I Wish You Would
11 Outer Space
I guess I was running from something. I was running back to you. Lost here in London with nothing. I'm still running back to you. If you can love me again, I could let go of everything.
Eu conseguia sentir a respiração dele bater no meu rosto, enquanto eu não tinha certeza se prendia ou não a minha respiração, sentindo os esparmos que começavam com o seu toque na minha bochecha e seguiam por todo o meu sangue como adrenalina, fazendo meu coração bater rápido demais contra a minha caixa torácica e me deixando assustada.
Eu não deveria me sentir dessa maneira.
E obviamente eu também não deveria ficar admirada demais com a cor dos seus olhos a ponto de não conseguir desviar os meus olhos dali, estavam mais verdes do que eu me lembrava que eram e eu conseguia ver pontinhos mais claros, me lembrando das aulas de biologia e me tocando que olhos verdes sempre mudam de cor, variam em tons de verdes diferentes, dos mais claros aos mais escuros. Mas os olhos do Percy nunca tiveram aquele tom de verde, um verde brilhante e radiante.
Eu fiquei tão vidrada nos olhos dele que aos poucos eu fui capaz de ver a sua pupila dilatar e transformar aquela cor incrível em um simples anel esverdeado rodeando a imensidão negra. E mesmo assim era maravilhoso e me distraída entre um choque e outro da carícia que ele fazia na minha bochecha, indo de uma das minhas têmporas até o meu queixo, passando os dedos por todo o contorno de uma das maçãs do meu rosto e pelo canto dos meus lábios.
Coloquei a minha mão sobre a dele e sorri com os lábios fechados, vendo ele repuxar os seus para um sorriso também, só que torto, fazendo algumas covinhas surgirem na bochecha repuxada. Desviei meus olhos dos seus e comecei a notar melhor os seus traços, agora maduros, vendo a sombra da sua barba que estava rala, se eu passasse meus dedos pela sua bochecha eu sentiria ela.
E foi isso o que eu fiz, afastando a minha mão da sua de maneira lenta e aproximando meus dedos do seu rosto cautelosamente, talvez por medo dele recuar de imediato. O meu coração bateu ainda mais rápido quando toquei a sua bochecha e confirmei a minha suspeita da barba rala, sentindo cócegas na minha palma conforme eu deslizava ela pelo seu rosto, passando minha palma pela sua bochecha, meus dedos na curva do seu nariz e a ponta do indicador por uma das suas sobrancelhas grossas, descendo o mesmo para a sua pálpebra e fazendo o mesmo fechar os olhos.
Quando ele fechou eu afastei a minha mão de imediato, porque não era esse o meu plano, não queria perder a visão dos seus olhos verdes tomados pela imensidão negra das suas pupilas.
Mordi meu lábio inferior quando senti sua outra mão se prender na minha cintura e o seu corpo se aproximar do meu, emanando calor e deixando a minha respiração a rarefeito. Com a mão que ainda acariciava a minha bochecha, ele afastou a minha franja do meu rosto e colocou a mecha atrás da minha orelha, passando seus dedos por todo o comprimento do meu cabelo, que não era muito longo.
Ele abriu a boca para dizer algo, mas o som do meu celular tocando trouxe ambos de volta para o planeta Terra, fazendo com que ele se afastasse de mim de imediato. Eu ainda fiquei alguns segundos paralisada, até que a chamada persistente me acordou para a vida e eu retirei rapidamente o celular do bolso da minha calça, vendo o nome da Silena brilhar junto com a sua foto enquanto eu organizava a minha respiração.
– Oi, Silena. — falei o mais normal que eu consegui, me afastando ainda mais do Percy e tentando colocar as ideias em ordem.
O que aconteceria se a Silena não tivesse ligado?
– Oi, Annie, está tudo bem? Você demorou para atender. — ouvi ela responder do outro lado da linha, olhando para o lado de fora da janela e vendo a pequena garoa de neve que caia.
– Eu estava colocando o Cameron para dormir, desculpe. — menti, não sabia qual seria a reação dela se soubesse que eu estava com o Percy.
Silena não conhecia ele, mas sabia da história graças a boca grande da Rachel e ela acreditava de pé junto que nós dois ainda tínhamos grandes chances de voltarmos. Ela era uma romântica incorrigível, era do tipo que gostava de coisas pequenas, materiais e que depois provavelmente a faria sofrer, e ela insistia em dizer que, por causa da minha relação com o Percy ter acabado sem um real ponto final, nós ainda tínhamos chances de voltar, nem que fosse para acertar as coisas e terminar da maneira correta.
– Estou morrendo de saudades dele, ainda bem que irei vê-lo amanhã. — ela disse me trazendo de volta para a realidade, mais uma vez. — Eu liguei para avisar que irei viajar de madrugada, pegarei o voo das duas e eu te aviso por mensagem quando pousar em Londres.
– Quer que eu vá buscá-la no aeroporto?
– Não, eu posso pegar um táxi. — ela disse casualmente e eu notei pela primeira vez que ela estava ouvindo música, as musicas melosas que ela ouve desde que nos conhecemos, ou seja, a uns sete ou oito anos. — Hazel disse que consegue lidar com os pedidos de fevereiro junto com a Naomi e com a Phoebe, mas eu dei autorização para ela contratar alguém temporariamente enquanto estivermos fora.
– Não acho que seja necessário, a Piper não pretende ficar muito tempo aqui. — falei olhando para o Percy por cima do meu ombro e notando que ele observava o Cameron, que havia acordado. — Mas se ela sentir que não dará conta de entregar todos a tempo, tem uma agenda na minha mesa com nomes de costureiras que eu tenho confiança.
– Avisarei ela, mas mesmo assim acredito que elas consigam, a maioria dos vestidos agora são ajustes de cintura, busto e cauda. — ela disse meio distraída, provavelmente estava fazendo outra coisa. — Eu vou terminar de fazer as minhas malas e te mando uma mensagem quando estiver embarcando.
– Tudo bem, eu te respondo quando acordar com o endereço de casa. — falei me aproximando da cama e notando que o Cam estava tranquilo mordendo o polegar dele, olhando para o teto do quarto. — Boa viagem, Silena.
– Obrigada, Ann, te vejo amanhã. — ela disse e logo a ligação ficou muda.
Coloquei meu celular no meu bolso mais uma vez e me sentei ao lado do Cameron, notando que ele ainda estava meio sonolento e que, se eu tivesse sorte, ele voltaria a dormir rapidamente. Percy se sentou o outro lado e ficou observando enquanto eu fazia ele dormir novamente, em silêncio, as vezes eu pegava ele olhando para mim e outras vezes ele olhava com admiração para o Cameron.
Ele não fazia a mínima ideia, mas levava mais jeito com criança do que era capaz de imaginar.
– Me perdoa, eu devo ter passado dos limites com você agora pouco. — ele disse depois de algum tempo, baixinho, enquanto eu via o corpo do meu filho ficar mole. — Não sei o que deu em mim, não consegui me controlar.
– Não estou magoada com você, Percy, não precisa pedir perdão. — murmurei e sorri para ele em seguida, vendo o mesmo soltar o ar dos pulmões lentamente. — Eu também não sei o que deu em mim.
– Eu... Eu acho que ainda tenho sentimentos fortes por você. — ele disse se levantando e indo até o seu guarda-roupa, tirando uma manta de lá. — É melhor você cobrir ele.
– Obrigada. — peguei a manta azul e coloquei sobre o corpo do Cameron, vendo o mesmo soltar um longo suspiro, se entregando ao sono. Em seguida, olhei para o Percy novamente. — Eu também acho que tenho sentimentos fortes por você, só não sei decifrar eles, pelo menos não ainda.
– É, eu também não sei. — ele disse desviando os olhos dos meus, olhando para qualquer outra coisa atrás de mim. — Seria muito atrevimento da minha parte chamá-la para sair? Não como um encontro... Apenas como amigos, está tendo uma amostra de cinema antigo em Londres, com todos aqueles filmes que você assistia na adolescência e eu achei que você fosse gostar de ir ver.
– Percy, eu ia adorar! Faz anos que não vejo filmes assim. — sorri meio abobada com o convite, sentindo meu coração acelerar.
– Então isso é um sim? Nós podemos ir no próximo sábado.
– É... Isso é um sim. — coloquei minha franja atrás da minha orelha mais uma vez e concordei com a cabeça. — Não é só porquê nosso namoro adolescente não deu certo, que não podemos ser amigos agora. Fomos amigos por tantos anos antes de sermos namorados.
– Eu fui um péssimo namorado.
– Percy, os namorados perfeitos estão nos contos de fadas. — me aproximei dele e me sentei ao seu lado, virada de frente para ele. — Você foi um ótimo namorado, de verdade, mas nós eramos crianças tentando ser adultos e não soubemos lidar com nossos problemas e com as nossas divergências.
– Eu me senti péssimo pelo o que eu fiz com você quando descobri o que realmente havia acontecido. — ele apoiou os cotovelos nos joelhos e olhou para mim, com a expressão séria. — Eu fui tão egoístas e egocêntrico, fui tão influenciável pelo Jason e pela Thalia que esqueci de olhar além do meu próprio nariz.
– Isso está no passado e, para a sua informação, eu já te perdoei por isso a muito tempo.
...
A propriedade estava com muita neve, pelo menos nos telhados e na grama dos jardins, até mesmo nas árvores e nos arbustos e eu podia ver que o rio havia congelado com a temperatura, todavia o estacionamento e os caminhos até a casa estavam livres de neve, enquanto eu podia ver que não existia mais decoração natalina, e era muito provável que ela realmente não tenha nem chegado a ser decorada para o natal, afinal, trata-se de um comércio.
Piper avisar chegado pela manhã com os tecidos e com uma amostra de cada um deles para que eu pudesse trazer para a equipe que estava cuidando das coisas do casamento, Drew disse que tinha um horário livre no final da tarde e Silena acabou aproveitando para vir junto comigo, ela queria conhecer o lugar do casamento e a equipe que estava cuidando "do melhor dia da vida da Reyna" nas suas próprias palavras .
– Então, pelo o que eu entendi, vocês se reencontraram. — Silena disse depois de cinco minutos de silêncio, caminhando ao meu lado na direção da porta. Ela parecia a Barbie, só que era morena e um pouco mais baixa.
– Sim, o que não deveriam deixá-la tão surpresa, Brighton é uma cidade pequena. — disse olhando para ela enquanto subia os três degraus na direção do vestíbulo, sentindo o vendo gelado atravessar todas as camadas de roupa que eu usava e arrepiar a minha pele, me causando calafrios. — Todo mundo conhece todo mundo aqui, não é como New York.
– Eu sei, mas não consigo parar de pensar que isso é destino.
– Me poupe desse papo agora, já discutimos sobre isso uma duzentas vezes. — falei vendo ela tocar a campainha da casa verde olivia. — Sou incapaz de acreditar em algo que parece se divertir com o sofrimento humano.
– Então quer dizer que você está sofrendo com isso?
– Pelo amor de deus, Silena, minha cara de quem está sofrendo por Percy Jackson.
Revirei meus olhos e corrigi minha postura, ouvindo a morena rir ao meu lado, balançando seus cachos grossos e com as bochechas vermelhas, não por vergonha, mas porque ela realmente parecia uma boneca com as bochechas sempre coradas, chegava a ser irritante o fato dela não precisar usar blush, a menos que ela ache necessário.
A porta foi aberta por uma mulher morena e com os olhos castanhos esverdeados, o cabelo castanho liso batia pouco abaixo dos seus seios volumosos e ela tinha a pele levemente bronzeada, apesar do inverno. Ela abriu um sorriso sutil tanto para a Silena quanto para a mim e eu pude notar três copos de leite em uma das suas mãos, chegando a conclusão de que ela era Katie Gardner.
A florista do casamento da Reyna e simplesmente a ex-namorada do Percy.
– Uh, uma de vocês deve ser a Annabeth Chase. — ela falou e eu notei o sotaque sobrecarregado na sua voz, ou seja, ela não era britânica. — Entrem, Drew está com uma cliente no telefone.
– Apenas viemos trazer as amostras dos tecidos, já havia combinado isso com a Drew e com a Reyna no sábado. — falei olhando para o interior da casa e vendo o quão refinado era, havia mais uma porção dos mesmos copos de leite sobre uma comoda e alguns vazos estavam vazios. Presumi que a Katie estava trocando as florestas, haviam outras muchas dentro de um cesto. — Ela já ficou com uma cópia do desenho para ajudar vocês.
– Sim e eu notei que o buquê cascata não combina tanto quanto eu imaginava, mas isso não é problema, já fiz outros e mandei para a Reyna... Ela disse que vem essa semana vê-los. — ela sorriu colocando cuidadosamente as flores dentro de um vaso e depois se virando na nossa direção. — Aliás, acho que já sei para quem pedir meu vestido de casamento.
– Não pretendemos ficar muito tempo na Inglaterra. — Silena disse com seu forte sotaque americano, fazendo Katie ficar com a expressão decepcionada. — Seria muita intromissão minha pedir para conhecer a propriedade?
– Lógico que não, mas já vou avisar que o salão de festas está um pouco bagunçado, ontem tivemos um evento e ele acabou bem tarde, a equipe de limpeza ainda não veio limpá-lo e temos restos de decoração nele. — ela disse abrindo uma grande porta dupla de madeira, que ficava ao lado da escada. — Normalmente não fazemos isso, mas como teríamos o dia livre hoje, relaxados um pouco.
O salão era enorme e tinha lustres grandes e brilhantes, com mesas limpas e com toalhas brancas e azuis claras espalhadas por todo lado, a grande mesa do bolo ainda tinha algumas rosas brancas e eu podia ver que havia tido muito brilho na festa da noite anterior. Podia imaginar a noiva com um vestido branco de princesa, um vestido com uma saia volumosa e com muito brilho por todo ele.
Demorou um pouco para que eu descobrisse que era esse o meu dom, que era essa a minha maior habilidade e que era essa a carreira que eu queira para mim. Eu estava sentada em uma das mesas no meu baile de formatura, já havia dançado demais e meus pés doíam, então comecei a observar as coisas e as pessoas, começando a adicionar e retirar detalhes da decoração e depois partindo para as pessoas.
Cada rosto que eu olhava e por cada corpo que os meus olhos passavam eu conseguia imaginar o vestido perfeito. Não importava o peso, a altura ou se eu conhecia a menina ou não, eu conseguia ver o vestido e isso me surpreendeu e acabou valendo mais a pena do que eu era capaz de imaginar, afinal, eu fiz moda na Columbia University e consegui o estágio da minha vida e, a cada novo passo, mas certeza eu tinha que era para aquilo que eu nasci.
Podia ser ridículo e clichê, mas era a realidade.
– O casamento da Reyna será ao ar livre, portanto, não iremos usar o salão no dia. — ela disse me trazendo de volta para a realidade. — Irei usar muitas flores, principalmente flores roxas e rosas, são os tons que ela escolheu e terá alguns grandes arcos... Eu já comecei a trabalhar nele, estou treinando para montar ele no dia.
– Que horas será mesmo o casamento?
– As cinco e meia, mas começaremos a arrumar tudo pela manhã. — Katie respondeu fechando a porta e nos guiando na direção de um corredor, andando elegantemente e gesticulando enquanto falava. — A parte mais demorada será os arcos, são cinco ao todo, dois para o local da cerimônia, um para a entrada e outro na passarela do lago, ela insistiu que iria querer fotos lá e a Juniper concordou e adorou a ideia.
– E acaba sobrando para a florista?
– Sim, mas eu adoro isso, estou pensando em encher o lago com flores e colocar as mesmas flores do arco pelo parapeito. — ela falou parando em frente a uma grande janela, que nos dava a visão do lago. — E estou pensando no que fazer naquela ilha, conseguem vê-la?
– Sim! — Silena bateu palmas animadas, dando alguns pulinhos. — Se ficar tão lindo quanto eu imaginei, me mudo para cá e me caso aqui... Depois que arrumar o noivo.
– Clarisse diz que Brighton traz sorte no amor para algumas pessoas, quem sabe o amor da vida de vocês não estejam aqui. — Katie disse olhando para a Silena e em seguida para mim.
– Eu já sou comprometida. — falei sentindo meu estômago se revirar ao me lembrar do Emmett.
– Bem, eu não conheço a Clarisse, mas concordo com ela, talvez o amor das nossas vidas esteja aqui mesmo. — Silena disse me olhando com segundas, terceiras e até mesmo quartas intenções.
...
A água gelada tocava os meus pés e o vento morno jogava os meus fios de cabelo para longe do meu rosto. Com cada onda nova, um novo centímetro da minha perna era molhado e eu conseguia sentir o vestido grudado nas minhas coxas, também por causa do vento, e o ar cheirava a água salgada e areia.
O sol estava fraco, mas mesmo assim eu conseguia sentir a minha pele aquecida e meu coração batia de maneira acelerada no meu peito, enquanto eu sentia os dedos de alguém entrelaçados aos meus, apertando a minha mão de maneira confortante. A mão da pessoa se encaixava perfeitamente na minha, como se elas tivessem sido desenhadas para se encaixarem.
Olhei para o lado e sorri para o Percy, vendo que o Cameron estava no colo dele e sorria de maneira radiante, balançando as pernas e gritando sempre que via uma onda maior ou idêntica a anterior. Percy ria com o entusiasmo dele e o apertava mais contra o seu corpo, para que ele não acabasse caindo do seu colo de tanto que se debatia.
O vento também bagunçava o cabelo do Percy, relevando a pequena cicatriz que ele tinha na testa desde que eramos crianças, ela brilhava um pouco e também era mais clara do que a sua pele, só que isso deixava ele ainda mais bonito. Eu cresci vendo e admirando aquela cicatriz, eu gostava dela, por mais que o motivo pelo qual ele ganhou ela era bem idiota, que nem ele.
– Nunca imaginei que estaria assim com você, não de novo. — falei me aproximando dele, sentindo ele me abraçar pela cintura, de lado. — Não foi muito longe daqui que nós demos aquele beijo da fotografia do seu quarto.
– É tão bom estar assim com você de novo. Eu te esperei durante esses doze anos, Annie, não vou deixá-la partir de novo. — ele falou me fazendo olhar para ele e sorrir, assim como ele sorria para mim.
Fiquei na ponta dos meus pés, sentindo mais uma onda atingir minha perna, mas acabei ignorando ela e passei meus braços pelo pescoço do Percy, apertando mais meu corpo contra o dele e sentindo ele retribuir o aperto com o braço que estava na minha cintura, já que ele ainda segurava o Cameron. Acariciei a sua nuca e beijei sua bochecha, descendo os meus lábios para a linha do seu maxilar e trilhando ele com beijos, até chegar ao seu queixo, onde mordisquei e em seguida beijei o canto dos seus lábios.
Quando nossos lábios se tocaram, meu peito explodiu e as borboletas do meu estomago se agitaram, enquanto nossos lábios se encaixavam da mesma maneira que as nossas mãos, nossas línguas travavam uma batalha onde nós nunca saberíamos que lado íris vencer e tudo o que eu queria quando meu corpo tocava o dele era mais contado, queria pele com pele, sem impedimentos, sem arrependimentos, sem medo.
Eu amava ele de maneira incondicional e tudo o que eu desejava era que esse sentimento fosse recíproco.
– Eu te amo, Annabeth Chase. — ele disse entre um selinho e outro, me fazendo rir e abraça-lo. — Eu te amo, Annabeth Chase.
– Shi, não grita. — falei escondendo meu rosto no seu pescoço.
– Eu quero que você seja minha, para sempre. — ele falou me fazendo afastar meu rosto do seu pescoço e encará-lo, surpresa. — Casa comigo?
...
Esfreguei o meu rosto e olhei para o teto, encarando o mesmo por um longo tempo, tentando assimilar ou compreender o que é que havia acontecido comigo. Eu havia sonhado com Percy Jackson, fazia anos que isso não acontecia, eu mal conseguia me lembrar da última vez que sonhei com ele e agora isso que acontece, me deixando confusa, eu não entendia o porque de ter sonhado com ele.
Me sentei e olhei para o relógio, vendo que o mesmo marcava três e pouco da manhã e que eu obviamente deveria estar dormindo tranquilamente, não sonhando com Percy Jackson e acabar dessa maneira que estou agora. Cocei a minha nuca e suspirei, sentindo uma pontada na minha cabeça e o motivo provavelmente seria eu estar pensando demais nesse assunto.
Meus olhos caíram em uma foto do Emmett com o Cameron, que estava em cima de uma comoda, ao lado de dois vasos, estrategicamente virada para mim. Cameron era pequeno ainda, deveria ter um mês ou menos, e o Emm segurava ele e também o encarava com um sorriso radiante nos lábios, estávamos no Central Park aquele dia e eu conseguia ver a decoração natalina do mesmo.
Senti um aperto no meu peito quando me lembrei do beijo e das palavras do Percy no meu sonho, ainda com os olhos fixos na foto do Emmett. Eu estava cada segundo mais cansada e não sabia o que fazer.
Eu nem sequer sabia o que estava sentindo. Eu me sentia em outro espaço, outra galáxia.
Eu era capaz de amar Percy Jackson novamente?
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