I got you
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Já fazia três dias que eu havia acordado, tudo estava estranho, minha mente parecia vazia. Pelo que Madeline me falou quando me encontraram na cabana eu estava desacordado e sozinho e fizeram alguns testes constatando que havia ZIP no meu organismo, por isso eu não me lembrava de nada do que acontecera. Minha antiga equipe havia me traído, me deixado para morrer e ainda me injetado essa droga que apaga a memória. Eu não me lembrava de nada disso, apenas o que haviam me contado. Eles estavam sendo caçados há dois meses por terem cometido vários atos corruptos. Eu não me lembro de nada referente a Jane Doe da qual me falaram, pelo visto o ZIP apagou os últimos quatro anos da minha mente e o que eu me lembro antes disso está muito desconexo.
Estou parado em frente aos monitores do laboratório e a foto de cada um deles está na tela. Passo os olhos e me lembro de Kurt, sua fidelidade ao FBI, não consigo acreditar que ele tenha mudado tanto, mas pelo que fico sabendo foi influência da Jane, terrorista infiltrada no FBI com quem ele se casou, Patterson, a pessoa mais inteligente que já conheci, sempre teve uma facilidade para resolver bem rápido os casos mais complexos que outras pessoas demorariam dias ou até meses, com influência de Rich Dotcom, que eu apenas me lembro de ser um hacker fraudador, e estava trabalhando no FBI como consultor e pelo visto a influenciou a cometer vários atos criminosos. Tasha Zapata, senti um nó na garganta ao ver seu rosto no monitor, ela sempre teve minha confiança, eu me lembro disso, passa pela minha mente momentos em que estávamos em missões, outros momentos bebendo enquanto assistíamos jogos, não sei por que, mas ao lembrar dela sinto uma dor tão intensa e tudo fica desconexo, minha cabeça dói tão forte e eu preciso sair dali. Preciso ajudar Madeline a encontra-los porque pelo visto ela é a pessoa mais certa por aqui. E se eles são bandidos precisam pagar pelo que fizeram.
Tasha
Já fazem alguns dias que estamos com o aplicativo da Madeline decodificado e estamos interceptando todas as mensagens que ela troca com Ivy. Pelo menos a vinda de Icecream serviu para alguma coisa, aquele babaca! Por culpa dele perdemos Reade, se ele não tivesse nos dado aqueles celulares, mas paciência, se não fosse por ele talvez nenhum de nós estivesse vivo.
Eu ouço o coração do bebê todos os dias, parece estar tudo normal. Também estou prestando mais atenção à minha alimentação, principalmente depois do que Patterson disse sobre o presunto. Sono eu sinto o dia todo, eu li e parece ser normal na gravidez, mas não posso simplesmente dormir a hora que eu quiser, precisamos correr atrás de todas as pistas possíveis para sairmos logo daqui e voltar pra casa. Casa? Eu nem tenho uma. Eu estava no apartamento de Reade antes de fugirmos e, com tudo isso, não sei pra onde ir, mas saindo daqui darei o meu jeito.
Chego na sala onde todos estão e sinto que a conversa termina. – O que foi, pessoal? Estavam falando de mim? – Pergunto já me estressando.
— Não, não é nada disso. – Patterson mente muito mal, mas prefiro relevar, pois sei que devo estar entre os assuntos deles agora que estou grávida.
— Vou pensar que estavam falando bem. – Sorrio e me assento em frente a um dos computadores.
— Precisamos de uma estratégia para interceptar a carga de ZIP que estará saindo da Europa na próxima semana. – Jane falou.
— E pelas conversas que interceptamos até agora foram poucas informações úteis. – Patterson mostrava um pouco de desânimo.
Já estávamos todos cansados e com saudade de casa e dos nossos empregos, viver num porão era estressante e cansativo. Kurt queria ver a filha a todo custo, Patterson longe de seus pais, Jane era a mais centrada, pois já estava acostumada a viver sozinha, mas com certeza ela sentia saudades de Avery. Rich nem sei como estava se aguentando, pois ficou dois meses no black site e agora enfiado aqui nesse porão. Eu não tinha nada pra ter saudades não, o que eu queria havia sido arrancado de mim, eu só queria ter condições de dar uma vida digna pro meu filho e queria ver Madeline apodrecer na cadeia. Acho que nunca odiei tanto alguém, ela me arrancou o que eu mais amava e me deixou sem chão, mas com minha atual situação eu sabia que não era saudável guardar tanto ódio dentro de mim, por isso queria apenas focar em limpar nossos nomes e voltar pra casa.
Saio e vou preparar um chá, estou evitando o café por causa dos efeitos colaterais, hoje estou sentindo mais fome que o normal, preparo um sanduíche e volto para junto deles.
— Ei, Tash, vejo que está com fome mesmo. – Kurt fala em tom brincalhão.
— Me deem licença que é o meu momento. Posso comer um pouco mais sem culpa. – Entro na brincadeira. – Depois que o bebê nascer tento recuperar o peso ganho.
— Isso nunca foi problema pra você que sempre teve o corpo em forma. – Patterson interveio.
Passamos o resto da tarde focados nas conversas de Madeline e conseguimos a coordenada de um local que provavelmente era onde estava armazenada a carga de zip. Ficamos de verificar no dia seguinte logo bem cedo.
Todos nos retiramos. Eu estava bem cansada então fui para o quarto e deitei na minha cama. Fiquei pensando em tudo o que estava acontecendo, quando fechei os olhos e só conseguia ver o sorriso de Reade. De uma forma ele estava comigo me dando forças para enfrentar mais essa batalha. Droga! Eu só queria ele aqui comigo, Deus sabe quanta falta eu sentia dele. Eu pensava nele o tempo todo, mas à noite quando eu estava sozinha era pior. Acabei dormindo e sonhei com ele, eu estava deitada sob uma toalha na areia de uma praia, eu vestia um biquíni e uma saída de praia, Reade estava sem camisa assentado ao meu lado e acariciava minha barriga que estava bem grande, eu olhei para ele e o sorriso que ele me deu era o mesmo de que eu me lembrava, ele se curvou sobre mim e me beijou ternamente. Acordei de repente e quando vi que era sonho eu chorei muito. Estranho sonhar com isso, nós nunca estivemos juntos em uma praia. Eu queria tanto ter vivido mais coisas com ele. E o beijo, eu ainda podia sentir os lábios dele nos meus. Olhei no relógio e já passavam das dez da noite. Tomei um banho e fui para a cozinha preparar algo para comer, pois fome e sono era o que eu mais sentia. Antes de chegar na cozinha escutei conversas na sala e percebi que Patterson e Rich estavam lá, pensei em ir até eles, mas me contive quando percebi o teor da conversa.
— Ela não pode saber disso agora. Como você acha que ela ficaria? – Ouvi Patterson falando.
— Mas se for verdade mesmo, não podemos esconder isso dela. – Rich tentava convencê-la.
— Olha, agora com o bebê... e se não for verdade? Ela pode se quebrar de novo...
Estavam falando de mim, resolvi ir até lá. Eu precisava saber o que estavam escondendo, pois desde cedo quando cheguei e estavam todos reunidos pararam de falar ao me ver.
— O que está acontecendo aqui? Eu posso saber o que vocês estão me escondendo?
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