I Wish You Would
12 Weightless
Manage me, I'm a mess. Turn a page, I'm a book half unread. I want to be laughed at, laughed with, just because. I want to feel weightless, and that should be enough.
Mordi meu lábio inferior, olhando fixamente para a tela do meu computador, mas sem focar meus olhos na imagem que tinha ali. Eu ainda estava atordoada demais com tudo o que havia acontecido na última noite, não havia conseguido voltar a dormir depois daquele sonho e tudo o que eu queria era entender o porquê.
Não era como se eu estivesse apaixonada pelo Percy novamente. Lógico que não, havia doze anos que nós não nos víamos, que não nos falávamos e, acima de tudo, que nem sequer ouvíamos o nome um do outro. Eu não fazia a mínima ideia do que havia acontecido na vida dele nos últimos anos, não fazia a mínima ideia do ele havia vivido, o que havia feito ele feliz e o que havia feito ele sofrer.
Eu sabia do que eu havia vivido, sabia o que eu havia sofrido e o que havia me feito feliz. Cameron definitivamente havia me feito feliz, na realidade, ele ainda me faz feliz. Sou imensamente grata por tê-lo, mas ninguém tem noção do que é ter esse sentimento, apenas eu sabia disso. Eu sabia da minha vida.
Assim como Percy sabia da dele.
Não tinha como eu estar apaixonada por ele. Fazia doze anos que eu havia enterrado aquele sentimento que me fez sofrer a sete palmos abaixo do chão, trancado dentro de um cofre e me livrado da chave.
Obviamente, eu não estava apaixonada por ele. Deveria parar de pensar insistentemente nisso.
E ainda tinha o Emmett. Eu estava com o Emmett e ele é pai do Cameron. E nós éramos uma família.
Sai dos meus devaneios com o som de aviso de chamada do Skype, me sobressaltando com o susto que isso me deu. Mas logo tratei de dispersar o susto e focar meus olhos no monitor, vendo o nome do Emmett brilhar ali.
Ele, definitivamente, não morreria tão cedo.
– Annabeth Chase. — ele disse animado, quase jogado sobre a câmera do webcan — Estou com saudades, Ann.
– Oi, Em. — sorri para ele, relaxando meus ombros, enquanto via seu sorriso aberto do outro lado. — Já voltou para os Estados Unidos?
– Infelizmente, aqui o tempo está um horror. — ele deu de ombros, mas ainda sorria. — E eu estava certo, você iria amar o Japão.
– Ia? O que te faz ter tanta certeza disso?
– Todos os meus conhecimentos sobre você, que, modéstia à parte, são muitos. — ele disse convencido, me fazer rir e revirar os olhos. — Não me faça essa cara, quando nos conhecemos você assistia animes japoneses. Você iria surtar lá.
– É, talvez eu surtaria mesmo, mas vale lembrar que eu já sou uma mulher, Emmett. — respondi para ele, vendo o mesmo revirar o olhos. — E não me faça essa cara.
– Quem sabe eu te leve para lá em um futuro não muito distante. — ele disse, mais uma vez, dando de ombros. — E o nosso menino? Como ele está? Estou morrendo de saudades dele.
– No momento, ele está dormindo. — respondi olhando para o meu relógio, que marcava pouco mais de oito horas da manhã. — Que horas são ai?
– Hm... Três da manhã. — ele falou olhando rapidamente para o relógio em seu pulso. Só depois que ele disse isso que eu notei que o mesmo estava de pijama, com o cabelo mais bagunçado que o normal e que também tinha algumas olheiras abaixo dos olhos.
– Você está horrível, Em. — me senti mal por ele estar falando comigo essa hora, ele realmente estava horrível, fazia tempo que não via ele nessa situação. — As vezes acho que seu pai realmente não tem compaixão com você.
– Já disse que ele me odeia.
– Não... Ódio é um sentimento forte demais. — balancei a minha cabeça, olhando para os seus olhos em seguida. — Ele ama você, só que... Deposita trabalho demais sobre os seus ombros e se esquece que, além de filho dele, você também é humano.
– Não tenho dúvidas de que ele me considere um ET ou um robô, ou algo parecido. — ele sorriu de lado, me fazendo sorrir também. — Eu estava trabalhando, cheguei do Japão e tive que ir direto para um reunião que tomou quase que o meu dia todo, e depois a Ella me disse que amanhã eu tenho uma reunião as oito com aqueles empresários poderosos com quem estamos tentando fechar contrato a seis meses.
– Deveria ir dormir, na realidade, você vai dormir, caso contrário, amanhã vai estar ainda mais horroroso e eles não fecharão contrato por causa da sua aparência.
– Mesmo com um oceano nos separando, você não deixa de me dar ordens, não é? — ele falou esticando a mão para fazer algo. — Eu realmente sinto a sua falta, e a do Cam também... A cama parece maior sem você.
– Eu também estou com saudades, nós dois estamos, eu e o Cam, falta pouco tempo para o dia dos namorados, logo nos veremos. — falei tocando no seu rosto pelo monitor, mesmo sabendo que ele não sentia meu toque.
– Tenho uma grande surpresa para você, para nós, no dia dos namorados. — ele disse, me fazendo arregalar os olhos, assustada. — Estou contando os dias para vê-la, para poder tocá-la e para pegar meu filho no colo novamente. Ele deve estar enorme.
– Nem deu tempo dele crescer, Emmett, faz quatro dias que você viajou. — revirei meus olhos mais uma vez, afastando minha mão do monitor. — E agora, vá dormir! E eu te proíbo de me ligar nesse horário mais uma vez... Sei lá, podemos ver um horário bom para nós três, assim você consegue ver o Cam também.
– Tudo bem, depois negociamos isso. — ele piscou para mim, me fazendo rir. — De um beijo no Cam por mim e, se ele começar a andar antes que eu volte ai, grave e me mande... Ou me ligue imediatamente, assim posso ver ao vivo.
– Claro, anotei tudo aqui, senhor, deseja mais alguma coisa? — brinquei vendo ele bufar do outro lado. — Até logo, Emmett McLean.
– Ate logo, Annabeth Chase, você só não é uma McLean por puro orgulho. — ele disse rindo, me deixando boquiaberta. — Eu te amo, até depois.
Ele desligou a chamada antes mesmo que eu conseguisse pensar em uma resposta para dá-lo, o que eu não sabia se era bom ou ruim. Quer dizer, não saber o que responder nessa situação, definitivamente é ruim, nós dois namoramos por quatro anos, ficamos dois anos como amigos e depois que eu engravidei sem querer, nós voltamos a ter algo.
Não era como o nosso namoro de antes, quando eu engravidei, nós fizemos isso realmente da maneira correta, primeiramente nós voltamos, depois veio todo o resto. Ele foi em todas as consultas médicas comigo, passamos a morar juntos e em momento nenhum ele me deixou de lado na minha gravidez, participou de cada momento dela, decoração do quarto do Cameron, ele me ajudou com o enxoval e quando a bolsa estourou, ele estava na sala de parto comigo.
E agora eu não sabia o que responder quando ele dizia três palavrinhas tão simples. E eu não queria culpar a minha volta para a Inglaterra por essa a minha falta de palavras, pela falta de resposta, para ele.
...
Cameron estava doido para descer do meu colo e ir para o chão, não culpava ele, ver toda a extensão de área livre era uma loucura, mas todo o parque estava coberto por neve, desde as árvores até os caminhos de pedra e a grama, era tudo um mar branco de gelo e frio. Não colocaria ele não chão para depois o mesmo pegar uma gripe e, no pior dos casos, uma pneumonia.
Eu havia agasalhado ele o máximo que eu conseguia e o fato do mesmo não estar tremendo por causa dos vários graus negativos me aliviava um pouco, mas o nosso destino não era o parque que, por mais incrível que pareça, tinha uma boa movimentação de adolescentes, como se o frio não atingisse eles.
Nosso destino era o café do outro lado do parque que, depois de duas voltas consecutivas de carro, Silena chegou a conclusão que era mais fácil estacionar do outro lado e caminharmos até o precioso café que eu frequentei durante a maior parte da minha adolescência. Era ali que eu ia quando queria ficar sozinha, ou quando queria terminar um livro ou quando, simplesmente, queria fugir dos meus pais.
Não era o mesmo café do Marina Pier, aquele que eu levava o Malcolm nos fins de semana para que, depois que ele comesse, o mesmo pudesse se divertir um pouco na Roda Gigante.
– Sofisticado, com um toque moderno, mas sem perder a essência da década passada, é interessante. — Silena murmurou ao meu lado, balançando as mãos cobertas por luvas na frente do rosto, me fazendo rir. — Deve ter sido maravilhoso crescer aqui. Faz três dias que cheguei e já adoro essa cidade.
– Pode ficar aqui quando eu for embora. — respondi a mesma trocando o Cameron de braço, enquanto tentava calcular a distância que sobrava até o outro lado, até o estabelecimento que acalmaria meu filho.
– Claro, mas, enquanto isso não acontece, o que acha de me contar o que é que está de deixando inquieta e aflita?
Ri de maneira nasalada olhando rapidamente para a mesma. Ela tinha um gorro bege que combinava perfeitamente com suas luvas brancas e com o seu sobretudo da mesma cor com botões de madeira escura, ele ia até os seus joelhos, mostrando parte da sua calça jeans azul e desfilando elegantemente, como Silena Beauregard desfila, com ankle boots pretas.
– Pode rir, mas eu conheço a senhorita e sei que, por trás de toda essa história de levar o Cam ao café para cansá-lo, existe algo te deixando angustiada. — ela falou me olhando, com a razão transbordando pelos seus olhos azuis. — Vamos, Annie, é mais fácil você dizer do que guardar para você e ficar dessa maneira.
– De que maneira, Silena?
– Na defensiva, inquieta e com a cabeça em qualquer lugar, menos na realidade.
Abri a porta do estabelecimento e logo ouvi o sino que ficava acima da mesma soar, anunciando a minha entrada. Se o Cameron estava animado em estar em um lugar coberto de neve, ai ver a área infantil que o café tinha, o garotinho entrou em estado puro de êxtase.
Tirei seu gorro e o cachecol que envolvia seu pescoço, vendo o mesmo ir de bom grado para o colo da menina que ficava responsável pela área infantil, que era repleta de brinquedos, ursos de pelúcia e tudo mais que crianças adoravam para bagunçar. Assim que vi que ele estava tranquilo com a adolescente e com as outras crianças que estavam ali, que não eram muitas, procurei uma mesa que me desse a visão dele e me sentei, vendo Silena se sentar na minha frente.
A garçonete nós atendeu e eu pedi apenas uma xícara de chá com leite, com pouco açúcar, enquanto a Silena pediu chá verde puro e algumas torradas sem geleia, me olhando de maneira sugestiva assim que a menina se afastou. A maioria das pessoas que trabalhavam nesses tipos de estabelecimento em Brighton eram adolescentes, eu não deveria estar tão surpresa.
– Tudo bem. — soltei um suspiro, vendo ela puxar os lábios rosados para um sorriso confortante. — Mas, você não vai opinar em nada até que eu tenha terminado.
– Começa logo, Annabeth.
– Okay... — revirei meus olhos, tentando colocar as palavras nos meus lábios. — Eu... Meu deus, não sei como dizer tudo isso, é tão estranho tentar pronunciar algo sem valor.
– Se fosse tão sem valor assim você já teria dito e, ainda por cima, você não estaria assim.
– Por que você sempre tem razão?
– Minha mãe se chama Afrodite e, acredite, ela faz jus ao nome da deusa. Então, de duas uma: ou ela é abençoada pela deusa e eu também, ou ela é a deusa em pessoa e está se escondendo entre os mortais, o que me faz uma semideusa!
– Não delira, Silena. — falei dando risada, sabendo que ela estava fazendo isso de propósito. — É que o Percy me chamou para sair sábado e, na noite passada, eu sonhei que nós estávamos juntos... Não foi uma lembrança, não foi algo que vivemos na adolescência e que veio perturbar meu sono, não, Silena, não foi... Foi algo novo, nós estávamos juntos, éramos adultos, o Cameron estava envolvido nisso e eu me senti bem por isso quando acordei, até olhar para a foto do Emm com o Cam e começar a ficar confusa. Eu não deveria ter me sentindo tão bem quanto me senti, apesar de estar confusa, demorou para que eu percebesse que eu estava confusa e feliz com o sonho, mas, ao mesmo tempo, mal por ter ignorado completamente a existência do Emmett.
Silena piscou atônita, ficando com a expressão assim por alguns segundos. Eu não sabia se compreendia ou não a sua reação, que tipo de pessoa eu era? Estava em relacionamento estável e queria sair com outra pessoa, mesmo que no ouvisse segundas intenções.
Isso não se faz, não queria ser que nem o meu pai, que traiu a minha mãe, e também não queria ser como a minha mãe, que havia se tornado uma vadia gananciosa e destruidora de lares, que só se importava com dinheiro e sexo, entrando e saindo de relacionamentos que ela jurava que duraria.
Definitivamente, minha mãe não era nem abençoada e muito menos a deusa da qual deriva seu nome. Atena, a deusa, se ela existe, nunca faria algo assim, ela nunca teria sido como a minha mãe é.
E a Silena estava enganada, falar o que estava me deixando aflita não melhorou a situação, apenas me deixou ainda mais confusa e o fato da minha melhor amiga estar me encarando em silêncio por segundos demais não colaborava muito. Silena sempre tinha uma resposta na ponta da língua, não importava qual fosse a situação.
– Isso é... Eu não sei o que é, de verdade, Annabeth. — ela disse enquanto a mesma garçonete de antes nos servia, me fazendo concordar com a cabeça. Eu me sentia, mais ou menos, do mesmo jeito que ela estava se sentindo. — Mas, você pelo menos pensou duas vezes antes de aceitar o pedido do Percy?
– Sinceramente, não. — murmurei olhando para o balcão do café, vendo uma mulher loira com olhos escuros me encarando fixamente, como se me conhecesse. — Não pareceu ser algo de grandes proporções quando ele me convidou.
– O que vão fazer? Jantar?
– Não sei, talvez ele também me leve para jantar, não discutimos todos os detalhes ainda. — cocei minha têmpora, voltando a olhar para a minha amiga. — Inicialmente ele só vai me levar para assistir um filme antigo.
– Cinema antigo? Isso é tão romântico, Annie! — ela mudou de humor imediatamente, até a sua voz ficou mais dócil. — Eu sempre acreditei que vocês fossem voltar.
– É, você sempre fez questão de deixar isso bem claro, mas isso não vai acontecer. — falei revirando meus olhos, bebendo meu chá em seguida. — Estou tentando ser amiga dele para que tudo não fique estranho no casamento da Reyna.
– Tudo bem, vamos começar a falar hipoteticamente. — ela pediu deixando seu chá de lado. — Você não ama o Emmett como amava o Percy, todo mundo sabe disso, você aceita o primeiro, o segundo e o terceiro encontro com o Perseu e vocês começam a se envolver, o casamento da Reyna se aproxima e tudo dá errado entre vocês dois e o que acontece no final? O clima fica estranho no dia do casamento.
– É vidente agora?
– Não, não sou vidente, só estou dizendo que se você for para esse encontro com esse pensamento, é isso que vai acontecer. — ela disse tranquila, me deixando ainda mais confusa. — Não acredito em Deus, deuses e o caralho a quatro, mas eu acredito em destino, e o destino nunca vai ser como você está imaginando que será. Ele sempre vai burlar e superar as suas expectativas.
Eu abri e fechei a minha boca diversas vezes tentando encontrar uma resposta para ela, uma resposta que fosse provar o contrário para a minha melhor amiga. Sábado não teríamos um encontro, eu apenas ia sair com alguém que a muito tempo não via, pessoas faziam isso o tempo todo, por que ela não poderia acreditar nisso também?
Ah, é claro, o Percy era meu ex namorado, o namorado de adolescência, que antes de ser namorado foi amigo e quase um irmão para mim. Nós passamos por diversos momentos, bons e ruins, e ele me ensinou que nós não podemos ser apenas felizes ou apenas tristes, ele me ensinou que a alegria e a tristeza sempre têm que estar juntas, pois, caso contrário, as coisas saem do controle.
Desviei meu olhar do dela e tentei prestar atenção em outra coisa, não querendo mais discutir com a mesma sobre esse assunto e ter que, no final, acabar dando a razão para a mesma.
Observei que a mulher que antes me encarava no balcão agora estava se aproximando da minha mesa. Ela, provavelmente, era poucos centímetros mais alta do que eu e tinha o longo cabelo loiro e meio ondulado nas pontas e os olhos escuros combinavam com a sua pele pálida.
Ela usava roupas brancas, todavia elegantes. A calça skinny branca marcava bem as suas coxas e o casaco da mesma cor não me deixava ver muito do seu busto, ele estava totalmente fechado e de um dos bolsos, eu podia ver luvas da mesma cor meio colocadas ali dentro. O som dos saltos do seu peep toe ecoava pro todo o estabelecimento, mas não chamava a atenção de muitas pessoas.
Ela era linda e, conforme a mesma se aproximava, eu conseguia ver melhor as suas feições e ter a leve sensação de dejavu. Talvez eu também conhecia ela da mesma forma que ela parecia me conhecer, até que a mesma parou na minha frente e abriu um sorriso gentil, mostrando os dentes perfeitamente alinhados e incrivelmente brancos.
– Faz anos que eu não te vejo, Annabeth, quase não reconheço você. — ela disse, sua voz tinha um quê de reconhecimento no meu cérebro, mas eu não conseguia relacionar a aparência, a voz e a pessoa com algum nome. — E você não está se lembrando de mim.
– Não, eu não estou. — falei franzindo o meu cenho, olhando rapidamente para a Silena e vendo a mesma esperava as devidas apresentações da mulher. — Eu deveria?
– Provavelmente não e isso é totalmente compreensível, eu juro. — ela sorriu mais uma vez, me deixando intrigada com a mesma. — Vamos começar de novo, se não se importar, não nos demos muito bem na primeira vez. Calipso Atlas, prazer.
...
Olhei mais uma vez para as fotos dos buquês que a Katie havia feito para a Reyna e, em seguida, olhei para a mesma, vendo que a mesma alisava a amostra do tecido dos vestidos das madrinhas enquanto eu observava as fotos.
Eu gostava mais do buquê tradicional com as flores rosas e roxas, apesar do outro ter quase que as mesmas flores, acreditava que a cascata não fosse combinar com o modelo do vestido que eu e as meninas já havíamos começado a costurar.
Não tinha nada para ver dele no momento, era apenas pouco tecido em um manequim com as medidas da Reyna, mesmo eu sabendo que no final teríamos que fazer alguns ajustes pois, as vezes, o vestido ficava um pouco frouxo em alguma curva do corpo. Por mais que o manequim tivesse o número exato das noivas, até a chegada do casamento, esse número caia ou aumentava.
Noivas nervosas podiam ganhar ou perder peso até o grande dia pois, realmente, casar-se era mais estressante do que manter o casamento.
– De início eu estava pensando em cores padrões para vocês três, mas então percebi que isso iria desfavorecer. — ela falou chamando a minha atenção e me fazendo olhar para ela. — Então eu analisei melhor e cheguei a conclusão que quero a Zoë de violeta, para combinar com as flores e com a cor da pele dela. A Rachel de verde, pois combina com a cor do cabelo dela e com ela. E você eu quero de carmesim, pois, toda vez que imagino você como a minha madrinha, eu te vejo de carmesim, e a cor vai contrastar seus olhos e o seu cabelo.
– Sério, vermelho?
– Annabeth, todas sabemos que você fica poderosa de vermelho, ninguém vai discordar comigo. — ela falou séria, me fazendo sorrir. — E eu estava conversando os detalhes dos penteados com o cabeleireiro, de início também pensei em algo uniforme.
– Mas obviamente mudou de opinião.
– Exatamente. Não quero algo uniforme e chato no meu casamento, eu quero que ele seja incrível e quero que ele seja animado. — ela mexeu os ombros, sorrindo contente. — Os padrinhos também não irão usar gravatas da mesma cor, eu e o Leo combinamos que a cor da gravata dos homens será da mesma cor que o vestido das mulheres.
– Nesse caso, ver o Percy de gravata carmesim será hilário.
– Hm, sobre isso, eu queria que você me ajudasse com algo importante. — ela pediu após dar um gole no café que a Piper havia servido para ela quando a mesma chegou. — Ele é péssimo escolhendo gravatas e não sabe nem a diferença entre vermelho e bordô, por isso queria que você ajudasse o mesmo a comprar uma gravata que combinasse com o smoking.
– Quem compra as gravatas dele?
– Quando uma mulher não dá uma de presente para o mesmo, quem compra é a Jenna ou a Anfritite.- ela falou e eu concordei com a cabeça, ignorando o embrulho no meu estômago ao ouvir "mulheres" e "presente" na mesma frase. — Ele mudou um pouco desde a nossa adolescência, mas quando o assunto é mulheres, ele prefere os mesmos casos curtos e sem compromisso sério de antes.
– O que aconteceu entre ele e a Calipso?
– Não foi muito diferente do que aconteceu entre vocês dois, acredite. — ela disse colocando os tecidos sobre a minha mesa bagunçada de papéis e outras parafernálias, eu não havia tido tempo de arrumar. — Ele foi muito na onda da Thalia e do Jason, principalmente do Jason, e então eles saiam demais e até falsificaram uma identidade, todos os fins de semana o Percy ia com ele em uma balada diferente em Londres e lá ele traia a pobre da Calipso sem dó nenhuma. Demorou muito tempo para que ela descobrisse, a Thalia, que se fazia de amiga dela, escondia tudo da mesma e enquanto ela estava tentando passar em uma boa universidade, ele estava ficando com mulheres que nem conhecia e que eram mais velhas do que ele.
– E o que aconteceu?
– O pai dele descobriu tudo e então a vida do Percy foi um inferno até ele entrar na faculdade. Não foi para Cambridge ou Oxford, não, ele ficou aqui em Brighton. — ela falou séria, como se estivesse se lembrando de algo. — Ele quase repetiu o último ano do ensino médio, e depois que atingiu a maior idade foi impossível para o Poseidon controlá-lo, até que aconteceu o acidente e o Percy pareceu, em partes, cair em si.
– Que acidente é esse?
– Eu não sei ao certo, estava em NY quando aconteceu. — ela tentou dar de ombros, mas não conseguiu. — Eu apenas sei que o acidente foi grave e que o Percy ficou em coma por dois meses. Se quiser saber, deveria perguntar para o próprio.
– Ele fala sobre isso facilmente?
– Eu vou ser sincera: eu não sei se ele fala ou não. — ela falou enquanto eu pegava os tecidos para dobrar e guardar. — Acho que nunca ninguém perguntou, a maioria das pessoas evita tocar nesse assunto com ele.
Concordei com a cabeça, tentando organizar a mesa o mais rápido possível sem atrair muito a atenção dela. Mas era a Reyna e eu sabia que logo ela iria perguntar, então tratei de contar rapidamente para ela.
– Ele me convidou para ir a uma amostra de cinema antigo em Londres. — falei tentando soar tranquila, recebendo de volta o silêncio da minha melhor amiga. — Sábado.
– Nossa, por essa não esperava, nunca. — ela deu uma risada nervosa, colocando o cabelo atrás da orelha. — Você aceitou?
– Aceitei, não vi maldade no seu convite quando ele o fez.
– Mas?
– Mas eu sonhei com ele na última noite. — respondi fitando os olhos dela, vendo a mesma arfar. — Eu acordei confusa, mas sabia que no fundo eu estava feliz com o sonho. Não foi uma lembrava, foi realmente um sonho.
– Annie, você está com o Emmett.
– É, eu sei. — falei deixando as coisas de lado. Arrumar a minha mesa não arrumaria a minha mente também. — Eu só me lembrei dele quando vi o retrato do mesmo com o Cam do outro lado do quarto.
– E o que você pretende fazer com tudo isso? Ainda vai com ele para Londres?
– Você me chamaria de maluca se eu dissesse que a minha vontade de ir com ele para Londres com ele apenas aumentou?
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