I Wish You Would
8 Who Are You Now?
I put my heart and my soul, and strength in this now. So forgive me because I won't forget that this world has changed me. Tell me that I'll never be good enough. Sometimes it hurts to think it could be that way.
Toquei a campainha da casa da Rachel mais uma vez, enfiando as minhas mãos nos bolsos do meu casaco e sentindo os flocos de neve caírem no meu nariz e nas minhas bochechas. Eu ouvia a música folk que a Rachel normalmente ouvia e também conseguia ouvir diversas vozes conversando, então por que diabos a ruiva não conseguia ouvir a campainha?
Repeti o movimento mais duas vezes e bufei, sentindo meus lábios arderem com o movimento. A temperatura deveria estar em torno dos sete graus negativos, o que era consideravelmente ótimo para o começo de Janeiro, o inverno havia começado a poucos dias e o pior, provavelmente, estava por vir.
– Finalmente! — falei quando Rachel abriu a porta. Ela estava vermelha, ou ela esteve rindo ou então ela ficou tempo demais em frente a lareira. — Faz cinco minutos que estou tocando a campainha.
– Desculpe, eu achei que você não fosse vir. — ela disse me puxando para um abraço. Ela estava com os ombros tensos e o seu abraço estava mais nervoso do que amistoso. — Você está congelando, vamos, entre.
Ela me puxou para dentro da casa e logo eu pude sentir o choque da diferença de temperatura. Além dos aquecedores, a lareira também estava ligada e as chamas de fogo balançavam lá, Reyna estava sentada no colo do Leo, seu noivo, em frente da lareira, enquanto Apolo e a sua irmã Ártemis conversavam com os dois sentados no tapete azul felpudo da Rachel e eles tinham o bebezinho na sua frente, uma outra garota também estava lá, conversando de maneira descontraída com eles.
Eu não conhecia ela.
Retirei meu casaco e o meu gorro, optando por enquanto em ficar com o suéter, afinal, meu corpo ainda estava frio. Rachel me puxou pela mão até o centro da sala e toda a atenção pareceu se voltar para nós dois, e o que me apavorou foi o sorriso da Reyna que se passou de contente para nervoso.
– Os homens continuam perdendo nessa casa. — Leo resmungou fazendo Apolo rir e concordar. — Vamos, Perseu, se aproxime, já conhece a Piper?
– Hm... Não. — me virei para a garota, notando que os seus olhos eram difíceis de decifrar a cor, podiam ser verdes como também podiam ser dourados.
Ela tinha os lábios um pouco finos e a pele era incrivelmente pálida, os fios de cabelo eram castanhos escuros e estavam na altura dos seus ombros, repicados. Ela não parecia ser inglesa.
– Percy Jackson.
– Prazer, Piper McLean. — ela apertou a minha mão com um sorriso tímido, e logo depois voltou a se sentar.
– Quer vinho? Nós temos um de dois mil e três aberto. — Rachel disse ao meu lado, com um leve sorriso. Concordei com a cabeça e ela bateu leves palmas, dando alguns pulinhos. — Fique ai, eu irei buscar uma taça para você.
Ela saiu andando na direção da sua cozinha e eu pulei os brinquedos infantis que estavam espalhados pelo chão para ir me sentar no mesmo sofá que Leo e Reyna, a conversa deles voltou e eu notei que Ártemis dividia sua atenção entre brincar com o menino e conversar com os amigos.
Não demorou muito para a Rachel voltar com a taça com vinho tinto e me estender, pulando os brinquedos para ir tirar o menino dos braços da Ártemis e do meio da bagunça. Ele resmungou quando o brinquedo que ele tinha em mão, que parecia ser um dinossauro, caiu diretamente na cabeça do Apolo.
– Cameron! — Apolo brincou passando a mão na cabeça, mas estendeu o dinossauro para a Rachel, que devolveu para o menino. — Onde vai levar ele?
– Para comer. — ela respondeu brincando com o menino no seu colo. — Aliás, o jantar já está quase pronto.
Ela saiu mais uma vez brincando com o menino loiro, ele havia começado a rir e era possível ouvir os risos dele enquanto ela se afastava. Reyna saiu do colo do Leo e pulou o brinquedos de maneira ágil, indo para a cozinha com a desculpa de que iria ajudar com os preparativos finais.
– Esse menino é o melhor de todos. — Leo disse pegando um dos brinquedos dele e girando na sua mão. — Reyna quer que ele entre com as alianças, mas ele mal sabe andar.
– Ele tem quanto tempo? — perguntei após dar um gole do vinho.
– Pouco mais de um ano. — Piper respondeu jogando um dos brinquedos para o Leo, que pegou ainda no ar. — Ele vai ser terrível quando crescer, olha só a bagunça que já faz.
– Ele ainda é um bebê, dá um desconto. — Ártemis disse se levantando e se sentando na poltrona atrás de si. — Uau, acho que a minha bunda está quadrada.
– A Rachel nem liga para a bagunça que ele faz, ela adora esse pirralho. — Apolo respondeu estendendo as pernas e chutando alguns brinquedos. — Como as coisas estão na empresa, Percy?
– Fala sério, é sexta feira de noite e você quer falar de trabalho? — questionei vendo ele rir. — Estão na mesma, um monte de entregas para fazer. E como o Leo passa mais tempo escolhendo que rosa usar na decoração do casamento, provavelmente terei que contratar mais dois ou três engenheiros.
– Eu conheço um, se quiser o número dele... Provavelmente é mais eficiente do que o Leo. — Piper disse com seu sotaque americano. Isso, ela era americana.
– Fica quieta, McLean.
– Ei, respeita a minha irmã. — uma quarta voz masculina surgiu na sala e eu rapidamente virei para o meu rosto para ver quem era. Assim como não conhecia a Piper, eu não conhecia ele, os dois não eram muito diferentes, tirando a cor dos olhos, ele tinha olhos azul e o queixo mais anguloso. — Deve ser Percy Jackson, sou Emmett McLean.
– Sim, sou eu. — me levantei para cumprimentá-lo, apertando a sua mão com força, que foi retribuída. Ele era mais alto do que eu. — Prazer em conhecê-lo.
– Terminou sua parte do jantar, Em?
– Pois é, foi ajudar a abrir o vinho e não voltou mais. — Leo continuou com a brincadeira que o Apolo havia começado. O rapaz deu de ombros e se sentou ao lado da irmã. — O que ficou fazendo lá?
– Temos duas pessoas minúsculas naquela cozinha e a Rachel planejou incrivelmente mal a altura dos armários dela. Como ela se vira sozinha? — ele perguntou apoiando as mãos nos joelhos.
– Ela não fica sozinha. — Apolo sorriu da maneira mais canalha possível e eu fui obrigado a jogar um dos brinquedos que estava ao meu alcance na sua cara, isso iria doer mais do que uma almofada. — Porra, Perseu.
– Não quero quebrar a sua cara de novo, então respeita a minha amiga, babaca.
– Qual é, eu saio por cinco minutos e vocês já começam a discutir? — Rachel voltou desligando o som e ligando a televisão. — Está passando MMA, aquietem o testosterona.
Ártemis começou a rir e a ruiva revirou os olhos, mudando frequentemente de canal até achar o de esportes que estava transmitindo a luta. Antes que ela pudesse voltar para a cozinha, Apolo puxou a mesma e a beijou, soltando ela pouco depois, fazendo a mesma revirar os olhos e ir com um sorriso para a cozinha.
Emmett e o Leo começaram a falar sobre beisebol e futebol americano, o que apenas confirmou minha suspeita de que os irmãos a minha direita eram dos Estados Unidos. Leo também era de lá, havia conhecido a Reyna quando ela foi fazer faculdade de publicidade em Columbia, New York, a quase dez anos atrás.
Ele se mudou para a Inglaterra depois de um ano de namoro a distância, o visto da Reyna acabava junto com o seu curso e ele tinha um contrato em uma empresa para cumprir, então, assim que o contrato finalizou, ele se mudou para a Inglaterra.
No início eu o achava insuportável, mas ele é mais velho do que eu e, na época, eu era apenas um babaca recém formado na universidade e com um posto na presidência da empresa da família, e então a ajuda dele me fez crescer de maneira profissional muito mais do que eu era capaz de imaginar. Leo ainda era insuportável, fazia brincadeiras em horas inapropriadas e na maioria das vezes não conseguia ficar mais de cinco minutos em silêncio, mas ele era excelente profissional e era muito habilidoso no que fazia, portanto não podia questioná-lo.
O que me surpreendia era a Reyna, uma pessoa tão séria e centrada, ter se relacionado com um palhaço como ele.
Observei Emmett na esperança de descobrir alguma coisa sobre ele, mas parecia impossível. Ele estava relaxado e usava roupas casuais, tinha um porte físico atlético e era alto, o cabelo era levemente bagunçado e ele era extrovertido, como se fosse fácil de manter uma conversa com ele. O mesmo parecia ser do tipo de pessoa que era impossível odiar e que ao mesmo tempo todos sabiam que seria um velho de cinquenta anos com uma conta recheada em um banco da Suíça.
– Em, pega a bolsa do Cameron no carro para mim? Ele se sujou todo enquanto comia. — assim como o tal Emmett, rapidamente virei meu rosto na direção da porta para descobrir de quem era a voz calma e doce.
Uma loira estava ali, ela tinha os olhos nebulosos e o corpo era cheio de curvas, ela usava um suéter preto largo e com os ombros caídos, calça jeans azul escura e botas de cano baixo. Os fios dourados batiam poucos dedos abaixo dos seus ombros, quase na altura dos seus seios volumosos e o seu rosto não me era estranho.
Ela sorriu olhando para o bebê que realmente havia se sujado todo de comida, seu rosto e a blusa que ele usava estavam sujos de algo verde e estranho, ele mexia nas suas mãos também sujas e pulava no colo dela, enquanto a mesma tentava controlá-lo. Ela acabou dando risada e eu decidi que ela era mãe dele.
– E eu acho que também vou precisar de uma blusa limpa.
– Acho que deixamos todas as suas coisas na casa. — Emmett disse pegando um casaco no armário da Rachel.
– Vamos, eu te empresto algo. — Rachel disse aparecendo atrás dela e indicando as escadas.
Emmett fez um gesto com a cabeça e saiu da casa, enquanto eu tentava entender de onde conhecia a mulher loira que nem sequer havia olhado na minha direção, que nem sequer havia sentindo a minha presença. Ela subiu com o bebê e com a Rachel para o segundo andar e toda a sala ficou em silêncio, descontando o som da televisão.
– Quem é ela? — questionei olhando diretamente para o Leo, na esperança de que ele me respondesse.
Todos continuaram em silêncio como se dizer o nome dela fosse uma maldição ou alguma tabu. Piper se mexeu tranquila no lugar onde estava e arqueou a sobrancelha, enquanto Apolo e Ártemis não pareciam entender por que do Leo ter ficado desconfortável quando perguntei.
– Não reconheceu, não é? — Reyna disse com uma pilha de pratos na mão, parada no mesmo lugar em que a mulher de antes estava. — Você não reconheceu ela e, pelo o que parece, nem ela reconheceu você.
– Quem é ela? — questionei mais uma vez, começando a ficar impaciente.
Arqueei a minha sobrancelha quando Reyna olhou para o Leo com o desespero visível nos olhos, mas a única coisa que ele fez que eu fui capaz notar foi o mexer dos ombros e eu consegui ouvir ele dizer algo como "você conta". Piper soltou um risinho divertido e jogou a cabeça para trás como se soubesse de algo.
– Porra, não vão responder quem ela é?
– Ela é a Annabeth Chase. — foi Emmett quem respondeu, fechando a porta atrás de si e tirando o excesso de neve do cabelo. Ele pediu licença para a Reyna e subiu as escadas tranquilamente, segurando uma bolsa azul clara em uma das mãos.
– Ela voltou para o casamento. — Reyna tentou se justificar, mexendo os ombros e tentando não derrubar a pilha de pratos. Ártemis se levantou e tirou a pilha da mão dela, murmurando algo e sumindo na direção da sala de jantar. — Ela é a minha terceira madrinha, junto com a Rach e com a Ártemis.
– Eu sou padrinho junto com a Rachel só para deixar claro mesmo. — Apolo disse se jogando no lugar da irmã, descontraído.
– Quando ela voltou?
– Ontem, ela chegou ontem de noite. — Leo disse depressa, estralando os dedos como se tudo tivesse ficado tenso.
– Bom, ela está diferente, realmente não reconheci ela. — dei de ombros, terminando o conteúdo da minha taça e me levantando. — Quer ajuda para colocar a mesa?
– Sim, seria ótimo. — Reyna disse franzindo o cenho e fazendo um vinco se formar na sua testa.
Ela respirou fundo e deu de ombros, indicando a sala de jantar para mim. Leo soltou o ar dos pulmões quando me levantei, no exato momento em que o Emmett descia as escadas. Passei reto por ele e fui na direção que a Reyna havia seguido, vendo ela e a Ártemis trabalhando em sincronia para colocar a mesa para nove pessoas, deixando ainda um lugar sobrando na enorme mesa de jantar que a Rachel tinha.
Reyna começou a me dar ordens e eu comecei a segui-las para agilizar o trabalho das duas e para manter a minha mente ocupada para não pensar na mulher que eu amei durante toda a minha adolescência e que nesse momento estava em algum lugar do andar de cima dessa casa, depois de, uau, doze anos.
Coloquei as travessas com algum tipo de massa e uma outra com purê, ouvindo Reyna gritar que eu deveria pegar o frango no forno. Fiquei alguns minutos parado no meio da cozinha tentando descobrir como tirar o frango do forno, nunca havia feito isso na minha vida, por incrível que pareça, Jenna ainda cozinhava para mim.
– Só para constar, você está fazendo errado. — a voz da Annabeth ecoou pela cozinha e me fez levantar o rosto, que antes estava em frente ao forno. — Já desligou o forno, por acaso?
– Não sei qual dos botões apertar e estou morrendo de medo de apertar o botão errado e explodir a casa toda. — tentei esconder o nervoso e ficar descontraído, notando que ela havia trocado a blusa preta por uma cinza escura. — Estou aceitando ajuda, Chase.
– A Rachel realmente irá odiar se você explodir a casa dela. — ela falou se aproximando e apertando o primeiro botão do forno. — Pronto, a casa não irá mais explodir. — ela sorriu de lado e se virou para mim, apoiando os braços no balcão de mármore ao lado do forno. — Você não mudou muito, não fisicamente, seu rosto está mais velho e você tem barba... Isso é um fio branco?
– Lógico que não, sou novo demais para isso. — falei impedindo ela de tocar no meu cabelo, fazendo nós dois rirmos juntos. — Você mudou muito, mal reconheci você.
– Isso é um elogio? — ela se virou mais uma vez, acendendo a luz do forno e estralando os lábios em seguida. — Já comeu frango marinado?
– Não me lembro. — dei de ombros, servindo minha taça com mais vinho. — E, sim, isso é um elogio. Está tão bonita quanto antes.
– Você vai adorar o frango, e, obrigada pelo elogio. — ela disse pegando um par de luvas e colocando nas suas mãos. Ela abriu o forno e tirou o frango de lá, equilibrando a forma na mão e olhando para a minha cara de maneira séria. — Hm, a forma que eu preciso está atrás de você.
– Me perdoe. — falei dando um passo para o lado e dando a ela o espaço para fazer sei lá o que. Ela começou a tirar as luvas e a abrir as gavetas atrás de alguma coisa, até que achou uma faca grande e um garfo de dois dentes quase do mesmo tamanho. — O menininho é o seu filho?
– Hm? É sim. — ela disse olhando rapidamente para mim e depois para o frango, que ela cortava em fatias finas e colocava na outra forma, que era de vidro. — E ele se chama Cameron.
– Ninguém apresentou ele para mim, desculpe.
– Você está se desculpando demais, isso que é mudança.
– Hm? — resmunguei dando um gole no vinho.
– Para quem costumava se recusar a pedir perdão na adolescência, hoje já é a segunda vez que você pede desculpas em menos de cinco minutos. — ela sorriu largo, mostrando os dentes e com os olhos cinzas brilhando. Ali eu vi um pouquinho de nada da Annabeth que eu costumava conhecer. — O tempo passou, a gente se afastou e seguimos as nossas vidas, mas isso não quer dizer que você precisa ficar se controlando na frente dos seus amigos... Acho que a novata aqui sou e os meus amigos.
– Emmett e Piper?
– Uhum, eles são irmãos. — ela disse voltando a cortar o frango. Percebi os movimentos que ela fazia, a faca parecia deslizar pelo frango sem nem ao menos tocar no garfo estranho. — Você e o Leo trabalham juntos, certo?
– Sim, ele é o meu sócio. — comentei me apoiando no mármore, vendo ela me olhar de soslaio. — Conhecia ele?
– Uhum. — ela sorriu como se estivesse se lembrando de algo. — Ele não é americano, para a sua informação, ele é mexicano, estava naquele programa estúpido de astronomia e nós nos conhecemos lá... Eu vivia caindo no mesmo grupo do que ele e, como você deve saber, ele é bem esperto.
– Como sabe que eu penso que ele é...
– Rachel.
– Ah, claro. — revirei meus olhos, olhando para ela novamente em seguida. — Como a Reyna e ele dão certo? Eles são completamente opostos!
Ela começou a dar risada e jogou as duas últimas fatias de frango na forma de vidro, não respondeu de imediato, era como se ela estivesse tentando formular o que dizer. Era como a Annabeth que eu me lembrava na aula de biologia, relendo e repassando tudo o que havia lido e tentando ao máximo interpretar a questão para dar a resposta correta.
Notei que ela havia colocado uma travessa com algo no micro-ondas e que olhava para o relógio enquanto o som do mesmo preenchia a cozinha toda. Vendo ela de perfil podia notar mais do seu novo corpo, vendo as coxas grossas dela bem marcadas pela calça colada e notando que o seu cabelo, apesar de um pouco mais comprido do que quando ela tinha dezesseis anos, ainda assim era repicado e ela também não tinha mais a franja pouco acima do seu nariz, agora ela também era mais comprida e quase atingia seu queixo.
Suas feições eram adultas, ela não tinha mais cara de criança ou então de adolescente, nem sequer seu modo de agir era igual ao de um. Ela estava madura e isso, por incrível que pareça, apenas deixava a mesma mais sensual.
– É como se um fosse o equilíbrio do outro. — ela finalmente respondeu, pegando a travessa no micro-ondas e voltando para o meu lado. — Ele não deixa ela ser séria demais e ela não deixa ele perder a noção de tudo com as suas brincadeiras que, algumas vezes, ultrapassam os limites... É uma balança, sabe? Uma hora pesa demais para um lado, mas depois um acaba equilibrando para o outro.
– Você ainda é boa com discursos.
– Algumas coisas nunca mudam. — ela deu risada e jogou uma batatas pequenas na mesma forma que o frango. — É bom não se desligar completamente das suas raízes, assim você não se perde.
– Mas você parece ótima.
– E eu estou. — foi tudo o que ela disse antes de abrir a geladeira e tirar um travessa com legumes de dentro da mesma. — E você, está bem?
– Estou levando a vida. — dei de ombros, vendo ela jogar sem muito capricho os legumes picados ao redor do frango. — Vai ficar por quanto tempo na Inglaterra?
– Alguns meses, provavelmente até o casamento deles. — falou indo para o outro balcão e começando a lavar as suas mãos. — Ainda irá me aturar por alguns meses, afinal, temos amigos em comum.
– Não somos mais amigos? — arqueei a minha sobrancelha, terminando mais uma vez a taça de vinho.
– Não sei, ainda somos amigos, Percy? — ela disse arqueando a sobrancelha e dando um leve sorriso.
Não pude responder, ela rapidamente enxugou as mãos e pegou a forma que estava ao meu lado, saindo da cozinha com passos elegantes e ágeis, me deixando perplexo com o cheiro de morango que ela havia deixado quando passou rapidamente na minha frente.
Joguei a minha cabeça para trás e tentei me praguejar, mas foi mais fácil um sorriso estúpido surgir nos meus lábios do que eu sentir raiva de eu mesmo por ter me deixado levar apenas pelo perfume e pelo sorriso dela. O sorriso ainda era o mesmo, mas o perfume apenas tornava a mesma mais seduzente ainda.
– Ei, você está aí! — Piper disse agarrando o batente da porta com as mãos e colocando a cabeça para dentro do cômodo. — Todos estão na mesa, apenas estamos esperando você.
Concordei com a cabeça e vi ela sorrir largo e dar meia volta, indo para a mesma direção da qual havia vindo. Respirei fundo e me desapoiei de balcão de mármore, puxei as mangas do meu suéter até os cotovelos e revirei os meus olhos, tentando colocar na minha cabeça que não valia a pena eu ficar dessa maneira por causa de uma conversa de dez minutos.
Quando cheguei na mesa, o único lugar vago era ao lado da Piper, de frente para a Ártemis, na ponta da mesa. Annabeth estava na outra extremidade, rindo de alguma coisa, sentada ao lado do Emmett e com o seu filho no colo, tentando mantê-lo parado ali. Não precisei olhar muito mais para ter certeza de uma coisa que provavelmente estava óbvia a um tempo.
Ela está com o Emmett.
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