I Wish You Would
2 Unpredictable
We can run down the street. With the stars in our eyes. We can tear down this town. In the dark of the night. Just open the door. We've got time on our side.
Bati na porta da casa da Annabeth, sentindo o vento gélido do outono bater no meu rosto e deixar a ponta do meu nariz frio. Eu sabia que tinha gente ali, afinal, era a festa do Jason e a Annabeth havia garantido que iria comigo, que iria fazer diferente da última vez e que iria tentar mudar. O que não estava dando muito certo, pelo menos ela não mostrou muita diferença no decorrer da semana.
Frederick quem abriu a porta, provavelmente fantasiado de Albert Einstein e com um pode de doces nas mãos, me fazendo arquear a sobrancelha e olhar além da porta, vendo a decoração sombria do lado de dentro da casa. Atena sempre ia fundo quando a questão é decoração ou arquitetura, aqui estava dez vezes melhor do que a decoração da minha casa.
– Gostosuras ou travessuras? — questionei esticando meus lábios para um sorriso e vendo o homem na minha frente cair na gargalhada. — Eu realmente prefiro as travessuras, se não se importar.
– Olha o respeito, moleque. — ele advertiu enquanto Atena aparecia atrás dele vestido de noiva cadáver. Os Chase, pelo menos parte deles, levavam o Halloween a sério e isso era ótimo. — A Annie já está descendo, que bom que conseguiu fazê-la sair de casa.
– É o primeiro Halloween em que ela sai de casa desde seus onze anos! — Atena disse com um leve sorriso nos lábios, segurando uma câmera fotográfica. — Isso merece ser registrado e, posso me gabar da minha filha, ela está maravilhosa.
– Ela está fantasiada?
– Só não de risada, por favor! — ela pediu me fazendo olhar para a escada e ver a mesma descendo as mesmas.
Ela estava divina fantasiada de dançarina de cabaré, com o vestido preto justo e cheio de franjas mal cobrindo as suas coxas grossas, ela tinha uma tiara prata com uma pena preta na sua cabeça enquanto os seus fios dourados caiam ondulados sobre seus ombros e cobriam parte da sua clavícula, o longo colar de pérolas e o maior par de salto alto prata que já havia visto ela usar em toda a minha vida, além de ter as plumas pretas e pratas nos seus braços, totalmente desajeitada e sexy.
Umedeci meu lábio inferior com a ponta da língua e sorri em seguida, vendo a mesma atravessar seus pais e parar na minha frente, me dando a visão dos seus olhos cinzas destacados pela maquiagem carregada e os lábios vermelhos por causa do batom, apenas aumentando a minha vontade de beijá-la. Suas bochechas estavam vermelhas por causa da sua timidez, deixando-a apenas mais linda.
Ela analisou meu rosto, provavelmente olhando com atenção a maquiagem que Anfitrite havia feito nele. Quando se é homem e adolescente não existem muitas opções de fantasias para o Halloween, mas Anfitrite, a nova namorada do meu pai, havia me garantido que essa não era ridícula e eu estava tentando levá-la a sério.
A roupa era básica, a calça skinny preta e justa, uma camisa social branca e uma gravata preta nada frouxa, além da jaqueta de couro. Meu cabelo havia escapado da organização perfeita do meu corpo, enquanto o meu rosto teve que ser submetido ao processo de maquiagem onde traços esqueléticos passavam pelos meus lábios, maxilar e pescoço, alguns chegando nas minhas orelhas, meu nariz estava totalmente preto e ao redor dos meus olhos também — o que me fazia sentir fantasiado de panda, enquanto na minha testa tinha uns traços legais feitos pelas habilidosas mãos da minha madrasta.
– Eu adorei sua maquiagem, destacou seus olhos azulados. — ela sorriu com o dedo próximo ao meu rosto, se decidindo se iria ou não tocá-lo, o que ela acabou desistindo e soltou a mão ao lado do seu corpo. — Está maravilhoso.
– Você também está, adorei o vestido. — falei fazendo ela olhar para si mesma e em seguida para mim, dando de ombros.
– Não sei que horas vamos voltar, não precisam me esperar acordados, tudo bem?
– Eu sempre quis ouvir isso da minha filha, mas antes de irem, uma foto para registrar esse momento épico. — Atena disse dando leves palminhas e jogando uma mecha do cabelo louro para trás dos ombros. Ela provavelmente estragou o cabelo de propósito.
Annabeth concordou com a cabeça e caminhou até estar ao meu lado, puxei-a para perto de mim e envolvi sua cintura com um de meus braços, olhando para ela rapidamente e logo em seguida exibindo um largo sorriso para a câmera nas mãos de Atena.
– Sem sorrir, Percy. — ela disse após bater uma foto, basicamente me advertindo.
Annie revirou os olhos e olhou para mim, enquanto eu fingi ser o mais sério possível e olhei para a câmera novamente, vendo a minha sogra sorrir satisfeita e bater a fotografia, fazendo o flash da câmera quase me cegar. Ela olhou para a foto e em seguida para nós, dando alguns passos para trás e parando ao lado do Frederick.
– Se divirtam! — ela acenou com a mão, indicando que era para irmos.
– E usem preservativos! Não quero ser avô tão cedo. — Frederick resmungou a segunda parte baixinho, mas mesmo assim a Annabeth e eu ouvimos, o que deixou a loira bem envergonhada.
– Pai! — ela exclamou em um murmúrio, enquanto as suas bochechas ficavam em um tom vivo de escarlate. — Tchau.
Ela entrelaçou nossos dedos e me puxou na direção do carro, não andando lá muito rápido por causa dos seus sapatos e, se eu bem conhecia ela, estava louca para sair de perto dos seus pais e dos comentários nada discretos deles. Os mesmos eram bem relaxados quando a questão era a única filha deles sair com um garoto e dizer que não tinha hora para voltar.
O que também me surpreendeu, Annabeth, muitas vezes, parecia britânica quando o assunto era ter hora e pontualidade para sair e voltar de algum lugar e isso também me animou, afinal, foi um sinal, um brilho fraco, da sua mudança.
...
A casa dos Grace estava lotada e terrivelmente macabra, eles haviam se superado na decoração esse ano e não haviam economizado em nada, até as musicas que tocavam ali eram de arrepiar até a alma, uma mais assustadora do que a outra, seja pelo toque, melodia, letra ou até mesmo pelos solos ou gritos de cantores de heavy metal.
Annabeth estava meio desajeitada ao meu lado, mas estava sendo simpática e tentando se enturmar com os meus amigos. Ela não estava que nem a última vez, com a cara fechada e dando respostas curtas e grossas como se não quisesse estar ali, dessa vez ela estava se esforçando para entrar no assunto e também para não se sentir um peixe fora d'água.
Jason estava ridículo fantasiado de Wally, enquanto o Nico havia ficado bem engraçado com a fantasia de Jack Skellington e Luke combinava muito bem com o Pugsley da Família Addams. Eles estavam todos ridículos, todavia, não podia reclamar muito, não estava lá muito melhor.
Thalia disse que era uma cigana zumbi, mas na realidade ela apenas tinha rasgado partes da sua fantasia e tentado fazer uma maquiagem assustadora, o que ficou bem parecida com a Thalia do dia-a-dia. Reyna estava de Cruella De Vil, com direito a metade do seu cabelo preto, branco e Rachel havia sido a mais encantadora de todas, estando com uma versão um tanto estranha e fofa da Ariel. Nem mesmo no Halloween ela conseguia deixar seu lado estranho e encantador de lado.
– Aqui, Annabeth, para você. — Zoë estendeu um cupcake para a minha namorada, fazendo a mesma olhar de maneira estranha para o doce em formato de caveira assustadora. — Fica tranquila, ele tem apenas chocolate, fui eu quem fiz e... Eu sei do seu trauma.
– Não é bem um trauma, só não gostei da brincadeira. — ela sorriu e aceitou o cupcake, fazendo a Zoë sorrir também. — Obrigada.
– Aliás, hoje nós nem precisamos drogar a Annabeth para fazer ela conversar conosco, apesar de ser bem chato ela cheirar todas as bebidas que servimos para ela. — Thalia disse me olhando com a sobrancelha arqueada. Apesar de não ter nada contra a minha namorada, Thalia não queria que ela estivesse aqui hoje ou em qualquer outra festa que ela proporcionasse. — Sabe, Annabeth, aqui vai um pequeno recadinho para você: nós só vivemos uma vez, temos que aproveitar.
– Viver uma vez não significa que devemos ficar drogados ou bêbados em uma festa para se divertir, existe outras maneira de se divertir de maneira lúcida.
– Você me cansa, sabia? Esse seu jeitinho de menina boa que segue as regras e está sempre andando na linha, tem algo errado nisso, em você... — Thalia revirou os olhos, virando todo o líquido do seu copo de uma vez na sua boca.
– Thals.
– Não vem com essa de Thals para cima de mim, Percy! Todos nós aqui, sem descontar nenhum, sabemos que até você está cansado dela, das atitudes dela e do jeito como a Annabeth age! — ela gritou atraindo a atenção de algumas pessoas, fazendo a minha namorada olhar para mim. — Vocês eram maravilhosos, como amigos, mas não percebem que como um casal, vocês são completamente opostos, sacou? Sabe, Annabeth, deveria fazer um favor para todos e deixar o Percy livre.
– O que você pensa que está falando, Thalia? — questionei segurando ela pelo pulso, percebendo que a mesma já estava alterada por causa do álcool.
– Eu estou falando o que está preso na sua garganta e você não tem coragem suficiente para dizer a ela, para terminar com ela! — a mesma disse puxando o pulso algumas vezes até que eu soltasse. — Você, no fundo, é um covarde com pose de badboy.
Ela saiu batendo o pé na direção do lado de fora da casa, sumindo no meio da multidão que não havia prestado atenção no que havíamos acabado de discutir, ela bebia e se achava a dona da verdade, que poderia dizer o que quisesse sem causar impacto nenhum em ninguém.
Bufei irritado e me virei para o meu grupo de amigos, vendo Zoë com outro cupcake nas mãos, Nico encostado na parede ao lado da Reyna e Jason girando o seu copo, mexendo o líquido, enquanto Luke passava por nós e ia atrás da Thalia. Annabeth não estava ali, ela havia sumido enquanto eu discutia com a imbecil da minha prima e ninguém ali parecia fazer questão de dizer para que lado ela havia ido.
Girei no meu próprio eixo, tentando ter a visão dos seus fios dourados ou então da sua pele pálida do meio da quantidade de pessoas que estava naquela sala.
– No fundo, você não quer ir atrás dela, sabe muito bem disso. — Jason me encarou, me parando quando fiz questão de ir atrás dela. — Você sabe que a Thalia está certa, ninguém suporta a Annabeth, ninguém gosta dela...
– Jason, ela é a minha melhor amiga.
– Você não conta, Reyna. — ele resmungou respirando fundo. — Você deveria deixar ela ir se perder em sei lá onde e ficar aqui, se divertindo com quem realmente gosta de você.
– A Rachel foi atrás dela. — Nico falou, me fazendo revirar os olhos e dar dois passos para trás, batendo em alguém que dançava.
– Quando vão entender que eu amo ela?
– Você ama ela, mas a mesma te sufoca...
– Faz um favor a si mesmo, Jason? Cala a boca.
Me virei novamente e fui na direção da cozinha, tendo a mera esperança de encontrá-la lá, o que não aconteceu, a cozinha estava praticamente vazia e nas poucas pessoas que estavam ali, nenhuma era uma dançaria de cabaré. Respirei fundo e passei a procurar por toda a casa, até finalmente sair para os fundos, na área da piscina, não encontrando ela lá também, mas a Rachel estava.
– Onde ela está?
– Indo embora, se correr, encontra ela na esquina. — Rachel disse passando por mim, porém a mesma parou e me encarou novamente. — Se a Thalia estiver correta, não deveria continuar iludindo ela.
– Rachel...
– Percy, eu sei que você ama ela, entende? Eu sou a amiga de vocês dois, eu sei de tudo o que os dois passaram para chegar aqui, mas você conhece a Annabeth, esse é o jeito dela, não tente mudá-la, ou você aceita essa garota que você diz amar incondicionalmente ou... Ela está magoada por ouvir isso da boca da Thalia e não da sua, faz parecer que não confia nela e eu nunca vi a Annie se entregar tanto quanto ela se entregou para você nos últimos meses.
Ela saiu andando sem esperar por uma resposta minha, enquanto eu respirei fundo e comecei a correr até a frente da casa, na esperança de ainda conseguir alcançar a Annabeth. Com a fraca luz dos postes eu conseguia enxergar ela quase na esquina, podia ver seus fios de cabelo baterem nas suas costas e os seus saltos em uma das suas mãos.
Fiquei olhando para a sua imagem desaparecer na escuridão da noite de Halloween, conhecendo ela como eu bem conheço, a última coisa que ela quer agora é me ver.
Umedeci meus lábios com a ponta da língua e me virei, dando de cara com uma garota pequena, com o longo cabelo cor de mel caindo como apenas uma trança sobre seu ombro direito, enquanto seus olhos cor de amêndoa me encaravam de maneira assustada.
Era a Calipso Atlas, aluna nova da Goode, tínhamos aula de cálculo e literatura juntos, mas eu nunca havia falado com ela antes, aparentava ser uma garota legal e conversava com praticamente todo mundo, até mesmo com a Annabeth. As duas pareciam se dar bem, as vezes eu as vias juntas pelos corredores, enquanto a Annabeth fazia da minha existência como seu namorado um mero nada.
– Oi...? — arqueei minha sobrancelha, vendo ela piscar e sorrir de maneira miníma para mim. Ela estava fantasiada de Julieta, do clássico de Shakespeare, Romeu e Julieta.
– Deveria ter ido atrás dela.
– Se eu bem conheço ela, não quer me ver.
– Então envolve você. — ela disse enrolando a ponta da trança no dedo indicador, mexendo o corpo para frente e para trás sem sair do lugar. Era engraçado o modo em que ela fazia isso. — Vai ficar aqui se divertindo ou vai ir embora esperar a sua melhor amiga se acalmar?
– Não faço a miníma ideia do que fazer. — soltei um suspiro fazendo a mesma rir, sua risada era gostosa, doce e nada escandalosa.
– Faz assim então: fica mais um pouco, se a festa apenas de deixar com dor de cabeça, você vai para casa e fica esperando a Annie se acalmar... O que acha? É Halloween e, sabe, acho que se for para casa agora, terá que aturar um bando de criança passando de cinco em cinco minutos na sua porta perguntando se quer "Gostosuras ou Travessuras?" — ela disse sorrindo, me olhando de maneiras desafiadora. — Aliás, sou Calipso Atlas.
– Eu sei, sou Percy Jackson.
– Eu sei. — ela disse convencida, se virando e caminhando para a entrada da casa, enquanto eu fiquei ali, parado vendo a mesma andar.
Ela era pequena, mas conseguia ser poucos centímetros mais alta do que a Annabeth e a sua pele era um pouco mais bronzeada do que a da loira também, enquanto ela caminhava na direção da porta ela também balançava o corpo no ritmo da música, não se importando se era ridículo ou se alguém estava vendo.
Olhei mais uma vez para a rua, vendo que a mesma não estava muito agitada com crianças e que nem tinha um sinal de que a Annabeth havia passado por ali, ela já havia desaparecido na escuridão da noite, provavelmente indo na direção da sua casa. Não iria fazer mal eu ficar ali, ela não estava ali e eu havia deixado bem claro para ela que iria ir sem ela.
O que os olhos não veem, o coração não sente, certo? Annabeth não precisava estar ali para que eu pudesse me divertir e colocar a cidade abaixo.
– Você não vem? — Calipso questionou me fazendo encarar ela mais uma vez e concordar, a mesma sorriu largo e indicou o lado de dentro da casa com a cabeça, se virando novamente e entrando na casa enquanto balançava seu corpo no ritmo da música.
Olhei uma última vez para a rua e respirei fundo, finalmente passando a caminhar na direção da casa e realmente disposto a me divertir.
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