I Wont Go Home Without You
4 Capítulo 4
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Era um domingo de outono em San Francisco, enrolei-me em um casaco e resolvi ir até o bairro japonês da cidade, para matar as saudades de casa. Deixei que meus pés me levassem pelas ruas estreitas. Respirei aquele ar desejando sentir o mesmo cheiro de chá da minha velha casa em Mie. Por mais que eu estivesse bem nos Estados Unidos, por mais que minha carreira estivesse exatamente como eu imaginei quando entrei na faculdade, era difícil estar longe da minha terra natal, sem tempo para ir até lá e matar a saudade de todo mundo. Eu me via cada vez mais sufocada pelo meu emprego, adiando a ida ao Japão, adiando os telefonemas aos amigos, adiando a minha própria vida. Eu me perdia na minha nostalgia quando um moço passou por mim e esbarrou no meu ombro, me fazendo derrubar o copo de café.
— Me desculpe. – ele se virou e me olhou enquanto eu limpava o café do casaco. – Eu sinto muito, se quiser eu posso pagar pela lavanderia.
— Não precisa. – eu olhei para ele – Tá tudo bem.
Algo nele me era familiar. Algo naquela pele branca, nos lábios cheios e naquele cabelo escuro.
— Tem certeza? Olha, eu realmente sinto muito.
— Não. Tudo bem. Não se preocupe. Não foi sua culpa.
— Se você insiste. Me desculpe, mais uma vez. – sorriu sem graça, fez uma reverência e saiu apressado.
Eu o acompanhei com o olhar, vendo seus cabelos negros sumirem na multidão. Yuu. Perguntei-me onde ele estaria agora, me perguntei se ele continuava tocando numa banda ou se tinha virado um trabalhador qualquer.
— Olha! É a revista nova! Tem o Gazette na capa!
— Ah! Eu preciso comprar! O Reita tá tão lindo!
— Ah não, eu prefiro o Aoi, ele é bem mais bonito.
— É nada, o Reita que é.
— Nem vem, o Yuu sempre vai ser o meu príncipe encantado.
A conversa das duas adolescentes atrás de mim me chamou a atenção. Yuu. Não poderia ser mera coincidência. Elas se afastaram e eu me virei para olhar a capa da revista de trás da vitrine. E lá estava ele: do lado de outros cinco rapazes, com o olhar vago e uma expressão séria, vestido de um jeito que eu nunca o imaginei, mas tenho que confessar que estava mais bonito do que jamais o vira. Nunca imaginei ver Yuu daquele jeito, talvez eu tivesse achado que o tempo tivesse congelado no Japão e que ele ainda era aquele moleque magricelo que jogava vídeo game comigo até tarde. Surpreendi-me ao ver que Yuu era um homem, e não mais um menino. Desejei poder vê-lo de novo, conversar com ele, rir com ele, como era nos velhos tempos. Não consegui fazer as contas de quanto tempo fazia desde que nos falamos pela última vez. Perguntei-me se teria esquecido de mim. Bom, ele já não era mais aquele garoto da escola, era um rosto conhecido, alguém que as pessoas admiravam, não o culparia por esquecer da velha amiga do colegial.
Prendi-me na imagem daquele homem que eu vira menino, aquele homem que me escapou por entre os dedos nos anos que estive longe. Lembrei-me das vezes que pude contar com ele, lembrei-me do carinho com que ele me tratava, lembrei-me dos longos olhares que por várias vezes me fizeram ponderar sobre a real natureza do meu sentimento por ele, lembrei-me de seu sorriso bonito e de seu abraço acolhedor. Senti falta do calor do seu corpo perto do meu quando sentávamos juntos para assistir televisão, senti falta das suas mãos quentes envolvendo as minhas quando eu reclamava de frio, senti falta de sua voz serena e seus conselhos sensatos. Conselhos tais que eu agora me arrependia de ter seguido. Talvez tivesse valido a pena ter ficado. Yuu era alguém por quem valeria a pena ter desistido de tudo. Mas fui tola e ignorei a vozinha do meu coração que me dizia para ficar. Será que agora era tarde demais?
E foi então que eu decidi que era hora de voltar.
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