I do.
1 I do ♣ Colbie
Notas iniciais
Em meus 24 anos de idade estou solteira sem nenhum pretendente e nenhuma vontade de ter um, me formei a dois atrás em direito, mas até agora nada, tudo por que deixei de seguir meu sonho de carreira por uma paixão adolescente, moro no bairro de Upper West Side, e no momento, estou em um dos Starbucks na Times Square, um ponto de encontro muito comum para adolescentes se encontrarem e conversarem, mas no meu caso, estou trabalhando como garçonete nesse lugar.
– Garçonete?! – Ouço alguém chamar. Vou até a mesa e lá está um homem de terno, cabelos escuros e olhos... Uou, que olhos, verdes e profundos.
– Como posso ajudá-lo. – Digo sorrindo, o que eu mais odeio são pessoas mal humoradas.
– Vou querer um brownie e um café, por favor. – Saio de perto da mesa e vou ao balcão, faço o pedido e vou entrega-lo.
– Aqui está. – O entreguei o pedido, o ultimo do dia, graças. Vou para os fundos e me troco rapidamente. Depois que já estou com a minha roupa normal saio do trabalho.
– Boa noite Jacob. – Disse ao meu amigo de trabalho. Saio do estabelecimento e um frio percorre pela minha espinha, outono em New York é de congelar, vou andando até o metrô e o fico esperando, quando de repente alguém toca em meu ombro, por simples instinto dou um soco no rosto de quem quer que seja que tenha me tocado, mas na hora que me viro o arrependimento vem à tona, era ele, o homem de olhos verdes, do brownie e do simples café.
Coloco a mão na boca, eu acertei o nariz dele.
– Perdão, mil desculpas, eu pensei que fosse um ladrão, ah meu Deus. Tá sangrando muito. – Digo exasperada.
– Bem eu não sou um ladrão, ai – Seu nariz sangra cada vez mais. – Eu só ia te perguntar aonde ficava a lavanderia mais próxima.
– Oh... Deus, vem que eu te ajudo. – Digo o guiando de volta a lanchonete, por sorte tenho uma chave reserva. Abro a loja, mando-o sentar em uma das cadeiras em quanto vou buscar o kit de primeiros socorros, quando já estou com o kit nas mãos me sento na sua frente e começo a limpar seu nariz.
– Vocês têm um kit de primeiros socorros aqui?
– Sempre acontece alguma coisa, alguém se queima, se corta, escorrega. As pessoas aqui são muito desastradas. – Ele dá um risinho meio sem jeito, e depois se cala envergonhado. – Acabei, desculpa mesmo, é New York a noite, eu sempre espero o pior.
– Não está... Tá tudo bem mesmo, foi só um acidente.
Vou guardar as coisas, e quando volto ele ainda está lá, sentado na cadeira, segurando o nariz enfaixado olhando para o nada. Olho para o relógio.
– Merda
– O que?
– Eu... Eu perdi o metrô, o próximo é daqui a uma hora, vou ter que esperar aqui na loja.
– Você quer carona?
– Não precisa, provavelmente não é no caminho para sua casa, não precisa se incomodar.
– Não vai ser nenhum incomodo.
– Eu dei um soco no seu nariz e você está me oferecendo carona para um lugar que nem é caminho de sua casa?
– Cada louco com sua mania. Quer carona ou não?
– Bem, fazer o que se insisti tanto. – Digo com um sorriso um pouco irônico e ele solta uma risadinha pelo nariz.
Vou dando a coordenadas até o meu bairro quando chego na entrada dele peço que pare o carro.
– Pode parar aqui, eu vou andando.
– Não eu te levo até sua casa.
– É melhor não.
– Eu vou te levar até a porta de sua casa.
– Olha eu moro aqui a anos conheço todos, se me virem entrando no bairro com esse carro. – Ele me olha incrédulo e continua a dirigir, quando chegamos peço para parar o carro.
– Muito obrigada é... – acabo percebendo que não sei seu nome.
– Perseu... Perseu Jackson.
– Annabeth, Annabeth Chase. Prazer em te conhecer Perseu, obrigada pela carona, e mais uma vez, desculpa pelo nariz.
– Não tudo bem Annabeth, só me faça um favor. – Digo que sim com a cabeça. – Não me chame de Perseu, Percy por favor.
Dou um risinho e digo antes de sair do carro.
– Percy, prefiro assim. – Saio do carro e dou um tchauzinho. Espero ele ir embora para entrar até que ouço alguém falando.
– Então á Chase achou mais um retardado milionário para passar a perna.
– O que você quer Drew? – Digo com ódio na voz.
– O que você fez dessa vez, tropeçou e caiu em cima dele? Ou já foi pro jogo sujo? – Diz ela fazendo um gesto obsceno com as mãos.
– Vai arranjar o que fazer vai.
– Tudo bem, você já arranjou um brinquedinho agora eu tenho que achar o meu, não? – Ela solta um riso nojento e eu vou para dentro do meu apartamento.
Jogo minha bolsa no sofá com o rasgado, amarro meus fios loiros em um coque e vou tomar um banho. A água cai morda em minha pele, não está em uma temperatura agradável, mas sim suportável, acabo meu banho e coloco um pijama de frio. Vou para a pequena varanda que tem em meu apartamento e acendo um cigarro, olho fixamente para além de meu bairro, aqui no terceiro e último andar de meu prédio consigo ver um pouco do centro, da Times Square, o Empire State, e começo a imaginar as pessoas que vivem lá, muitas trabalhadoras que conquistaram aquilo com o seu suor, noites de insônia e persistência em seus sonhos. Mas outros só estão ali porque pisaram em quem passasse na sua frente, não ligaram para nada, ficaram cegos com o dinheiro e o poder que tinham nas mãos. Jogo a guimba do cigarro pela varanda, escovo os dentes e vou me deitar, mas inevitável não pensar naqueles olhos verdes antes de adormecer.
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