I can´t stand you, love
21 Capítulo 21 - Entendimento
Notas iniciais
No capítulo anterior:
–Bem… — Olhou para mim, sorrindo. – Boa noite, Kate. Gostei muito do nosso dia.
–Eu também, menos da parte das limpezas. – Ri e depois olhei para ele. – Boa noite, Rick.
Os nossos olhares cruzaram-se antes de cada um ir para o seu quarto.
Pov Kate
O cheiro a café fez-me acordar de uma forma sorridente. Esfreguei os olhos com sonolência e depois levantei-me.
–Bom dia, Kate! – Castle disse, alegre, enquanto acabava de preparar panquecas. Não acreditava no que via.
–Foi você quem fez isto tudo? – Perguntei, incrédula, aproximando da mesa recheada. Havia pão quente, suco natural de laranja, bolo de chocolate, panquecas e tudo aquilo que uma pessoa pode desejar pela manhã.
–Sim. Não tinha sono e achei que podia preparar o pequeno-almoço para nós. O dia vai ser cansativo – temos grama para cortar, paredes para pintar e tudo mais… — Explicou, energético.
–Você é sempre assim quando acorda? – Olhava para ele, confusa. Rick me estava deixando zonza – ora ia para a bancada cortar bolo, ora ia pegar o copo e beber um pouco de suco.
–Têm que provar este bolo… — Nem tive tempo de pensar. Castle pegou numa fatia de bolo e deu-me à boca.
–Hum… — Tentei achar as palavras, enquanto saboreava o bolo. Tinha qualquer sabor lá que eu não estava conseguindo reconhecer.
–Não me diga que não sabe… — Falou, fazendo biquinho.
Fiz sinal com a mão para ele se calar. Fechei os olhos e fiquei saboreando por mais um tempo. Assim que engoli, percebi.
–Cerejas! – Exclamei, feliz.
–Eu sabia que ia acertar. – Sorriu.
…
A manhã passou rápido. Depois daquele pequeno-almoço calórico, eu e Rick arrumamos a cozinha e decidimos que eu ficaria a pintar as paredes exteriores e ele ficaria a cortar a grama.
Ao fim de um tempo o meu braço estava doendo.
–Bom dia. – Ouvi uma voz masculina me cumprimentar. Olhei para o lado e deparo-me com um homem com os seus vinte e poucos anos sorrindo.
–Bom dia. – Sorri de volta.
–Você vem viver para aqui? – Perguntou, curioso. Parei o que estava fazendo e aproximei-me dele. Ele tinha saído da casa ao lado.
–Não, meus pais me mandaram para aqui de castigo… — Reclamei, rindo. – Você mora aqui? – Perguntei, apontando o dedo para a casa que se encontrava mesmo ao lado da nossa.
–Sim, com os meus pais. Qual o seu nome?
–Kate! – Ouvi Castle me chamar ao longe.
–Parece que já sabe. – Ri. – E você?
–Josh. – Respondeu, sorrindo. – Prazer, Kate.
–Kate! Acho que o arroz já… — Rick olhou para nós os dois como se fossemos uns assassinos. – Quem é este?
–Josh. E você? – Acenou. Estávamos perto, mas ainda assim a uma distância que não dava para cumprimentar.
–Castle. É nosso vizinho? – O tom de voz de Castle estava diferente. Franzi o sobrolho, confusa. O que se passa com ele? Desde quando ele fala assim com alguém que não conhece?
–Sim. Vocês os dois…? – Josh tentou achar as palavras para definir aquilo que nós erámos.
–Sim, somos namorados. – Castle sorriu amarelo. Olhei para ele, aborrecida. Ele pirou?
–Venha cá. – Sem dar justificações a Josh, agarrei o Rick pelo braço e puxei-o para dentro de casa.
–Você está louco? – Perguntei, chateada.
–Eu? – Riu, sarcástico. – Quer dizer, você está conversando com um desconhecido e eu é que estou louco?
–Ele é nosso vizinho! – Expliquei, alteando o tom de voz.
–Isso é o que você diz! – Subiu também o tom de voz.
–Se ele não é nosso vizinho, então quem é? – Perguntei, nervosa.
–Eu não sei, não o conheço! – Começou a disparatar e então lembrei-me “será que o Castle está com ciúmes?”.
–Você está com ciúmes? – Comecei a rir-me, assim que me certifiquei que era verdade.
–Eu? De quem? Do Josh babaca? Nunca na minha vida… — Deu de ombros, tentando disfarçar.
–Então porque disse que erámos namorados? – Perguntei, segurando o riso.
–Porque… — Coçou a cabeça, embaraçado. – Porque…
–Então…? – Perguntei, impaciente.
–Porque ele estava olhando para si de uma maneira estranha e eu não gostei. – Admitiu, olhando para mim, amuado.
–Eu não reparei. – Expliquei.
–Claro que não… — Balançou a cabeça, desacreditado.
–Está chateado comigo? – Perguntei, séria. Eu não quero que nós fiquemos chateados por uma estupidez.
–Como quer que não esteja? – Suspirou e depois sentou-se no sofá. – Nós nos beijámos ontem, nos beijámos outras vezes e de todas as vezes sempre ignoramos o que aconteceu. E você, mal eu viro costas fica falando com um garoto qualquer que está babando em cima de si!
Sentei-me no chão, de modo a puder olhar Rick nos olhos. Os seus ciúmes me deixaram com um pingo de felicidade, mas eu não podia demonstrar isso. Toquei o seu joelho. Castle me ignorava.
–De todas as vezes que nos beijámos, eu só não falei nada porque… — Suspirei. Tenho de deixar o orgulho de lado. – Eu sou muito cabeça dura e não podia admitir que tinha gostado. Se o seu ego já está alto, o que aconteceria se eu dissesse que tinha gostado? Já estava bem longe a esta hora… — Ri.
Rick olhou para mim disfarçadamente e pude ver um pequeno sorriso formar-se nos seus lábios.
–E pode ficar descansado… Sempre que você virar costas eu não vou falar com nenhum garoto.
–Sério? – Olhou para mim rápido e abriu um largo sorriso.
–Não. Estou brincando. – Ri da sua atitude imatura.
–Ok… — Torceu o nariz.
Silêncio
Levantamo-nos ao mesmo tempo e os nossos corpos embateram um no outro.
Castle agarrou os meus ombros com firmeza e o seu toque fez-me fechar os olhos.
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–Desculpe, Kate… Não devia ter tido aquela atitude. – Juntou as nossas testas. Conseguia sentir a sua respiração pesada e isso fazia me esquecer de tudo. – Só que parece que você anda brincando comigo e isso me deixa confuso. Num momento me beija, no outro momento fica falando com outros garotos. – Confessou, apertando um pouco mais os meus ombros e deslizando as suas mãos pelos meus braços macios.
–Não precisa de ficar confuso, Rick… — Deixei a minha cabeça cair contra o seu peito. – Eu só me importo com você. Desde que você teve aquele acidente. Só aí é que eu percebi o quanto você é importante.
Senti um impulso me puxar contra o seu corpo e deixei fugir um suspiro com o susto.
Castle levou as suas mãos ao meu rosto e obrigou-me a olhar para ele. Tinha uma expressão séria no rosto e os seus olhos, anteriormente azuis, estavam agora escuros.
–Kate… Eu gosto de você. – Olhou bem nos meus olhos e sem segurar mais o que estava sentindo, beijei-o. O meu coração estava acelerado e descompassado.
As nossas línguas abraçavam-se nostálgicas e vorazes, num misto de sentimentos.
Passei as minhas mãos pelo seu pescoço e puxei-o mais para mim. Castle apertou a minha cintura. Separamo-nos ofegantes, permanecendo com as testas unidas.
Por mais orgulho que eu possa ter, eu também gosto do Castle. Nunca pensei dizer isto na minha vida.
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