I Wish You Would
9 Unstrained
Notas iniciais
Reaching for the truth, not afraid to lose. What shattered through me like a rifle was revival. I admit, it's been painful, but I'll be honest. I'm grateful.
Fechei meus olhos quando senti os lábios do Emmett se encostando na minha testa, deixando um leve sorriso surgir nos meus lábios com o gesto dele. Eu já estava acostumada com esse gesto simples pela manhã, havia anos que ele repetia o mesmo beijo simples e terno quando descia para o café da manhã.
E meu estômago sempre se enchia de borboletas, fazendo o sorriso surgir nos meus lábios como se eu fosse uma adolescente apaixonada outra vez.
– Bom dia. — ele disse afagando o meu cabelo e se afastando de mim em seguida, me fazendo ver a sombra de um sorriso nos seus lábios. — Acordou cedo.
– Hm... Eu mal dormi, na realidade. Não me acostumei com o fuso ainda.
– Jet lag?
– Com certeza. — afirmei ouvindo o seu riso, enquanto ele se sentava na banqueta ao meu lado. — Piper já deve estar na Itália uma hora dessas e se você não se apressar, irá perder o seu voo.
– Não quero ir mesmo. — ele mexeu os ombros, me fazendo rir com a sua infantilidade. — Meu pai só pode me odiar muito para marcar uma reunião de negócios em pleno domingo.
– Ele te ama e você sabe disso, Em, além de que... Você está indo para o Japão, o lugar que você adora. — falei acariciando seu braço coberto pelo tecido liso e macio do terno.
– Não quero deixar você e o Cameron.
– E eu não quero ser responsável por você ter perdido seu emprego, mesmo que seu pai seja dono da empresa. — beijei a sua bochecha e me levantei, não dando o direito dele argumentar. — Além de que eu vou gravar todos os segundos da vida do Cam enquanto você estiver fora, e irei fazer ele dizer "papai" antes de “mamãe”, eu prometo.
– Falando nele, ainda está dormindo?
– Bebês também tem jetlag. — pisquei para o mesmo, colocando minha xícara vazia de café na lavadora. — Irei me trocar para levá-lo ao aeroporto.
– Não precisa, você tem reunião com a Reyna hoje e eu não quero que você se atrase por minha culpa, e eu preciso devolver o carro para a concessionária mesmo. — ele disse depois de dar um gole no seu café, olhando primeiro para o relógio no seu pulso e depois para o meu corpo. — Foi correr? Lá fora deve estar uns dez graus negativos, Annabeth.
– Não só corri como também comprei nosso café da manhã, mais tarde vou ver se faço compras, os armários dessa cozinha maravilhosa que o meu namorado fez para mim estão vazios. — pisquei para ele enquanto soltava o meu cabelo do rabo de cavalo que eu havia feito para ir correr. — E eu sou madrinha do casamento da minha melhor amiga, tenho que estar em forma.
– Ao meu ponto de vista, você está uma maravilha. — ele sorriu se levantando e se aproximando de mim. — Não precisa pegar uma pneumonia para ficar bonita, posso construir uma academia nessa casa para você.
– Não começa. — dei um selinhos nos seus lábios e me afastei dele outra vez, indo na direção da porta da frente. — Não quero que seu pai brigue com nós dois porque você perdeu o voo que poderá mudar a sua vida, vai.
– Em primeiro lugar, esse voo vai mudar as nossas vidas. — ele disse colocando sua mala no lado de fora da casa e depois me puxando pela cintura, até nossos corpos estarem colados. — E em segundo lugar, eu vou ficar com saudades.
– Eu também vou, mas logo nos vemos de novo, não é? Você volta para o dia dos namorados. — acariciei seu rosto, ficando na ponta dos pés para aproximar nossos lábios. — Eu te amo.
– Eu também te amo. — ele disse e me beijou, me abraçando pela cintura e me prendendo contra ele.
Eu não queria me separar, mas depois de alguns beijos e uma promessa de conversarmos sempre que possível pelo Skype ou pelo Facetime ele foi para o carro e eu fiquei parada na porta, encostada no batente com os lábios formigando e respirando o ar frio da manhã enquanto via ele se afastar dirigindo o Ford Fusion que ele havia alugado e depois me presenteado com um desses preto.
Fechei a porta e respirei fundo, balançando a minha cabeça e afastando meus pensamentos do tempo em que iriamos ficar separados, pouco mais de um mês, o que era muito comparado no tempo que estávamos juntos. E isso me lembrava que iria fazer seis anos que nos conhecíamos no dia dos namorados e eu tinha que começar a preparar algo para ele.
Subi as escadas com passos rápidos e fui na direção da suíte do meu quarto, me livrando da roupa de ginástica e jogando a mesma dentro do cesto de roupa suja, me enfiando sob a água quente da ducha logo em seguida. Deixei a água e o sabão escorrerem pelo meu corpo, desde o meu cabelo até os meus pés, pensando na minha reunião com a Reyna e com a cerimonialista do seu casamento.
Ele seria em maio, na primavera e eu tinha uma dúzia de desenhos para mostrar para ela, mas também tinha um favorito e eu sabia que ela iria amar ele do jeito que eu amei quando finalizei o desenho. Tinha pensado no lugar onde seria o casamento, tendo como base as fotos que a Reyna havia me mandando, além de ter pensado na personalidade da minha melhor amiga.
O vestido era lindo e eu sabia que ela ia chorar vendo ele. Depois que arrumei o meu cabelo e vesti a roupa íntima, coloquei uma skinny jeans preta e uma blusa social azul não muito justa, colocando um blazer preto por cima e separando um cachecol bege, calcei botas de cano baixo e salto fino, ouvindo o choro do Cameron pela babá eletrônica.
– Oi, anjinho. — peguei ele do berço e brinquei um pouco com ele enquanto procurava a sua chupeta no seu berço. — Achei, isso vai te distrair enquanto preparo a sua mamadeira.
E realmente distraiu ele, pelo menos pelos cinco minutos que eu precisava para arrumar a mamadeira dele e colocá-lo para mamar em frente a televisão. Eu não conseguia não alimentá-lo sem olhar para o seu rosto, sem ver o Emmett nele, tirando a cor dos fios, que eram iguais aos meus.
Ele estava afobado com a mamadeira na boca, com uma das suas mãozinhas sobre a minha mão, já que eu segurava a sua mamadeira. Ele também dividia sua atenção entre as cores da televisão e o meu rosto, me fazendo sorrir e soltar um suspiro, contente por ter ele na minha vida.
Assim como o pai, o Cameron não estava necessariamente nas minhas prioridades naquele momento, mas por causa de ter esquecido de tomar a injeção de hormônios, ele foi o melhor acidente que havia me acontecido e eu me lembro de ter chorado, com um misto de medo e felicidade, quando o exame deu positivo e quando ouvi seu coraçãozinho bater pela primeira vez.
Saí dos meus denaveios com o som da campainha, estranhando o fato, não estava esperando por ninguém e a reunião com a Reyna era em duas horas, a não ser que ela tenha errado o horário ou que a Rachel, mais uma vez, veio babar no Cameron da maneira que ela sempre babava e mimava ele desde o seu nascimento.
Limpei a boca suja de leite do meu filho e ajeitei ele nos meus braços, decidindo que iria dar banho nele após verificar quem estava na porta. Rapidamente as suas mãozinhas agarraram um dos cachos do meu cabelo e começaram a apertar ele, mas eu já havia me acostumado com isso e nem sequer me importava mais.
– Mãe? — falei assustada, vendo Atena parada na minha frente com a maior cara de pau.
...
Esse provavelmente já era o quinto cappuccino que eu tomava em menos de duas horas, desde a discussão com a minha mãe, no hall de entrada da minha casa, tentando poupar meu filho das nossas palavras. Atena havia me dado dor de cabeça e estragado por completo o meu humor, além de ter assustado o Cameron e levado três mil libras minhas, já que eu apenas conseguia me livrar dela lhe dando dinheiro.
E esse era o principal motivo de querer ficar menos tempo possível em Brighton, estando aqui eu estava próxima da minha mãe e com um imenso oceano nos afastando era mais fácil dizer não para os seus caprichos e não dar atenção para os seus dramas pessoais. Ela provavelmente se daria muito bem na carreira de atriz de filmes dramáticos em Hollywood, mas nem ousavam comentar isso com ela.
– Você está bem? — Reyna questionou se sentando do outro lado da minha mesa, me fazendo levantar os olhos e concordar com a cabeça. — Não parece.
– Jetlag. — foi tudo o que eu disse, bebericando mais uma vez o meu cappuccino e olhando com atenção o rosto dela. — Está mais radiante hoje.
– Leo estava animado hoje de manhã.
– Outch, não precisa dizer isso. — falei fazendo uma careta, o que tirou o riso ds Reyna. — Que horas a cerimonialista chega?
– Ela não está atrasada, marquei as dez e meia com ela. — respondeu olhando para o relógio no seu pulso. — E ela se chama Drew Tanaka.
– Uhum. — concordei deixando minha xícara de lado e começando a separar os croquis de diferentes desenhos, inclusive dos vestidos das madrinhas. — Bem, como o vestido da noiva define todo o casamento, eu fiz um modelo de vestido de madrinha para cada modelo de vestido de noiva e...
– Posso te fazer uma pergunta antes de começarmos a falar disso? — ela me cortou, fazendo com que eu olhasse para ela rapidamente e concordasse com que cabeça.
Ela não havia mudado muito desde a adolescência, mas o fato de termos feito a faculdade juntas pode ter contribuído para que eu não visse tanta diferença nela atualmente. Os seus traços, também de descendência Latina como os do Leo, haviam amadurecido e ela já não tinha mais aquela aparência mista de criança e jovem de quando tínhamos dezesseis anos.
Ela havia cortado o cabelo a alguns anos atrás, deixado ele na altura dos seus ombros, o que segundo ela era mais prático e eu tinha que concordar, também havia passado pela fase do cabelo longo e, céus, como dava trabalho. Só que ela havia me dito que iria deixá-los crescer para o casamento, queria um penteado bonito e o malefício do cabelo curto é a pouca criatividade para penteados legais, então obviamente eu imaginei um tamanho médio para o seu cabelo para daqui cinco meses e tive que pensar nas características do vestido também.
– Não se incomodou com o Percy ontem? — ela falou receosa, como se o assunto fosse delicado. Porém não era. — Quer dizer, fazia doze anos que vocês não se viam e o término de vocês não foi nada delicado e você nem sequer quis ouvir falar dele nos últimos anos...
– Não me incomodei, Reyna, e eu não estou mentindo. — respondi ela tranquilamente, relaxando as minhas costas na cadeira. — Eu me surpreendi em saber que ainda tínhamos a mesma roda de amigos, que isso havia se mantido por tanto tempo, mas eu não senti nada quando vi ele.
– Nada no sentido de não ter se lembrado do amor de vocês ou nada no sentido de nada mesmo?
– Nada no sentido de não ter me lembrado do que ele me fez quando vi ele, pois se eu dissesse que não fiquei contente em vê-lo, estaria mentindo. Foi bom vê-lo, ver que ele está saudável e bem. — dei de ombros, sorrindo para a minha melhor amiga. — E eu não vou deixar que um simples namoro adolescente que não deu certo atrapalhe o seu casamento, afinal, ambos vamos estar no altar também.
– Eu quis socar o Leo quando ele disse que havia escolhido o Percy como padrinho, achei que fosse incomodar você.
– Não sou infantil e ambos seguimos em frente, não é? Já faz anos, doze anos, e não tem necessidade de ficar precionando uma tecla que é inútil. Somos adultos e pelo menos eu tenho que ser exemplo de alguém.
E eu não estava mentindo, nem sequer havia pensado na possibilidade de rever o Percy ontem de noite. Eu sabia que ele ainda morava aqui e que ele estava bem pois a Rachel algumas vezes deixava escapar, mas não era como se eu ficasse stalkeando ele nas redes sociais que nem uma ex-namorada psicopata, Rachel dizia porque algumas vezes suas palavras saiam antes do seu raciocínio funcionar.
E eu entendia completamente a preocupação da Reyna sobre como eu me sentiria quando visse o Percy novamente, quando eu era mais nova sonhava e me iludia com a hipótese dele se arrepender e ir atrás de mim, mas estávamos falando de Percy Jackson, o cara que nunca correu atrás da mesma garota duas vezes. Eu achei que o meu coração fosse sair do peito quando eu visse ele de novo, mas não, nada disso aconteceu ontem, meu coração não acelerou, não comecei a suar frio e muito menos a gaguejar, simplesmente agi como uma pessoa normal que estava reencontrando um velho amigo.
Porque foi assim que eu me senti quando vi ele todo atrapalhado na cozinha, eu senti que estava reencontrando Percy Jackson, meu melhor amigo, não o namorado que partiu o meu coração.
Em partes eu tinha que agradecer ele por ter feito isso comigo, na época não foi algo muito legal, mas sem dúvida eu aprendi algo com toda aquela dor que eu estava sentindo aos dezesseis anos. Ele foi o pontapé final para que eu aceitasse ir para a América e fizesse amigos incríveis, tivesse experiencias inovadoras e aprendesse a cair e levantar longe de casa.
Sair cedo da casa dos meus pais foi, provavelmente, a melhor coisa que eu fiz na vida. Porque Frederick acabou se casando mais uma vez e teve outros filhos, então esqueceu por completo da minha existência e da existência do Malcolm, ele agora morava em Londres e estava feliz com a nova família. Malcolm passou a morar com os meus avós após o divórcio, ninguém suportava, ou ainda suporta, ficar ao lado da Atena, já que a mesma havia se tornado uma vadia gananciosa e egocêntrica que usava o drama da traição e do fim do casamento para conseguir dinheiro e homens, já que por muito tempo aquele fato fez com que as pessoas sentisse pena dela.
Ela sempre ia atrás de mim quando terminava um dos seus casos amorosos, normalmente ela ia atrás de mim pedindo dinheiro e o Emmett odiava ela, assim como eu. Ela pedia e fazia drama até que eu me irritasse e acabasse dando o que ela queria, o que era muito mais fácil quando eu estava por perto dela, já que eu simplesmente não podia deixar ela falando sozinha enquanto fazia outra coisa.
O som da campainha tocando me despertou, mais uma vez, dos meus devaneios e eu pedi para que a Reyna ficasse no lugar dela enquanto iria receber a cerimonialista. Ela era bonita, tinha o corpo magro e os olhos e os fios de cabelo escuro, com a pele pálida e de estrutura mediana, perfeitamente equilibrada no par de scarpin que combinava com o seu sobretudo.
– Você deve ser a Drew, entre, a Reyna já está esperando para falarmos dos vestidos. — sorri para ela, dando espaço para que a mesma entrasse.
– Então você é a famosa Annabeth Chase?
– Eu não diria que sou famosa, mas sim, eu sou a Annabeth Chase.
– Reyna falou muito de você quando foi visitar a propriedade. — ela respondeu me acompanhando pela casa, já que eu estava voltando para o escritório que o Emmett havia feito para mim.
Como não valia a pena abrir outro ateliê na Inglaterra já que eu apenas ficaria por cinco meses, eu e o Emmett chegamos a conclusão de que podíamos dividir a casa e transformá-la em ateliê e apartamento. O lado esquerdo da casa era totalmente voltado para o ateliê, enquanto o direito abrigava a cozinha e a sala de estar, além do segundo andar inteiro ser também parte do meu apartamento, e funcionava, eu conseguia estar em casa com o meu filho e ao trabalho ao mesmo tempo.
– Eu fiz desenhos ótimos, mas tenho que declarar que já escolhi o meu favorito, Reyna ainda não viu nenhum. — murmurei abrindo a porta do escritório, vendo que a minha melhor amiga estava ao telefone. — Ela disse que não queria nada extravagante e que seria uma cerimônia mais simples e familiar.
– Exato, ela passou uma base média de cem convidados para o casamento dela e pelos detalhes que passou para as minhas sócias e para mim, a cerimônia será cheia de detalhes românticos, mas nada ao extremo. — Drew disse verificando alguma coisa no celular. — Iremos estar na primavera e ela disse que queria algo ao ar livre, no fim da tarde.
– Ela me passou todos esses detalhes também e como eu conheço ela desde os meus dez anos, consegui um desenho de um vestido que eu simplesmente não consigo ver em outra pessoa que não seja nela. — falei me sentando novamente na minha poltrona, vendo Reyna desligar o celular e voltar para o seu lugar. — Algum problema?
– Nenhum, apenas o Leo querendo saber se podíamos sair para jantar hoje, mas na realidade ele está fugindo dos meus pais. — ela revirou os olhos com um sorriso nos lábios.
– Ele ainda tem medo da sua mãe?
– É impossível não temer a minha mãe, não o culpo. — ela riu, sendo acompanhada pela Drew e por mim. — Mas, enfim, vamos falar de vestidos brancos e maravilhosos?
...
A reunião com a Reyna e com a Drew havia prosseguido por mais duas horas de conversas e discussões sobre detalhes do casamento, e eu havia acertado com o vestido da Reyna, ela adorou todos os desenhos, mas seus olhos brilharam e ela quase chorou quando viu o último, que era meu favorito e que eu não havia conseguido ver em outra pessoa.
Mudamos alguns detalhes no desenho do vestido da madrinha, mas nada que me atrapalhasse muito e logo que elas foram embora, liguei para a Piper pedindo para que ela trouxesse os tecidos da Itália, tanto para o vestido da noiva quanto para os das madrinhas. Ela conhecia os tecidos, as quantidades e eu apenas precisei informá-la com precisão das cores, o que não levou nem dez minutos de discussão.
– Ainda me pergunto como uma pessoa como você, que tem quase quarenta anos, ainda se atrapalha com comida. — brinquei vendo o Percy totalmente atrapalhado com os pacotes de macarrão.
– Não cheguei nem aos trinta ainda, não venha envelhecer meu rostinho lindo, Chase. — ele pediu olhando rapidamente para o meu rosto. — Qual a diferença entre eles?
– Depende do prato que você quer preparar, o fino e comprido é para espaguete e o parafuso pode ser usado para muitos pratos. — falei mordendo meu lábio inferior. — Os dois são bons, então acho que deveria levar os dois.
– Jenna pediu macarrão, mas não especificou qual queria. — ele disse colocando os dois dentro do seu carrinho de supermercado e se aproximando de mim. — Tudo bem com você?
– Sim, tive um dia agitado e ainda estou com jetlag, mas foi bom. — sorri vendo ele brincar com o Cameron, que estava distraído com um astronauta de brinquedo e nem ligava para o moreno. — E você?
– Estou bem. — ele disse franzindo o cenho, sem olhar para mim, batendo a ponta do dedo na ponta do nariz de Cameron, chamando a atenção dele. — E ai, meninão?
– Diz "oi", Cam. — pedi enquanto colocava os pacotes de macarrão dentro do meu carrinho de compras.
– Ele fala?
– Um pouco, normalmente quando está animado.
– E hoje ele não está animado?
– Ele anda mal humorado pela mudança do tempo e do clima. — falei limpando a boca dele, já que ele estava babando. — E algum outro dente deve estar nascendo, então ele fica meio chatinho e fala pouco.
– E ele sabe andar?
– Não, apenas engatinha. — olhei para o Percy, reparando que os seus olhos estavam mais azulados do que esverdeados e que as suas pupilas estavam dilatadas. — Mas Reyna quer que ele entre com as alianças, então irei começar a dar aulas de passinhos para ele.
– Aulas de passinhos? — ele arqueou a sobrancelha, surpreso e ao mesmo tempo com a expressão cômica.
– Sim, a não ser que ele engatinhar com as alianças dê certo. — dei de ombros, colocando a chupeta na boca do Cameron. — Ele é preguiçoso, iria desistir de andar, se soubesse, no meio do caminho até o altar.
– Isso iria deixar os convidados admirados, todo mundo ama os bebês. — ele falou enquanto brincava de tirar e fingir que ia colocar a chupeta na boca do Cam outra vez, fazendo o mesmo abrir a boca toda vez que o bico da chupeta se encostava nos seus lábios.
– Tenho que concordar com você, bebês são adoráveis. — disse vendo meu filho sorrir e segurar a mão do Percy, empurrando ela na direção da sua boca. — Hm, não deixe ele colocar a sua mão na boca dele, vai acabar te mordendo.
– Tudo bem. — Percy sorriu e colocou a chupeta na boca dele, fazendo a atenção do pequeno voltar, quase que imediatamente, para o boneco de astronauta. — E o Emmett, veio com você?
– Não, ele teve que ir para o Japão para uma reunião com possíveis futuros sócios da empresa do pai dele. — respondi caminhando ao lado dele, enquanto ambos fazíamos compras. — E você, não tem ninguém?
Observei ele pensar na resposta enquanto colocava molhos prontos no meio das suas compras e eu aproveitei o momento para prestar atenção nele. Ele estava usando calça de moletom preta da Adidas e o moletom da universidade de Cambridge, além de ter colocado uma touca sobre os fios escuros e também usava tênis de corridas, então pensei na possibilidade dele ter estado na academia antes de vir até o mercado.
Por que Brighton ainda é um ovo e só tem dois hipermercados, mas tem diversas lojas de roupas para turistas e todo aquele clichê de cidade pequena que recebe mais turistas do que novos habitantes. Apesar de ser pequena, ela ainda é uma ótima cidade para se morar, porém eu não sabia se conseguiria voltar a morar aqui depois de tanto tempo presa no agito de New York.
– Faz um bom tempo que eu não me relaciono sério com alguém, mas tenho alguns casos por aí. — ele deu de ombros, sem olhar para mim. — Isso é um assunto completamente estranho para se falar no corredor de um supermercado.
– Não é como se eu estivesse perguntando detalhadamente quando foi a última vez que você transou, Perseu. — revirei meus olhos, sorrindo, enquanto finalizava minhas compras com as besteiras da Piper.
– Você é a única pessoa que me chama de Perseu sem me deixar incomodado, e sem estar irritada comigo. — ele disse se virando para mim, depois de jogar uma dúzia de besteiras dentro do seu carrinho. — Poxa, eu estava começando a achar que você fazia o estilo de mulher bem sucedida e saudável.
– São para a Piper, eu ainda não posso comer muita besteira por causa desse bonitinho aqui. — falei apertando a bochecha do Cam e sentindo ele empurrar a minha mão para longe. — Eu ainda amamento ele.
– Achei que ele já comesse comida normal.
– Ele come algumas coisas, papinhas, mas a pediatra não achou ruim quando eu disse que iria alimentá-lo com leite materno por mais alguns meses, então faço isso todas as noites. — falei vendo ele arregalar os olhos. — Não faça essa cara, não é nada anormal.
– Não, não é... É só que, eu nunca imaginei que um dia você fosse acabar se tornando mãe, não falava disso quando eramos... amigos. — ele falou sem jeito, coçando a nuca e soltando um suspiro carregado.
Umedeci meus lábios com a ponta da língua, já que subitamente eu senti eles ficarem secos enquanto procurava uma forma de responder ele. Percy mantinha seu olhar em qualquer lugar, menos em mim e isso deixava a declarar que, por mais estivéssemos tentando não deixar as coisas estranhas, uma hora elas iriam ficar e não havia muito o que nós dois pudéssemos fazer, afinal, tínhamos que aprender a lidar com a situação.
– Você tem planos para amanhã? — ele perguntou mudando de assunto e eu quase soltei um suspiro aliviado. Então, lentamente eu neguei com a cabeça. — Cada domingo almoçamos na casa de alguém, isso acontece desde o fim da faculdade, e amanhã era o domingo da Reyna, mas a casa dela está em reforma, então Rachel combinou de adiantar o meu domingo e todos vão estar lá amanhã, é como se fosse uma tradição e, bem, a Jenna vai cozinhar e… Eu estou convidando você.
– Vou adorar ir, Percy.
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