Isso é…

— Nada agradável, não é?! — interferiu ao ver como a amiga não conseguia se expressar.

Regina suspirou.

— Não sei o que você pretende com isso. Tem alguma solução brilhante pra me apresentar?

— Na verdade…

— Por que eu ainda pergunto?! — fez menção de sair da cozinha mas Tinker entrou na frente.

— Eu só ia dizer pra você procurar ela. Ligação, mensagem, uma visita quem sabe.

— Eu digo pra ela não me ligar e então eu mesma faço isso? Onde está o sentido?

— O sentido é você não deixar uma chance de ser feliz passar por ser teimosa demais.

— Eu sou feliz. — afirmou.

— Você me entendeu.

— Tinker… Eu não vou mudar por causa de alguém que acabei de conhecer. Não posso deixar que ela tenha esse poder sobre as minhas decisões.

— Quem? — as duas viraram ao som da voz de Henry que havia acabado de entrar já usando o uniforme da escola – Está com algum problema, mãe? Quem não pode ter poder nas suas decisões?

Regina e Tinker trocaram um olhar e antes que a morena pudesse tentar explicar, a outra foi mais rápida.

— Uma nova contratada da firma, Henry. Sua mãe não tem se dado muito bem com ela.

— Ah sim. — pareceu acreditar – Também é difícil conseguir passar no padrão Mills de qualidade. — brincou.

Tinker riu e acenou a cabeça concordando, mas Regina cruzou os braços e assumiu uma expressão séria.

— E o senhor ao invés de fazer comentários engraçadinhos deveria tomar logo seu café, já está atrasado. — Henry ainda sorrindo foi fazer o que a mãe disse e Regina puxou Tinker discretamente pelo braço até um canto – Eu não gosto de mentir para ele. — sussurrou.

— Mas também não ia querer contar a verdade. — sussurrou de volta – E não foi você quem mentiu, fui eu.

— O que vocês estão cochichando aí? — o menino perguntou.

— Dilemas da vida adulta. — a loirinha respondeu – Não queira nem saber, é muito chato. Eu vou indo, e você… — virou para Regina e falou mais baixo – Não se preocupe que ele — com o dedo indicador tocou o lado esquerdo do peito da amiga, indicando o coração – Vai acabar falando por você. – Tchau Henry. — deu um beijo rápido na cabeça do menino.

— Tchau. — respondeu com a boca cheia, ganhando um olhar reprovador da mãe.

— Sério Regina, conversa com a moça. Ela não vai te morder.

E saiu.

A morena sabia bem a que ela realmente se referia, embora para Henry fosse outra coisa. Tinker fez de propósito, deixando-a com aquela frase na cabeça.

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— E você vai deixar por isso mesmo?

Emma suspirou ouvindo a amiga no celular naquela manhã. Estava na sala de descanso da delegacia preparando um café para si. Não gostava muito do que a máquina produzia, mas não queria sair para comprar no momento.

— E o que eu posso fazer, Mary? Obrigar ela a falar comigo?

— Não, claro que não. Mas…— uma pausa — Você pareceu realmente gostar dela quando conversamos.

— E eu gosto. Não sei direito o motivo já que ela não economiza esforços pra me afastar, mas…

— Mas você não consegue evitar.— completou.

— Pois é, só que eu vou precisar conseguir agora.

— Será? Quer dizer, se for analisar bem ela te disse pra não ligar, não pra não procurá-la. E existem outras formas de ir atrás de alguém.— concluiu.

Emma ficou em silêncio por alguns segundos. Nunca tinha pensado por esse lado, era um detalhe técnico interessante.

— Olha eu nem tinha visto desse jeito, então agradeço, mas acho que é um pouco cedo pra me aproveitar das brechas no que ela me fala.

— Emma…

— Não, está tudo bem. — interrompeu.

— Queria poder falar pessoalmente sobre isso, mas a escola está em semana de provas e eu…

— Você tem que trabalhar, eu sei. Não tem problema, eu sobrevivo. — deu uma leve risada.

— Podíamos nos ver amanhã de tarde, eu vou ser responsável só pela minha classe então estarei mais folgada. Hoje não tenho como sair daqui antes do fim do expediente e de noite David e eu vamos…

— Mary. — interrompeu outra vez – Faz o que você tem que fazer aí, eu estou bem. Quando você puder a gente se vê.

— Ok, então fica pra amanhã. Eu arrumo um tempinho, te ligo e nós saímos pra comer alguma coisa, está bem?

Emma sorriu com o carinho da amiga, às vezes ela exagerava, mas era bom tê-la em sua vida.

— Combinado.

— Tchau.

— Tchau.

Quando desligou pôde finalmente voltar a admtir para si mesma como era difícil deixar que Regina tivesse a última palavra.

Depois que advogada deixou seu apartamento ela demorou para conseguir associar como a noite havia terminado, pois quando a teve nos braços querendo ou não se permitiu sentir alguma esperança de que ela parasse de tentar afastá-la. Mas isso se provou extremamente errado em menos de duas horas depois, ao acordarem.

Não sabia o que tinha se passado na cabeça de Regina, então só podia supor, e suposições só a deixavam mais nervosa.

Conseguiu ter algumas horas de sono durante a madrugada, mas despertou uma hora mais cedo do que precisava e acabou saindo para tomar café num lugar mais longe que o de costume, só para caminhar mais e se distrair.

— Swan! — voltou a realidade ao som da voz de Graham – Que demora é essa? Foi plantar os grãos do café?

A loira revirou os olhos para o amigo.

Graham era seu outro parceiro, ela o conhecia a menos tempo do que David, mas também criaram uma boa amizade.

— Só por isso você não vai receber o seu. — pegou a xícara e passou por ele que riu seguindo-a.

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O dia passou ocupado para ambas, cada uma tentando não pensar na outra e no que estavam sentindo. E isso se revelou bem difícil.

— Coloque a louça na máquina que eu te ajudo a secar, querido. — disse Regina depois do jantar naquela noite.

O menino obedeceu e foi realizar a tarefa, então ouviu um estrondo e olhou para trás onde a mãe havia acabado de derrubar um copo, espalhando vidro por todos os lados.

— Droga! — reclamou.

— Nossa… — deu alguns passos se aproximando – Deixa eu ajudar…

— Não chegue perto, Henry. — pediu – Pode acabar se cortando.

— Mas mãe…

— Eu vou limpar, não se preocupe. — interrompeu – Só me dê a pá que está ali no canto junto com a pequena vassoura. — apontou para o lugar, Henry pegou e entregou para ela – Agora pode ir, cuidado onde pisa.

— Mas e a louça? — perguntou.

— Eu mesma termino tudo, pode ir assistir algum programa na tv ou jogar algo, você escolhe.

Ele assentiu e deu uma última olhada para a mãe antes de sair da cozinha apressado.

Regina suspirou e começou a varrer os cacos para cima da pá.

Aos olhos do filho com certeza pareceu estranho o acontecido já que ela sempre fôra tão cuidadosa, mas a morena sabia exatamente o motivo da sua distração: Emma.

Em poucos segundos enquanto observava Henry arrumar a louça ela se perdeu pensando na loira e nas últimas palavras que trocaram, e quando deu por si o copo já estava despedaçado no chão.

Conferiu se tinha recolhido tudo e jogou fora, organizou a louça na máquina e esperou impaciente o processo de lavagem acabar. Secou tudo o mais rápido que pôde usando a tarefa para manter a mente ocupada.

Quando foi para sala encontrou Henry assistindo um programa de pegadinhas e se juntou a ele no sofá.

— Cama em vinte minutos, entendido? — disse.

— Sim… — respondeu um pouco desanimado, não estava com sono, pra variar, mas tinha que obedecer.

O tempo passou rápido entre algumas risadas do menino e olhares carinhosos da morena para ele. Ela não prestou atenção em basicamente nada na tv, mas adorava ver o filho descontraído.

Quando a hora de dormir chegou ele se despediu e subiu, Regina desligou o aparelho, apagou tudo e foi para o quarto. Como já havia tomado banho antes do jantar ela apenas mudou para a roupa de dormir e se deitou.

Mas quem disse que o sono chegava?

Virou de um lado para o outro, trocou de travesseiro, acendeu o abajur, apagou o abajur, e nada.

De repente o som de notificação do celular tocou.

Ela não costumava receber mensagens aquela hora, quem seria a pessoa que não conhecia seus horários?

Rapidamente desbloqueou a tela, mas o nome que aparaceu não foi o que ela esperava.

Tinker: Não é ela, mas poderia ser se você não fosse tão cabeça dura ;-)

“Como ela faz isso?!”

Regina: Pare de brincadeira, eu estava tentando dormir.

Tinker: Talvez consiga quando admitir o que quer.

Tinker: Fala com ela.

Tinker: Boa noite.

Após um suspiro ela digitou a resposta simples.

Regina: Boa noite.

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As pessoas tem se tornado cada vez mais previsíveis. Onde quer que você olhe, em dez, oito estão mexendo no celular, concentradas demais para reparar no mundo em volta delas.

Mas naquele ambiente que Regina observava, a pessoa que fazia parte da minoria era justamente a mesma em quem ela mantinha o olhar atento.

De dentro do carro estacionado do outro lado da rua, a morena tinha uma vista perfeita de Emma, que escrevia algo num jornal, provavelmente as palavras-cruzadas, logo após a refeição.

Quando chegou lá a loira estava comendo, e Regina não soube dizer se ficou aliviada ou aflita por conseguir encontrá-la. Tudo havia sido decidido às pressas, pois durante a manhã seu foco se mostrou comprometido e sua mente continhava vagando até Emma. Num ímpeto seguindo o palpite de que ela estaria almoçando na lanchonete onde se encontraram antes, ela pegou o carro e dirigiu até lá.

“O que exatamente eu estou fazendo aqui? A situação continua a mesma, eu não posso dar o que ela quer…”

Desviou a atenção e apoiou os braços no volante, escondendo o rosto entre eles. Fechou os olhos e tentou organizar os pensamentos para decidir de vez o que faria. Distraída naquilo, não percebeu mais nada até ouvir três batidas no vidro ao lado.

Emma estava parada do lado de fora com o jornal dobrado de baixo do braço esquerdo, uma toca preta na cabeça, sua estimada jaqueta vermelha e um brilho de confusão e esperança nos olhos.

Após alguns segundos de silêncio em que elas apenas se encararam, Regina apertou o botão e o vidro desceu por completo.

— Se você vai vigiar alguém e não quer que te vejam, tenta pelo menos colocar o carro num ângulo menos direto. — disse a loira primeiro.

— Agradeço a dica, mas vigiar não é bem a palavra que eu usaria.

— E qual seria? Observar, espionar… Quem sabe admirar? — provocou.

— Você realmente se acha engraçada, não é?

— Só de vez em sempre, sim. — sorriu – Posso entrar aí?

Regina assentiu e destravou a outra porta, Emma deu a volta e logo estavam sentadas lado a lado, ambas sem saber ao certo o que dizer.

Mas por fim a loira tomou a dianteira.

— Eu poderia fazer mais suposições e provavelmente te irritar, mas vou ser legal e deixar que você mesma me diga. — fez uma pequena pausa – O que veio fazer aqui?

Regina respirou fundo e buscou as palavras que mais se encaixavam.

— Honestamente? Eu não sei. — disse – Não me dei ao luxo de pensar, apenas vim.

— Mas tem algo a ver comigo e… Com a gente, né?

— Sim. — respondeu – Embora não exista de fato “a gente”, mas...

— Mas você estando aqui mostra que está considerando isso. — tentou.

— Não. E é exatamente esse o problema, eu não quero alimentar falsas esperanças.

A loira considerou aquilo por alguns segundos.

— Em mim ou em você?

“Em nós duas.”

— Isso importa? — não esperou pela resposta – Eu acho que só precisava esclarecer as coisas, reforçar o que falei antes de ontem e…

— Então você me procurou pra dizer pra não te procurar? De novo? Sério isso? — perguntou incrédula.

— Emma…

— Não, eu quero saber se foi pra isso mesmo que você veio, porque se foi, é a coisa mais idiota que eu já ouvi.

Regina endureceu a postura.

— Aparentemente idiota mesmo foi vir até aqui, seja qual for a razão. Se puder sair do meu carro agora eu ficarei grata.

— Então você não vai ficar porque eu não vou sair. — cruzou os braços.

— Senhorit…

— Ah pelo amor de Deus, você disse meu nome há vinte segundos!

— Muito bem, Emma… — corrigiu – Eu tenho uma tarde ocupada pela frente, então poderia por favor sair?

— Até poderia, mas você veio até mim! Eu teria respeitado sua decisão, não sou nenhuma perseguidora maluca. Minha amiga Mary sugeriu que eu burlasse o que você me pediu, já que você só me disse pra não te ligar, e eu realmente poderia ter feito alguma outra coisa, mas não fiz e nem ia fazer. Sabe por que? Porque prefiro respeitar o tempo das pessoas. Mas foi você que ficou me observando por quinze minutos de dentro desse carro. Então com certeza deve ter um bom motivo e eu não saio daqui até saber qual é.

Regina absorveu as palavras da loira, seu íntimo gritava que ela estava certa. Havia sim um bom motivo, ela só não sabia como expressá-lo.

— Eu não sei o que você espera ouvir. Não estou aqui para prometer um romance épico.

— E quando foi que eu pedi isso?!

— À longo prazo isso vai…

— “À longo prazo” significa “futuro”, e você devia parar de se preocupar tanto com ele.

— E o que me sugere? Deixar que tudo simplesmente aconteça de qualquer maneira? Desculpe, mas nunca fui assim e não pretendo começar agora.

Emma suspirou e coçou a cabeça.

— Ok, então acho melhor eu ir… — indicou com o polegar a rua atrás de si pelo vidro.

Ela queria insistir, ser teimosa como sempre e indicar os pontos mostrando para Regina que valia a pena baixar a guarda, mas de repente se sentiu cansada e sem ideias.

Quando tocou na maçaneta interna da porta sentiu uma mão segurando seu outro braço. Virou e encontrou Regina com uma expressão diferente de todas que ela já havia visto, parecia… Perdida. Os olhos castanhos brilhavam e tinha os lábios entre-abertos, como quem quer muito falar algo, mas não sabe como.

Resolveu ajudar.

— O que foi? Você está bem?

— Sim, eu só…

Emma esperou alguns segundos pelo término da frase, mas ele não veio.

Soltou a maçaneta e voltou para a posição inicial, virada mais para o lado da morena.

— Você está pensando demais. — concluiu – Se quer me dizer alguma coisa não precisa procurar palavras difíceis, eu não me importo com isso. Eu… — uma pequena pausa – Eu me importo é com você.

Ao ouvir aquilo Regina baixou a cabeça para esconder o rubor repentino que sentiu tomar seu rosto.

“Não consigo lembrar a última vez que senti minha pele corar, isso é…”

— Você quer que eu vá embora? — a voz de Emma tirou-a de seus pensamentos.

— Não no momento… – se pegou dizendo.

A loira sorriu.

— Um pequeno progresso. — levou a mão até a bochecha da advogada e fez uma leve carícia, sem quebrar o contato visual.

Lentamente mas com segurança se aproximou e também sentiu Regina acompanhá-la, trocaram um último olhar antes de encostarem seus lábios.

O que começou devagar em menos de dois segundos avançou para intenso e logo suas línguas duelavam. As mãos de Regina puxavam Emma para si pela jaqueta enquanto a outra lhe segurava a cintura por cima da blusa social branca. O beijo foi sendo parado aos poucos, com alguns selinhos.

— Eu gosto de árvores, lagos bonitos e aqueles carrinhos de comida por todos os lados, que nem nos filmes, sabe? — começou – E sabe onde tem essas coisas? Central Park. E sabe o que eu gostaria também? Se você aceitasse me encontrar lá um dia desses, de preferência no final de semana, de tarde.

— Está falando sério? — perguntou e Emma assentiu – E o que exatamente te fez pensar em me propor isso depois de alguns minutos de conversa?

— Digamos que esse beijo disse tudo que eu precisava saber. Mas agora uma resposta seria ótima, obrigada. — sorriu.

— Eu… Eu não sei como fazer isso. — admitiu em voz baixa.

— O que? Chegar no parque? — brincou – Porque se for isso tem uma coisa maravilhosa chamada Google Maps… Deixa eu te mostrar...

Quando fez menção de pegar o celular no bolso da calça recebeu um leve tapa na mão.

— Pare com as gracinhas, já não basta me coagir a tudo isso?

— Ah claro, eu estou coagindo você. — riu – Meu Deus, como eu posso fazer algo tão horrível? Você devia chamar a polícia… Não, espera. A polícia já está aqui. — fez graça, mas a morena continuou séria.

— Eu pareço estar achando… — não conseguiu terminar ao ter a boca pressionada pela da loira num quase selinho, já que estava falando e mesmo que por um segundo sua língua tocou o lábio da outra.

Por ter sido pega de surpresa ela não soube bem como reagir e ficou somente encarando a loira.

— Nossa, eu devia te interromper desse jeito mais vezes.

— Isso é… — ao ver Emma se aproximando ela teve reflexo rápido o bastante e conseguiu impedi-la com a mão – Eu não recomendaria isso, afinal preciso completar minhas frases ou caso contrário nós não chegaríamos a nenhum lugar, não é mesmo?

Emma suspirou.

— É, acho que faz sentido. – “talvez fizesse mais se 99% das suas frases não fossem puro sarcasmo e mini-discursos pra me afastar” — Agora sobre o que você disse, eu… — olhou pelo para-brisa a traseira do carro estacionado à frente que de repente se tornou extremamente interessante – Eu não quero que você sinta como se eu estivesse realmente… Te coagindo. — expôs – Eu sei que posso ser insistente, mas… Não quero e nem vou te obrigar a fazer nada que você não queira, então… É isso.

— Claro que você não vai, mesmo porque eu não sou o tipo de pessoa que se deixa influenciar facilmente. — aquela era sua resposta prática e deveria funcionar, mas ao ver que Emma continuava encarando-a sem dizer nada, ela viu que não – O que?

— Essa era a parte em que você devia dizer “não se preocupe Emma, você não está me obrigando a nada, eu realmente quero sair com você”.

— Então você cria falas para mim na sua cabeça e eu devo simplesmente adivinhar e segui-las?

— Isso não, mas com certeza você acha que deve manipular tudo que eu digo antes de me dar uma resposta concreta, né?

Aquilo pareceu arrancar as palavras de Regina por alguns segundos, e Emma sentiu orgulho de si mesma.

— Eu estou… — desviou o olhar para frente e colocou as mãos no volante – Estou tentando pensar.

— Mais? Porque pra mim você já pensa mais do que o suficiente.

— Emma…

— Não, olha… Você precisa parar de analisar tanto as coisas. Não é nenhum grande compromisso, a gente só vai se ver, caminhar um pouco, conversar. E tudo isso em em plena luz do dia, em público, onde você saiba que eu não vou te agarrar. — disse – Bom, só se você quiser.

Regina sorriu e balançou a cabeça, depois voltou a olhar para a loira.

— Não tenho como dar certeza de nada esse fim de semana, você sabe que eu tenho um filho para pensar.

— Claro que sei, e jamais vou querer atrapalhar seus momentos com ele, Regina. — afirmou – Você não precisa confirmar nada agora, se não for pra esse fim de semana fica pro próximo. Veja o que acontece no resto da sua semana, ok?

Regina assentiu devagar e fechou os olhos tentando entender como havia chegado novamente até ali. Cedendo e fazendo planos.

— Droga. — murmurou ao se dar conta do que sentiu vontade de fazer a seguir.

Emma franziu o cenho, confusa.

— O que?

— Isso. — num ímpeto segurou o rosto da policial com as duas mãos e a trouxe para si, beijando-a com fervor.

— Uau… Ok. — Emma riu, nervosa.

— Por mais agradável que isso possa estar, acredito que sua pausa para o almoço está no fim, certo? — a loira assentiu e olhou rapidamente o próprio reflexo no retrovisor, limpando os vestígios de batom deixados pela advogada, que a observou antes de completar – E eu também preciso voltar ao escritório, então… Uma carona? — ofereceu.

— Não precisa, obrigada. Andar vai me fazer bem no momento. — sorriu – Vou esperar sua mensagem.

— Está bem.

Com um último olhar trocado Emma pegou o jornal que repousava em seu colo, abriu a porta e saiu, e Regina acompanhou-a com os olhos até perdê-la de vista ao virar a esquina.

Então ligou o carro e voltou ao seu dia atarefado.

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— Sério? E os lançamentos também vão estar lá? — Henry conversava animadamente no telefone, sentado no sofá depois do jantar naquela noite. Regina observava com o canto dos olhos de vez em quando, sempre mantendo a audição focada nas palavras do menino. – Eu sei, vai ser incrível! Claro que eu quero né, mas preciso ver com a minha mãe, espera aí… — ao tapar o telefone com uma mão e olhar para a morena viu que ela já o encarava, esperando.

— Precisa ver o que comigo, querido?

— O pai do Nick conseguiu entradas pra uma convenção no sábado, e vai ser basicamente tudo que eu sempre quis ver. Com jogos que só vão pras lojas daqui uns dois anos!

Regina sorriu com a empolgação do filho.

— Sim…?

— Posso ir?! — pediu finalmente – O pai dele vai levar a gente e ficar lá o tempo todo, depois traz a gente de volta.

— Sábado é? — Henry assentiu — Que horas?

— De tarde, lá pelas duas e acaba só de noite mas eu chego antes disso.

Normalmente Regina hesitaria e colheria mais informações sobre o tal evento, pediria até parar falar com o pai de Nick antes de permitir. Mas ao ouvir o dia em que seria seu cérebro automaticamente fez a conexão com Emma.

Pelo visto ela não precisaria esperar a semana para dar uma resposta.

— Está bem, mas eu quero o número do celular do pai do Nick comigo antes de você sair daqui.

— Claro! Obrigado! — comemorou e voltou ao telefone – Ela deixou, tá tudo certo.

Ela resolveu deixar o filho terminar a conversa com o amigo e pegou seu celular na mesinha de centro.

Buscou nos contatos o nome que queria e digitou a mensagem.

Regina: Estarei livre no sábado a tarde.

Mal teve tempo de assistir um comercial sobre hidratante na tv e o aparelho vibrou nas mãos dela.

Emma: Que coincidência, eu também!

Sorriu com a resposta da loira.

Regina: Seu senso de humor sempre me impressionando.

Emma: Fico feliz ;)

Regina: Vamos estabelecer um horário ainda hoje ou não, Srta. Swan?

Emma: Ok, Srta Mills. Três horas na entrada do parque, pode ser?

Regina: Tudo bem. Agora posso saber por que o Central Park?

Emma: Pode, mas depois. Vou guardar um pouco de mistério pro sábado ;)

Regina: Como quiser, querida.

Emma: Tenha uma boa noite então ;)

Regina: Igualmente… Mas se me permite dizer, você usa esse emoticon com muita frequência.

Emma: Eu permito, e você se acostuma ;)

Antes que ela pudesse responder o ícone de online desapareceu do nome da loira.

— Mãe? — chamou ao ver que a morena havia parado de digitar – Eu vou subir. — avisou.

— Está bem, boa noite. — deu um beijo no menino e desligou a tv, mas continuou sentada.

Olhou para a janela aberta atrás de si e se deparou com a lua reluzente no céu. O cenário perfeito para que sua mente viajasse.

Ela não tinha ideia do que estava fazendo, do que iria acontecer, de como lidar com a presença de Emma e com o significado que pudesse ter. Era isso que a assustava, e todas as suas tentativas de encerrar qualquer contato com ela saíram exatamente o oposto do que ela havia planejado.

“Talvez você não quisesse afastá-la de verdade.”

Suspirou frustrada com seus próprios pensamentos.

Desbloqueou a tela do celular e foi até a conversa com Emma, tocou na foto ao lado do nome e a imagem expandiu.

Ela parecia estar dentro de um carro, o cabelo preso num rabo de cavalo, um meio sorriso nos lábios acompanhado por um olhar expressivo. Sua expressão era divertida, convidativa… Doce.

Regina se pegou sorrindo ao constatar tudo aquilo.

“Um encontro no parque, depois de todos esses anos, como uma adolescente… Quem diria?”

Só pôde esperar e torcer para que as coisas não fugissem ainda mais de seu controle. Talvez durante o dia sua interação com Emma fosse diferente, talvez o encanto se quebrasse de alguma forma.

“Eu acho difícil...”

Revirou os olhos para o lado “do contra” de sua consciência que insistia aparecer. Fechou a foto de Emma e bloqueou o celular novamente. Voltou a olhar para a lua, levou o dedo indicador até a boca e o mordeu levemente.

“Que venha sábado.”

Notas finais
Sim, Central Park... Acho lindo e romântico, e sempre amei ver nos filmes, séries e etc, então vou incluir aqui. Mas e aí, gostaram? Amo comentários e amo responder vocês, então please... Qualquer coisa tá aqui meu twitter @evilswen , sou limpinha e não mordo kkk Agora vou indo porque meu pc não tá muito afim de colaborar, bye ♥