Notas iniciais
Eu sei, vocês querem me bater, eu também quero. Peço 84657818567 desculpas, são muitos os motivos pelos quais eu sumi, isso vai ficar imenso se eu tentar explicar todos, vou só dizer que esse ano não foi legal comigo. Me deu a louca e eu sentei na frente do pc pra finalmente colocar um final nesse capítulo que me segurou durante tanto tempo. Espero mesmo que gostem. Recapitulando: elas saem do SPA, alguns dias passam a Emma acha o escritório da Regina, vai até lá, papo vai papo vem, mais uma pegaçãozinha no sofá, Emma convida ela pra jantar, ela aceita, e aqui estamos nós. Boa leitura.

– Minha nossa!

Regina apertou o vestido que segurava contra o peito, reagindo ao susto causado pela chegada repentina de Tinker em seu quarto naquela noite.

Ela havia saído do trabalho mais cedo, pedindo para que Jasmine transferisse o último cliente para o dia seguinte. Já em casa deixou o jantar pronto para Henry, tomou banho, escovou o cabelo e estava há cerca de meia hora analisando cada peça de seu guarda-roupa, procurando uma que lhe agradasse, mas até aquele momento, nada.

– Como você entrou? Eu não ouvi a porta.

– Isso porque o Henry deixou ela aberta pra mim. – respondeu se aproximando e continuou ao ver o olhar intrigado de Regina – Ele me mandou mensagem perguntando se eu tinha arrumado outro encontro pra você, e eu disse que não, mas como já sabia do que se tratava resolvi vir direto pra cá e pedi que destrancasse a porta. – explicou.

– Mas... – olhou de relance para a porta do quarto aberta e abaixou o tom – Eu disse que era um jantar de negócios. – não que fosse um hábito mentir para o filho, mas também não via necessidade de comentar sobre tais assuntos, afinal, nada daquilo nunca resultou em algo duradouro – Como ele...?

– Ele não é mais um garotinho, Regina. – interrompeu – Está crescendo e começando a entender muitas coisas. – parou e deu uma leve risada ao se lembrar de algo – Na verdade quando eu perguntei por que ele achava que era um encontro ele disse que você parecia agitada e até um pouco ansiosa, agora me diga... Por que estaria assim, se como você mesma disse ontem, isso é apenas mais uma ocasião qualquer?

Regina suspirou e revirou os olhos, dando as costas para Tinker e indo em direção ao closet.

No dia anterior, pouco depois do jantar, ela ligou para a amiga e contou todo o ocorrido, inclusive o convite feito por Emma. A animação de Tinker foi tanta que ela precisou afastar o telefone do ouvido algumas vezes para proteger sua audição.

Ela não queria fazer daquilo um grande circo, muito pelo contrário, fazia questão de segurar bem as “rédeas” de tudo, e quando a loirinha sugeriu ajudá-la a escolher uma roupa ela a interrompeu imediatamente e alegou que podia fazer isso sozinha, dizendo:

“É apenas um jantar, considerado como encontro, é claro, mas não é o meu primeiro e posso garantir que não há motivo para tratá-lo de maneira diferente. Seja realista Tinker, não é tudo isso que você insiste em acreditar.”

E sim, as palavras saíram forçadas por seus lábios e ela sabia disso, mas preferia sustentar seus argumentos a sequer cogitar a possibilidade de estar errada.

– Eu não mudei minha opinião, você, no entanto, devia mudar a sua. – disse ao voltar, carregando mais dois vestidos ainda nos cabides e os colocando em cima da cama, onde já havia diversos outros de modelos e cores diferentes espalhados.

– Claro, e eu faço isso antes ou depois de você se atrasar porque se perdeu nesse mar de vestidos? – apontou para as peças, tantas que quase cobriam o lençol por completo.

– Eu nunca me atraso. – afirmou, mas num reflexo olhou para o relógio na parede, confirmando que ainda tinha mais de meia hora para ficar pronta.

Emma havia mandado mensagem com nome e endereço do local no qual se encontrariam pouco depois das dez da manhã. Regina estava se preparando para receber o segundo cliente do dia em sua sala, e quando viu o nome da loira na tela do celular ficou aliviada por ela ter realmente avisado com antecedência. Digitou uma resposta rápida antes que Jasmine pudesse anunciar a chegada do cliente.

R: Nos vemos lá.

–... O que você acha? – voltou a olhar para Tinker ao ouvir somente o final da frase.

– Sobre o que?

– Esse aqui. – ergueu um vestido vermelho, frente única.

– Bem, é lindo, porque eu comprei e tenho ótimo gosto. – disse tirando o vestido das mãos da amiga e colocando de volta na cama – Mas como falei antes, posso fazer isso sozinha.

– Eu venho aqui com a maior boa vontade e você não vai mesmo me deixar ajudar? – perguntou usando um tom de falsa mágoa.

– Você quer tratar isso como o primeiro capítulo de um romance histórico, e eu sou realista o bastante para não incentivar.

– Ok! – começou, “passando” os olhos pelos vestidos e pegando alguns enquanto falava – Pra começar eu não sei quando realismo virou sinônimo de teimosia, e o primeiro capítulo não é esse nem longe. – pegou um último, reunindo cinco em sua mão esquerda, segurando-os pelos cabides e voltou a olhar para Regina – Isso tudo começou lá naquele SPA, sem interferência minha ou de qualquer outra pessoa. – disse de maneira tão convicta e espontânea que a morena perdeu a fala por alguns instantes.

– Acho que você precisa de uma bebida. – colocou a mão por cima da de Tinker, numa tentativa de pegar os vestidos de volta – Por que não vai procurar algo? Eu sei que não preciso te dizer pra ficar à vontade.

– Quer parar? – aumentou o aperto nos cabides para manter os vestidos em seu domínio – Eu não quero beber nada, e goste você ou não, vou te ajudar a escolher um. – sacudiu levemente os vestidos, exibindo-os – Esses aqui são os que abrem mais fácil. – sorriu.

– O que você...? – começou, mas perdeu a fala e bufou exasperada, puxando novamente os vestidos e dessa vez Tinker não ofereceu resistência e deixou que ela os colocasse de volta na cama – Isso não...

– O que? – interrompeu, rindo – Só estou seguindo sua lógica. Se isso é apenas outro encontro como os anteriores, tenho que pelo menos considerar que a noite termine num lugar mais reservado, você sabe, onde vocês possam...

– Já chega. – interrompeu – Se quer ajudar, tudo bem, vá em frente. – disse apontando para a cama.

Tinker sabia que ela só havia aceitado para fazê-la parar de falar, mas mesmo assim sorriu vitoriosa e dedicou um longo e “severo” minuto examinando com os olhos peça por peça, até encontrar um vestido preto, com detalhes em renda no busto e mangas meia estação.

– Esse. – estendeu-o para Regina.

– Posso saber por quê? – perguntou, pegando-o.

– Não, eu sou a especialista, você só concorda e veste. – sorriu.

Regina engoliu a resposta já na ponta da língua pois sabia o quanto aquilo poderia se prolongar e acabar atrasando-a de verdade. Entrou no banheiro acoplado ao quarto, tirou o hobby e o pendurou num gancho atrás da porta, colocou o vestido, fechou o zíper com facilidade e saiu logo em seguida, ajeitando a barra que ficava um dedo acima dos joelhos.

Parou em frente ao espelho que refletia seu corpo todo e antes que pudesse esboçar alguma reação, Tinker apareceu atrás dela.

– Sou praticamente sua fada madrinha. – disse, sorrindo.

– Considerando minha aversão a todo e qualquer tipo de princesa, vou fazer um favor a nós duas e fingir que não ouvi isso. – disse enquanto ia até a penteadeira e pegava o que ia precisar.

– Como quiser. – disse – Mas e quanto aos sapatos?

– Não serão um problema. – respondeu terminando de colocar um par de brincos discretos de ouro branco, levantou e entrou no closet de onde saiu segundos depois e se apoiou na porta para calçar um par de saltos altos de veludo na cor preta.

– Ótimo. – aprovou e assistiu Regina se maquiar com agilidade pelo espelho da penteadeira. Em poucos minutos já estava finalizando, e quando pegou o batom Tinker resolveu quebrar o silêncio – Daqui tudo parece perfeito, mas será que eu devo me preocupar com o que tem por baixo? – perguntou sugestivamente e ganhou a atenção da outra no mesmo instante – Você sabe que é sempre bom comb...

– Eu entendi. – interrompeu – E isso também está sob controle.

– Ok então, acho que eu já posso ir. – ficou olhando Regina passar o batom nos lábios – Agora... – tocou o ombro dela, fazendo-a parar – Vou me despedir do meu afilhado e ir pra casa descansar, porque eu mereço. – começou a se afastar de ré – Boa noite, e... – já fora do quarto, colocou só a cabeça para dentro e completou – Boa sorte.

“Eu não preciso de sorte, é apenas um jantar.”

Levantou e devolveu os vestidos ao closet rapidamente, pegou uma pequena bolsa da cor cinza escura, onde já estavam seu celular, documentos e cartão de crédito. Apagou as luzes e saiu.

Passou no quarto de Henry e deu uma breve batida na porta antes de entrar.

– Estou indo, querido. – avisou.

O menino que mexia no computador virou para olhá-la.

– Está linda, mãe. – elogiou.

– Obrigada. – sorriu – Não sei que horas volto ao certo, mas quero você dormindo quando eu chegar, entendeu?

– Sim mãe, eu só vou terminar essa pesquisa da escola e já desço pra jantar, ver TV e depois vou direto pra cama. — disse.

– Ótimo... – se aproximou e beijou o topo da cabeça dele – Se precisar de algo, já sabe.

– Eu te ligo, pode deixar.

Regina jogou um beijo para ele e saiu do quarto.

Ela sabia que ele não era mais uma criancinha, mas nunca deixaria de se preocupar, afinal, como dizem por aí, mãe é mãe.

–------------------------ SQ --------------------------

Encostada num poste na calçada em frente à entrada do restaurante, Emma conferiu a hora no celular pelo que poderia ser a vigésima vez desde que havia chegado.

Conseguiu sair do trabalho apenas um pouco depois do fim do expediente, já que o único caso que teve fora um possível homicídio que levou quase a tarde inteira para ser comprovado na verdade, como um acidente doméstico.

Em casa se arrumou muito rápido, como sempre. Apesar de desastrada com algumas – ou muitas — coisas, sobre isso não tinha o que reclamar. Desde criança quando precisava se apressar, ela se apressava, e isso em nada comprometia o resultado final, como naquela noite.

Usava seu melhor blazer, reservado apenas para ocasiões especiais, da cor branca, uma blusa preta de alças por baixo e uma calça justa da mesma cor. Os sapatos de salto não muito altos também na cor preta, tirando-a um pouco da zona de conforto que tinha com suas estimadas botas. Poderia ter colocado um vestido? Sim, é claro, não tinha nada contra eles, só não os achava muito... Práticos.

Os cabelos caíam sob os ombros levemente desalinhados, pois depois do banho só teve tempo de alisá-los rapidamente com os dedos. Maquiagem leve, apenas um pouco de rímel e um batom claro nos lábios.

A reserva estava marcada para as oito e meia, mas conhecendo seu problema com pontualidade resolveu se adiantar e chegou vinte minutos antes.

Olhou outra vez a hora no celular: 20:23, e decidiu enfim, entrar.

O lugar era relativamente novo, havia sido inaugurado não fazia nem um ano, mas segundo as críticas era considerado ótimo, classificado como quatro estrelas.

Não que tivesse dinheiro para esbanjar, até porque com o salário do governo pagava as contas, comprava uma coisa ou outra que quisesse ou precisasse – já que não era do tipo consumista -, e guardava um pouco, mas aquele lugar, ainda que faltasse uma estrela para ser considerado perfeito de acordo com os padrões, não era dos mais baratos. No entanto, ela não estava dando a mínima importância para isso, tudo o que queria – mesmo sem entender bem a razão de querer tanto -, era que Regina apreciasse a noite, começando é claro, pelo ambiente.

Assim que passou pela porta deu de cara com uma moça atrás do balcão de reservas, e ao dizer seu nome a mesma chamou um dos garçons que a levou até onde sua mesa estava, se retirando ao saber que ela esperava por uma pessoa.

E esperou exatos – e incrivelmente longos – quatro minutos acompanhados através do relógio de parede no canto direito do restaurante. Enquanto observava o movimento, sua atenção foi imediatamente atraída para a entrada, e se deparou com Regina olhando em volta até encontrá-la.

Por alguns segundos elas apenas se olharam de longe, até que a morena começou a se aproximar em passos confiantes, e parou em frente a ela.

– Contando com o alarme do celular para burlar sua impontualidade outra vez? – indagou provocante, pra variar.

– Não, mas é bom saber que você escuta o que eu falo. – disse ao se levantar e puxar a cadeira para que Regina sentasse.

– Isso não é... – começou, embora não tivesse recusado o gesto.

– Necessário, eu sei. – completou, ainda segurando o encosto da cadeira enquanto a morena se acomodava – Mas é você que está de vestido, eu não consegui evitar. – sorriu e voltou ao seu lugar.

Regina sorriu de volta e assentiu levemente, e logo o silêncio se estabeleceu entre as duas.

“O que é isso? Até parece o primeiro encontro da sua vida, fale alguma coisa!” Pensava Emma, mas para sua surpresa Regina tomou a frente.

– Eu não... – parou por um momento e olhou ao redor para as mesas com sua maioria ocupadas – Não conhecia esse lugar.

– Nem eu, mas as críticas foram tão boas que eu resolvi tentar.

– Você leu as críticas? – a loira assentiu – Encontrou esse restaurante em algum site, não é?

– Depende. – fez graça – Eu acertei na escolha?

– Isso eu ainda vou decidir, querida. – sorriu.

Quando Emma pensou numa resposta, o garçom surgiu ao lado da mesa.

– Gostariam de fazer os pedidos, senhoritas? – perguntou educadamente.

– Sim.

– Claro.

Responderam juntas e seus olhos se encontraram brevemente enquanto pegavam os cardápios.

Regina pediu um prato tradicional repleto de alguns tipos de salada, já Emma optou pelo especial da noite que acompanhava a melhor carne do menu, como acompanhamento pediram vinho tinto, embora a loira não fizesse muito do tipo que bebe vinho, também não recusava quando a oportunidade surgia.

– Então... – começou assim que o garçom saiu – Eu sei que toda aquela coisa do “me fale um pouco sobre você” está meio batida, mas se eu não fizer isso vou ficar só parada te olhando, e não que seja um problema, muito pelo contrário, na verdade...

– Respire, por favor. – Regina interrompeu – Eu adoraria não ter que presenciar um colapso nervoso.

– Por que você tem... – “noite agradável, respire fundo, noite agradável” lembrou a si mesma e decidiu reformular – Como foi seu dia?

– É assim que costuma iniciar uma conversa?

– Nem sempre, mas é que eu estou morrendo de curiosidade pra saber se você fez alguém chorar hoje. – rebateu, sorrindo.

Geralmente diante de um comentário sequer parecido com aquele, Regina não pensaria duas vezes antes de colocar quem o fez em seu devido lugar, mas naquele momento ela não conseguiu fazer nada além de acompanhar o ritmo.

– Infelizmente não, mas oportunidades não me faltam, então sempre posso compensar.

– Longe de mim duvidar. – mexeu nos talheres enquanto pensava por um instante – Então... Há quanto tempo você tem a sua firma?

– Ela não é exatamente... Originalmente minha. – reformulou – Meu pai fundou-a junto a um amigo depois da faculdade, e... Bem, como você pôde ver, deu certo.

– Claro... E você assumiu sua parte quando ele...? – e ela se arrependeu no instante em que deixou a pergunta no ar.

“Não se fala nessas coisas logo de cara, sua idiota.”

– Alguns anos depois na verdade. – disse, deixando de fora os detalhes.

– Me desculpa, eu...

– Eu sei, pare de se desculpar. – pediu.

Antes que Emma pudesse dizer algo, uma voz rompeu à sua esquerda.

– Regina Mills no meu restaurante? – disse sorridente um homem vestido socialmente, com uma camisa azul bem clara, alto, cabelos e olhos castanhos, segurando uma garrafa de vinho na mão direita – Não é todo dia que algo assim acontece. – sorriu.

– Paul? – Regina retribuiu o sorriso, mas de forma mais contida e se levantou para cumprimentá-lo rapidamente – Como vai? – perguntou ao voltar a se sentar.

– Com certeza muito melhor agora com sua presença, amore mio. – respondeu galante, olhando-a diretamente nos olhos, e Emma teve que se segurar para não gemer de frustração diante daquilo.

“Só pode ser brincadeira comigo.”

– Você é o dono? – perguntou, tentando mudar o rumo da conversa ao perceber o modo como ele a olhava.

– Sim, eu sou. Tudo aconteceu muito rápido, e eu tentei lhe avisar, mas... Bem, não importa, você está aqui agora. – Regina lembrava muito bem de sua secretária comunicando alguns recados deixados no nome dele, os mesmos que ela ignorou um por um, com prazer – Ainda estamos em expansão, mas se quiser posso mostrar...

Enquanto ele falava ela olhou de relance para Emma, que observava tudo com o cotovelo direito apoiado na mesa e a mão sustentando o queixo com uma expressão que com ou sem seu próprio conhecimento, denunciava abertamente seu desconforto com a situação.

– Onde estou com a cabeça? – interrompeu-o – Paul, essa é Emma Swan, Emma, esse é Paul, um amigo. – completou, gesticulando de um para o outro.

Paul finalmente olhou para a loira, como se tivesse acabado de descobrir a existência dela, e sorriu, estendendo-lhe a mão e beijando-a no dorso quando a mesma aceitou o cumprimento, e fingiu não notar a leve careta que ela fez perante o gesto.

– Paul Segatto, ao seu dispor.

– Ok, obrigada. – respondeu em voz baixa, puxando sua mão de volta devagar, tentando parecer simpática, mas falhando miseravelmente.

– Bem, nós estávamos tratando de alguns assuntos, eu sei que você me entende, querido.

Emma não soube dizer o porquê se sentiu tão incomodada ao ouvir Regina chamá-lo daquele jeito. Sabia que aquele tratamento não lhe era exclusivo e que muitas vezes o usava com desdém, mas ainda assim não conseguiu evitar.

– Claro, eu vou deixá-las a sós, mas antes, tomei a liberdade de cancelar o vinho pedido e trocar por esse. – mostrou a garrafa – Um dos melhores da nossa adega, por conta da casa.

– Nós não...

– Por favor, eu insisto.

– Bem, é muita gentileza da sua parte, nós agradecemos. – sorriu.

– É, e como. – Emma murmurou.

Paul habilmente retirou a rolha e serviu-as, se despediu, dando obviamente mais atenção à morena, e se afastou.

– O que? – perguntou ao ver que a loira a encarava.

– Você já saiu com ele, não saiu?

– Posso saber o que te fez chegar a essa conclusão?

“Posso saber por que você parece gostar tanto de responder minhas perguntas com outras perguntas?”

– Bom, acho que quando ele quase babou por sua causa deixou tudo bem claro.

– Talvez se fosse um pouco mais gentil teria recebido a mesma atenção.

– Pode ser, o único problema é que não é bem dele que eu quero esse tipo de... Atenção. – fez questão de olhá-la nos olhos enquanto falava, e viu o exato momento em que Regina engoliu em seco e tomou um único e preciso gole de vinho – Minha pergunta continua sem resposta.

– Foi há mais de um ano e não há nada em especial que eu goste de relembrar. – disse, enfim.

– Bom pra mim, certo? – só percebeu que havia dito aquilo em voz alta quando viu o olhar de Regina encontrar o seu seguido do que ela sabia que seria algum comentário sarcástico, mas ele nunca veio pois o garçom chegou com os pedidos e ambas optaram pelo silêncio enquanto comiam.

Entre uma garfada e outra Emma deu uma leve risada, chamando a atenção de Regina.

– Algo engraçado com seu prato, querida? – perguntou.

– Não, eu só estava aqui pensando no tamanho da minha sorte pra entre centenas de restaurantes, conseguir escolher justo o de um ex-namorado seu. – balançou a cabeça, sorrindo – Acho que me superei.

Regina quis dizer que a palavra namorado era forte demais para descrever a passagem de Paul em sua vida, já que o único encontro que teve com ele foi de longe o mais entediante possível, mas preferiu apenas revirar os olhos e sorrir de canto com o comentário.

Durante os próximos minutos os únicos sons ouvidos eram os dos talheres e as conversas alheias dos outros clientes. Não era desconfortável, era normal, e nenhuma das duas pareceu se incomodar com isso. Vez ou outra seus olhares se cruzavam, mas não passou disso.

– Você é a primeira mulher que eu conheço que não está ansiosa pra compartilhar histórias. – Emma disse, rompendo o silêncio – É bom variar. – isso era uma veia verdade, sim, ela gostava de mudanças, mas ao mesmo tempo queria saber mais sobre Regina, porém sabia que não podia simplesmente sair perguntando o que bem entendesse.

– Nada me deixa mais feliz do que corresponder suas expectativas, ainda que indiretamente, é claro.

Emma sorriu com a provocação, e decidiu mudar de assunto.

– Sobremesa? – perguntou e a morena assentiu. Com um gesto o garçom se aproximou e anotou os novos pedidos, retirou os pratos e se afastou. – Então, algum efeito milagroso depois do SPA?

– Por alguma razão aos olhos do meu filho aparentemente eu pareço mais... Relaxada. – sorriu ao lembrar-se da conversa com Henry durante o almoço no dia em que voltou.

– Eu nunca coloquei fé nessas coisas, mas... – encarou as taças sob a mesa por um momento – Foi bom ficar um pouco longe, eu acho. – sorriu.

Antes que Regina pudesse responder as sobremesas chegaram, e ao ver a calda de chocolate na sua, Emma automaticamente abriu um sorriso de satisfação e afastou o cabelo do rosto para começar a comer.

Naquele instante Regina não encontrou nada que a distinguisse de uma criança, mas para sua surpresa aquilo não a incomodou, e uma parte de si escondida atrás de uma espessa camada feita de comentários irônicos, achou a cena adorável.

– Isso está incrível. – Emma elogiou – Mas o fato é que nós já chegamos na sobremesa e eu continuo sabendo o básico do básico sobre você. – disse enquanto observava Regina comer seu próprio bolo com cobertura de creme, de forma mais contida, é claro – O que você gosta de fazer? – e ao ganhar uma sobrancelha arqueada em resposta, continuou – O que? Eu tinha que começar por algum lugar. Além do mais, todo mundo tem um hobby.

– Eu gosto de ler, se isso satisfaz sua curiosidade.

– Não tenho nada contra, mas eu pensei que como advogada gostar de ler fosse quase uma obrigação.

– Por que não me diz logo o que quer ouvir?

“Porque eu sei que você vai dar um jeito de usar palavras difíceis pra me enrolar e no fim não responder nada.”

– Música. – começou – Esse é o meu hobby, e... Bom, correr também, mas confesso que ultimamente ando meio preguiçosa. – sorriu – É disso que eu estou falando, sabe? Algo que você faz por prazer, não hábito.

– Bem, já que insiste, vendo por esse ângulo... – então fez uma breve pausa e suspirou, umedeceu os lábios com a língua, passando por cima do batom que continuava vermelho como sangue mesmo depois da refeição, e sorriu em seguida, sem ter a menor ideia de aquilo havia roubado todo e qualquer foco que Emma pudesse ter, provavelmente a maioria das pessoas não perdia completamente a noção diante de um simples gesto daqueles, mas ela não se encaixava nessa “porcentagem”, então foi o que aconteceu. Sabia que Regina estava falando, mas as palavras pareciam não chegar aos seus ouvidos –... Assim está bom pra você?

– Claro, ótimo... – pigarreou tentando disfarçar sua pequena “viagem”, “droga, o que será que ela disse?” – Como está sua mão? – desviou.

– Muito bem. – respondeu passando o polegar da mão oposta sobre o pequeno corte já sem curativo e no estágio final de cicatrização, e no segundo seguinte sentiu e viu Emma segurar sua mão delicadamente, por cima da mesa.

– É, foi superficial mesmo, não vai nem ficar cicatriz. – sorriu quando seus olhos se encontraram, embora duvidasse muito que alguma marca fosse capaz de comprometer de alguma forma a beleza daquela mulher, já que a única visível só conseguia deixá-la ainda mais linda – Nossas mãos ficam bem juntas, você não acha? – perguntou encarando com admiração os dedos recém-entrelaçados e o contraste da pele morena com a sua, alva, mas ao não receber nenhuma resposta procurou os olhos de Regina e os encontrou perdidos na mesma direção que os seus estavam anteriormente, porém de uma forma mais... Perturbada – Ok, acho que isso foi brega demais até pra mim... – disse em tom de desculpas, mesmo que no fundo não estivesse arrependida pelo comentário – Bom, nós...

Mas dessa vez foi Regina quem teve dificuldade em se concentrar nas palavras, pois sua cabeça estava presa em algum lugar que ela não sabia dizer ao certo onde era.

O calor da pele de Emma sob a dela fez seu corpo vibrar instantaneamente, e isso foi como um sinal de alerta dentro de si, reforçando todas as suas defesas.

Em outros encontros nunca teve esse tipo de “problema”, as pessoas eram apenas um meio para um fim. Uma maneira de fazer Tinker parar de falar sobre como ela precisava continuar vivendo e coisas do gênero. Mas ali, em poucos segundos, ela sentiu que estava num território no qual não tinha total controle, e nada poderia incomodá-la — e por que não dizer aterrorizá-la — mais do que isso.

– Você está bem? – Emma perguntou ao notar que a morena quase não piscava e havia permanecido em silêncio diante de sua tagarelice, sem pedir pra que ela parasse pra respirar nem nada do tipo.

– Sim. – respondeu no seu tom mais firme que conseguiu, desvencilhando-se da mão de Emma e respirando fundo em seguida – Está ficando tarde, não acha? Pode pedir a conta, por favor?

“Por favor? Ok, com certeza tem alguma coisa errada.”

– Posso, claro... Tem certeza que está tudo bem? – insistiu.

– Absoluta. – afirmou mexendo-se na cadeira para ajeitar a postura, por hábito, não necessidade – Agora se apresse, eu tenho um filho pré-adolescente em casa, caso tenha esquecido.

Não tinha nada a ver com Henry, mas ela precisava sair dali o mais rápido possível e qualquer desculpa que ajudasse nisso era válida. Não tinha a intenção de ser rude com Emma, mas naquela situação era automático.

– Não, eu sei, só pensei que... Bom, tudo bem. – acenou para o garçom que se aproximou rapidamente – A conta, por favor. – e voltou a olhar para Regina quando o homem saiu apressadamente – Acha que consegue aguentar mais dois minutos comigo? – perguntou, tentando aliviar o clima.

– Estou tentando. – respondeu de maneira fria e buscou qualquer outro lugar para olhar que não fosse o par de olhos verdes da outra, quase desesperados para entender a mudança repentina.

O garçom voltou com a conta e Emma pagou rapidamente, deixando a gorjeta separada e usando aqueles poucos segundos para pensar no que poderia ter dado errado em tão pouco tempo. Sim, porque não que Regina tivesse sido um poço de doçura em algum momento daquela noite, mas aquela atitude fria conseguiu se destacar nitidamente das outras.

Quando finalmente olhou-a novamente encontrou a cadeira vazia e viu a morena começando a caminhar por entre as mesmas, em passos rápidos. Levantou-se também, se apressando para alcançá-la, mas tentando não parecer muito ansiosa, afinal, não precisava que ninguém ali notasse o ocorrido, mesmo que nem ela soubesse o que era.

Ao passarem pelo balcão de reservas e ganharem a atenção da moça atrás dele, que provavelmente percebeu algo diferente, Emma resolveu chamá-la.

– Regina... – continuou andando atrás dela, que ou não tinha ouvido ou a estava ignorando completamente, e Emma já fazia uma boa ideia de qual opção era a certa – Regina... – tentou outra vez, agora enquanto saíam do restaurante, recebendo o ar levemente frio de Nova Iorque daquela parte da cidade – Regina! – chamou pela última vez, finalmente apertando o passo e segurando-a pelo braço, fazendo-a parar de andar.

– O que pensa que está fazendo? – perguntou olhando para a mão da loira em seu braço.

– Eu é que te pergunto! Você não espera mesmo que eu acredite que não me ouviu te chamando antes, né?! – mas não esperou pela resposta, e soltou o braço de Regina, dando um passo para trás – O que aconteceu? Por que você...

– Isso não está funcionando. – interrompeu – E eu não sei você, mas eu não gosto de desperdiçar o meu tempo, então agora eu vou para minha casa e você para a sua, e nós duas concordaremos que essa noite nunca existiu. – forçou um sorriso e tentou desviar para continuar andando, mas Emma entrou na frente, barrando-a.

– Espera aí, eu não vou concordar com nada. Eu não sei o que... – mas parou ao perceber algo – Isso tudo por que eu segurei sua mão? – perguntou.

– Não seja ridícula. – zombou.

– Ah eu estou sendo ridícula? Não fui eu quem saiu correndo. – e antes que Regina pudesse rebater, continuou num tom mais calmo – Se isso é por causa do que eu disse sobre nossas...

– Por que não para de tentar encontrar outras justificativas, e simplesmente aceita o fato de que eu posso não ter gostado da sua companhia?

Emma perdeu a fala por alguns segundos, estava acostumada com pessoas rudes, sua vida nunca foi um mar de rosas, mas com Regina ela sentia que toda aquela atitude escondia algo a mais.

– Porque eu tenho um cérebro, e mesmo que você duvide, sei usá-lo muito bem. – respondeu convicta – Será que você pode só me dizer o que aconteceu? Eu realmente gostaria de entender.

Regina respirou fundo e desviou o olhar.

Como explicar algo que nem ela entendia direito?

– Eu não estou procurando um relacionamento, e acho melhor pararmos antes que você tenha a impressão errada disso tudo. – disse enfim.

– E quem aqui falou alguma coisa sobre relacionamento? – perguntou – Eu sei que posso ser bem intensa às vezes, mas é só isso.

Claro que no fundo Emma sabia que estava procurando algo mais sério, mesmo tendo acabado de sair de outra relação, estava cansada de casos de uma noite, não queria voltar para eles, mas uma parte sua preferia não pensar nisso, e ela escolheu focar nessa parte.

– Está bem, mas eu mantenho o que eu disse, prefiro que não nos vejamos mais. Agora, se me der licença... – passou desviando do corpo da loira e indo em direção ao seu carro, estacionado na rua mesmo, logo mais a frente. Quando pensou que estava livre e poderia finalmente tentar encontrar algum sentido naquela noite, Emma apareceu ao seu lado novamente – Qual sua dificuldade em entender o que eu digo?

– Nenhuma. – disse se aproximando ainda mais, para fazer o que havia pensado poucos segundos atrás – Já sei que você quer deixar por isso mesmo, mas... Será que eu posso ter um último beijo? – lentamente colocou a mão por entre os fios de cabelos negros, e foi se aproximando de Regina que permanecia estática sem nem perceber, encarando os lábios rosados da loira, mas antes que o beijo pudesse se realizar o toque do celular de Emma se fez presente, quebrando o “encanto” e ambas se afastaram rapidamente. Assim que viu o número de David na tela, deu alguns passos para trás e sussurrou para a morena – Fique aí. – deu as costas e atendeu – Fala David.

– Você tem o número daquele cara que conserta notebooks? O meu deu problema hoje e eu...

Quando ela se preparava para interrompê-lo e explicar que estava no meio de algo importante, uma voz ao fundo da ligação foi mais rápida. Era Mary.

– Você está ligando pra Emma? Ela tem um encontro hoje, David. Eu te disse! – e então o chiado provavelmente da amiga pegando o celular da mão do namorado – Oh meu Deus, você deve ter interrompido algo... Desculpe Emma, nos falamos amanhã. – disse rapidamente e desligou.

A loira encarou o telefone por um breve momento pensando em como aquilo fora bobo, apenas para distraí-la de seu objetivo de...

Regina!

Ao virar viu que a morena havia usado aqueles poucos segundos para entrar no carro e fechar a porta, e estava colocando o cinto de segurança.

Não teve mais do que alguns segundos para pensar no que fazer a seguir.

Podia simplesmente ir embora também, esquecer aquilo tudo, os dias no SPA, as provocações irritantemente deliciosas, os olhares, os beijos, aqueles lábios...

Mas quando deu por si já estava batendo no vidro do carona, atraindo a atenção de Regina, que a olhou com uma cara de “o que raios você ainda quer?”.

Em resposta a loira gesticulou para que ela abrisse a porta, mas ainda assim tudo que a morena fez foi descer o vidro.

– O que? – perguntou, querendo mais do que nunca ir embora depois daquele quase beijo.

– Abre a porta.

– Já não basta por hoje, Senhorita Swan?

– Só abre a porta. – repetiu.

– Não.

Emma respirou fundo e olhou rapidamente para o lado, pensando.

– Eu estou tentando ser legal, então ou você abre ou eu mesma faço. Mas de qualquer jeito, nós vamos conversar.

– Está ameaçando arrombar meu carro? Isso não me parece apropriado para uma oficial da lei. – provocou.

– Regina! – disse exasperada – Abre a porcaria da porta... – respirou fundo novamente, e completou – Por favor.

Após alguns segundos de silêncio a morena fez o que a outra tanto pedia, e destravou a porta, mas virou o rosto para frente fingindo observar a rua pelo para-brisa, e apenas ouviu enquanto Emma entrava e se sentava ao seu lado.

Mais silêncio.

– Eu... Bom, eu...

– Realmente me fez deixar que entrasse para gaguejar?

– Meu Deus, ok! Escuta, não é assim que os meus encontros costumam terminar, não que eu tenha ido em muitos, na verdade...

– Eu não estou interessada em saber como seus encontros costumam terminar, Senhorita Swan. – interrompeu Regina, ainda olhando para frente, mas com a postura visivelmente mais rígida pelo rumo da conversa. Querendo ou não, ideias de como encontros da loira com outras mulheres terminariam passaram por sua mente, e isso a incomodou.

– Eu não me refiro a isso. — Emma se apressou para explicar ao perceber o que havia dado a entender – Só que... Bom, eu não estou acostumada a ter que correr atrás delas depois do jantar, literalmente. – tentou colocar o rosto num ângulo em que pudesse ver melhor a expressão de Regina, mas não estava fácil – E eu sei que você não tem obrigação nenhuma de corresponder às minhas expectativas. – disse já sabendo que a morena responderia algo do tipo – Eu não sei o que aconteceu lá dentro, e vou estar mentindo se disser que não quero saber, mas não vou forçar nada. – seu tom de voz suavizou – É por isso que estou insistindo ao invés de simplesmente entrar no meu carro e esquecer tudo como você quer, ou diz que quer... – finalmente Regina virou para olhá-la pronta para responder, mas ela foi mais rápida – Me deixa terminar, por favor. – pediu – Eu quero dizer que gosto de você, e acho que por baixo dessa pose toda você gosta de mim também.

Não foram as palavras mais bonitas ou bem escolhidas do mundo, mas foram suficientes para Regina perder qualquer comentário mordaz que pudesse ter na ponta da língua.

– Devia parar de achar tanto. – disse enfim, porém sem nenhuma maldade no tom.

– Eu errei? – perguntou com um meio sorriso.

– É mais complicado do que você pensa, Emma.

“Ela te chamou pelo primeiro nome, isso deve ser algum progresso.”

– Eu não estou pensando nada. – de repente uma ideia lhe surgiu e ela começou a tirar o blazer branco que usava, o que imediatamente fez Regina reagir.

– O que está fazendo? – perguntou, alarmada.

– Relaxa, não vou te agarrar. – riu e colocou a peça no banco de traz da Mercedes – Olha só que coisa, você ficou com o meu blazer, agora vai ter que marcar comigo em algum lugar pra me devolver.

Regina olhou entre o blazer e Emma, e estreitou os olhos.

– Eu posso simplesmente ficar com ele.

– É, mas eu acho que você não vai por um único e ótimo motivo: você quer me ver de novo também.

– Realmente querida, essa sua autoconfiança está...

– Desse jeito a gente vai ficar aqui pra sempre, Regina. – interrompeu, e olhando-a por mais alguns segundos outra coisa lhe veio a mente – Eu disse o quão linda você está?

– O que está tentando fazer? – perguntou, se segurando para não demonstrar reação com o elogio.

– Bom, agora só estou constatando o óbvio. – sorriu – Com tudo o que aconteceu nem tive tempo pra dizer o que devia desde que eu coloquei meus olhos em você.

– Emma... – começou ao ver a loira se aproximar lentamente.

– Acho que agora sim eu vou te agarrar. – brincou brevemente antes de capturar os lábios da morena com os seus, iniciando o beijo que viciava ambas sem que percebessem.

Não durou tanto quanto os anteriores, mas foi suficiente para deixar a vontade de mais.

– Eu vou esperar a sua ligação. – disse e saiu do carro, deixando uma Regina meio tonta para trás.

Como havia chegado naquele ponto? O que houve com seu plano de ir embora e afastar Emma de si? O que aquela loira estava fazendo?

Devia ser algo muito grave, pois sua vontade de responder com “e eu não prometo nada” ficou perdida na garganta e tudo o que conseguiu fazer foi olhar pelo retrovisor interno o blazer branco dobrado no banco de trás, e observar Emma ir.

Notas finais
Eu tenho coisas muito bonitinhas pra essa história na minha cabeça, às vezes me pego pensando nelas e já até anotei algumas pra não esquecer, e apesar das decepções que tive e ainda estou tendo com OUAT, swan queen corre nas minhas veias então não paro ♥ Ainda tô com alguns problemas, mas prometo não demorar mais assim, nem que pra isso eu tenha que mudar algumas coisas na história, e enfim, vou explicando conforme for. Nem vou pedir comentário porque não estou em condições, podem falar comigo no twitter também: @evilswen Bye guys.