I Wish You Would
1 We're Alright Though
Turn off the lights. Don't look outside. The world's gone crazy. But it's perfect here with you.
Inclinei meu corpo para frente, debruçando sobre o parapeito da janela e exibindo um sorriso largo quando distingui a silhueta abaixo de mim, vendo Percy acenar com a mão e jogar a cabeça para o lado, me fazendo rir do seu pequeno bico.
Ele estava lindo com a fraca luz iluminando o seu rosto, destacando seus olhos verdes como esmeralda no momento e arrancando um longo suspiro de mim. Eu provavelmente era sortuda e besta ao mesmo tempo.
- Vai se afastar para mim subir ou prefere se jogar?
- Já estou de pijama, eu vou me afastar. — respondi me afastando da janela e abrindo ela o máximo possível, para então dar dois passos para trás e deixar ele subir.
Por um segundo eu me desesperei, não por ele escalar sei lá quantos metros até a minha janela, mas pelo meu estado físico mesmo. Eu estava um um short curto e colado, usando uma camiseta duas vezes maior do que o meu corpo e com o cabelo preso em um coque bagunçado, sem maquiagem, pronta para receber o deus grego da Goode — que por sinal era meu namorado também.
Respirei fundo e coloquei a minha franja atrás da minha orelha, indo até a minha cama e retirando os papéis dali, enfiando todos eles dentro da primeira gaveta do meu criado mudo e depois olhando para o estado da minha cama, arrumando apenas os travesseiros sobre ela e me sentando na ponta da mesma, a tempo de ver Percy se enfiar para dentro do meu quarto pela janela e fechá-la em seguida.
- Olá. — ele exibiu um sorriso largo, passando a mão no seu cabelo e deixando-o ainda mais bagunçado do que ele normalmente é.
- Oi. — disse baixinho, cruzando minhas pernas como índio e indicando o espaço na minha frente para ele. Percy caminhou lentamente na minha direção e se sentou na minha frente, o mais perto possível de mim. — Como foi o fim de semana com a sua mãe?
- Até que foi tranquilo, ela não fez nada absurdo, por incrível que pareça. — ele disse olhando para cada detalhe no meu rosto, parando por um longo tempo nos meus olhos. — Senti sua falta.
- Foram apenas três dias, Percy. — puxei meus lábios para o lado, vendo-o arregalar os olhos e pegar as minhas pernas, puxando elas e jogando as mesmas sobre as suas coxas, me aproximando ainda mais dele. — Eu também senti a sua falta.
Foi lento, bem lento mesmo. Os nossos lábios se tocando, as borboletas surgindo no meu estômago, o arrepio percorrendo a minha espinha enquanto ele me beijava, enquanto nossas línguas dançavam em sincronia e tudo parecia se encaixar perfeitamente entre nós dois, sem nenhum porém.
Sua mão se encaixou na minha cintura e me puxou para o seu colo, aprofundando o beijo e trocando o carinho pela malícia, na qual eu não me importei nem um pouco, deixei nossos lábios transformarem o beijo calmo em algo voraz, enquanto eu unhava a sua nuca e ele deslizava suas mãos pelo meu corpo, distribuindo alguns apertões por onde ela passava.
Quando os nossos lábios se separaram pela falta de ar, ele imediatamente avançou para o meu pescoço, me jogando na cama e ficando sobre mim, sem apoiar todo o seu peso sobre o meu corpo, enquanto suas mãos procuravam a barra da minha camiseta.
Ele basicamente beijava e chupava o meu pescoço, do lóbulo da minha orelha até a minha clavícula, retirando seu rosto dali apenas para retirar a camiseta do meu corpo, me acordando para a realidade e fazendo com que eu me afastasse dele.
- O que foi?
- Desculpa, eu ainda não estou pronta. — mordi meu lábio inferior, vestindo a minha camiseta novamente. — Me perdoe.
- Ainda não confia em mim? — ele arqueou a sobrancelha, se sentando também e olhando diretamente nos meus olhos.
- Não, lógico que não, Percy! — falei balançando as minhas mãos, tentando acalmar as batidas do meu coração. — Eu confio em você mais do que tudo... É que, eu apenas não estou pronta para isso, eu estou com medo.
- Isso um dia terá que acontecer, Ann.
- Eu sei, mas olha, ainda somos jovens e eu não quero que isso aconteça assim, não com o meu coração disparado de medo, ou com os meus pais no quarto ao lado e...
- Não quer que seja comigo? — ele arqueou a sobrancelha, fazendo a minha respiração falhar ao ouvir isso. — Tudo bem, eu entendi.
- Não, você não entendeu, é lógico que eu quero que seja com você... Eu só preciso estar preparada emocionalmente para isso, Percy. — abracei meus joelhos, escondendo meu rosto entre eles. — Eu sinto muito.
Ele não disse nada, muito menos se movimentou para fazer alguma coisa, enquanto eu apenas conseguia esconder o meu rosto entre as minhas pernas para disfarçar a vergonha explícita e que ele conhecia bem. Não o culpava, ele era homem e fazia parte do que ele era ter esse desejo, mas eu não estava preparada para dar esse passo na minha vinda, não naquele momento e me acostumar com a ideia de ter uma vida sexual ativa ainda não era fácil.
Engoli em seco depois de muito tempo com a cabeça escondida, levantando meu olhar lentamente e vendo que ele me encarava com um sorriso mínimo, mas sincero, nos lábios. Fiquei olhando para ele por algum tempo, estudando a sua expressão e tentando desvendar seus pensamentos, o que, de certa maneira, era fácil, Percy antes de ser meu namorado ele era meu melhor amigo da vida toda, eu o conhecia desde antes de me entender por gente e sabia muito bem, ambos sabíamos, desvendar o pensamento um do outro.
Os traços do seu rosto estavam deixando de serem infantis, ganhando um ar maduro, seus olhos estavam fixos no meu rosto e eles brilhavam no mesmo tom de minutos atrás, antes dele escalar até a minha janela, quando apenas a luz fraca iluminava o seu rosto. Nós eramos jovens, tínhamos muito tempo ainda e eu amava ele, mas ainda não era a hora.
- Em você. — ele disse baixinho, me fazendo franzir o cenho pelo desentendimento do que ele havia dito. — Estou pensando em você, em como vou sentir falta de ver você dessa maneira, com os olhos cinzentos passando pelo meu rosto, o lábio franzido e essa ruguinha de preocupação entre as suas sobrancelhas, essa que surge quando você franze o cenho... Vou sentir falta de vê-la de pijama, mesmo ele sendo o dobro de seu tamanho, de ver as sardas douradas das suas bochechas quando você está sem maquiagem e de achar você dez mil vezes mais linda dessa maneira, a sua maneira.
- Por que sentiria falta de mim? — questionei esticando as minhas pernas novamente e segurando a sua mão, entrelaçando nossos dedos e sentindo as nossas mãos se encaixarem.
Existia um mito antigo que sempre vinha a minha cabeça quando isso acontecia, o fato da mão de uma outra pessoa se encaixar perfeitamente na sua e isso acaba significando que você encontrou sua alma gêmea. Não sobrava espaço algum, era como se uma tivesse sido feita para encaixar na outra como a peça de algum jogo, como um quebra-cabeça, como a do Percy e a minha.
- Caso um dia eu deixasse você ir, escapar por entre os meus dedos... — ele disse olhando para as nossas mãos dadas, acariciando as costas da minha com o polegar. — Eu vou esperar você, enquanto eu respirar.
- Acredita em destino? Em algo maior do que isso tudo?
- Tipo Deus com D maiúsculo ou deuses ou qualquer divindade?
- Pode ser, mas você acredita?
- Em Deus ou deuses não, mas em destino e algo maior do que isso, sim, eu acredito. — ele respondeu olhando para os meus olhos. — Por quê?
- Porquê se realmente for para nós ficarmos juntos nessa vida, nossos caminhos vão se cruzar até que eles se tornem apenas um. — respondi exibindo um sorriso para ele, vendo o mesmo arquear a sobrancelha. — O destino vai arranjar um jeito de nos unir quantas vezes forem necessárias até que não seja mais preciso.
- Mas eu não pretendo terminar com você, a não ser que...
- Cala a boca. — me joguei em cima dele, fazendo o mesmo cair para trás e ficar com o corpo sob o meu. Ele sorriu sem malicia e soltou a minha mão, envolvendo a minha cintura com os seus braços enquanto eu estava com os antebraços apoiados no seu peito.
Passei um lábio no outro, estendendo a minha mão direita até a sua testa e arrumando os fios de cabelo que caiam sobre ela, sentindo a maciez do seu cabelo sobre a minha palma, causando até uma leve cócega nela.
Por mais que eu tentasse tirar os fios caídos da sua testa, eles voltavam a cair sobre ela novamente no momento em que eu afastava a minha mão, revelando a rebeldia cotidiana do cabelo de Perseu Jackson.
Ele tinha vida própria.
- Jason dará uma festa sexta... É Halloween, o que acha de irmos? — ele arqueou a sobrancelha, chamando a minha atenção e me fazendo negar com a cabeça pouco tempo depois, voltando a dar atenção para o seu cabelo bagunçado. — Por que não, Annie?
- Não gosto, você sabe muito bem disso... Além do mais, meus pais nunca deixariam. — murmurei evitando olhar nos olhos dele.
- Você está mentindo, eu te conheço o suficiente para saber disso... Não é por causa do que aconteceu no dia da independência, não é? — ele disse segurando o meu queixo e me obrigando a olhar para ele.
Mordi meu lábio inferior, olhando para ele e ficando muda, sabendo que isso iria nos fazer discutir mais uma vez por bobeira. Para ele era bobeira, mas para mim não era, eu não conseguia engolir o Jason, ou a Thalia, os dois não me ultrapassavam a garganta, mesmo eles sendo amigos do Percy.
Ele soltou o meu queixo e me colocou na minha cama novamente, se levantando e pegando a jaqueta que ele havia deixado em casa na última vez que esteve aqui, já que a mesma estava sobre a cadeira da escrivaninha. Respirei fundo e me sentei, esperando alguma reação dele, reação que não veio muito cedo, ele fez questão de vestir a jaqueta de maneira lenta, de costas para mim.
- Não vai dizer alguma coisa?
- Não, eu vou pensar em uma mentira para justificar a sua ausência na festa. — ele disse meio minuto depois, olhando para mim por cima do ombro. — Você deveria parar de se isolar toda vez que um problema surge, Annabeth.
- Quem disse que estou me isolando? Percy, da última vez em que estive em uma festa dele, o Jason me drogou! — exclamei em minha defesa, ouvindo o mesmo soltar um riso sem humor algum. — O que foi?
- Maconha é inofensiva, sabia? Você que é toda inteligente e sempre está com a cara enfiada em um livro, deveria saber disso. — ele se virou para mim, não se importando em esconder a sua decepção. — Na maioria das vezes, não parece que somos namorados, parece que continuamos sendo amigos.
- Lógico que não!
- Você nem chega perto de mim na escola, Annabeth! Durante as aulas você se mantém afastada, vai e volta sozinha e todas as vezes em que algum dos meus amigos programa alguma coisa para fazer, eu sou obrigado a inventar uma mentira para justificar sua falta de interesse na minha vida. — ele disse controlando a sua respiração, enquanto eu sentia minha garganta se fechar e os meus olhos lacrimejarem. — Você saiu uma vez comigo nesse último ano, uma vez nós fomos em uma festa e você passou a maior parte dela emburrada! Então o Jason encontra uma maneira de fazer você se soltar e no dia seguinte você simplesmente decide que a culpa disso é minha, que os meus amigos não prestam e que aquilo foi uma péssima ideia... É por isso que você não tem amigos, você não sabe ser social e não tem o mínimo de interesse por isso.
O ar simplesmente fugiu dos meus pulmões ao ouvir isso. Não era novidade, não mesmo, meus pais viviam dizendo isso para mim e não me deixava surpresa, o que me deixou surpresa foi o fato de eu estar ouvindo isso da boca dele, ouvindo ele dizer tais palavras sem nenhum filtro.
Abaixei o meu olhar, tentando respirar e não chorar ao mesmo tempo, sabendo que ele não estava tendo nenhum senso de cuidado enquanto falava comigo, enquanto apontava a sua decepção por eu não ser a namorada perfeita, ou simplesmente ideal.
Não o culpava, ele tinha razão, eu não tinha a mínima vontade de sair com ele e seus amigos, a minha vida estava muito bem, obrigada, quando era apenas nós dois e ninguém mais, seja nos nossos quartos, em uma lanchonete no domingo de manhã ou em um programa de casal que envolvesse apenas nós dois.
Eu não era do tipo que ficava abraçando ou se agarrando na frente dos outros, preferia os momentos a dois, por mais cafona ou antigo que isso aparentasse.
- Eu irei com você. — respondi com a voz mais firme, olhando para ele mais uma vez.
- Não precisa ir, se não quiser.
- Você sabe que eu tenho que querer, além do mais, você está certo, não posso ser assim para sempre. Eu vou com você, como sua namorada.
Notas finais
Ela é totalmente romântica e divertida, espero que gostem e que comentem, depois de algum tempo sem novidade, eu sou meio errada em cobrar algo agora e, para animar vocês, o próximo capítulo já está pronto, ainda na primeira fase, começando a revelar o que ira acontecer com Percabeth.
O destino irá aparecer muito nessa fanfic.
Eu amo muito vocês e se alguém ler, muito obrigada!
Xoxo, Love U ♥
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