I haven't seen you coming
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Algodão nunca pareceu tão interessante.
Era o que Regina pensava enquanto encarava o blazer de Emma dobrado no encosto da cadeira de sua cozinha, naquela manhã de segunda-feira.
Já estava pronta para o trabalho, encostada no balcão com uma xícara de café na mão direita e a mente vagando nos acontecimentos de dois dias atrás, tão distraída que nem sequer viu Henry chegar, também já pronto, mas para a escola.
— Vai vestir ou só olhar pra ele, mãe? – perguntou sorrindo e se sentando para tomar café.
— Não é meu, eu só estou... – falou ainda aérea, mas parou e recuperou o foco olhando para o filho – O tradicional bom dia ainda funciona nessa casa, mocinho.
— Bom dia. – disse enquanto cortava uma panqueca. – O que esse blazer te fez hein? – perguntou ao ver que a mãe tinha voltado a encarar a peça.
— Nada, meu bem. – respondeu tentando controlar seus pensamentos – Preciso devolvê-lo para alguém, eu acho.
— Acha? – estranhou – Como assim?
Regina olhou para ele durante alguns segundos pensando em como poderia explicar sem revelar mais do que devia.
— Uma... Amiga deixou comigo. – disse enfim.
— Ah... Certo. – semicerrou os olhos, estranhando o comportamento dela – E você só acha que vai devolver?
— É complicado, querido. – tentou.
— Claro, sempre é. – comentou revirando os olhos – O dia que eu fizer drama por algo assim, me interne, por favor.
— Henry! – repreendeu e ele soltou uma leve risada.
— Brincadeira, desculpa. – continuou comendo.
Ela sorriu disfarçadamente.
Sabia que ele estava crescendo e seu humor e temperamento passariam por mudanças, só esperava saber lidar com elas.
Mas logo voltou a se preocupar com a “questão Emma”.
Ela sabia que devia entrar em contato com a loira, sabia que devia devolver o blazer dela, e mais ainda, sabia que uma parte sua, — aquela que não era cega pela teimosia -, queria fazer isso.
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— Regina? – veio a voz desconfiada de Emma do outro lado, ainda quase sem acreditar que a morena tinha mesmo ligado para ela.
— Sim. – confirmou, dando o seu melhor para camuflar o recente e indesejado nervosismo – Acredito que já saiba o motivo dessa ligação.
Regina andava de um lado para o outro enquanto falava, dentro de sua sala no escritório.
Finalmente havia se decidido e ali estava, ainda que sem saber ao certo o que de fato iria fazer.
— E eu acredito que você saiba que eu não sou um dos seus clientes, pode falar normalmente comigo, obrigada.
— Estou falando. – afirmou – Não vou me desculpar por ter educação.
— E eu não pedi isso. – riu – Bom, acho que você tem algo que eu quero.
Ainda que sem intenção, o duplo sentido daquela frase ficou no ar durante alguns segundos, até Regina falar.
— Não por opção minha, se me lembro bem.
— Claro. – concordou, em tom de deboche – Mas então... O que vai ser?
— Como é? – perguntou.
— Eu disse que você escolheria um lugar pra gente se encontrar. – relembrou.
— Certo, ah... – “parabéns, se concentrou tanto em o que fazer quando ela atendesse, e no final não teve ideia alguma”— Presumo que você esteja perto da hora do almoço...
— Presumiu certo. – interrompeu – Estou esperando o elevador nesse exato momento.
— Bem, eu conheço um ótimo restaurante...
— Não. – interrompeu de novo.
— Não? — “Como assim não? O que ela está pensando? Me faz passar por tudo isso para agora dizer não? Mas que...”— Desistiu do seu blazer, querida?
— Não, eu... – o ding do elevador soou ao fundo – Conheço um lugar aqui perto, vou sempre lá comer alguma coisa. Não é nada muito chique, mas acho que você vai gostar.
— Está bem. – concordou, para a surpresa de Emma que esperava pelo menos um comentário ácido antes de qualquer coisa.
— Sério?
— Não me faça pensar duas vezes. – e lá estava ele.
— Ok, eu já te mando mensagem com o endereço. Estou indo pra lá.
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Emma havia chegado à lanchonete fazia quase dez minutos, tomava um simples café preto sentada numa das mesas com vista para a rua, enquanto esperava Regina aparecer.
Percebeu quando o dono do estabelecimento, um senhor beirando seus sessenta anos de idade, a olhou de atravessado do outro lado do balcão, e isso tinha motivo, que para ela era simplesmente ridículo.
Alguns meses atrás, durante sua pausa para o almoço um homem tentou assaltar o caixa e ela fez seu papel impedindo-o como boa policial e cidadã que era, mas no processo uma mesa e algumas cadeiras foram quebradas, e um pedaço da porta de vidro acabou trincada.
Desde então o homem nunca mais a viu com os mesmos olhos, não a atendia pessoalmente e apesar de nunca ter sido diretamente rude, provavelmente por temer seu distintivo, ela podia muito bem sentir o que ele emanava em sua direção. Mas nem por isso deixou de frequentar o local, afinal, era perto da delegacia, o café era bom, a comida também, e ela não tinha feito nada de errado.
“É, dane-se que você impediu que ele fosse roubado ou levasse um tiro.”— pensava, até que sua atenção foi atraída para Regina entrando, perfeitamente vestida como sempre, com o blazer branco dobrado no braço esquerdo.
— Realmente pensou que eu poderia gostar desse... – disse ao se aproximar e parar para olhar rapidamente em volta – Lugar? – completou.
— Não, mas eu tinha que tentar. – sorriu e apontou para o lugar vago na sua frente, onde a morena logo se acomodou e pendurou a bolsa no encosto da cadeira.
— Aqui. – disse, entregando a peça de roupa para Emma.
— Ele se comportou direitinho? – brincou enquanto pegava e também pendurava no encosto da cadeira em que estava.
— O que pretende com isso? – perguntou ao invés de responder, e mesmo sem ser específica, Emma entendeu bem o que ela quis dizer.
— Minha tarefa mais imediata é almoçar.
— Senhori...
— Emma. – corrigiu.
— Pois bem, Emma. – continuou – Como eu disse antes, não quero que crie expec...
— Expectativas. – interrompeu, completando – Sim, eu sei. Você fez questão de deixar isso muito claro, mas eu também gosto de deixar as coisas claras, e o claro pra mim agora é que eu queria te ver.
— Apenas isso? – perguntou, sem entender por que de repente sentiu a necessidade de que Emma quisesse mais do que somente vê-la.
— Eu não diria...
— Boa tarde. – foi interrompida por uma das garçonetes, com um bloquinho em mãos – Já sabem o que vão querer?
— O de sempre pra mim, e... – olhou para Regina que estava começando a folhear o menu, sem conseguir esconder seu desconforto com cada item que lia – Minha amiga aqui vai querer a salada do dia, e um suco de laranja está bom.
A moça anotou e saiu.
— Somos amigas agora? – a morena questionou, arqueando a sobrancelha e devolvendo o menu ao seu lugar.
— Você preferia “mulher que eu conheço há quase duas semanas e beijei algumas vezes”? – provocou.
Regina bufou pelo humor impertinente da loira e reajeitou a postura.
— Devo me preocupar com a procedência desses alimentos?
— Não, eu venho aqui tem uns dois anos e continuo viva, então...
— Muito tranquilizador. – ironizou.
— Como está sendo seu dia? – perguntou, para manter o clima enquanto esperavam a comida.
— Ocupado, como de costume. – respondeu – E o seu?
— O mesmo, mas eu duvido muito que você precise aguentar adolescentes rebeldes que se afirmam inocentes e quebram o enfeite favorito da sua mesa de propósito quando passam por você.
– Oh... Isso aconteceu? – perguntou.
— Sim, hoje cedo. – disse suspirando, ao se lembrar de seu estimado macaquinho de porcelana espatifado no chão da delegacia – E essa é só a parte mais leve.
— Infelizmente a criminalidade atinge cada vez mais os jovens. – constatou Regina, com uma expressão levemente triste.
— Verdade, principalmente os que vêm do sistema de adoção. Eu posso ter crescido em um orfanato financeiramente ótimo, mas os problemas são bem parecidos, vai por mim.
Antes que pudessem se aprofundar no assunto, a garçonete chegou com seus pedidos e ambas comeram em silêncio, como feito na noite de quinta-feira, novamente com olhares trocados aqui e ali.
— Como está seu filho? – perguntou Emma, ao terminar primeiro.
— Perdão? – Regina limpava o canto dos lábios com um guardanapo e pensava não ouvido direito.
— Seu filho... – repetiu – Henry, certo?
— Sim, ele... – pigarreou – Ele está bem. Na escola, na verdade.
— E são só vocês dois?
Regina piscou algumas vezes, olhando-a, até processar o que ela queria dizer com aquilo.
— Eu acredito que já contei sobre meu...
— Sim, claro, eu só... Eu pensei, bom... – e pra variar, não conseguiu formar uma frase rápido o bastante.
— Sim...?
— Talvez você hospede algum parente ou amigo, sei lá. – sorriu, sem jeito com sua tentativa desastrada de puxar assunto.
— Não, somos apenas ele e eu. – confirmou – Amigos e parentes somente em visitas, e raras.
Emma assentiu.
Regina realmente não parecia do tipo que recebe a família em casa todo final de semana.
— Isso é bom, muito bom, eu aposto que vocês... – foi interrompida pelo som do seu celular, ao pegá-lo e ler a mensagem, assumiu uma expressão levemente aflita.
— Algo errado?
— Não, só uns resultados do laboratório que ficaram prontos, eu vou ter que... – apontou para a porta.
— Sim, claro. – disse – Vou apenas pagar a...
— Nem pensar. – interrompeu – Eu te convidei, indiquei o lugar, não posso...
— Exatamente, fez o que de acordo com suas próprias palavras era tarefa minha. – relembrou – Então o mínimo seria me deixar pagar. – insistiu.
— Regina... – e ao só receber um olhar enquanto a morena acenava chamando a garçonete, resolveu tentar outra coisa – Vamos dividir, ok? – sugeriu – Eu pago a minha, você paga a sua, e eu chego à delegacia a tempo de pegar o cara mal. – fez um gesto de vitória e sorriu.
E mesmo contrariada, Regina aceitou.
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— Onde está seu carro? – a morena perguntou assim que saíram na rua.
— Eu vim andando, são só duas quadras. – explicou.
— Eu posso te levar. – “O que você está fazendo? De onde veio isso?”, mas antes que pudesse pensar melhor, Emma já estava negando com a cabeça.
— Não precisa, é perto.
— Eu insisto. – “Você insiste? Por que exatamente?”.
E como se a loira pudesse ler seus pensamentos, perguntou.
— E por que exatamente? – sorriu – É tão difícil assim me deixar?
Regina revirou os olhos e cruzou os braços.
— Estou sendo gentil, não force.
— Ok, eu vou aceitar, mas só porque preciso chegar logo.
Ambas caminharam até pouco mais a frente na rua, onde o carro da advogada estava estacionado, e entraram.
O curto trajeto foi feito no mais absoluto silêncio, mas vez ou outra Emma roubava uns olhares para a outra mulher, que permanecia concentrada na direção.
“O que você vai fazer agora? Deixar sua arma com ela pra buscar depois? Devia ter pensado em como continuar com isso, mas não, ficou focada demais em saber se ela ligaria ou não, e agora deu nisso. Daqui a pouco vocês vão se despedir, ela vai encontrar um jeito de dizer que não quer nada, de novo, e qual vai ser sua próxima ideia genial?”
— Eu sou tão... – mas parou de falar ao “acordar” e perceber que Regina havia acabado de estacionar numa vaga do outro lado da rua do prédio da delegacia.
— Chegamos. – disse – Você dizia algo?
— Não, nada... – coçou a cabeça e resolveu desviar o assunto – Nem precisei te dar o endereço.
— Acho que posso me gabar por saber onde fica a delegacia, querida. – sorriu.
— Claro... Bom, eu... Eu queria dizer...
— Obrigada...? – tentou completar, divertindo-se com o jeito atrapalhado da loira.
— Não. Quer dizer, também, mas outra coisa.
— Está bem, o que? – perguntou, mas Emma apenas continuou olhando-a e abrindo e fechando a boca algumas vezes – Nenhuma de nós tem o dia todo.
— Verdade. – suspirou e retirou o cinto, se recostando no banco, com uma postura cansada – É que eu sei o que você vai fazer agora e estou tentando descobrir um jeito de impedir.
— E o que eu vou fazer?
— Você sabe muito bem, todo aquele papo de que eu não devo ter expectativas, e que nós não devemos nos ver mais...
— Não é um papo.— deu ênfase na última palavra – São os fatos, estou sendo honesta com você.
“Pois eu acho que você está tentando fugir.”— pensou, e deu graças por ter só pensado, algo lhe dizia que Regina não gostaria nada de ser confrontada assim.
— Eu sei que sua preocupação não é comigo, Regina. – disse – E tudo bem, você tem todo o direito de querer se proteger, mas...
— Detesto ser analisada. – interrompeu – E até onde eu saiba você possui um distintivo, não diploma em psicologia.
— Eu não estou analisando você, que coisa. – reclamou – Por que tem que ser assim o tempo inteiro? Você não tira uma folga?
— Poderia ter evitado isso se tivéssemos deixado a noite de quinta-feira como eu sugeri.
— Mandou seria palavra certa. – corrigiu – Escuta, eu não me arrependo de ter insistido, não mesmo. – afirmou – Só quero entender.
— Então pare de querer.
Emma soltou um gemido em frustração e jogou a cabeça para trás no encosto do banco, para depois voltar a olhar para a morena.
— Tudo bem, você venceu. – disse – Depois que eu sair daqui não vou mais te procurar.
Regina piscou algumas vezes encarando-a, de repente sem saber o que dizer.
Quis tanto conseguir convencer a loira de que deveriam parar com o que estavam fazendo — seja lá o que fosse -, e quando finalmente obteve sucesso, não soube o que fazer a seguir.
“Era o que você queria, lembra? Agora diga alguma coisa!”
— Não? – perguntou em voz baixa.
“O que foi isso? Que tom foi esse? O que há de errado comigo?”
— Não. Acho que todo mundo precisa saber a hora de recuar, mas... Será que eu posso ter aquele último beijo? – pediu – Dessa vez sem interrupções, e pra valer. – completou.
Sem sequer notar, Regina assentiu levemente com a cabeça e lambeu os lábios em antecipação quando viu o rosto de Emma se aproximando. Seus lábios se tocaram lentamente, até a loira pedir passagem com a língua e a morena prontamente conceder.
Foram apenas alguns segundos e ambas já estavam sem fôlego, as mãos de Emma que durante o beijo acabaram no cabelo de Regina, permaneceram no mesmo lugar quando a policial se afastou para respirar, em tempo de escutar o baixo gemido vindo da outra, e olhando-a pode claramente perceber o seu estado, semelhante ao dela, e até pior.
Ofegante, corada, batom borrado e olhos vidrados na boca da loira.
— Você não pode negar isso. – disse sorrindo e tirando as mãos de onde estavam.
— Isso o que? – perguntou com a voz rouca e ainda dominada pelo momento, mas logo tratou de pigarrear para se recompor.
— Essa química, esses beijos, o jeito que os nossos corpos reagem quando a gente se encosta assim... – falou esticando o braço para novamente tocar na morena, que dessa vez usou a mão para impedi-la.
— Pare. – pediu – Eu pensei que tivesse aceitado.
— E eu aceitei... Por um minuto. Mas você não pode me pedir pra ignorar isso, Regina. – disse – Eu não consigo. – admitiu – Eu sei que a chance de você dizer um não bem grande pra isso que eu vou propor é imensa, mas eu vou falar mesmo assim. – avisou – Janta comigo hoje de novo. No meu apartamento.
— O que? – perguntou, surpresa – Eu fui clara quando disse...
— Sim, expectativas, relacionamento, blá blá, eu sei. – interrompeu – Não estou te pedindo em casamento, só quero passar um tempo com você de vez em quando. – e se alguém perguntasse o motivo, ela não saberia dizer. Porque Regina não era nenhum poço de delicadeza e doçura, estava sempre tentando afastá-la ou soltando algum comentário irônico e até mesmo cruel, mas algo (ainda sem nome) continuava puxando-a para perto da morena, e mesmo sem entender, estranhamente, ela estava seguindo isso – Nós podemos fazer como você quiser, vamos com calma, sei lá.
— Eu não sei. – disse, porque ela realmente não sabia, parecia informação demais para processar.
Um jantar no apartamento de Emma certamente seria algo mais íntimo do que o encontro que tiveram em local público, e isso, por mais bobo que fosse a deixou ansiosa.
— Certo... – a loira retirou o celular do bolso, digitou algo, e logo o toque de notificação do celular de Regina foi ouvido, que olhou para a bolsa no banco de trás – Sou eu. – explicou – Acabei de te mandar o meu endereço. Sei que estou sendo rápida, mas eu vou estar lá hoje, por volta das oito e meia, fazendo algo pra comer... – disse, em tom casual, como se não fosse nada demais – E adoraria se você aparecesse. – disse, tentando ao máximo passar sinceridade em sua voz e expressão – De verdade. – completou e no instante seguinte já estava fora do carro, atravessando a rua e indo em direção à entrada do prédio.
Nenhuma das duas, tanto Emma quanto Regina que permanecia dentro do carro, pensativa, faziam ideia de que do outro lado da rua, um homem alto, moreno e de olhos azuis observava toda a cena.
Era Killian Jones, um dos detetives na unidade de narcóticos da NYPD, conhecido por resolver a maioria dos casos devido à sua vasta lista de informantes, que só ele sabia como conseguiu reunir. Metido a conquistador e cheio de mistérios, desde que colocou os olhos em Emma, Killian ficou encantado, logo é claro tentou uma aproximação e ficou sabendo pela própria loira de maneira direta, de sua orientação sexual, e se afastou.
Bom, fingiu que se afastou, porque no fundo ainda nutria a mesma paixão e algo dentro de si não conseguia aceitar que Emma não lhe enxergasse da mesma maneira.
Não era perigoso, apenas um cafajeste comum tentando conseguir o que queria.
Sempre tentou se manter informado sobre a vida amorosa dela, soube do rompimento com Mulan e estava acompanhando tudo como podia, até ver aquilo.
O jeito que a loira conversava com a outra mulher, o beijo que trocaram, a forma como ela parecia confortável e ainda assim nervosa perto dela.
Ele não gostou daquilo, e quando observou o carro se afastando, tratou de anotar a placa e pensar em algo para fazer sobre o assunto.
Estava curioso, queria saber quem era, e quem sabe até descobrir algo que fizesse Emma pensar duas vezes antes de se envolver com ela.
“Só estou protegendo a minha garota.” Repetia para si mesmo enquanto também entrava no prédio.
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— Ah você vai sim. – dizia Tinker na sala de Regina, no final daquela tarde.
— Nem sei por que me dou ao trabalho de te falar essas coisas, você sempre tem a mesma opinião, que sempre é contrária a minha. – disse enquanto guardava alguns documentos em pastas.
— Isso porque sua opinião é sempre a errada. – justificou e continuou ao ganhar um olhar zangado da amiga – O que custa? É só um jantarzinho na casa dela, não um pedido de casamento.
— Ela disse a mesma coisa. – murmurou.
— Viu só? Mentes inteligentes pensam juntas.
— Não acho que seja o caso. – disse – O que eu acho é que já basta você de louca e insistente na minha vida, não preciso de mais uma.
— Só que a diferença é que com a versão dela você tem passe livre pra outras áreas. – brincou maliciosamente – E a maioria delas não envolve roupas.
— Tinker! – exclamou – Já chega.
— Chega nada, você vai. – insistiu – E se está preocupada com o Henry, pode deixar que eu fico com ele até você chegar, e se não chegar tudo bem também, passo a noite e a gente se fala amanhã.
— Não sei o que você pensa que vai acontecer. – disse cruzando os braços.
— Sabe sim. – sorriu – E não é nenhum bicho de sete cabeças, você queria, aí está a oportunidade. Vocês tem química, se dão bem apesar de todo esse vai e vem, então... Por que não?
E no fundo Regina se fazia a mesma pergunta, mas a possível resposta era muito mais complexa do que ela estava disposta a admitir naquele momento.
Então quando deu por si, já estava suspirando e assentindo.
— Está bem. – disse – Mas se isso acabar mal, lembre-se que foi você quem...
— Sim, eu me declaro culpada e o que mais você quiser... – interrompeu impaciente – Levanta logo daí que você ainda precisa se arrumar. – foi para perto da morena e pegou no braço dela, fazendo-a ficar em pé – E eu vou junto, seu filho está me devendo uma revanche.
— Isso não é motivo de pressa, você pode esperar um pouco mais pra perder pra ele. – provocou.
— Pelo bem da nossa amizade eu vou fingir que essa frase nunca foi dita. – e saiu porta a fora, ouvindo a risada da morena e sabendo que ela logo lhe seguiria.
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Emma vestia o casaco rapidamente no início daquela noite, estava ansiosa para ir pra casa, mesmo sem ter certeza se Regina apareceria ou não, queria estar pronta para todas as possibilidades.
Mas Deus, como esperava que a morena aparecesse.
Quando pegou o celular de cima da mesa e se virou para ir embora, deu de cara com o pesadelo ambulante de seus últimos meses: Killian, que segurava uma pasta nas mãos e tinha aquele mesmo olhar malicioso de sempre em cima dela.
— Já vai, Love?
— Vou, e já te pedi pra não me chamar assim. – respondeu.
— Ah, é mesmo. Não vai se repetir. – sorriu, e Emma sabia que aconteceria de novo, como nas outras vezes em que chamou a atenção dele.
— Qualquer dia te faço assinar um documento prometendo isso. – disse e tentou passar por ele, que impediu entrando na frente – Sério? – perguntou, começando a perder a paciência.
— Tenho um presentinho pra você. – estendeu a pasta para ela.
— O que é isso? – ele já havia dado de tudo a ela, chocolate — que ela fingiu jogar fora, porque bom... chocolate não se dispensa — flores, ingressos para shows e etc, mas aquilo era diferente. E vindo dele, as chances de agradá-la eram mínimas.
— Abra. – ofereceu novamente a pasta, que ela pegou, mas não fez menção de abrir.
— Não pode me falar?
— Prefiro que você mesma veja. – sorriu ansioso.
Suspirando Emma fez o que ele tanto insistia, e ao abrir a pasta não pode acreditar no que estava diante de seus olhos.
Não chegou a ler muito, pois um nome em destaque foi o suficiente para alarmá-la: Regina Mills.
E fechou a pasta imediatamente.
— Me diz que isso não é o que eu estou pensando que é. – pediu, já com o semblante irritado e a postura rígida.
— Eu estava despreocupadamente olhando o movimento da rua hoje mais cedo, e vi sua interação com essa... Mulher. – começou a explicar – Pensei em usar meus contatos para ajudá-la a se informar um pouco melhor sobre ela.
— E com contatos você quer dizer gente que não conhece limites, feito você?! – perguntou, alterando o tom de voz – Eu não acredito nisso, Killian! Qual o seu problema?
— Só quis ajudar, Swan. – defendeu-se – Se você acha que conhece essa advogada, devia procurar na segunda página o que ela fez em 2011 durante um...
— Para! Eu não quero saber! – esbravejou – Você realmente não se liga, né? Eu tenho tentado ser educada, mas parece que você gosta de me deixar sem escolha. Pensa que eu não sei por que fez isso? – sacudiu a pasta – Já te disse do que eu gosto e a não ser que você mude de sexo, não tem como se encaixar no perfil. Talvez nem mesmo assim. Se eu quiser saber alguma coisa sobre ela, pode deixar que eu mesma pergunto.
Não deu tempo para respostas e passou por ele como um furacão, levando a pasta consigo.
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Verde escuro.
Essa era a cor da porta do apartamento de Emma que Regina estava encarando há quase um minuto.
Conferiu mais uma vez o endereço no celular, estava mesmo certo.
— O que estou fazendo aqui? — perguntou em voz baixa para si mesma.
“Cedendo às maluquices da sua amiga.” Foi a primeira resposta que lhe veio, mas imediatamente ela soube que não era verdade.
Uma parte sua queria estar ali, e era isso que a assustava.
Num ímpeto bateu na porta e sem sequer notar segurou o fôlego enquanto esperava, mas por sorte não demorou e pôde soltá-lo ao ver a loira abrir e lhe dirigir um sorriso.
— Você veio. – disse surpresa e passou para o lado dando passagem para a morena – Entra.
E Regina entrou, tomando nota de cada item diante de si.
O apartamento não era grande, mas os móveis estavam bem distribuídos e ao contrário do que esperava, tudo estava arrumado.
Não pode deixar de reparar no sofá branco com um grande pano vermelho enfeitando o encosto, já que ficava bem no centro da sala.
— Você mora sozinha? – perguntou virando para Emma.
— Sim. – respondeu – Minha amiga Mary, aquela de quem eu falei... – Regina assentiu, lembrando – Morava comigo, mas mudou pra casa do namorado faz alguns meses.
— E não procurou outra pessoa?
— Não, é que... – hesitou, mas decidiu ser sincera e explicar logo de uma vez – Minha ex acabou vindo pra cá e nós resolvemos... Você sabe.
“Resolveram aproveitar a privacidade.” Regina pensou, e mesmo que somente dentro de sua cabeça, o “tom” do pensamento saiu amargo ao chegar a tal conclusão, e ela rapidamente tratou de ignorar isso.
— Sei. – disse simplesmente.
— Estranho falar da ex pra possível futura atual, eu sei. – riu nervosa, sem se dar exatamente conta do que tinha acabado de dizer.
— Futura atual? – perguntou.
— É, quer dizer... – pigarreou – Você está aqui, então... – deixou o resto no ar.
— Lembro de você dizer que poderíamos fazer as coisas do meu jeito.
“É claro que ela lembraria disso. Parecia inofensivo quando eu falei.”
— Sim, eu disse. – confirmou – E continua valendo.
— Ótimo.
— Pode deixar sua bolsa no sofá. – indicou com a mão – Quer tirar o casaco? É meio quente aqui dentro, meu ar condicionado quebrou e o cara da manutenção só vem na próxima semana.
Regina assentiu, deixou a bolsa no sofá e tirou o casaco, que Emma pegou e colocou pendurado no cabideiro ao lado da porta.
— Quer beber algo? Você parece estar com sede, estava meio ofegante quando eu abri a porta. – comentou enquanto entrava na cozinha.
— Bem, foram três lances de escada. – disse seguindo-a – Você não disse nada sobre a falta de elevadores.
Emma sorriu de costas, ao pegar duas taças de vidro no armário.
— Desculpe por isso, construção antiga. Mas você se acostuma. – respondeu ao virar para a morena, que estava parada no limiar do cômodo – Vinho?
— Claro. – viu Emma retirar a garrafa de dentro de outro armário e pegar o saca-rolhas, mas hesitou por alguns segundos e olhou novamente para ela.
— Por mais que eu odeie te dar mais material pra usar contra mim, devo dizer que tenho um pequeno histórico de acidentes abrindo essas coisas, então se puder esperar na sala pra sua própria segurança...
Regina riu levemente e deu mais alguns passos para dentro.
— Deixe-me fazer. – ofereceu, mas Emma negou com a cabeça.
— Você é minha convidada, quero pelo menos abrir o vinho. – insistiu – Só espera na sala que eu já vou.
— Está bem... – começou a se afastar – Só não vá se machucar, querida. – provocou sorrindo antes de sair.
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Regina não era do tipo que bisbilhotava, mas não queria se sentar ainda e na falta do que fazer começou a andar pela sala do apartamento de Emma, olhando os enfeites na estante, os poucos quadros de paisagem nas paredes, nada muito íntimo ou pessoal.
Enquanto esperava a loira voltar tentou se distrair como pôde, até que notou uma pasta em cima da mesinha de centro. Ela não queria olhar, não mesmo. Mas ao bater os olhos seu cérebro rapidamente registrou algo que lhe chamou a atenção: seu nome saindo de um pedaço do papel que a capa não estava cobrindo.
E isso foi o suficiente.
Não precisou folhear muito para entender do que se tratava, era um arquivo com os fatos mais importante de sua vida, tanto profissional quanto particular. Desde coisas bobas como a idade com que entrou para a faculdade, até os detalhes sobre a morte de seu pai e de Daniel.
E logo sentiu seu corpo esquentar e a raiva surgir.
“Que direito ela acha que tem? Mas a culpa é minha, abri caminho, dei espaço, liberdade. Céus, onde eu estava com a cabeça?”
— Consegui! Garrafa aberta, duas taças prontinhas e eu continuo intei... – disse Emma entrando no ambiente, mas parou ao ver o que Regina tinha em mãos.
“Droga, ela vai entender tudo errado.”
— Conhece o termo abuso de poder, Senhorita Swan?
“Ok, ela já entendeu tudo errado.”
— Eu posso explicar. – começou, colocando as taças de vinho e a garrafa na mesa.
— Pode? Porque a meu ver esse arquivo fala por si só.
— Isso não é meu, quer dizer... Não fui eu que fiz.
— Claro, deve ter pedido para algum amigo montar essa... – olhou para a pasta – Não consigo sequer encontrar uma palavra para descrever.
— Regina, me escuta. – tentou se aproximar, mas a outra se afastou.
— Eu não preciso escutar mais nada que venha de você, aliás, não devia ter escutado desde o início.
— Eu disse que posso explicar, e posso mesmo, ok? Só para de surtar por um minuto. – pediu.
— Surtar? – repetiu – Você tem um arquivo no qual parece constar minha vida inteira na sua sala de estar como se fosse uma revista qualquer, e eu não tenho o direito de reagir a isso? Faça-me o favor! – pegou a bolsa de cima do sofá e quando foi andar Emma impediu, segurando-a pelo braço.
— Tem sim, todo o direito. – concordou – Eu só te peço pra me deixar explicar e se depois você ainda quiser ir embora, eu vou entender.
— Seja breve. – disse, puxando o braço livre do toque da loira, ainda exaltada pelos últimos acontecimentos.
— Como eu falei antes, eu não fiz... Isso. – começou – Tem um cara que é meio obsecado por mim...
— Isso não me parece promissor. – comentou.
— Vai ficar se você me deixar terminar. Como eu estava dizendo, esse cara trabalha comigo, bom, não exatamente comigo porque ele é de outra unidade, mas mesmo assim infelizmente ele tem acesso a praticamente tudo por lá, o sistema, as senhas, etc. Assim como eu, a diferença é que eu não uso pra esse tipo de coisa.
— Muito informativo, e onde eu entro nessa história? – perguntou impaciente.
— Na parte em que ele viu a gente dentro do seu carro hoje de tarde, e como bom idiota metido a galã de novela das oito, teve a brilhante ideia de puxar sua ficha completa e me entregar, pensando que eu poderia ver algo e desistir de você.
— Esse homem não sabe que você é...
— Lésbica? – interrompeu – Pior que sabe, e eu já cansei de repetir, mas parece que isso não importa. Ele diz que entende, mas continua me cercando e claramente ultrapassando todos os limites possíveis. – acenou com a cabeça indicando a pasta, e ao ver Regina se preparar para falar, resolveu completar – Eu não li, juro. Sei que nesse momento minha palavra pode não significar muito pra você, mas ainda assim. Só não joguei no lixo lá mesmo porque contém informações pessoais, então trouxe comigo... Pra queimar.
— Queimar?
— É, você sabe, fogo destrói qualquer evidência. – sorriu – Mas aí acabei esquecendo ali porque o trânsito estava uma droga e eu cheguei tarde, ainda tinha que preparar nossa comida, ou tentar pelo menos, e enfim, deu no que deu. – terminou de explicar – Sinto muito.
Regina respirou fundo e relaxou a postura, processando tudo o que havia sido dito.
— Bem, essa pasta fica comigo, eu mesma darei um jeito nela. – garantiu.
— Claro, é sua. – concordou – Então... Estamos bem?
— Acredito que sim.
— Ok, ótimo. Continue acreditando. – sorriu – Que tal aquele vinho agora?
Regina assentiu e calmamente colocou o arquivo no sofá e a bolsa em cima dele. Aceitou a taça oferecida por Emma e o convite para sentarem-se.
Logo estavam lado a lado, encarando a TV desligada em silêncio, tomando um gole ou outro de suas respectivas taças.
— Por favor, avise a esse sujeito que ele não sabe com quem está lidando, e que eu não tenho o menor problema em processá-lo pelo que fez. – disse a morena.
— Pode deixar, vou adorar dar um susto nele. – disse rindo, mas logo voltou a ficar séria – Estou feliz por você ter vindo. — disse.
— Desde que você entenda que isso não é…
— Eu entendi da primeira vez. — interrompeu – Isso não tem que significar nada. Somos só duas mulheres aproveitando a noite juntas, com um ótimo vinho pra acompanhar. — balançou a taça que segurava.
— Eu não diria ótimo…
— Bom, não fui eu que escolhi então a culpa não é minha.
— O ano da safra foi bom, mas essa marca… — avaliou Regina, virando a garrafa para olhá-la melhor – Não me parece confiável.
— E você é algum tipo de expert em vinhos?
— Não expert, mas sei o bastante.
— Hmmmm… — deu mais gole e colocou a taça na mesinha – E o que mais você sabe?
— Muitas coisas. — olharam-se durante longos segundos, e Regina foi a primeira a quebrar o contato, sentindo a garganta seca também deu um último gole antes de colocar a taça na mesinha – Esse seu olhar por exemplo.
— Meu olhar? O que tem ele?
— Não é difícil dizer o que ele transmite.
— Espero que a mensagem esteja certa, porque o que eu realmente quero agora… — chegou um pouco mais perto – É beijar você.
— Bem, querida… — instintivamente ela lambeu os lábios, o que chamou ainda mais a atenção de Emma – Eu acho que está be…”
E foi interrompida pelos lábios da loira, selando um beijo rápido, apenas para fazê-la parar de falar.
— O gosto é maravilhoso. — comentou.
Regina ainda distraída pelo movimento rápido e confiante da outra, pensou que ela se referia ao vinho.
— Acho que isso deixa claro por que sou eu quem entende de vinhos.
Emma sorriu.
— Eu estava falando da sua boca.
Com essa resposta a morena ofegou e engoliu em seco.
— Emma…
E ela não precisou ouvir mais nada antes de voltar a atacar os lábios de Regina, dessa vez deixando que suas mãos encontrassem seus destinos, uma no começo da coxa da advogada e a outra em sua cintura, trazendo-a para mais perto no sofá.
O beijo durou um longo e intenso minuto e ambas sentiram seus corpos esquentarem a cada segundo. Regina enfiou as mãos no meio dos fios loiros de Emma, também querendo mantê-la perto.
Ao se separarem para respirar a loira não conseguiu segurar o baixo gemido que escapou de sua garganta ao olhar para a boca perfeitamente desenhada de Regina, agora com o batom borrado e até um pouco inchada.
— Você é… — admirou seu rosto por inteiro procurando a palavra certa – Magnífica.
E era verdade. Ela não saia dizendo isso pra toda mulher que despertasse o seu interesse, mas sentia que Regina era diferente… Superior, em alguma forma, ou talvez mesmo em todas. Não entendia o que exatamente a fazia pensar assim, e não queria estragar o momento por analisar demais as coisas, então tratou de focar no que tinha bem diante de seus olhos.
Uma linda mulher, aparentemente sem palavras.
Regina realmente estava tendo dificuldade para encontrar o que dizer. A sinceridade na voz de Emma, seus olhos verdes tão expressivos trancados com os seus castanhos, seu toque quente mesmo por cima da roupa.
Era tudo… Demais.
— Percebo uma pequena expansão no seu vocabulário. Fico feliz.
Sarcasmo, sua velha saída de emergência, mas naquela altura Emma começava a perceber alguns de seus truques.
— Não faz isso. Não se fecha assim.
— E por acaso em algum momento eu me abri? — disse endurecendo o tom e se afastando um pouco.
— Exatamente, e eu queria só saber o porquê.
— Você quer muitas coisas.
— Regina… — começou, tentando alcançar a mão da morena, só para vê-la se afastar ainda mais e em seguida levantar rapidamente.
— Não! Não diga meu nome desse jeito!
— Que jeito? — perguntou alarmada, sem entender a explosão.
— Esse jeito de quem… Como quem… — deu a volta no sofá e Emma ainda sentada virou o corpo para acompanhá-la – Céus, pra que isso? Por que insiste em dizer todas essas coisas? Nós duas sabemos qual o objetivo final, por que não poupamos nosso tempo?
— Espera aí… — pediu ficando em pé – Se eu entendi direito o que você acha que esse tal objetivo seja, vou deixar bem claro que não é, ok?
Mantiveram o contato visual durante longos segundos.
Regina pensou que fosse funcionar, tinha que funcionar.
Sexo era sua última carta para não perder o controle do que estava sentindo.
Ela precisava se empenhar, como se nada mais importasse.
Precisava tirar o foco de Emma, e rápido, assim quem sabe seu próprio coração parasse de desafiá-la.
— Não aja como a puritana que ambas sabemos que você não é. — sorriu provocante.
— Ah você tem razão, não sou mesmo. Não estou dizendo que eu não quero… — parou para olhar a morena da cabeça aos pés – Você sabe. — completou com a voz trêmula pelas imagens que surgiram em sua cabeça – Porque é claro que eu quero, olha só pra você! — apontou com a mão – Eu seria louca se não… — mas ao ver Regina arquear uma sobrancelha e a malícia dominar sua expressão, pigarreou antes de continuar – Mas não é só isso. Eu não quero que seja.
— Então eu temo que o que você quer não seja possível.
— Por que não? – perguntou se aproximando – Eu já disse que não estou te pedindo em casamento, só também não precisa tratar tudo assim.
Tendo alcançado a proximidade desejada, Emma então usa a mão direita para acariciar o rosto de Regina e observá-la enquanto espera uma resposta.
— Está bem, mas não me culpe por focar na parte em que você disse o que queria. – disse antes de começar a abrir os botões da blusa que usava, revelando o sutiã na cor vinho que lhe cobria os seios.
Emma teve dificuldade para desviar os olhos da visão recém-revelada.
— Eu sei o que você está tentando fazer.
— E pretende me impedir? – perguntou provocante, pegando a mão direita da loira e colocando-a em sua cintura, sem parar de olhá-la.
— Eu...
Ela pretendia.
Ela sabia que seria o certo a fazer.
Ela entendia muito bem a tática de Regina.
Mas entre saber o que devia ser feito e conseguir fazer isso, existia um problema, e ela estava sentindo a pele quente e macia desse problema.
Um lindo problema.
— Você...?
A resposta veio em forma de beijo, e ao juntar os corpos e sentir os seios da morena mesmo que ainda cobertos, pressionados contra os seus, Emma ganhou impulso e aprofundou o beijo enquanto terminava de tirar a blusa de Regina, jogando-a no encosto do sofá, onde também logo se viu pressionada e sentiu as mãos da advogada passarem por suas costas.
— Quarto. – conseguiu dizer ofegante quando Regina parou por um momento para lhe distribuir beijos pelo pescoço.
Emma inverteu as posições e foi guiando a outra em direção ao quarto, já voltando a beijá-la e fazendo o curto trajeto sem o menor problema afinal a casa era dela e sabia bem onde pisar.
Quando entraram nem se incomodaram em fechar a porta.
Regina interrompeu o beijo e olhou rapidamente para a cama atrás de si antes de sentar nela e tirar os sapatos, olhando fixamente para Emma que continuava parada no meio do quarto, com a boca manchada de batom vermelho e a respiração acelerada.
— Vai fazer algo ou só ficar me olhando, querida?
Emma sabia que era uma chance de parar com tudo e conversar, dizer que não era boba e sabia o que Regina queria agindo daquele jeito tão de repente.
“Ainda dá tempo de parar. Você sabe o que pode acontecer se seguir com isso.” Dizia o lado sensato de sua consciência.
“Ela está só de sutiã e saia apertada na sua frente, na sua cama, querendo você. Não seja idiota!” Dizia o lado impulsivo, e que ganhou pois logo ela começou a tirar a própria blusa, exibindo também o sutiã, mas na cor branca.
— Vou fazer. – respondeu – Lembro que naquela noite no SPA você me disse que nunca tinha estado com uma mulher.
— Eu disse quase. – corrigiu.
— Ou seja, nunca. – insistiu.
Regina suspirou.
— Nunca fui até o final, satisfeita?
— Ainda não. – respondeu maliciosamente – Mas tenho certeza que nós vamos resolver isso logo. – se aproximou até ficar bem na frente da morena – Se importa se eu guiar?
— Tem medo de que eu faça algo errado? – perguntou, mas na verdade no fundo era ela quem tinha esse medo.
Havia começado aquilo, pensava ser o único jeito de controlar o que sentia na presença da loira, mas ainda assim era sua primeira com outra mulher, e seu lado inseguro por tantas vezes ignorado, estava mostrando sua face.
E como em tudo o que fazia, ela queria se sair bem, mesmo que a ideia de deixar outra pessoa guiá-la e obter controle sobre a situação a deixasse um pouco incomodada, uma parte sua queria ceder. Sabia que era algo importante, mesmo que agisse como se não fosse.
— Não, só acho que vai ser melhor pra nós duas... – pausou – Na primeira vez.
— Emma...
— Não, você começou. – interrompeu – Está seminua na minha cama e eu não consigo pensar direito, então só me responde, eu posso?
Ao invés de responder verbalmente Regina impulsionou o próprio corpo para trás até estar praticamente deitada e apoiando-se pelos cotovelos somente sorriu com malícia, e Emma não precisou de mais nada para logo se colocar em cima dela e beijá-la com desejo.
Com as mãos passava pela cintura da advogada durante o beijo, acariciando e apertando ao mesmo tempo. Por fim se afastou e se ajoelhou aos pés da cama, onde abriu o zíper da saia de Regina e começou a puxá-la para baixo.
A morena ergueu o corpo para ajudar e logo se viu livre da peça, ficando então de calcinha e sutiã.
— Sinto que estou em desvantagem. – disse indicando a loira que continuava vestida.
— Não seja por isso. – e começou a desfazer das próprias roupas, primeiro a blusa e depois a calça e logo ambas estavam “quites”.
Imitando a posição anterior Emma voltou a beijá-la, agora sentindo o calor de suas respectivas peles juntas. Conforme o momento foi se tornando mais e mais aquecido, Emma rolou para o lado trazendo Regina para cima de si, e logo ergueu o corpo numa posição sentada e instintivamente a morena rodeou-lhe a cintura com as pernas.
O beijo foi parado para recuperar o fôlego, mas em menos de dois segundos Emma já estava com as mãos no fecho do sutiã de Regina, abrindo-o.
Assim que viu os seios firmes e desnudos à sua frente, subindo e descendo devido à respiração descompassada, seu olhar já nublado pelo desejo escureceu ainda mais.
— Deixe-me adivinhar... Eu sou magnífica? – perguntou ao notar o estado da loira olhando-a.
— Você não tem ideia.
E numa fração de segundos levou a boca até o seio esquerdo, atacando-o com reverência enquanto com a mão livre massageava o outro, arrancando suspiros de Regina.
Fazia um tempo relativamente longo desde a última vez em que a morena havia estado com alguém na cama, e isso somado à química sexual que já se mostrava presente entre ela e a policial, não demorou a sentir seu próprio sexo molhado.
Instintivamente também abriu o sutiã de Emma, que parou o que fazia apenas para terminar de retirá-lo e se pôs a beijar o pescoço de Regina, que em resposta agarrou-lhe o seio direito com certa força, causando um gemido que reverberou contra sua pele conforme os beijos em seu pescoço continuaram.
— Levanta um pouco. – Emma pediu.
Ainda em cima da cama Regina impulsionou o corpo para cima se apoiando nos ombros da loira, e viu quando as mãos dela seguraram o elástico de sua calcinha, mas antes de descê-la Emma procurou-lhe com os olhos, num último pedido de consentimento.
A única resposta que a morena conseguiu dar foi um aceno positivo com a cabeça e um suspiro abafado. Quando deu por si a peça íntima já estava em seus tornozelos e ela terminou o processo e jogou-a no chão, sem pensar duas vezes.
Ao sentar novamente não pôde conter o gemido ao sentir seu sexo pressionado contra o abdômen quente de Emma, que por sua vez também gemeu ao perceber o quão pronta a advogada já estava.
Voltaram a se beijar e rodear o corpo uma da outra com os braços, apertando, acariciando, aumentando ainda mais o contato.
Em meio ao beijo Emma desceu com a mão por entre os corpos, tocando e arranhando levemente Regina desde os seios até o final do abdômen, onde logo aventurou sua mão, encontrando a umidade que em menos de um minuto já havia crescido ainda mais.
— Deus, você está tão...
— Shiu... – Regina interrompeu – Me beije.
E assim Emma fez, beijou-a com vontade enquanto massageava-lhe o sexo com calma no início, e logo aumentando o ritmo ao encontrar o clitóris.
Regina então começou a mexer o quadril na direção da mão da loira, buscando por mais atrito. Quando menos esperava sentiu um dedo penetrar-lhe delicadamente, fazendo-a parar o beijo para soltar um gemido manhoso.
— Tudo bem aí, Sra. Mills? – perguntou sorrindo.
— Menos conversa e mais... – não conseguiu terminar ao sentir outro dedo ser acrescentado e o ritmo acelerando-se. – Oh meu... – outro gemido.
Emma voltou a atacar o pescoço da morena dessa vez adicionando alguns chupões, nada muito forte afinal ainda não sabia o que Regina pensava sobre ser marcada durante o sexo.
Os dedos da loira entravam e saíam com facilidade devido à lubrificação, e ela aproveitou para usar o polegar para massagear o clitóris excitado da morena, ganhando mais gemidos e um puxão de cabelo.
Sorrindo, Emma acelerou o ritmo dos movimentos sentindo as paredes internas de Regina começarem a apertar em volta de seus dedos, logo soube que ela estava perto de gozar.
— Você me deixa louca, sabia? – sussurrou no ouvido dela – Vem, goza pra mim. – disse por fim estocando mais forte e beijando-lhe a boca.
Regina sentiu seu corpo tencionar e o orgasmo lhe atingir com força, fazendo todo seu corpo vibrar e seu sexo pulsar deliciosamente. Agarrou-se a Emma, gemendo contra o beijo enquanto curtia os últimos espasmos.
Ao separarem as bocas ambas estavam ofegantes, levemente suadas e com os cabelos bagunçados.
Emma foi deitando o corpo para trás, trazendo Regina consigo, que ainda em êxtase se deixou ser levada e ajeitou o corpo ao lado do da loira, que quando foi puxar o fino lençol para cobri-las, teve o pulso segurado.
— Você não... – começou com a voz um pouco rouca e pigarreou para voltar ao normal – Você não quer que... – e ao fazer menção de tocar Emma por dentro da calcinha que ela ainda usava, teve sua mão segurada também.
— Querer eu quero, mas não precisa ser agora. – falou ao perceber o evidente estado de cansaço em que a morena se encontrava.
— Mas...
— Sem mas, descansa. – e trouxe o lençol para as duas.
Sem sequer perceber Regina fechou os olhos e aos poucos foi se entregando ao sono, e Emma ainda acordada foi tomada pelo repentino desejo de abraçá-la, mas se conteve.
Suspirou e buscou encarar o teto até o sono chegar.
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Acordou ao ouvir um barulho vindo da sala, o relógio na parede mostrava ser dez e meia da noite. Olhou para o lado e finalmente notou a ausência de Regina, e também das roupas e sapatos dela pelo quarto.
Levantou, vestiu a primeira camiseta comprida que encontrou, e ao sair viu a morena terminando de abotoar a blusa.
— Já vai? – perguntou.
— Sim, está tarde e de qualquer maneira eu não planejava passar a noite. – disse – Desculpe se te acordei.
— Tudo bem, pelo menos eu posso ver você indo ao invés de acordar amanhã sem ter ideia do que aconteceu. Ia deixar um bilhete pelo menos?
— Emma, por favor...
— É, eu sei. Você não quer um relacionamento. – interrompeu – Mas... – procurou o que dizer de repente se dando conta do quanto queria que Regina ficasse, ou que pelo menos pudessem conversar um pouco antes dela sair – Nós nem comemos.
— Lamento. – disse enquanto vestia o blazer, evitando contato visual – Fica pra uma próxima vez.
— Então vai ter uma próxima vez? – perguntou esperançosa.
— Eu... – ela não sabia o que dizer, só sentia que precisava sair dali caso quisesse organizar o turbilhão em sua cabeça – Eu tenho que ir. – pegou a bolsa e a pasta de cima do sofá e se apressou em direção à porta, abrindo-a.
— E como vai ser isso? Eu te ligo ou espero você me ligar já sabendo que não vai acontecer? – perguntou agitada, seguindo-a.
Regina suspirou e virou para encará-la.
— Não me ligue. – pediu com o coração pulsando com algo que se parecia muito com... Dor – É só o que eu tenho a dizer.
E desapareceu pelo corredor.
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