I Wont Give Up
2 Remember
Notas iniciais
Tentarei postar os outros capítulos o mais rápido possível! Espero que gostem! Boa leitura! :*
"It never crossed my mind, that there would be a time for us to say goodbye." (Avril Lavigne)
Eu acordei com o corpo totalmente dolorido. O computador ainda ligado indicava que eram dez horas da manhã no seu pequeno relógio, ao canto da tela. Meu deus. Não sabia como tinha conseguido dormir por tanto tempo assim, naquela posição. Eu havia dormido sentada na cadeira, em frente à bancada da cozinha americana, onde eu tinha deixado o meu notebook e apoiado os braços e a cabeça no teclado do mesmo.
O editor de textos que na noite anterior estava vazio, agora se encontrava cheio de palavras desconexas digitadas pela a minha pesada cabeça.
Eu ri da situação, dando um leve tapa na testa. Isso fora o suficiente para me arrepender. Como resposta pelo meu ato, a dor acertou-me em cheio.
Sem enrolar mais, levantei-me para tomar um banho e realizar toda a minha higiene pessoal. Após todo o ritual de higienização matinal, separei uma roupa simples para ir ao supermercado. O meu estoque de alimentos era praticamente nulo. Ok, nem tanto assim.
Coloquei uma calça jeans e uma camiseta básica branca, já que através da janela do meu quarto, notei que o sol começava a querer aparecer. Tomei apenas um suco de laranja rápido, como café da manhã e apressei-me para sair. Tranquei toda a casa, saindo pela porta da frente, que dava para a rua. Caminhei em direção ao meu carro, um modelo popular e não muito caro. Ele fora a primeira coisa que comprei logo depois de uma semana morando por aqui. Afinal, quando se mora a mais de 10 km do centro comercial, o carro se torna algo fundamental para sobreviver.
Liguei o rádio do veículo assim que comecei a dirigir pelas ruas de Wrightsville. Somente após alguns minutos, quando a música chegava ao final, percebi que eu a conhecia. Era uma música do Plain White T’s que eu costumava a cantar algum tempo atrás. Eu gostava dessa banda.
Dez minutos depois, não mais que isso, eu estava parando o carro no estacionamento do supermercado. Era incrível como eu mal conhecia as coisas por aqui, mesmo depois de um mês vivendo na região.
O mercado era consideravelmente grande e parecia ter uma boa diversidade de marcas dos produtos. O local estava um pouco mais cheio do que a primeira vez que vim, assim que cheguei à cidade. Talvez fosse por ser início de mês, não sei. Escolhi um carrinho para carregar os produtos que eu iria comprar não muito grande, mas que fosse o suficiente para caber todas as coisas.
Duas horas. Esse foi o tempo que eu levei para conseguir pagar e sair do mercado. O atendimento não era ruim, mas devido ao movimento maior de pessoas, estava um pouco lento. Ok, muito lento.
Eu não via hora de voltar para o meu cantinho, preparar o meu almoço e ficar sozinha, tentando mais uma vez me concentrar no meu livro. Com esse pensamento em mente, coloquei todas as mercadorias no porta-malas do carro, sentindo o meu estômago roncar de fome. Se eu soubesse que iria demorar tanto assim para voltar, eu teria tomado um café reforçado. Ouvi meu celular tocar na bolsa no mesmo instante que entrei no automóvel. No pequeno visor, vi o nome da minha melhor amiga piscar. Sorri com a ligação.
– Já mudou de ideia e comprou a sua passagem de volta para Londres? – Jess fingiu entusiasmo, mesmo já sabendo da minha resposta.
– Não, Jess. Você sabe que não. – disse, segurando o riso. Eu conseguia imaginar perfeitamente como ela estaria agora: revirando os olhos debochadamente.
– Ok, não vou falar sobre isso agora. Como você está? – ela mudou de assunto.
– Estou bem e você? – foi o que eu consegui dizer. Não queria que ela soubesse que eu me sentia um pouco sozinha. Isso só faria com que ela ficasse mais preocupada.
– Sério, eu juro que não te entendo! Eu ainda não consegui entender o motivo de você ter largado tudo para se isolar. Aqui você era popular, se lembra?! E parecia gostar disso! – ela argumentou.
– Às vezes, nós precisamos mudar, Jess. E eu não larguei tudo. Essa mudança está sendo boa para mim, eu estou podendo me dedicar ao meu livro. – eu disse, tentando fazê-la entender mais uma vez. – E eu não estou tão isolada assim. Às vezes eu saio, vou a algum restaurante... – comentei.
– Ok, vou fingir que acredito. Mas saiba que essa sua mudança não está sendo boa para mim. – imaginei Jess fazendo seu costumeiro biquinho, indicando que ela estava fazendo manha. – Eu sinto falta da minha melhor amiga. – ela disse por fim, após um longo suspiro. Ao fundo, ouvi alguém falar com ela.
– Desculpa, estou no trabalho ainda. Preciso desligar. Te ligo depois, ok? Te amo! – ela falou apressadamente, desligando o aparelho antes que eu pudesse dizer que também sentia a sua falta. E de suas loucuras.
Joguei o celular no banco do carona e dei partida no carro. Após alguns minutos, parada no sinal vermelho, uma placa me chamou a atenção. Era um bar texano que estava anunciando a sua “Noite do Karaokê”. Imediatamente lembrei que meus pais gostavam e costumavam me levar para lugares assim em Londres quando eu era criança. Eles adoravam esse tipo de programas para o fim de semana. Sorri sozinha. E como se desencadeasse em mim uma vontade de reviver esses momentos, resolvi que essa noite eu não ficaria em casa. Não dessa vez.
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