I Wish You Would
3 Bad Dreams
Notas iniciais
'Cause you've got me under oath. Before you I was in a fucking rut. One day you are in the past. That nights I ask you back.
Arqueei a minha sobrancelha, deixando um leve sorriso surgir nos meus lábios enquanto olhava para Annabeth, ela estava totalmente alheia a situação ao seu redor enquanto tinha os headphones nos ouvidos, provavelmente ouvindo Simple Plan ou Good Charlotte, e o livro sobre as pernas, em sua bolha particular.
Ela estava com as costas encostadas em uma árvore aproveitando o leve sol que havia surgido entre as nuvens do outono, apesar do vento ainda ser frio e ainda ser necessário o uso de roupas carregadas, mas isso, o leve sol, fazia muitas pessoas saírem de casa, principalmente depois da noite fria de ontem, todos queriam se divertir e ela apenas estava ali, com o vento batendo no seu rosto, assim como os leves raios solares.
Me aproximei calmamente, pisando em algumas folhas secas e desviando de algumas crianças que corriam pelo parque, analisando cada detalhe do corpo da minha namorada. A calça jeans escura apertando suas coxas, o all star com o calcanhar afundado na grama seca, o suéter cinza largo com as mangas puxadas até a metade dos seus antebraços e as várias pulseiras no seu pulso direito. Seu cabelo curto não estava com os cachos de sempre, ele estava meio liso meio ondulado e, mesmo assim, estava bonito, levemente bagunçado e com os fios da sua franja caindo nos seus olhos.
Annabeth era linda e eu era um sortudo filho da puta por ter ela só para mim.
Ela levantou os olhos cinzas da página do livro, se surpreendendo com a minha presença. Ela mordeu seu lábio inferior e tirou o headphone do ouvido, ajustando a sua expressão e me olhando como se quisesse alguma explicação da minha existência ou apenas da minha presença ali, porque ela realmente não esperava por isso.
Nem eu mesmo esperava por isso, não estava nos meus planos ir atrás dela hoje, ontem eu havia feito isso e havia sido ignorado de todas as maneiras possíveis durante todo o dia. Ela não havia atendido as minhas ligações, ou respondido as minhas mensagens e muito menos se dado ao trabalho de abrir a sua janela quando apareci na sua casa de noite, e eu sabia que ela estava lá, sabia que ela estava no seu quarto e também sabia que ela ainda estava magoada com as palavras da Thalia.
– O que está fazendo aqui? — ela questionou fechando o livro, com uma das suas sobrancelhas arqueada.
– O parque é público.
– Eu sei, lógico que é, mas o parque é enorme e você tem que parar justamente aqui? Na minha frente e ficar me encarando como se fosse idiota?
– Ann... Eu te procurei ontem, o dia todo, e você me ignorou. — falei me aproximando dela.
– E você não percebeu que eu não estou afim de falar com você? — ela disse se levantando e apertando o livro nas suas mãos, deixando os nós dos seus dedos brancos.
– Você está mentindo. — sorri de maneira sarcástica, olhando para o livro em suas mãos.
Ela piscou atônita quando voltei meu olhar para o seu rosto, vendo que a mesma estava tentando encontrar uma maneira de esconder a sua expressão, de me driblar e passar por cima dos meus conhecimentos sobre ela.
Annabeth é esperta, ela sabe de muita coisa, mas além de esperta, ela é a garota que eu conheço e que está presente a mais tempo na minha vida, ela era minha melhor amiga e agora é minha namorada, eu sabia dos segredos dela sem que ela precisasse me contar.
Isso era bom, nós eramos como um livro aberto um com o outro, nos conhecíamos muito bem, mas quando era necessário mentir, ou simplesmente cobrir uma falha, eu tinha que me desdobrar quinhentas vezes, Annabeth era observadora, muito mais observadora do que eu. E isso me sufocava as vezes.
Na grande maioria das vezes.
– Annabeth. — fui atrás dela quando a mesma saiu andando, caminhando rapidamente para alcançar ela. Me enfiei na frente dela, parando nós dois e fazendo a mesma se assustar novamente, para então respirar fundo e bufar.
De perto eu podia ver seus lábios rachados, provavelmente de tanto que ela os morde durante o dia, podia ver o lápis preto destacando seus olhos cinzas e podia sentir o cheiro do seu perfume, que era simplesmente maravilhoso.
– Tudo o que a Thalia disse é mentira, eu juro, eu amo você mais do que tudo e já te disse milhões de vezes e posso repetir mais milhões: eu não suporto a ideia de me afastar de você, você sabe como eu me sinto... Você, melhor do que ninguém, sabe quando eu estou mentindo e pode ver que nessa ocasião, eu não estou. — falei colocando seu rosto entre as minhas mãos, acariciando suas bochechas com os meus polegares. — Passamos por altos e baixos para chegar até aqui e eu simplesmente não quero te perder agora, não importa o que os meus amigos pensem, eu juro, perder você é como entrar em um pesadelo sem saída.
– Para sair de um pesadelo, você só precisa acordar.
– Eu sei, mas não quero viver uma realidade onde você não esteja ao meu lado.
Ela vacilou a sua expressão e deixou um mínimo sorriso surgir nos seus lábios, piscando diversas vezes enquanto me encarava. Sorri para ela, de maneira completamente sincera, não tinha motivos para não ser sincero com ela, não havia feito nada de errado e não havia dito nenhuma mentira.
Eu amo Annabeth Chase, com todos os seus defeitos e qualidades, eu a amava antes de tudo, antes dela ter seu coração partido mil e uma vezes pela mesma pessoa e, céus, nunca fui tão grato ao Michael Yew por ter feito do relacionamento deles um verdadeiro ioiô. Foi graças as essas idas e vindas que no ano passado eu e a Annabeth nos aproximamos, nos aproximamos muito, e tudo começou a se tornar irreal.
Ela se cansou de ir e vir com ele, deixou de ser tão marrenta e começou a dar mais espaço, a se mostrar mais, a ser mais dócil e mostrar um lado dela que ninguém parecia conhecer. Eu a conhecia a anos, mas Annabeth não era necessariamente uma garota tão previsível ou pelo menos um livro aberto com todos, ela era feita de camadas e mais camadas de desconfiança, até mesmo de quem ela conhecia muito bem.
– Eu te amo.
Ela afastou minhas mãos do seu rosto e jogou seus braços, ainda segurando o livro de maneira firme, sobre meus ombros, juntando nossos lábios em um longo selar. Peguei delicadamente a sua cintura e aproximei seu corpo do meu, pedindo passagem para que um beijo calmo começasse, ali mesmo, no meio de um parque.
Apertei meus dedos na sua cintura, sentindo seus dedos arranharem a minha nuca enquanto nossos lábios se encaixavam, nossas línguas batalhavam e todo o resto parecia sumir aos poucos.
Ela me mantinha sim sobre algum tipo de juramento, eu podia detestar a maneira como a qual ela agia com os meus amigos, ou quando ela se fechava do nada, só que ela era humana, não podia ser perfeita o tempo todo e ela tinha tantas qualidades que, cada uma delas, fazia seus defeitos se tornarem bobos, que de fato eram.
– Céus, eu me esqueci! — ela disse se afastando rapidamente, assustando a mim com o movimento tão inesperado. — O Malcolm está em algum lugar desse parque, não posso perdê-lo de vista... Era ele quem eu estava procurando quando levantei o olhar do livro e vi você.
– Vou fingir que meu ego não doeu com isso. — dei de ombros, vendo ela sorrir e soltar o ar dos seus pulmões, dando um rápido selinho em meus lábios e se soltando dos meus braços. — Ele deve estar pendurado em alguma árvore, vivia fazendo isso quando era menor.
– Eu me lembro, quebrou o mesmo braço duas vezes caindo de uma árvore... E, se o Malcolm voltar com um arranhão para casa, minha mãe arranca meu pescoço e faz sopa com o meu cérebro. — ela falou coçando a nuca e olhando para todos os lados a procura do seu irmão pestinha, quase fazendo o headphone cair do seu pescoço. — Pare de sorrir dessa maneira e me ajude a encontrá-lo.
– Sorrir de que maneira?
– Dessa maneira! — ela se virou para mim, também sorrindo, só que de maneira boba e extremamente linda. Seus olhos cinzas brilhavam de felicidade e preocupação. — Sarcástica... E extremamente sexy.
Ela percebeu que eu havia ouvido a outra parte e se virou para frente rapidamente, com as bochechas vermelhas e os olhos arregalados. Sorri contente por saber que ela me achava sexy, não era algo muito comum de se ouvir da boca dela no dia a dia.
Ajudei ela a procurar pelo Malcolm no parque, com as mãos dadas, olhando em cada árvore para ter certeza de que ele não estava pendurado em algum galho, o que ele realmente não estava.
Nós fomos encontrar ele na outra extremidade do parque, no meio de algumas crianças brincando com um cachorro grande e peludo e que não era dele, Annabeth era alérgica a cachorros, eles não podiam ter um.
– Eu vou chamá-lo, fique aqui. — pedi dando um beijo na testa da minha namorada e soltando da sua mão, indo até o seu irmão, que não parava de correr e que ainda parecia ter muita energia para gastar. Ele tinha seis anos, não era para menos, gastava a energia de dia e de noite dormia como um urso hibernando. — Malcolm!
Ele me encarou e parou de correr rapidamente, tropeçando algumas vezes até que ele finalmente parou, dois metros na minha frente, a sorte foi que o cachorro gigante continuou correndo atrás das outras crianças, o azar é que ele tinha um corte sangrando na testa e estava molhado de suor.
– Onde arrumou esse corte?
– Corte...? Ah, o corte... Foi sem querer, o bumerangue bateu na mina testa quando o Connor jogou para o Bob pegar. — ele disse com as mãos apoiadas nos joelhos, ofegante e meio avoado. — Annie te desculpou? Ela chegou chorando no Halloween.
– Sim, ela me desculpou, vamos, nós vamos te levar para casa. — disse me aproximando dele e dando um tapinha nas suas costas, indicando a sua irmã com a outra mão.
Ele ia resmungar algo, mas quando viu a Annabeth deixou quieto e foi se arrastando na direção da irmã, provavelmente se preparando para o sermão.
– Antes que você pergunte, foi sem querer e com um bumerangue, nem dói.
– Está sangrando, Malcolm! — ela disse olhando para o corte, mas Malcolm apenas bufou e saiu andando na direção da casa dele, as vezes chutando alguma pedrinha no meio da grama. — Ele me odeia.
– Ele estava brincando e nós atrapalhamos, ele só está magoado... Vai superar logo. — respondi entrelaçando nossos dedos novamente. — Vamos, vou te acompanhar até em casa.
– É apenas dez minutos daqui, Percy, não precisa. — ela disse caminhando aos meu lado, apesar de discordar. Acho que ela apenas não queria perder o irmão de vista outra vez.
– Eu quero, Annie, já não nos vimos ontem e ficar dez minutos a mais no seu lado é ótimo. — sorri olhando para ela, enquanto ambos saiamos do parque.
Malcolm estava na porta da calçada, olhando para o movimento baixo da rua e esperando a irmã. Caminhamos tranquilamente na direção da casa da Annabeth, Brighton era pequena e podíamos ir com as pernas para a maioria dos lugares e, enquanto caminhavamos, Annabeth contava sobre um projeto de astronomia que uma faculdade americana estava lançando para alunos, eu podia sentir a emoção na sua voz e a sua felicidade em cada palavra que ela dizia, algumas interrompidas por um grito para que o Malcolm corresse menos.
Ela não queria trabalhar com astronomia, na realidade ela nem ao menos sabia com o que ela queria trabalhar, então era isso que me tranquilizava enquanto eu ouvia ela dizer sobre o projeto, era apenas um interesse dela e algo que ela havia achado por acaso, não envolvia o risco de abandonar tudo aqui para ir atrás desse projeto de dois anos e meio que basicamente levaria o resto do seu ensino médio na América.
– As inscrições estão abertas até o dia de ação de graças, o projeto começa depois das férias de inverno e são vagas limitadas, os os alunos serão escolhidos através de uma prova que, após a sua inscrição, será mandada para a diretora da escola e depois de respondida, apenas pelo aluno que fez a inscrição, será devolvida para a organização e eles te respondem se passou ou não antes do natal... É incrível e muito disputado, é um projeto mundial! — ela disse quando estávamos próximos da sua rua. — Existe oito bilhões de pessoas no mundo!
– Nem todas as oito bilhões de pessoas irão se inscrever, Ann.
– Eu sei, mas quando eu estava lendo as normas de inscrição, no canto da página tem número de pessoas que já se inscreveram e... Eu fiquei de queixo caído, quase um milhão de pessoas já se inscreveram! — ela disse ficando de frente para mim, com um sorriso radiante. — Acha que eu teria chance?
– Lógico que você teria chance, é muito esperta, mas pensa só: iria ficar mais de dois anos longe da sua família, das suas amigas e... de mim, o que seria um pesadelo para a minha pessoa, iria morrer de saudades de você.
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