Notas iniciais
Sei que sumi e pra quem mandou MP eu falei que ia explicar aqui e vou mesmo, na verdade minha demora é um clichê total, eu tava de um jeito que não conseguia escrever nem listinha de supermercado, sério. Então pra não postar qualquer coisa fui adiando e fazendo tudo mais devagar do que uma tartaruga com câimbra, mas aqui estou, viva e aparentemente menos bloqueada. Esse capítulo não está tão grande quanto de costume, originalmente ele teria mais de dez mil palavras se eu fosse colocar tudo, então dividi em dois, o que significa que o próximo também será mais ou menos desse tamanho. Sei que a maioria gosta de capítulos gigantes, mas eu explico melhor nas notas finais. Queria agradecer pelos comentários e as duas lindas recomendações deixadas pela DannyParrilla e Branquinha, vocês me fizeram sorrir muito, obrigada, esse capítulo ainda que atrasado vai pra vocês ♥ Sobre a enquete que fiz sobre a cena hot no capítulo passado, olha tivemos um empate de 8x8! Não esperava por isso, achei que o sim seria unânime, mas não, e pra quem disse que eu podia decidir, bom, eu decidi. OBS: mudei a capa da fic, vi essa no twitter e não me aguentei, está bem simples mesmo, talvez acrescente algo depois. Sorry por qualquer erro. *Leiam as notas finais, ok?* Enjoy!

Existem momentos que não conseguimos explicar com exatidão, e Regina passou por um desses naquela noite.

Conforme cada palavra saía da boca de Emma ela se viu sem saber o que fazer, pensar e sentir, se bem que pela frequência cardíaca dava pra arriscar dizer que seus sentimentos eram bem intensos.

Anos e mais anos sempre tomando cuidado para não ceder a impulsos e no entanto ali estava, se atracando com uma mulher que conhecia há menos de uma semana, no corredor do SPA, onde poderia ser vista por qualquer um a qualquer momento, e tudo por não ter conseguido se controlar e tê-la chamado de volta ao vê-la se afastar minutos atrás.

Não sabia dizer ao certo o que era, mas assistir Emma sair após o que havia dito lhe trouxe uma sensação desconfortável, como se algo não se encaixasse e quando deu por si já estava usando pela primeira vez o primeiro nome da loira para que ela pudesse escutar. E como era de se esperar, funcionou.

Em questão de minutos o que deveria ser apenas mais uma noite extra ali causada por um imprevisto se transformou em algo muito maior, resultando na cena atual. Emma encostou Regina no batente da porta e fez pressão com o corpo para frente, pedindo passagem com a língua que a morena tratou de conceder imediatamente, até se lembrar de que ainda estavam do lado de fora e começar a impulsionar o corpo junto com o da loira para a esquerda pra poder entrar no quarto, sem quebrar o beijo e apertando cada vez mais os dedos em volta da manga camiseta dela, enquanto a outra mão fechava a porta deixando-as dentro do cômodo que recebia luz apenas de um dos abajures e da lua, que entrava pela vidraça.

Emma desceu as mãos até tê-las perfeitamente colocadas na cintura de Regina e passou as unhas por cima do cetim do hobby, soltando um gemido e separando seus lábios em busca de ar.

– Minha nossa! – ofegou sorridente – Eu não... – mas não conseguiu terminar pois logo a morena puxou-a de volta e beijou-a até encostá-la na parede que antecedia o closet, e toda vez que tentava parar para falar era interrompida pelos lábios apressados da morena novamente, até que segurou seus dois braços e afastou-a gentilmente de si para poder olhá-la nos olhos – Você já fez isso?

– Quase. – respondeu após um curto silêncio.

– Quase? – franziu o cenho – Como assim quase?

– Não estrague o momento falando. – voltou a beijá-la, friccionando seus corpos juntos com pressa e urgência, e quando as mãos chegaram ao fim da camiseta e começaram a trilhar o caminho para chegar ao abdômen, Emma se viu diante de uma raridade de acordo com seu histórico. Ela nunca fez o que faria naquele momento, mas algo dentro de si lhe dizia que era o certo.

– Provavelmente estou quebrando todos os meus padrões, mas eu acho melhor a gente parar por aqui. – disse ao finalmente encontrar um momento livre onde Regina liberou sua boca e começou a distribuir beijos pelo pescoço.

– O que? – perguntou confusa, dando alguns passos para trás – Está brincando comigo? Ameaçou pular de uma varanda à outra pra parar agora?

– Eu disse que queria te beijar, não que devíamos agir como numa maratona. – se defendeu.

– E o que estava esperando? O início de um romance?

– Claro que não, eu... – parou ao digerir melhor aquelas palavras e perceber que talvez, apenas talvez, tivessem um fundo de verdade, e que na melhor das hipóteses nem ela sabia direito o que pretendia com tudo aquilo – Eu vou pro meu quarto agora, acho que foi muita informação pra um dia só, então... – pigarreou e alisou o tecido da camiseta que usava, para se livrar das rugas formadas pelo “ataque” da morena – Que tal conversarmos amanhã? – perguntou calmamente enquanto desencostava da parede.

– Não sei se haverá algo sobre o que falar.

– Tenho certeza que você vai pensar em alguma coisa. – sorriu – Boa noite.

Ao escutar a porta fechando e se ver novamente sozinha no quarto, Regina sentou na cama e sua mente começou a trabalhar em tudo o que havia acontecido nos últimos minutos.

Ela se conhecia bem o bastante para saber o que estava fazendo. Não quis deixar brecha para que Emma falasse, seria mais fácil levá-la para cama e concretizar aquilo que vinha ensaiando fazer nas vezes em que havia saído com mulheres, pensando que assim talvez pudesse dar um basta em tudo, pensando que assim pudesse fazer com que aquela fosse apenas mais uma noite sem significado. Mas como ficou claro seu plano não deu muito certo, e para não se ver outra vez confrontada por todos aqueles sentimentos confusos, tomou uma decisão.

“Se ela não quis o que ofereci então não terá mais nada.” – respirou fundo “Está decidido.”.

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Regina bateu na porta do quarto de Emma várias vezes na manhã seguinte, mas não recebeu resposta nenhuma a não ser o silêncio, então pegou o elevador e desceu até o primeiro andar, e por onde passou manteve os olhos atentos para qualquer sinal da loira, mas nada. Foi para o restaurante tomar café e enquanto esperava alguém vir atendê-la continuou olhando em volta, sem nem perceber que estava sendo observada.

– Ela não está aqui. – disse Ruby parada ao lado da mesa e ao ganhar a atenção da morena, prosseguiu – Emma eu quero dizer, ela já comeu e saiu tem uma meia hora.

– Eu não estava... – se preparou para mentir, mas quase não tinha dormido durante a noite e resolveu se poupar disso – Só me traga o café.

– Com ou sem açúcar?

– Sem.

– Mas vai ficar amargo. – alertou.

– Acho que essa era intenção quando pedi sem açúcar, querida. – sorriu com desdém, e seu objetivo foi atendido ao ver a garçonete se afastar rapidamente.

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Após o café continuou sua busca e andou por quase toda a extensão do jardim até ver uma parte mais afastada onde não havia bancos e que beirava os limites da propriedade do SPA. Chegando mais perto viu Emma sentada encostada numa das árvores, e se aproximou lentamente pela direita, tomando cuidado para não se desequilibrar nas pedras que cobriam boa parte da grama naquela área.

– Se veio perguntar sobre a estrada eu juro que... – a loira começou mas parou ao virar e ver quem era – Oi, não sabia que era você. – sorriu, sem graça.

– Percebi. – cruzou os braços e analisou com os olhos a distância de onde estavam com a cede do SPA – O que está fazendo aqui?

– Tentando ter um pouco de sossego. – explicou – Perdi a conta de quantas vezes me pararam pra responder perguntas, parece que eu estou falando grego quando digo que ainda não tenho novidades. – suspirou – Senta aí. – disse apontando para o espaço vago ao seu lado.

Regina olhou para a grama que revestia o chão e a resposta foi instantânea.

– Não, estou bem.

– Claro que está, desse jeito pode me olhar de cima, né? – brincou – Tudo bem, então pelo menos vai um pouco mais pra esquerda porque o sol está incomodando meus olhos. – pediu.

– Por que não levanta daí ao invés disso?

– Porque eu cheguei primeiro. – respondeu – Sei que fico linda sob a luz do sol, mas também não vamos exagerar, então pode, por favor, dar dois passos pro lado? – pediu novamente.

Regina suspirou e enfim atendeu ao pedido da loira, parando em frente a ela.

– O que é isso? – perguntou ao notar o saquinho transparente nas mãos de Emma.

– Uns doces que eu achei no bolso de um dos meus casacos. – explicou naturalmente.

– E está comendo eles?! Ao menos sabe a validade dessa coisa?

– O gosto está bom e pra mim é tudo o que importa. – sorriu e pegou o que parecia ser uma bala cor de rosa e colocou na boca, no instante seguinte sentiu o saquinho ser arrancado de suas mãos – Ei! – protestou ao ver Regina amassá-lo entre os dedos.

– Eu detestaria que a minha estadia nesse lugar se prolongasse ainda mais porque a única autoridade presente está com intoxicação alimentar.

– Só pra você saber eu não perdi o descaso em “autoridade”, e são só balas, não vou morrer. – Regina nada disse e manteve a expressão em branco – Veio até aqui pra me tratar que nem criança?

– Não, mas aparentemente insiste em agir como uma.

– Engraçado. – esticou as pernas e cruzou uma sob a outra – Não parecia me achar tão infantil ontem à noite. – provocou.

– Já que tocou no assunto, acredito que precisamos conversar sobre isso.

– Eu sei, a ideia foi minha, lembra? – notou a expressão nervosa que Regina embora tentasse não conseguia esconder muito bem, e soltou uma risada enquanto levantava – Você vai me dizer pra esquecer, né?

– E eu posso saber qual a graça nisso?

– Pode, claro que pode... – começou a cutucar a madeira da árvore com um graveto que achou no chão – Mas só se me disser onde foi parar aquela mulher que quase rasgou minhas roupas na noite passada.

– Ela... Eu... – limpou a garganta – Isso é ridículo.

– O que exatamente?

– Essa situação... – manteve o foco no muro que demarcava os limites do SPA a alguns metros adiante, e completou em voz baixa – Nós.

– Certo... – semicerrou os olhos – Mudou de ideia durante o sono? – cruzou os braços.

– Srta. Swan...

– Agora eu sou a Srta. Swan de novo? – interrompeu – Não foi assim que me chamou ontem. – se aproximou – O que aconteceu, Regina? Porque quando me beijou, eu...

– Quando eu te beijei? – perguntou, indignada – Faça-me o favor. – repreendeu.

– Ah claro, esqueci que eu fiz tudo sozinha. Entrei no seu quarto sozinha, fechei a porta sozinha, praticamente que...

– Pare. – mandou – Sinceramente não sei o que ainda estou fazendo aqui. Espero que a próxima vez que me dirigir a palavra seja apenas para informar sobre as condições da estrada. – deu as costas e começou a andar, mas logo seu caminho foi bloqueado pelo corpo de Emma, em frente ao dela.

– Quem sou eu pra discutir com a madame, não é mesmo? – provocou, irritada – Mas pelo menos me devolve isso. – pegou o saquinho amassado da mão direita de Regina e viu quando uma expressão de dor passou ainda que rapidamente pela face dela, e ao olhar pra baixo conseguiu ver o curativo pequeno no corte que havia sido feito pelo canivete duas noites atrás, no qual havia acabado de esbarrar, e toda sua irritação de repente se esvaiu – Droga, eu tinha esquecido. – segurou a mão dela e passou o dedo suavemente por cima da gaze – Desculpa. – pediu ao erguer o olhar.

– Não foi nada. – assegurou totalmente incapaz de quebrar o contato, que durou segundos e mais segundos da leve carícia na palma da mão da morena, e os olhos de ambas vidrados uma na outra.

– Eu acho... – parou, abaixando o rosto por um momento e depois voltando novamente – Acho que temos um pequeno problema aqui.

– E qual seria? – perguntou.

– Estou querendo te beijar de novo.

– Emma... – lentamente retirou sua mão de perto do toque da loira, e fechou os olhos por um momento tentando controlar sua respiração.

– Não pode dizer meu nome desse jeito e se afastar depois. – deu um passo mais perto, invadindo completamente o pouco que ainda restava de espaço pessoal entre as duas.

– Não devíamos...

– Devíamos sim. – interrompeu e passou a mão esquerda na qual ainda segurava a embalagem dos doces pela cintura de Regina, usou a outra para colocar uma mecha de cabelo preto atrás da orelha dela, ainda com os dedos enrolados nos fios trouxe o rosto da morena pra perto numa velocidade mais branda do que a da noite anterior, e encostou seus lábios.

No começo Regina não teve reação, mas logo suas mãos envolveram a cintura de Emma e a puxaram pra si, aprofundando o beijo.

Deram passos desconexos pela grama até as costas da morena encostarem na árvore, e Emma usou o apoio para aumentar a pressão dos corpos, ao mesmo tempo que suas línguas lutavam pelo domínio.

– Pra quem queria esquecer, você es... – foi silenciada pela boca de Regina na dela, de forma urgente.

– Sempre escolhendo os piores momentos pra falar. – sussurrou no ouvido da loira e num movimento rápido inverteu as posições, agora era ela quem pressionava a outra contra o tronco da árvore, e manteve o ritmo do beijo até que o ar foi necessário e afastou o rosto, mas sem quebrar o resto do contato – Pensou que estava no controle, querida?

– Eu... – Emma mal raciocinava depois daquilo, tudo o que conseguia fazer era ofegar e olhar para os lábios de Regina tão próximos aos seus e borrados pelo batom.

“Sua imbecil, cala a boca antes que ela mude de ideia... De novo.”

Beijou-a novamente, que correspondeu imediatamente dessa vez, e o tempo ali pareceu não passar para elas. Quando precisavam respirar mudavam o foco dos beijos para o pescoço e afins, antes de reiniciar. Estavam no meio de uma luta silenciosa sobre quem pressionava quem contra a árvore quando um ringtone começou a tocar, e ao reconhecer o som Emma gemeu em frustração ao separar seus lábios dos de Regina.

Pegou o celular do bolso e viu um número restrito no identificador de chamadas.

– Tenho que atender. – a morena assentiu levemente e deu um passo para trás, passando a mão pelo cabelo tentando se recompor – Swan. – atendeu – Isso mesmo, eu pedi... Entendo... Obrigada por informar... Sim, eu resolvo o que precisar por aqui... Ok, bom dia. – desligou e guardou o aparelho – Estamos livres.

– O que?

– A estrada acaba de ser liberada. – explicou – Timing perfeito, né? – sorriu – Bom... Acho que eu preciso falar com o Ms. Monteir, você vem comigo? – perguntou enquanto afundava o saquinho dos doces de volta no bolso do casaco.

Regina assentiu e elas saíram.

Durante todo o trajeto não trocaram uma palavra sequer, cada uma perdida em seus próprios pensamentos. Foram até o escritório do diretor, onde a loira entrou após ser anunciada, e Regina ficou no corredor do lado de fora, tentando ao máximo lembrar como exatamente toda sua convicção em se afastar de Emma havia acabado em beijá-la loucamente em baixo de uma árvore.

Só despertou de seu pequeno transe quando a viu parada em sua frente.

– E então?

– Ele vai mobilizar alguns funcionários pra avisar todo mundo. – explicou – Minha parte acaba aqui. – sorriu – Vamos?

– Onde?

– Subir, pra pegar nossas coisas. – franziu o cenho ao perceber o estado meio aéreo da morena – Você está bem?

– Sim, claro. – era mentira, e Emma como sempre sabia disso, mas antes que pudesse insistir Regina já caminhava em direção aos elevadores e ela não teve outra alternativa a não ser segui-la.

– Sobre o que houve... – a morena começou no instante em que as portas fecharam.

– Deixa eu adivinhar. – interrompeu – Foi coisa de momento e eu devo esquecer?

– Exatamente. – confirmou, sem fazer contato visual.

– Você está mentindo.

– Seu super poder de novo? – zombou – Não espera que eu acredite que essa coisa funciona.

Chegaram ao andar certo e saíram.

– Mas devia, porque até agora eu não errei uma.

– Mesmo?

A loira assentiu com um sorriso presunçoso.

– Lembra quando falou que não se interessava por mulheres? E lembra do que eu disse sobre isso? – não esperou pela resposta – Da última vez que eu chequei mulheres que não gostam de mulheres não beijam do jeito que você me beijou. – quando viu um argumento pronto a sair, continuou – Vemos isso depois porque agora eu preciso pegar as minhas malas e você as suas. Só tenta não correr de mim quando terminar, ok?

– Eu não corro de ninguém, Srta... – parou ao ver o olhar da loira – Emma. – se corrigiu.

– Terceira vez em menos de vinte e quatro horas, isso é o que eu chamo de progresso. – sorriu e começou a se afastar de ré.

Regina revirou os olhos e abriu a porta do quarto, entrando ao mesmo tempo em que Emma entrava no dela.

Guardou o pouco que havia retirado de volta na bagagem já arrumada e mandou mensagem para Tinker avisando que estava voltando. Quando enfim conseguiu sair carregando tudo viu que Emma fazia o mesmo, embora estivesse com menos coisas.

– Será que dessa vez você vai aceitar minha ajuda? – perguntou ao se aproximar.

Regina pensou em negar, mas diferente do dia anterior ela não estava zangada com a loira, e francamente carregar tudo aquilo não era tarefa fácil.

– Está bem.

Emma pegou uma das malas de rodinha, a maior delas na verdade e apertou o botão para chamar o elevador, enquanto a morena trancava a porta do quarto.

Desceram até o primeiro andar em silêncio, e logo que as portas se abriram e pisaram na recepção cada uma começou a pensar no que dizer durante o trajeto até o estacionamento, mas antes de encontrar algo uma voz rompeu atrás delas.

– Emma! – a loira virou e viu Ruby acenando para ela e se aproximando rapidamente. – Achou mesmo que ia embora sem falar comigo?

– Claro que não, eu ainda ia te procurar.

– Sei... Mas enfim, você tem meu número, né?

– O que você anotou na minha conta em letras garrafais? Sim, tenho. – sorriu.

– Ótimo. – abraçou-a – Eu peguei o seu quando passei seu cartão de crédito, então... – parou ao ver o semblante divertido de Emma – O que? Tive que dar meu jeito.

– Tudo bem, eu ligo pra você.

– É bom mesmo. – olhou para Regina que estava parada, observando a interação das duas com uma expressão impassível – Faça uma boa viagem, Srta. Mills.

– Obrigada, Srta... – parou por não saber o sobrenome da garçonete, nunca havia lhe interessado e sinceramente ainda não interessava.

– Lucas. – completou.

– Certo.

Assim que Ruby se afastou as duas voltaram a caminhar, parando rapidamente para entregar as chaves de seus respectivos quartos na recepção.

No jardim alguns hóspedes já circulavam também carregando suas bagagens.

A mala de Regina que Emma levava enroscou numa pedra enquanto andavam.

– O que tem aqui dentro? Chumbo? – perguntou ao conseguir fazer a rodinha deslizar pela grama normalmente.

– Espero que se lembre de estar fazendo isso por vontade própria, porque eu não pedi.

– Eu só não entendo pra que tanta coisa.

– Eu também não entendo como pode sequer considerar isso... – apontou para a bolsa do violão e a mala com alça que a loira carregava – Como suficiente, e você não me vê comentar a respeito.

– Na verdade acabei de ver. – sorriu – Chegamos.

O estacionamento tinha menos carros do que antes, afinal algumas pessoas há haviam ido embora. Pararam ao lado da Mercedes, Regina abriu o porta malas e colocou as duas que carregava dentro, logo em seguida Emma fez o mesmo com a terceira e fechou a porta com cuidado.

– Vou guardar as minhas, espera aí. – em passos largos passou por entre os corredores formados pelos outros veículos e parou diante do fusca amarelo que Regina havia visto no primeiro dia.

– Mas é claro que esse tinha que ser seu. – disse num misto de desdém e sarcasmo ao se aproximar.

– Qual o problema? – perguntou depois colocar suas coisas no banco de trás.

– Sinceramente? Todos. – zombou.

– Não liga pra ela, T.J. – murmurou fazendo carinho na lataria do teto.

– T.J?

– Não tem significado, eu só achei que ficava legal. – encolheu os ombros – Mas enfim, acho que ainda precisamos ter aquela conversa, certo?

– Depende, acha que consegue manter suas mãos para si mesma?

– Não sei, acha que consegue fingir que quer que eu faça isso? – rebateu – Escuta, eu tô louca pra sair daqui, então aqui está minha proposta: vou dirigir até a primeira placa e encostar o carro, você faz o mesmo e a gente conversa.

– Eu pareço o tipo de mulher que estaciona em beira de estradas para conversar?

– Bom... – respirou fundo, optando por ignorar a última frase – Eu já expliquei, agora é com você. – abriu a porta do fusca e entrou.

– Sabe que eu posso simplesmente passar direto e ignorar você, não é?

– Sim, mas estou torcendo pra que não faça isso. – piscou, deu a partida e saiu.

O barulho do motor despertou Regina e ela também entrou em seu carro e saiu logo em seguida.

–---------------- SQ -----------------

“Isso é loucura, tudo isso, desde o começo. O que eu estou fazendo aqui?” o subconsciente da morena atacou assim que parou o carro e ainda dentro dele observava Emma encostada no fusca, alguns metros à frente.

Só despertou quando a viu parada do lado da janela da Mercedes, com as mãos nos bolsos traseiros da calça jeans.

– Parece que eu não fui ignorada. – sorriu.

– Chegou bem perto, acredite. – disse ao sair e fechar a porta.

“Como se você não tivesse passado os últimos dez minutos pensando em chegar logo aqui.”

– Eu quero ver você de novo. – a loira disse, após um momento de silêncio.

– Não é isso o que estamos fazendo?

– Sabe o que eu quero dizer. – deu um passo mais perto e colocou a mão direita na cintura dela, que estava encostada na lateral do veículo.

– Não sei se será possível.

– Eu imaginei que você diria algo assim. – olhou por cima do ombro da morena para a vegetação que cercava a estrada, e depois voltou para ela – Vamos tentar uma coisa, me dá seu celular.

– Por quê?

– Você vai ver. – garantiu e deu um passo para trás, dando espaço para Regina pegar o aparelho, mas viu a hesitação ainda presente – Vamos, eu não vou roubar seu celular, e se fosse pode deixar que eu mesma me prenderia.

Revirando os olhos pela piada ela abriu a porta do carro, tirou o celular de dentro da bolsa no banco do carona e fechou novamente a porta. Desbloqueou a tela e o entregou para Emma, que digitou alguns números e fez a chamada, e no próximo segundo seu próprio celular começou a tocar e ela o tirou do bolso. Deslizou o dedo pela tela e fez o toque cessar.

– Pronto, agora você tem o meu número e eu tenho o seu. – mais alguns toques e salvou o nome de Regina na agenda do telefone e vice-versa, devolvendo o aparelho em seguida.

– O que pretende com isso? – a morena perguntou.

– Por enquanto nada, não faço ideia do que estou fazendo e muito menos onde isso vai dar, mas eu sei que quero te ver de novo. – explicou – Pensei em deixar passar uns dias e te procurar.

– E eu posso dizer uma palavra sobre isso ou você já resolveu tudo por nós duas? – perguntou, tentando ao máximo parecer irritada, mesmo sabendo que no fundo não era bem assim que se sentia.

– Por isso quis que tivesse o meu número. Eu não vou marcar uma data, então enquanto não tiver notícias minhas você pode me mandar mensagem ou até mesmo ligar a qualquer hora e eu vou entender que não devo te procurar. – respirou fundo – Tudo aconteceu meio rápido nessa semana, então como disse vou deixar passar alguns dias, acho melhor assim.

– Espera, está me deixando livre para impedir ou não uma futura aproximação que nem ao menos sabe quando vai ser? – arqueou a sobrancelha.

– Falando desse jeito você faz parecer mais confuso do que já é. – riu e levou a mão até o rosto de Regina, acariciando seu queixo com o polegar – Espero que tenha entendido tudo, porque eu não sei se vou ter cabeça pra explicar com a sua boca tão perto da minha.

– O que aconteceu com manter suas mãos para si mesma? – perguntou em voz baixa, já sentindo seu corpo vibrar com aquele mínimo toque.

– Não lembro de ter prometido nada. – sem deixar espaço para protestos logo encostou seus lábios aos de Regina com ainda mais fome e urgência do que das outras vezes, e pressionou seu corpo junto ao dela contra a lataria da Mercedes preta durante um longo e delicioso minuto, onde suas línguas se encontravam e as mãos logo acharam seus lugares onde cada uma desejou. Regina puxava Emma para si pelas extremidades da jaqueta, e Emma por sua vez passou os braços em volta da cintura dela e fez o mesmo – Ok, preciso mesmo te ver outra vez. – disse ao parar para respirar.

– Posso ao menos saber como vai fazer isso?

– Não... Tudo o que você precisa saber é que eu vou te encontrar. – sorriu e deu um selinho rápido em Regina antes de se afastar.

Observando o fusca amarelo berrante desaparecer na estrada Regina parou para analisar a situação rapidamente.

A lista de coisas que nunca se imaginou fazendo naquela semana era imensa, e pra encerrar com chave de ouro ali estava ela, ainda encostada no carro, onde o único som que podia ser ouvido era o dos passarinhos pousados nos galhos das árvores, e os únicos sinais de vida eram os de um carro ou outro que passavam em alta velocidade, provavelmente também retornando do SPA. O batom todo borrado, blusa amarrotada e o cabelo levemente desgrenhado, mas em nada se comparava com o nó que tinha na cabeça e as batidas frenéticas do coração.

Definitivamente ela jamais pensou que passaria por aquilo, e enquanto dirigia de volta para a cidade após conseguir se recompor um pouco com certeza também não fazia ideia de que aquelas eram apenas as primeiras de muitas outras concessões que estavam por vir.

Notas finais
Então, como falei lá no começo esse capítulo era pra ter mais coisa, só que eu ainda não escrevi a cena final então pra não demorar mais ainda resolvi postar assim, cortando numa parte que eu achei que ficaria legal. Não quis dar muita ênfase em todo esse negócio de "eu sempre vou te encontrar" porque francamente é meio cansativo de tanto que a Snow e o Charming usam na série, mas também não tive como não colocar porque achei que se encaixava bem. O que acharam do nome do carro da Emma? Eu tava sem ideias e tenho um fraco por abreviações desse tipo, quem tiver sugestões pode mandar, quem sabe eu mude hahaha Ah sim, quem pediu cena hot nesse capítulo, gente, eu até faria, mas se já demorei sem fazer imagina o contrário. Mas muita calma que tudo tem seu tempo, e eu agradeço quem opinou. Prometo que não vai demorar pra acontecer, e pretendo avisar com antecedência. Como disse o próximo capítulo já está praticamente todo pronto, então não devo demorar dessa vez, acho que posto ainda no meio dessa semana. Se ainda não pedi, peço agora desculpas pela demora. Comentem please, é super importante saber que continuam interessadas (os). Beijos ♥