I got you
1 Despedida
Notas iniciais
Eu estava sentada na minha cama, olhando para o quarto em que cresci estar vazio agora. Sem os móveis ele quase chega parecer maior. No canto esquerdo, perto da porta, as marcas de crescimento me deixavam nostálgica, paramos de marcar quando fiz quinze anos, tenho a mesma altura desde então.
Era estranho ver o que um dia pareceu ser o meu tudo se tornar meu passado.
Fechei a mala que estava aberta na minha frente e me levantei puxado a comigo para deixa-la ao lado das caixas que continham minhas coisas.
Mesmo com a porta fechada, podia ouvir meu pais conversando no andar de baixo. Estavam preparando meu jantar de despedida. Em algumas horas eu estaria dentro de um avião, indo estudar na faculdade que sempre sonhei e tanto me esforcei para entrar.
— Alice! — Minha mãe gritou e logo em seguida a campainha tocou.
Risadas invadiam a sala de estar e uma voz grossa, que eu conhecia muito bem, ia ficando mais alta.
— Toc, Toc. — Ian falou enquanto abria a porta do meu quarto. — Seu quarto parece maior. — Ele observou.
— Estava pensando a mesma coisa. — Respondi dando um longo suspiro.
— Sabe que iremos visitar eles nas férias né? — Ele falou enquanto se aproximava de mim e passava seus longos braços envolta da minha cintura.
— Eu sei. Mas é que é estranho deixar tudo aqui e começar uma vida do zero em outro lugar.
— Não se preocupa, estaremos juntos. Em prédios diferentes, mas juntos. — Ian me apertou contra seu corpo e gentilmente beijou a minha testa.
Vamos para a mesma Universidade. Ian irá estudar Comércio Exterior e eu Medicina Veterinária. Por mais que ele insistisse para dividirmos um apartamento, achei muito cedo. Só temos dezoito anos, não quero ser a esposa de ninguém ainda.
Nos conhecemos no primeiro ano do Ensino Médio, pode se dizer que foi amor a primeira vista. Estávamos na aula de biologia e Ian foi a minha dupla. A atividade era abrir um sapo, ele estava todo se achando e ficava sorrindo olhando pra mim, eu sabia que ele era popular entre as garotas, mas nunca havia pensado que ele me notaria. Mas me apaixonei de fato quando ele desmaiou ao meu lado assim que abri a barriga do sapo. Depois daquele dia, nunca mais nos desgrudamos.
Olhei para o espelho que estava a nossa frente e fiquei nos observando abraçados. Ian tem 1,80m de altura, a pele negra e os olhos num tom castanho claro. O cabelo preto agora estava cortado, quase careca. E eu, com 1,55m a pele clara. Meus olhos verdes claros sempre se destacaram com o ruivo do meu cabelo longo e cacheado.
— Crianças! — Ouvi minha mãe grita.
Fiquei na ponta dos pés para dar um breve beijo em Ian e logo sai do quarto, descendo as escadas indo em direção a sala.
.
Durante o jantar nossos pais falavam mais que a gente. Ellen e Oliver, os pais de Ian, riam das piadas horríveis do meu pai. Enquanto minha mãe, apenas finge não ouvir para disfarçar a vergonha.
Olhando todos juntos aqui, me faz pensar como facilmente passaríamos em m comercial de margarina. Não tenho do que reclamar, meus pais são pessoas incríveis, meus sogros também e meu namorado é verdadeiramente um sonho.
— E então... — Ellen começou falar. — Vocês irão morar á três prédios de distância, já acho que devemos ver as coisas para o casamento. Em Natasha?
Quase engasguei com a lasanha quando ouvi a palavra casamento.
— Ainda é cedo. — Minha mãe respondeu. — Mas já sabemos que irá acontecer.
— Ah, será um sonho! — Meu pai falou enquanto apoiava a mão no ombro do Ian. — Vai ser ótimo ter você como parte da família, filho.
— Sem dúvidas, nossos filhos escolheram bem. — Oliver falou enquanto apoiava sua mão gentilmente em cima da minha.
— Alguém quer sobremesa? — Falei, levantando da mesa rapidamente.
Quando percebi, eu já estava na cozinha, apoiando minhas mãos na pia. Meu coração estava acelerado e minhas mãos um pouco úmidas.
— Você está bem? — Ouvi a voz de Ian atrás de mim.
Respirei fundo e me virei.
— Estou. Só um pouco agitada, deve ser por causa da viagem.
— Ei, a gente não precisa pensar em casamento agora. — Ele falou enquanto colocava uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Deixa eles falarem o que quiserem. O importante é a gente.
Por mais que as palavras dele fossem gentis, meu coração ainda batia rápido.
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Ainda estava longe das nove da manha, mas já estávamos no aeroporto. Chorei horrores em casa enquanto abraçava meus pais e por mais que eu fosse sentir saudade deles, eu estava animada para tudo que me esperava em Sant Louis.
As malas já haviam sido despachadas e tudo estava em ordem. Ian cochilava na cadeira ao meu lado e meu estômago começava a roncar. Decidi ir pegar alguma coisa para comer.
Entrei na fila da lanchonete e virei minha pequena mochila para pegar a carteira. Um grupo de meninas veio atrás de mim e uma delas acabou me empurrando, acabei batendo sem querer na pessoa da frente e deixando minha carteira cair no chão.
— Desculpas. — Falei, me abaixando para pegar a carteira.
A pessoa esticou o braço, maior que o meu e alcançou a minha carteira antes de mim.
— Não tem problema. — Ela respondeu e virou para me olhar.
Era uma mulher, alta de cabelo curto, raspado nas laterais e olhos castanhos claro. Ela esticou a mão para me dar a carteira, quase não tinha pele para ver. Seu braço era todo coberto por tatuagens coloridas.
— O — Obrigada. — Gaguejei enquanto pegava minha carteira.
Literalmente fiquei encarando a menina enquanto ela pedia um café. Ela usava uma calça preta rasgada na frente e bem justa ao corpo. A blusa branca com listras pretas tinha a manga dobrada até a altura do cotovelo.
Queria estar mais arrumada. Estava com uma calça de moletom branca e um blusão da Adidas que havia roubado do Ian.
— Moça? — O rapaz do caixa falou chamando minha atenção.
Tirei minha atenção da menina para fazer o meu pedido. Quando olhei para o lado, depois de pagar, ela não estava mais ali.
Voltei para o banco ao lado de Ian, segurando dois chás e dois pães de queijo.
— Você está bem? — Ian perguntou.
— Sim, por que? — Falei entregando um pão de queijo pra ele.
— É que suas bochechas estão rosa.
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