Notas iniciais
Desculpem a demora pessoal!!! Boa leitura!

— O que tá fazendo aqui? – Perguntei tentando não me molhar.

— Vim te entregar isso. – Ele disse me dando a minha pulseira.

— Ah, obrigado. Deve ter caído enquanto eu estava na ASCC.

— Sim.

— Não podia me entregar amanhã? Não precisava vir aqui debaixo dessa chuva.

— Não me importo com chuva.

— Então tá. Acho melhor você ir embora, antes que alguém veja você aqui.

— Acredito que ninguém mais saia na rua a esta hora e nesta chuva, mas acho melhor eu ir. Adeus! – Ele disse e foi embora.

Fechei a porta e voltei para o quarto. Ok. Isso foi estranho. Na verdade foi a coisa mais tenebrosa que já me aconteceu. O que aquele garoto tem na cabeça? Resolvi dormir, para não dormir no meio da aula do dia seguinte.

Encontrei Francesca no corredor arrumando suas coisas no armário.

— Oi Fran!

— Oi Vilu! Como foi o encontro com o León ontem?

— Bem legal. E onde tá a Camila?

— Ela ainda não chegou. Vamos lá fora esperar ela.

Fomos caminhando até o portão, em uma área com uma faixa asfaltada até o prédio do colégio e ao redor dela uma área verde. Estava um pouco frio, pois era muito cedo e o Sol aparecia aos poucos.

No portão vi León conversando com Jeff. Não entendi porque o Jeff estava no portão da escola então corri até lá, esquecendo que Francesca estava do meu lado.

— Jeff. – Eu disse interrompendo a conversa e ficando ao lado do León.

— Oi Violetta. – Ele disse ao me ver.

— O que veio fazer aqui? – Perguntei.

— Ele veio me avisar que hoje não vou ficar na ASCC, temos que fazer algumas coisas na rua. – León respondeu.

— Ele não trouxe o telefone da ASCC e eu não posso ligar no celular dele, então vim avisá-lo. – Jeff argumentou. Pelo jeito vou treinar com o Augusto hoje.

— Vilu, por que você saiu correndo? – Francesca disse correndo até nós.

— Francesca. – Jeff disse sorrindo.

— Oi, desculpa, esqueci o seu nome. – Ela disse.

— Jeff.

— Ah, oi Jeff e oi León.

— Bom León, o recado está dado. Francesca posso falar com você? – Jeff falou.

— Comigo? – Ela perguntou franzindo o cenho.

— É.

— Tá bom. – Ela disse e os dois se afastaram de nós.

— Cuidado Violetta, a Fran poderia ter escutado alguma coisa. – León falou se virando pra mim.

— É, eu sei. Desculpa.

— Bom, hoje você vai treinar com o Augusto.

— Falando nele, ás três da madrugada, com aquela chuva que caiu ele foi na minha casa.

— Como assim? – León perguntou intrigado.

— É, ele foi me entregar minha pulseira.

— Nossa! Muito estranho.

— Pois é.

Logo o sinal bateu e tivemos que ir para a aula.

Durante o intervalo e enquanto eu voltava pra casa, pensava em uma desculpa para ficar a tarde inteira fora sem Angie estranhar nada.

— Oi Vilu. Como foi no colégio?

— Foi bem. Então Angie, tenho que te falar uma coisinha.

— Diga.

— Eu e León vamos fazer um curso intensivo todos os dias à tarde.

— Nossa! Que curso é esse? – Ele perguntou enquanto colocava a mesa.

— É um curso de japonês, que começa hoje.

— Japonês? Violetta, se você fica estudando a tarde inteira as coisas da escola, como vai estudar japonês?

— Angie, você sabe que eu sou muito dedicada.

— E quando é isso?

— É de graça.

— De graça?

— Isso. É do governo sabe? – Será que aquilo estava mesmo colando?

— E quanto tempo isso dura?

— Bastante, japonês é uma língua muito complexa. Não é como inglês que todo mundo sabe no mínimo cinco palavras. A única palavra japonesa que as pessoas sabem é arigatô!

— É, você tem razão. Por mim não tem problema, desde que não afete suas notas na escola.

— Não! De jeito nenhum!

Depois do almoço estudei um pouco, arrumei minhas coisas, escondendo minha maleta em uma mochila e fui direto pra casa do León. Lá me troquei e fomos.

— E o que você vai fazer hoje? – Perguntei no caminho.

— Encontramos um celular que continha mensagens suspeitas. Era em um grupo que parecia planejar vários assaltos nas lajas da rua principal, então vamos ficar lá para garantir que não vai acontecer nada.

— Parece interessante.

— É um pouco tenso na verdade.

— Imagino.

— Eles podem aparecer de repente e de um lugar inesperado. Você nunca sabe o que vai acontecer nem como vai acontecer.

— Não sei como vou fazer isso.

— Vai saber.

Logo chegamos na ASCC e fizemos o mesmo processo da primeira vez: Cartões para abrir a cancela, subimos com o elevador e um discurso do Heitor.

— Bom, eu tenho que ir agora. – León disse enquanto o lugar se esvaziava, com todos andando apressados.

— Tá.

— Eu sei que o Augusto é esquisito e que o que você me contou é muito estranho, mas você vai se acostumar com ele. Ele é uma boa pessoa.

— Se você está dizendo.

— Tchau Vilu. Daqui a pouco eu volto tá bom, se cuida. – Ele me deu um beijo e saiu apressado como todos os outros.

Dali a pouco tempo Augusto apareceu, como sempre com o seu ar de quem faz parte da família real.

— Boa tarde Violetta. – Ele disse ao se aproximar.

— Boa tarde.

— Podemos começar?

— Sim.

— Então vamos.

— Olha, me desculpe se fui um inconveniente esta noite. – Ele disse enquanto caminhávamos até o elevador.

— Ah, não precisa se preocupar não.

— Mesmo assim lhe devo desculpas. Por acaso te assustei?

— Não. – “Claro que sim! O que tem na cabeça cara? Você já é todo sombrio e inventa de aparecer na minha casa em plena madrugada!” tive vontade de falar, mas obviamente eu não fiz isso.

— Que bom. – Ele disse quando o elevador chegou. Entramos nele e as portas se fecharam.

De repente as luzes se apagaram e o elevador parou com um tranco.

— Augusto o que aconteceu?

— Não sei. Mas não se preocupe, o prédio é baixo e se o elevador despencar não causará muitos danos. Mas tudo aqui é muito bem planejado, é raríssimo isso acontecer.

— Que droga!

— Se acalme, nada vai acontecer. — Ele disse se encostando no espelho do elevador com toda a calma do mundo, como se nada estivesse acontecendo.

Notas finais
E aí? Gostaram??? Comentem!!!