I do.
2 Give me Love
Notas iniciais
Já se passaram 8 dias desde que Perseu Jackson me resgatou do frio depois de ter socado o nariz dele, não que eu esteja preocupada que ele se lembre de mim na próxima vez que ele for em um Starbucks ou algo do tipo, ele deveria ter sentido pena de mim, deveria ter pensado em coisas com “A menina estranha e psicopata que soca o nariz de quem pede informações”, ou algo do gênero. Mas o grande problema na minha vida no momento é a intimação da hipoteca do meu apartamento, o emprego no Starbucks não me sustenta mais, preciso de um novo emprego, consigo um fácil, tenho que conseguir, tenho o curso superior, mas o grande problema é na hora da entrevista de emprego que eu gelo, travo, vem um bloqueio mental e eu não sei mais o que fazer a hora, como agir, como falar, é como se fosse uma fobia, mas eu tenho que supera-la rápido, antes que seja expulsa da minha própria casa.
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Domingo é meu dia de folga, mas hoje tenho que ir achar um emprego, melhor no mínimo, não quero me prostituir, mas se passar aperto, será minha única saída, não serei nada ao invés de uma lastima andante, não terei respeito nem a mim mesma. Mas terei que fazer isso se não houver saída, que por favor, tenha.
Visto uma calça social preta, blusa branca larga e um Scarpin preto, nem sei de onde tirei uma roupa tão formal de meu guarda-roupa, saio pelas ruas de NY atrás de um anuncio que li no jornal, Olympic’s, a maior empresa do ramo da Advocacia do país, estava procurando calouros na profissão, sou formada a um tempo, mas nunca consigo um emprego, tenho que consegui-lo, dessa vez não é somente querer, é a necessidade de conseguir.
Entro no estabelecimento e vou em direção a balconista.
– Bom dia, meu nome é Annabeth, eu vim para a entrevista de emprego.
– Bom dia, Annabeth de que?
– Paternos Chase.
– Andar 8, sala 807, sua entrevista será com o senhor di Angelo.
– Obrigada. – Vou ao elevador que me leva até o 8º andar, quando chega ao mesmo me surpreendo, o local era enorme com várias pessoas transitando por todos os lugares. Sal 801, 803, 805... Aqui! 807. Bato da porta três vezes e escuto um entre lá de dentro, abro a porta e dou de cara com um homem de pele bem branca e cabelos negros, me dirijo a cadeira em frente a sua mesa e me ajeito lá.
– Senhorita Chase?
– Isso.
– Então vamos lá, diz aqui que você fez estudos gerais na universidade de Beverly Hills, mas depois trancou a faculdade e fez direito em Stamford. Você se formou a dois anos, por que a procura de emprego só agora.
– Tive problemas financeiros e acabei por deixar minha carreira de lado para cuidar de outros problemas.
– Sim, você nasceu em Beverly Hills, mas veio para cá depois de cursar a faculdade de direito, qual foi o motivo da sua mudança de senário?
– Minha mãe faleceu e a casa ficou comigo por herança, mas vim para cá com o meu ex noivo.
– Então você já chegou a ser noiva.
– Sim mas nos separamos antes da cerimônia.
– Sim, entendo. Mudando de assunto, quais são os seus hobbies?
– Gosto de ler e... música é algo que eu gosto muito também, não tenho muito tempo para hobbies... – Eu estava nervosa. Eu sentia minhas mãos suando e minha jugular pulsando, depois de várias perguntas Nicolas di Angelo me dispensou e disse que eles iriam jugar as pessoas junto com sua equipe e qual quer coisa iria me ligar ou mandar um e-mail, saio do prédio e vou tomar um café, quando finalmente chego em casa olho para tudo aquilo e o primeiro pensamento que vem em minha cabeça era a bagunça que aquele lugar era, resolvo arrumar minha casa, dar uma faxina geral, depois de horas a arrumando sinto meu estomago roncar e percebo que não almocei, vou para cozinha preparar algo para comer. A noite quando tudo está arrumado, me surpreendo com a minha casa, ela é aconchegante e espaçosa com as mobílias em seus devidos lugares, ao fuçar minhas coisas acho minha antiga coleção de vinil e vários álbuns de fotos, pego um velho disco do Red Hot Chilli Peppers e coloco para tocar e uma velha máquina que eu tinha em casa, sento-me no chão da sala e começo a ver as fotos antigas, eu, minha mãe e meu irmão na minha antiga casa, viagens com minhas antigas amigas, até que vejo um álbum que se tivesse forças o suficiente já teria queimado, rasgado, jogado fora no mínimo, mas não, sou fraca e covarde para seguir em frente. Na capa estava escrito em dourado “Paris, a cidade do amor.” com uma letra perfeita, que me dei tanto trabalho a fazer, respiro fundo e abro o álbum, só de ver as duas primeiras fotos enxergo tudo embaçado por causa das lágrimas, mas continuo, continuo a ver todas aquelas fotos, no hotel, nos restaurantes, tudo, tudo foi retratado com tanto carinho, tanto amor. Começo a lembrar de tudo o que aconteceu em menos de 4 anos de vida, quando acordo dos meus pensamentos ouço o ranger do disco, me levando e o tiro do toca-discos, arrumo as fotos e hesito na hora de guardar o álbum de Paris. Tem coisas na vida que nos machucam, mas não aquela dor de quando você era criança e caia da árvore de joelhos, é maior, muito maior, pior e querendo ou não, infelizmente, o beijinho da sua mãe no local do machucado não irá te ajudar, ela não vai sumir aos poucos até desaparecer, ela diminui mas a cicatriz nunca se fecha, ela fica frágil, mas se qualquer coisa encostar nela, ela abre de novo e toda aquela dor volta. Mas o que tem de comum nessas duas dores? Elas te deixam mais fortes após a dor, elas te beneficiam, mas elas só te favorecem quando você as supera. Eu já derrubei-me de minha árvore, agora só falta achar o remédio certo.
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