I Wont Give Up
3 Memories
Notas iniciais
Esse capítulo está um pouco maior.
Espero que gostem!
Boa leitura. :*
"Memories make me want to go back there. I want to be there again."
(Weezer)
O bar era aconchegante e não muito grande. Sua decoração me lembrava do Velho Oeste que eu tanto via nos filmes. As garçonetes estavam caracterizadas de “cowgirls” e eram extremamente bonitas. Pareciam todas modelos da revista “Sports Illustrated”.
Uau!
A sessão do karaokê ainda não havia começado, mas algumas pessoas já estavam se inscrevendo e escolhendo suas músicas. Tomei mais um gole da minha bebida, enquanto analisava todo o local. Bebida essa que eu só sabia ser uma especialidade da casa.
Eu sorri ao perceber uma menininha escolhendo uma música para cantar com a sua mãe. Ela estava em dúvida se escolhia “Barbie Girl” ou alguma outra da Miley Cyrus. Ela me lembrava bastante de mim quando criança. Quando eu tinha uns oito anos, eu sempre escolhia alguma música do Backstreet Boys para cantar.
– Olá. – alguém disse próximo a mim, chamando a minha atenção. Um cara estava parado em frente à minha pequena e redonda mesa de dois lugares. Eu apenas sorri fracamente, tentando não ser grossa demais com o pobre rapaz. Não sei se ele era realmente um cowboy ou apenas estava tentando ser. Wrightsville não era uma cidade que costumava ter pessoas vestidas com esse estilo, não que eu soubesse.
– Você vem sempre aqui? – ele soltou aquela cantada clichê, fingindo um sotaque “caipira”. Eu apenas neguei com a cabeça, demonstrando desinteresse. Isso não era nenhum pouco sexy.
Havia meses que eu não me relacionava com alguém, mas também não estava desesperada. Eu nem sequer tinha cabeça para isso. Continuei a olhar tudo e todos ao meu redor, menos para ele.
– Você é muito bonita. É nova por aqui? – ele insistiu. Percebi ele sentar na minha mesa, na cadeira vazia sem nem ao menos pedir a minha permissão. Isso me deixou indignada.
– Cai fora. Ela está acompanhada. – uma nova voz falou atrás de mim, pegando-me de surpresa e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa para me livrar do falso cowboy. O homem que estava sentando à minha frente ficou sem graça e tudo o que eu sabia fazer era sorrir, confirmando que estava acompanhada. Ele se levantou murmurando milhões de desculpas emboladas, não sei se por culpa da bebida ou por ter ficado tão sem graça com aquela situação.
Olhei para trás, procurando o dono da voz que me ajudara minutos antes, mas percebi que eles não estava mais ali.
– Desapontada? – o dono da voz que eu procurava perguntou, me assustando. Ele agora ocupava o antigo lugar do cowboy.
– Não. – respondi surpresa. – Estava apenas querendo agradecer pela ajuda, mas sei me cuidar sozinha. – respondi sem jeito, realmente agradecida pela ajuda, mas ao mesmo tempo preocupada de ter arrumado mais um inconveniente para acabar com a minha noite.
– Bom, obrigada pela ajuda, mas não precisa se sentir obrigado a ficar aqui. Você já se livrou do cara por mim. – sorri nervosamente, sem saber como reagir.
– Sabe, eu gosto de fazer as coisas direito. E se eu for embora agora, ele voltará. Afinal, ele ainda está olhando para nós para ter certeza de que estamos juntos. – ele virou a garrafa de cerveja, ingerindo mais um gole da bebida que tinha dentro.
Eu não tinha entendido o que ele queria dizer. Ele queria que fingíssemos que éramos namorados ou algo assim? Não e não. As coisas estavam fugindo do controle. Não era essa a minha ideia ao decidir vir aqui essa noite.
– Eu não vou te beijar! – falei, concluindo de repente. Eu não tinha ideia de como tinha chegado a isso. O garoto quase cuspiu toda a bebida que estava em sua boca.
– E quem te disse isso? – ele perguntou rindo, fazendo eu me sentir estúpida com o que eu tinha dito. Eu estava vermelha, tenho certeza disso. – E você quer? – ele perguntou convencido, percebendo que aquilo passara pela minha cabeça.
O garoto era bonito. Aliás, muito bonito. Parecia mais um modelo assim como aquelas garota que trabalhavam naquele bar. Seus cabelos loiros eram lisos e estavam levemente bagunçados, o que trazia um charme a mais a ele. Como se isso ainda fosse impossível com aqueles expressivos olhos azuis que demonstravam estar se divertindo com toda aquela situação. Balancei a cabeça levemente para os lados, tentando afastar esse tipo de pensamento.
– Não, obrigada. – eu consegui responder depois de um tempo. Ele me olhou de um jeito divertido.
– Tudo bem, vamos começar de novo. Sou Nick. – ele sorriu, mostrando todos os seus dentes perfeitamente brancos e alinhados. Ele deveria ser modelo.
– Bruna. – falei, após um momento ponderando se isso era uma boa ideia ou não. Ele apertou a minha mão, como se dissesse “prazer em conhecê-la”. Nick provavelmente deveria ser o seu apelido, mas eu não me importava. Ele levou a garrafa novamente até a sua boca de um jeito extremamente sexy. Desviei o olhar sem saber o que falar.
– E então, Bruh. O que veio fazer aqui hoje? – ele perguntou, falando o meu apelido. – Percebi que não foi para arrumar companhia. – Nick me provocou e eu ignorei.
– Ultimamente tenho me sentido um pouco nostálgica. – respondi, não querendo entrar em muitos detalhes sobre o real motivo de estar aqui essa noite. Não queria ser chata e começar a falar sobre os meus sentimentos e a minha saudade para algum desconhecido.
– Sente falta do namorado? – ele perguntou, fingindo desinteresse pela pergunta. Eu neguei com a cabeça e ele me olhou, pedindo para continuar.
– Eu costumava vir em lugares como esse quando era criança. Meus pais adoravam. – respondi, olhando para as minhas mãos. Percebendo o meu copo agora vazio, a garçonete se aproximou. Anotou e logo trouxe outra bebida, como se ela soubesse que eu precisava disso.
– E não vai mais? – ele perguntou curioso. Eu neguei com a cabeça novamente.
– Bom, meu pai faleceu há alguns anos e a minha mãe está em Londres. – eu disse.
Nick demonstrava querer saber mais, mas se controlava para não acabar entrando em um assunto delicado demais. Eu sabia que ele queria saber mais sobre mim, sobre a minha história.
– O que você gostava de cantar? Ou melhor, qual foi a última música que cantaram juntos? – ele sorriu, esperando pela resposta.
– Hum... eu e meu pai cantamos “Cruisin’”. – ele me olhou sem entender. – Sabe, aquela música do filme Duets com a Gwyneth Paltrow. – eu tentei ajudar.
– Ah, sei. Aquele filme de menininha. – ele brincou e eu ri, concordando. – Ele sabia que era a minha música preferida e fez questão de cantar comigo. Eu era muito tímida para fazer isso sozinha. – completei. Falar sobre aqueles momentos fazia com que eu sentisse mais saudade ainda. Tornava as coisas um pouco mais difíceis. Percebendo a mudança no meu humor, ele tratou de mudar de assunto, tentando me animar.
Até que Nick demonstrava ser uma boa companhia para aquela noite. Conversamos por bastante tempo e logo descobri que ele era apenas um ano mais velho que eu. Eu tinha vinte e dois e ele, vinte e três anos. Ele morou toda a sua infância e adolescência por aqui, mas agora morava em Nova Iorque e estava apenas de passagem, visitando os seus pais.
– Então, vai cantar comigo? – ele insistiu, apontando com a cabeça para o palco, onde uma senhora cantava animadamente uma música da Kelly Clarkson.
– Desculpa, mas não vai ser dessa vez. – disse rindo, vendo-o fingindo não acreditar na minha resposta. Olhei para a senhora no palco, dançando e fazendo caras e bocas sem vergonha alguma.
– O importante é se divertir. – Nick disse, percebendo que eu achava aquilo tudo um grande mico. – Vai me deixar passar vergonha sozinho? – ele insistiu pela última vez, fazendo cara de coitadinho de um jeito fofo, deixando-me com vontade de abraçá-lo. Eu apenas confirmei com a cabeça. Ele me encarou.
– Ei, não joga a culpa pra cima de mim. Quem quer cantar é você. – dei de ombros, fingindo não me importar.
Nick se levantou, caminhando até o palco. Era a sua vez de cantar. Subiu no pequeno espaço, testando o microfone antes da música começar. Toda a platéia parecia ser atraída por ele, com seus olhos fixos em cada movimento dele.
– Essa música aqui eu dedico para uma amiga, que preferiu me deixar passar vergonha sozinho. – ele brincou, apontando para mim. Os olhos curiosos seguiram a direção que ele apontava. Ponto para ele! Agora eu estava totalmente sem graça, assim como se estivesse ali, bem no meio do palco.
Nick dançava e cantava incrivelmente bem, como se tivesse nascido para brilhar nos palcos. As pessoas presentes ali não queriam que ele parasse ou sequer fosse embora. Elas queriam mais.
Assim que a música acabou, ele conseguiu – com dificuldade – voltar até a nossa mesa.
– Uau! Você é um rockstar! – brinquei, assim que o vi se aproximando. – A única que iria passar vergonha ali era eu! – ele sorriu encantadoramente. Antes que dissesse alguma coisa, uma mulher parou atrás dele e sussurrou algo em seu ouvido. Ele me pediu um minuto e saiu com a mulher para alguma parte do bar que eu não conseguia ver.
A noite havia sido agitada para mim, coisa que eu não estava mais acostumada. Sentindo-me cansada, resolvi que já era hora de ir para casa. Passaram-se vinte minutos desde a saída de Nick e eu não tinha o visto e nem sequer sabia sobre ele até então. Eu iria embora mesmo sem me despedir. Eu não tinha bebido quase nada além dos dois copos e me sentia completamente tranquila para dirigir. Se algum dia eu o encontrasse novamente, eu agradeceria pela noite. Há muito tempo eu não me sentia assim, tão leve.
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