I Wish You Would

10 What a Feeling


I'm watching you like this, imagining you're mine. It's too late, am I too late? Tell me now, am I running out of time? Everybody needs someone around, but I can't hold you too close now.

Eu tinha a impressão de conhecer a música que tocava ao fundo, mas não fazia questão de prestar atenção nela para descobrir de onde conhecia a letra e a melodia, eu nem sequer sabia quem cantava ela, era uma voz feminina doce e calma. O quarto estava pouco iluminado, as luzes estavam baixas e isso não me dava menos privilégio para observar os detalhes do quarto nada novo para a minha mente.

Eu cresci vendo esse quarto, eu cresci vendo as paredes mudarem do rosa pink para o verde água, vi as prateleiras trocarem os ursos de pelúcia pelos livros e outros objetos decorativos, como o globo de neve com a Torre Eiffel e a bailarina artesanal, também vi a cama pequena de solteiro ser trocada por uma mais confortável de casal, onde os lençóis eram floridos e com diversos travesseiros fofos. A grande casa de boneca havia sido doada e no lugar dela existia uma escrivaninha de madeira, e em frente a cama ficava a janela pelo qual eu já subi mais vezes do eu conseguia contar nos dedos.

– No que você está pensando? — Annabeth perguntou me trazendo para a realidade, me fazendo olhar para ela.

A mesma havia cortado o cabelo recentemente, ainda não havia me acostumado com ele pouco acima dos seus ombros, sentia falta dos seus grossos cachos espalhados pelo seu travesseiro, sentia falta de acariciar e de desmanchar os seus cachos, mas ela não mostrava arrependimento e ficava muito bonita com o cabelo curto.

– Tentando contar quantas vezes eu subi para o seu quarto através da sua janela, você por acaso não sabe? — sorri notando que a mesma revirava os olhos cinzas, todavia também sorria.

– Lógico, depois que você vai embora eu anoto em um caderninho. — ela falou se virando e se apoiando no meu peito. — É lógico que não, Percy, você faz isso dês de os doze anos.

– Não custava nada perguntar. — murmurei abraçando ela pela cintura e prendendo o seu corpo ao meu. — Seus pais pararam de brigar?

– Pelo menos na minha frente eles não brigam mais, então não sei ao certo. — ela deu de ombros, mas logo sorriu de novo. — Estou com saudade do seu pai, faz tempo que não vejo ele.

– Eu mal vejo ele também, ele passa mais tempo na empresa dês de que terminou com namorada.

– Qual era o nome dela mesmo?

– Não sei, alguma coisa com B. — nos virei na cama, ficando por cima dela e realmente sentindo falta dos seus cachos espalhados pelo travesseiro.

Acariciei uma das suas bochechas, vendo um sorriso surgir nos seus lábios e o seus olhos atingirem um brilho característico que eu nunca sabia explicar. Ela ergueu os braços e envolveu meu pescoço com eles, utilizando as pontas dos dedos para acariciar a minha nuca.

Parecia ser magnético, o nosso contato parecia ser magnético.

Quando uma parte dos nossos corpos se encostavam, todas as outras pareciam ser obrigadas a se juntarem também e ainda assim todo contato parecia ser pouco, fazendo com que todo o meu corpo formigasse e que a eletricidade corresse pelas minhas veias.

Toquei seus lábios com os meus, fechando os meus olhos e tentando não colocar todo o meu peso sobre ela, mas a mesma me impulsionou a aprofundar o beijo e logo aquela batalha que nunca tinha um vencedor começou. O beijo era calmo, mas havia a necessidade de mais toque subentendida ali, enquanto ela impulsionava seu corpo sob o meu e me abraçava pelo pescoço, trocando a carícia da nuca pela leve ardência das suas unhas.

Eu provavelmente nunca me acostumaria com a sensação de beijá-la, era sempre uma nova explosão de sentimentos e uma nova sensação, uma nova necessidade, o que nunca tornava monótono. E cada vez que eu via o seu sorriso, eu me perguntava como eu era capaz de me apaixonar ainda mais.

...

Thalia tagarelava no meu ouvido, mas eu não prestava atenção em uma sílaba sequer que ela pronunciava, o que provavelmente estava deixando ela irritada, mas eu não me importava. Meus olhos estavam fixos na Annabeth, que estava ao lado do Nico e conversava tranquilamente com ele e com a Zoë, que brincava com o Cameron.

Eu tinha que admitir, o menininho era fofo e era praticamente impossível não se apaixonar, ou pelo menos gostar dele. Ele tinha a cor dos cabelos que nem o da Annabeth, mas era apenas isso que eu conseguia ver dela nele, o que eu não sabia se me animava ou se me decepcionava.

Um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios quando eu vi ele começar a engatinhar para longe da Zoë, que sempre acabava pegando ele e o sentando na sua frente novamente.

– Só eu que não achei ele toda essa fofura do mundo? — Thalia, e o seu mal humor diário, questionou bufando. — Pelo menos ele não se parece com a Annabeth.

– Ainda estou tentando descobrir qual o motivo de você odiá-la tanto assim, ela não te fez nada.

– Ela é sonsa. — Thalia disse tirando o copo de uísque da minha mão e levando o conteúdo até os seus lábios. — E ela mal voltou e todos já amam ela novamente, como se ela nunca tivesse ido embora. Faz doze anos que eu nem sequer escuto o nome Annabeth Chase, ou pelo menos fazia, não é?

– Eu nem reconheci ela quando a vi pela primeira vez.

– Ela realmente está bem diferente, tenho que concordar... Ela está com ainda mais corpo do que antes e ela foi mãe, como consegue isso?

– Então isso tudo é inveja? — questionei com um sorriso sarcástico nos meus lábios, pegando meu copo de novo das suas mãos e terminando o conteúdo, enquanto olhava novamente para a Annabeth. E ela estava olhando na minha direção, com um leve sorriso nos lábios.

– Lógico que não. — ela bufou mais uma vez. — Aliás, quem chamou ela aqui?

– Eu. — deixei ela para trás e me aproximei da sala.

Me aproximei do Cameron e peguei ele, fazendo a Zoë ficar de cara feia por ter perdido o menino. Eu não fazia a mínima ideia de como brincar com crianças e morria de medo dele começar a chorar no meu colo, mas não, acho que ele entendeu meu desespero de ter uma criança no meu colo e se jogou para frente, sorrindo e falando coisas desconexas, enquanto batia as mãozinhas.

Sorri ao notar que o sorriso dele era idêntico ao da Annabeth, o sorriso dela era bonito e combinava tanto com ela quanto com o Cameron, que ainda batia palmas e pulava no meu colo, me deixando com medo de derrubá-lo sem querer.

Olhei desesperado para a Annabeth, que sorriu e arqueou uma das suas sobrancelhas, praticamente me desafiando a controlar o seu filho. Imediatamente eu me lembrei do sonho/lembrança que eu tive com ela essa noite, o que me rendeu várias horas encarando o teto e tentando assimilar o motivo de tal lembrança ter aparecido para perturbar o meu sonho.

Então eu acabei contando para a Jenna durante o café da manhã, eu tinha pegado o hábito de desabafar com ela de vez em quando. Ela ouvia atentamente cada uma das minhas palavras com um sorriso debochado nos lábios, o que me apavorava ainda mais e me fazia parar de contar e ficar longos segundos encarando a senhora de sessenta anos, até que ela resmungasse que eu deveria continuar pois ela não tinha o dia todo. E eu continuava contando e tentando não me importar com a expressão dela, até que eu terminei e o que ela me disse apenas me deixou ainda mais incomodado.

Por que ela havia dito que o meu subconsciente havia me lembrado da época que eu amava ela, antes de estragar tudo, porque no fundo eu sabia que ainda amava ela e que era por isso que eu estava tentando ao máximo mantê-la por perto. E eu respondi para a Jenna que ela estava ficando maluca.

Mas eu não tinha muita certeza disso.

– Você está jogando baixo. — falei olhando para ela e depois para o Cameron, que agora mordia a mão.

– Você que escolheu pegar ele. — ela deu uma piscadela e sorriu, se levantando e tirando ele dos meus braços. — E ele é bem receptivo, não ia chorar.

– Não sei lidar com crianças. — dei de ombros, vendo ele agarrar uma mecha do cabelo da Annabeth. — Não machuca?

– Só quando ele está nervoso. — ela soltou a mão dele do seu cabelo e torceu o nariz, vendo a Rachel se aproximar. — Vai roubá-lo de novo?

– Por favor, eu preciso de fotos com ele e o Apolo também. — ela pediu juntando as mãos na frente do peito, quase suplicando. — Você só vai ficar cinco meses, eu tenho que aproveitar o máximo possível do Cam, sabe-se sei lá quando vou poder ir para o EUA depois de maio.

– Estou começando a pensar na possibilidade de você montar um altar para o meu filho na sua casa. — ela disse entregando o bebê para a Rachel, que imediatamente beijou a bochecha dele. Ela parecia uma criança quando estava com crianças.

– Não é má ideia. — ela disse e acenou, caminhando e brincando com o menino, que ria.

– Rachel me dá medo, as vezes... Ela é feliz demais. — Nico disse depois de finalizar seu copo de uísque e a Zoë concordou com a cabeça. — Não sei quando ela está falando sério ou brincando.

– Na maior parte das vezes ela está brincando. — Zoë disse se levantando do chão e batendo a mão na bunda. — A Thalia não está gostando nada de você ter voltado, Annie.

– É, eu notei. — ela respondeu olhando para a Thalia pelo canto dos olhos e depois olhando para a Zoë de novo. Coloquei minhas mãos dentro do bolso da minha calça e fiquei observando o Leo brincar com a Reyna no outro lado da sala, fazendo a sua noiva rir. — Ela nunca gostou de mim, então não posso faze muita coisa.

– Não liga não, eu gosto de você, já é o suficiente. — Nico disse passando o braço por cima dos ombros dela, fazendo o meu sangue correr mais rápido. — Quais são as possibilidades de você ficar comigo? Serei um ótimo pai para o Cam.

– O Cam já tem um pai, e eu tenho um namorado. — ela piscou para ele, fazendo o mesmo sorrir. Agradeci por estar com as mãos dentro dos meus bolsos, assim não virava um soco no Nico. — Mas não perca a esperança, quem sabe algo não dá errado com o Emmett.

– É bem improvável que algo de errado com o Emmett, desista, Nico. — Reyna disse empurrando Leo para longe, ela não ria mais, só que seu rosto ainda estava meio avermelhado. — A Annabeth e o Emmett só brigaram uma vez em seis anos.

– É. — ela disse desconfortável, se afastando do Nico. — Eu vou ir respirar ar puro enquanto a Rachel está com o Cameron.

– Ou seja, vai respirar gelo e pegar uma pneumonia. — Zoë disse dando de ombros, com um leve sorriso nos lábios. Annabeth também sorriu e deu as costas, indo na direção da porta da frente e saindo sem muita cerimônia.

Olhei para a Reyna tentando entender o que havia acontecido, mas a mesma havia percebido que havia dito algo de errado e estava com a expressão culpada, o que me deixou preocupado. Eu não fazia a mínima ideia do fazer em uma situação como essa, eu sentia deveria ir atrás dela, mas ao mesmo tempo eu tinha medo do que poderia acontecer se eu fosse até lá, as vezes ela só queria ficar sozinha.

Eu também estava curioso para saber que briga era essa que ela teve com o Emmett que ainda tinha a capacidade de deixá-la abalada, não parecia ser algo recente.

Decidi ir atrás de algo para beber e depois ir ver se ela estava bem. Annabeth não fazia o tipo de mulher que bebia uísque, mas recordei que ela havia bebido vinho na casa da Rachel e que também havia comprado ontem, então peguei uísque para mim e preenchi uma taça com vinho para ela, indo até a entrada da casa.

Ela não estava no vestíbulo de entrada, então forcei a minha visão por causa da neblina e a procurei pelo jardim, encontrando a mesma perto das rosas tomadas pela neve, grato por ela ter colocado o sobretudo e o gorro, o inverno estava começando a castigar e até respirar doía.

Mas mesmo assim me aproximei dela, vendo que a mesma notou a minha presença pouco antes que eu parasse ao seu lado. Sua expressão estava leve e ela tinha um sorriso sutil nos lábios enquanto observava o jardim.

– Algum problema? — perguntei estendendo a taça para ela, fazendo a mesma sorrir em agradecimento enquanto pegava ela.

– Não, é que estar nesse lugar me trás diversas lembranças. — ela respondeu e em seguida deu um gole no vinho. — Lembra de quando brincávamos de pique-esconde aqui? Normalmente era entre a primavera e o verão e você sempre se escondia em lugares óbvios, como a casa da piscina.

– Você quem era a ninja dos esconderijos. — murmurei olhando para ela de soslaio, vendo que a mesma passava seus olhos rapidamente por todo lado. — Por muito tempo acreditei que você roubava quando brincávamos.

– Nunca roubei, você que sempre foi muito previsível. — ela disse apontando rapidamente para a piscina. — Uma vez tentou se esconder lá.

– Sim, foi em um verão, deveríamos ter uns oito ou nove anos. — falei conforme a lembrança surgia na minha mente. — Você me achou rapidinho e quando eu fui sair da piscina, quis me pagar de foda e ignorei as escadas, então escorreguei na borda molhada e bati com a cabeça.

– Uhum, Jenna saiu desesperada da cozinha quando viu você saindo da piscina com a testa vermelha de sangue, pensou até na possibilidade de você ter tido uma concussão ou um traumatismo craniano. — ela gargalhou e eu acompanhei ela, mas prestando mais atenção na sua risada do que realmente me importando em rir intensamente. — Levou quatro pontos na testa.

– Tenho a cicatriz até hoje. — falei e ela arqueou a sobrancelha, surpresa. — O cabelo ajuda a esconder.

– Seu cabelo continua uma desordem, pelo visto é indomável.

– Ele gosta da selvageria.

– Meu deus, Cabeça de Alga, você já bebeu demais! — ela deu risada mais uma vez e eu não pude deixar de sorrir quando ela me chamou pelo apelido de infância. — Vou falar para a Jenna afastar o álcool de você.

– Ela quer que você vá na cozinha vê-la, junto com o Cameron. — falei enquanto via ela beber, talvez de maneira elegante, o vinho de sua taça. A mesma concordou coma cabeça, voltando a olhar para o jardim, fazendo uma outra lembrança surgir na minha mente. — Lembra de quando você tropeçou no Rex e caiu no canteiro de rosas? Você ficou toda arranhada.

– E com alguns espinhos no braço e nas pernas, minha mãe não teve dó nenhuma para tirá-los. — ela falou balançando a cabeça e depois revirando os olhos. — Achei que iria ver seu pai aqui.

– Não, ele se mudou para Londres depois que se casou com a Anfitrite.

– Eles se casaram?

– Sim, e tiveram um filho chamado Tyson, ele tem sete anos.

Ela falou "uau" e arregalou os olhos, ficando atônita por alguns minutos, me deixando um pouco preocupado com ela, mas logo a mesma balançou a cabeça e sorriu para mim, me acalmando e me deixando, ao mesmo tempo, assustado comigo mesmo devida a reação instantânea que o meu corpo teve ao ver seu sorriso, totalmente direcionado a mim.

E isso voltava ao que a Jenna havia me dito durante o café da manhã, o que eu estava lutando o máximo possível para que não fosse verdade, porque ela estava com outra pessoa e eu não queria estragar a vida que ela tinha com o Emmett, já havia estragado a sua vida uma vez a anos atrás, havia perdido a única chance que o destino havia me dado e agora ela era feliz e estava casada.

Mas não tinha aliança no dedo.

– Você não é casada com o Emmett? — perguntei, tentando ao máximo possível, não soar esperançoso e curioso demais.

– Não, não por falta de pedido, ele pediu quando descobrimos que eu estava grávida... Mas, o Cam meio que foi um acidente e eu sabia que ele estava se sentindo precionado a fazer o pedido. — ela respondeu finalizando o conteúdo da sua taça. — Nós nem estávamos juntos quando eu engravidei, foi um verdadeiro acidente que nos pegou desprevenidos... E eu não quero que você fique pensando que eu fui uma vadia por engravidar fora de um relacionamento.

– Nunca pensei isso de você, Ann. — falei vendo ela girar a taça vazia na mão, me olhando com um leve sorriso. — Como foi? Digo, o acidente do Cameron.

– Eu acompanhei o Emmett até uma festa de uma empresa filial a do pai dele no Caribe, a empresa não fica lá, mas o presidente é extravagante e quis que a festa fosse lá... Estavam comemorando o alto lucro e mais algumas coisas, não me lembro ao certo. — ela disse se virando na minha direção, novamente séria e com o cenho franzido. — Eu e o Emmett acabamos bebendo demais e, como eu estava enlouquecendo com as coisas do ateliê, esqueci de tomar a injeção de hormônio, e como ambos estávamos bêbados em uma cidade "quente", tudo desandou e eu só me lembrei da injeção quando a minha ginecologista ligou me avisando, só que era tarde demais.

– Se arrepende?

– Do Cameron? Em nenhum segundo sequer, ele não estava nos meus planos, mas ele foi essencial para que eu amadurecesse em alguns pontos. — ela sorriu levemente, dando de ombros. — Eu amo o Emmett, só que as vezes eu não sei é fraternal ou carnal, talvez apenas estejamos juntos por causa do Cam... Nós temos uma relação amigável extremamente confusa.

Eu sorri, acompanhando ela, mas não porque ela havia declarado isso sobre a relação confusa, eu sorri porque meu interior se animou com a possibilidade dela estar com o Emmett apenas para dar uma boa base familiar para o filho deles, eu sorri porque ela não tinha certeza se o amor deles era carnal.

E em momento algum eu me arrependi por desejar que não fosse.

...

O almoço e o resto da tarde haviam seguido de maneira tranquila, todos estavam se divertindo e eu fiquei grato quando a Annabeth não se mostrou incomodada com os comentários mal-humorados da Thalia. Chegou uma hora que a morena cansou de tentar atingi-la e pareceu se conformar com a sua volta e com a sua presença na minha casa.

Rachel havia feito, praticamente, umas trezentas fotos do Cameron em momentos diferentes, até que a Annabeth se viu obrigada a colocar um basta e cortar as rédeas da melhor amiga quando notou que o filho estava sonolento. Foi questão de meia hora para ele dormir nos braços da mãe, mesmo em meio ao barulho de vozes e de uma música que ninguém fazia questão de ouvir.

Zoë fazia diversas perguntas sobre o casamento para a Reyna, que tentava dar respostas vagas sem soar grossa. Quando Annabeth havia dito ateliê mais cedo, eu nunca imaginei que seria um ateliê de vestidos, apenas descobri que ela era estilista quando a Reyna declarou que ela quem havia desenhado e quem iria costurar tanto o seu vestido de noiva quando o vestido das madrinhas.

O que conformou a Zoë foi saber que ela iria ver o vestido logo na primeira prova, pois ela era uma das madrinhas junto com a Rachel e com a própria Annabeth, enquanto Leo havia escolhido o Nico, o Apolo e eu. Era um trio inusitado para ambos os lados.

– Você apenas trabalhar com noivas, Annabeth? — Thalia perguntou com a voz carregada de sarcasmo, mas a Annabeth se limitou a sorrir e, lentamente, negar com a cabeça. — Ah, sim, porque pela quantidade de pedidos de divórcio que eu recebo, as pessoas talvez estejam começando a desistir de se casarem.

– Não, não acredito nisso, e a prova disso não é só a Reyna, eu recebo pelo menos três pedidos de vestido de noiva por semana em New York, nessa época do ano a confecção é uma loucura pois todos querem se casar no mês dos namorados, só que as vezes precisamos cometer alguns erros antes de acertamos em um par ideal. Hoje os divórcios acontecem em maior quantidade e não é porque o amor acabou, mas sim porque antigamente as pessoas eram obrigadas a se casarem com alguém predestinado até mesmo antes do seu nascimento, e o único meio de se separar era morrendo. — ela respondeu tranquilamente, fazendo a Thalia trincar o maxilar por ter sido contrariada e porque a Annabeth estava certa, ela lidava com pessoas apaixonadas. — E, de qualquer forma, alguns ainda querem o dia de contos de fadas que o casamento dá, algumas pessoas ainda acreditam que podem encontrar a sua alma gêmea, seu príncipe ou princesa encantada. Meu único trabalho é dar o vestido da Cinderella para a pebléia e transformá-la em princesa.

– Que nem está dando o meu. — Reyna puxou a mão da amiga e apertou ela, sorrindo. O bom da Reyna estar apaixonada pelo Leo era isso, ela ficava mais dócil, menos arisca. — Ele é lindo!

– Ele ainda está no papel, estou esperando a Piper voltar com os tecidos e com todo o resto. — ela sorriu e eu me controlei para não sorrir também, então decidi desviar meu olhar para um outro lugar.

– Quando você vai me pedir em casamento, seu idiota? — Rachel começou a estapear o Apolo, que quando mais tentava fugir dos tapas, mais tapas recebia, fazendo uma careta. — Nunca imaginei que seria a única encalhada nessa história.

– O Percy é o encalhado dessa história, você pelo menos tem o Apolo, ele só tem a própria sombra. — Ártemis disse e eu me limitei a mostrar meu dedo médio para ela, fazendo a mesma rir e em seguida se fingiu de ofendida. — Se eu gostasse da sua fruta, quem sabe te daria uma chance.

– Não preciso que você me de uma chance. — dei de ombros, ouvindo quase todos os bestas daquela sala rirem. Me levantei e fui, mais uma vez, na direção do bar para colocar mais uísque no meu copo.

– Você precisa voltar a ir conosco para a balada, Perseu. Desde que se envolveu com aquela Katie Gardner nunca mais foi em uma boa balada conosco. — Luke disse fazendo uma careta surgir no meu rosto ao me lembrar da Katie, ela era uma romântica incorrigível e grudenta. Me arrepiei inteiro ao me lembrar.

Mas ela era boa de cama, muito boa e apertada, isso eu tinha que admitir.

– Katie Gardner? Ela é a florista do nosso casamento. — Reyna falou cutucando o Leo, que pareceu se lembrar e concordou com a cabeça.

– Sério? Não podia ter escolhido melhor. — repeti a careta, me sentando novamente no sofá, ao lado da Thalia.

Ótimo, teria que rever a Katie algumas vezes e o nosso término, para algo que eu nem sequer havia definido como um namoro, não foi dos melhores.

Para a minha sorte eles voltaram a falar do casamento e eu notei que a Annabeth estava tentando ajeitar o Cameron nos braços, talvez porque ele estivesse meio torto ou então porque seu braço podia estar dolorido, então foi que me toquei que ele estava dormindo na mesma posição a um bom tempo, de forma que podia estar deixando o braço da Annabeth dolorido. Me aproximei dela e me ajoelhei ao seu lado, olhando rapidamente para o Cameron, que estava na altura do meu rosto.

– Quer colocá-lo em algum quarto lá em cima? Assim ele não corre o risco de acordar com essa barulheira e você pode ficar mais confortável. — falei passando a ponta do dedo na bochecha do menino, notando que ele não se importava com o toque.

– É, não seria má ideia. — ela falou soltando um suspiro, concordando com a cabeça e olhando para mim. Seus olhos estavam tão cinzas quando o céu, nebulosos, com alguns detalhes azuis que pareciam raios, e eu sempre adorei a cor dos seus olhos.

Me levantei e vi ela se levantar com agilidade enquanto ajeitava o Cameron no seu colo mais uma vez, fazendo o mesmo soltar um longo suspiro e apertar a sua mão na gola em V do suéter da Annabeth. Ela me acompanhou até as escadas e eu deixei que a mesma seguisse subindo as mesmas na minha frente, indo logo atrás e tentando manter os meus olhos nos degraus tão conhecidos pela minha mente, invés de olhar para a sua bunda e ter pensamentos que eu definitivamente não podia ter, pelo menos não com ela.

Abri a porta do meu antigo quarto para ela, uma vez que eu havia me migrado para o antigo quarto do meu pai depois que havia assumido a empresa e quando ele havia ido embora para Londres. Nós ainda nos víamos com grande frequência, o mesmo adorava fazer visitas surpresas na empresa, já que a mesma não ficava muito longe da sua casa.

Ele havia proposto a venda dessa casa, dizendo que podia me dar um apartamento em Londres, mas eu havia negado, preferia acordar as cinco da manhã todos os disse úteis e continuar morando aqui do que me mudar para Londres e perder ainda mais a essência que eu tinha da tranquilidade de Brighton.

– Seu quarto não mudou quase nada desde a última vez que eu estive aqui. — ela me trouxe de volta a realidade, passando reto por mim e indo na direção da minha cama.

Observei ela colocar o Cameron na cama de maneira atravessada, bem no centro, e depois começar a dar algumas batidinhas na bunda dele para que o mesmo voltasse a dormir, talvez mesmo sem nem ter acordado. Não durou muito tempo, logo ela soltou a mão dele do seu decote e se levantou, pegando um dos travesseiros e colocando no lugar em que a mesma antes estava.

Ela olhou para mim e sorriu em seguida, alongando o braço e os ombros enquanto caminhava pelo meu quarto, tranquilamente, observando os detalhes que haviam mudado, o que não eram muitos. Ela ficou um longo tempo olhando para algo e eu decidi me aproximar para ver o que era, até que a mesma pegou um porta retrato que eu reconhecia apenas pela moldura.

– Achei que tivesse se livrado dessas coisas. — ela virou a foto na minha direção, revelando a foto que a muito eu não via. — Acredita que eu ainda me lembro desse dia? A música era horrível.

– Estou te devendo uma valsa decente até hoje. — parei ao seu lado, perto demais, sentindo os seus ombros no meu peito. — Rachel bateu a foto, não é?

– Sim, foi ela. — ela respondeu colocando o porta-retrato de volta no lugar e se virando para mim, notando que nós estávamos perto demais.

Ela tentou se afastar, mas acabou encurralada entre o meu corpo e a cômoda, e eu pude ver nos seus olhos que a mesma não estava assustada, com medo ou algo do tipo, ela apenas estava surpresa. Cautelosamente, eu aproximei minha mão do seu rosto e acariciei a sua bochecha, sentindo meu coração disparar.

Notas finais
GENTE! Me perdoem! Eu juro que a culpa não foi minha dessa vez, muito menos de vocês! A culpa foi do wifi que caiu ontem justamente na hora que eu estava ligando o not para postar e só voltou hoje na hora do almoço, só que eu acho que já disse que estudo de tarde né? Então, eu só consegui postar agora. Me perdoem, por favor! Eu não queria ter saído do cronograma e eu juro que isso não vai acontecer de novo, vocês foram tão legais nos comentarios do último capítulo, a partir de agora: cronograma. Esqueci de contar no capítulo passado, mas eu escolhi esses dias porque eu postei a fanfic no dia 16/07, o dia em que eu também PRETENDO terminá-la. Agora, vamos ao capítulo: O que vocês acharam? Eu espero do fundo do meu coração que vocês tenham gostado e, apesar de ter gostado do número de comentários do capítulo passado, eu ainda acho que podemos melhorar, não é? Eu não sou um monstrinho, gente, eu amo responder comentários e eu amo receber cada notificação de novo comentário. SAUDADES DE RECEBER RECOMENDAÇÃO! Pensem no que eu falei e, mais uma vez, me perdoem! Até dia 26 (de verdade!) Xx