I Wish You Would
4 Over and Over
You said it's no concern. And everything's alright. Sometimes we all get burned. And then we try to hide. I should have been by your side.
– Céus, você ainda tem essa camiseta! — Percy riu olhando para a minha camiseta do Flash. A estampa estava meio desbotada e ela estava mais justa ao meu corpo do que a alguns anos atrás, mas a manga ainda se encaixava ao meus pulsos e ela não ficava curta na minha barriga, indicando que eu não cresci. — Eu gosto dela, ainda mais agora.
– Deixa de ser pervertido. — me sentei ao lado dele e dei um longo beijo nos seus lábios, sentindo nossas bocas se encaixarem e nossas línguas dançarem de acordo com a música, mas o beijo foi interrompido pelos amigos dele. — Olá, pessoal.
– Que bicho te picou hein, Annabeth? O medo de ficar sem namorado? Porque foi meses para você superar três anos e cair de amor pelo Percy e, bum, vocês estavam namorando. — Thalia disse me encarando de maneira desafiadora, com um sorriso leve nos lábios. — Eu podia estar bêbada na sexta, mas me lembro de cada palavra que disse e não me arrependo de nenhuma.
– Não quero que se arrependa, pode ser a opinião de todos vocês, mas o Percy sabe o que eu sinto por ele e isso é o suficiente. — falei entrelaçando meus dedos com os do Percy, tentando parecer firme.
Era mais difícil do que aparentava, ainda mais quando os olhos azuis eletrizantes da Thalia Grace estavam fixos no meu rosto. Ela não gostava de mim, deixava isso bem claro sempre que me via, só que existe algo chamado bom senso e isso ela fazia questão de não demostrar, ou ela simplesmente não tinha mesmo. Se ela tivesse o mínimo de bom senso, guardaria suas opiniões negativas para si mesma em relação ao que o seu melhor amigo sentia por mim.
O Percy e eu eramos amigos a muito tempo, mas ele e a Thalia também eram, e, além de amigos, eles tinham o mesmo sangue correndo nas veias, eram da mesma família. Não existia nada o que eu podia fazer além de tentar não me importar com as alfinetadas da Thalia.
– O que tem demais nessa camiseta? — Zoë questionou olhando para a minha camiseta.
– Era minha, quando eu tinha treze anos, Annabeth dormiu uma vez em casa, gostou dela e pegou para si. — Percy respondeu passando seu braço sobre os meus ombros e me apertando contra o corpo dele. — Ela não ficava muito grande na Annabeth, só larga, mas agora serve.
– Ou seja, a Annabeth engordou. — Thalia disse com um sorriso amargo.
– Na realidade, ela ganhou corpo, toda garota parece uma tábua aos treze anos, até você. — Reyna respondeu apontando para os seios da Thalia. — Quero um namorado para roubar as roupas dele.
Zoë ia dizer alguma coisa quando o sinal anunciou que nossa aula iria começar, fazendo a garota morena fechar a boca e revirar os olhos. Peguei a minha mochila e me levantei, jogando ela por cima do ombro e acenando para os amigos do Percy, puxando o garoto comigo para a sala de biologia, nós tínhamos essa aula juntos e ele era a minha dupla.
Ele passou o braço sobre os meus ombros mais uma vez e começou a me contar a ideia maluca do seu pai de fazer um barco e dar de presente de aniversário para a Anfitrite, era maluca porque fazia um mês que eles estavam juntos, mas era uma ideia bem romântica e isso não era impossível para o Poseidon, ele era dono de uma das maiores construtoras navais do Reino Unido, ou seja, além de financeiramente poderoso, ele podia fazer essas loucuras para as namoradas dele.
– Aliás, ele quer que você vá em casa essa semana para um jantar informal, está com saudades de você. — ele disse se sentando ao meu lado, com uma leve careta no rosto. — Meu pai te adora e isso soa tão estranho toda vez que digo.
– Ele era a pessoa que mais nos apoiava juntos... Ele meio que fez uma profecia dizendo que íamos ficar juntos. — sorri me virando para ele. — E acho que um barco é um pouco exagerado demais para um namoro de um mês... Lembra de quando ele fez isso com a Medusa? Não foi um barco, mas Dubai é uma viagem bem cara.
– As vezes acredito que meu pai é mais insano do que a minha mãe. — ele disse baixinho, me olhando de soslaio. — Enfim, você vai?
– Lógico, vai ser bom rever Poseidon e passar algumas horas a mais com você essa semana. — me inclinei e dei um leve beijo no canto dos seus lábios, sabendo que isso iria relaxar ele.
Tocar no assunto da sua mãe era complicado, ela não era insana, só que não se importava muito com o filho, Sally havia abandonado ele quando o mesmo tinha cinco anos e voltou a pouco mais de quatro anos atrás, estava morando em Manchester e pelo menos uma vez por mês obrigava o Percy a ir visitá-la. Ele não fazia questão, afinal, toda vez que eles se viam, ou ela pedia dinheiro para ele ou então os dois discutiam.
Sally havia tentado ficar com a guarda do Percy quando ela voltou, mas ela apenas queria ele por causa da pensão incrivelmente alta que Poseidon seria obrigado a pagar e, devido as circunstâncias do abandono e do pai do Percy tê-lo criado tão bem sozinho, o juiz não cedeu a guarda e eu nunca vi meu namorado ficar tão contente por isso, já que ele havia tentado se dar bem com a mãe quando ela havia voltado e isso não havia dado lá muito certo.
Mas, apesar das loucuras que o pai dele fazia para as diversas namoradas dele, o Percy era muito mais feliz com Poseidon.
...
Encarei os olhos azulados do Percy, esperando que ele me respondesse e ouvindo o insuportável som do canudo sugando o fim do refrigerante no seu copo, sabendo que ele estava fazendo isso para me provocar e para me deixar irritada com ele. Eu sabia que ele adorava me ver irritada e ele era incrivelmente habilidoso nisso.
– Boliche ou kart? — ele finalmente questionou, deixando o copo de refrigerante vazio de lado. Concordei com a cabeça, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. — Você não sabe dirigir um kart.
– Você poderia me ensinar. — dei um leve sorriso, dando de ombros. — Só não quero ir direto para casa depois da aula.
– Por que não?
– Simplesmente não quero, então pensei que podíamos fazer como no semestre passado e nos divertir por Brighton. — falei vendo ele arquear as sobrancelhas, literalmente incrédulo. — Céus, Percy, o que foi?
– Quem é você e o que fez com a Annabeth Chase? — ele disse rindo e me abraçando ao mesmo tempo, me fazendo soltar o ar que eu nem sabia que havia prendido e rir correspondendo seu abraço. — É lógico que eu te ensino a andar de kart, anã.
– Posso ser anã, mas consigo acertar partes sensíveis do seu corpo. — murmurei sentindo ele ficar tenso e para de rir.
Escondi meu rosto no seu peito e me apertei mais a ele, sentindo o calor do seu corpo mesmo com algumas peças de roupa. Ele se encostou na parede da escola e me soltou aos poucos, afastando os fios de cabelo do meu rosto e depois contornando meus lábios com o polegar, me fazendo dar um beijo nele e sorrir em seguida, vendo ele retribuir o sorriso e me abraçar novamente, de maneira mais leve.
Nós ficamos ali por o que pareceu horas, mas foi apenas até o sinal tocar anunciando o fim do almoço, era onde cada um ia para um lado. Ele tinha aula de inglês avançado e eu iria para a aula de francês, em prédios opostos, mas eu estava tão bem aconchegada nos seus braços que não fazia muita questão de correr para não me atrasar.
– Eu te vejo as quatro, tudo bem? — ele disse nos afastando novamente. Sorri e concordei com a cabeça, ficando na ponta dos pés e dando um leve beijo nos seus lábios, sentindo suas palmas leves na minha cintura e colocando minhas mãos no seu pescoço, acariciando ali levemente. — Eu te amo.
– Eu também te amo, até depois. — beijei ele novamente e nos afastei, pegando a minha bolsa no chão e olhando para o prédio do outro lado, vendo pessoas saindo e entrando dele.
Percy pegou sua mochila e acenou para mim, indo na direção da sua classe, eu fiquei olhando ele se afastar e se enfiar no meio da multidão, até se misturar e desaparecer. Respirei fundo e atravessei a área verde que separava os dois prédios, sentindo as gotas do leve sereno caírem sobre o meu corpo, leve demais para molhar mas ao mesmo tempo pesadas o suficiente para incomodar. Era um percurso curto entre os prédios e a minha sala ficava logo no início do prédio, era uma das primeiras.
Eu ainda estava entorpecida pelo cheiro do Percy, a mistura da maresia e do seu perfume amadeirado, além de também estar entorpecida e com os lábios formigando por causa do beijo. Hoje seria a primeira vez que iriamos embora como namorados, apesar de não irmos para a minha casa ou para a dele, nós iriamos para o TeamSport andar de kart e eu estava contente por saber que ele iria me ensinar, contente por saber que iriamos fazer como no semestre passado, quando ele me ajudou a superar o Michael me puxando cada dia para um lugar diferente da cidade.
O TeamSport era um dos poucos lugares que não visitamos nesses passeios. Me sentei no mesmo lugar de sempre, ao lado da janela com a Calipso a minha esquerda. Ela estava distraída demais com algo no seu celular para perceber a minha presença, então eu apenas que sentei e encarei a janela levemente molhada por causa do sereno, vendo a multidão ainda nos corredores trocando de sala.
– Ei, você se resolveu com o Percy? — Calipso questionou chamando a minha atenção, me virei para ela sem entender e percebi que a mesma guardava o seu celular na mochila.
– Como sabia que o Percy e eu tínhamos nos desentendido?
– Eu vi você ir embora chorando da festa do Jason na sexta e logo depois ele apareceu desesperado, mas não correu atrás de você, então eu me aproximei dele e ele me contou que tinham se desentendido. — ela disse tranquilamente, jogando o cabelo para trás do ombro. — Ele disse que não ia atrás de você porque sabia que ele era a última coisa que você queria ver no momento.
– Ele estava certo, me conhece muito bem. — sorri para ela, vendo a mesma retribuir da mesma maneira. — E nós já nos resolvemos sim.
– Que bom, a amizade de vocês é maravilhosa. — ela disse tranquilamente, abrindo o seu caderno mesmo sem a professora ter chegado. — Eu fiquei ao lado dele no resto da festa, ele é incrível.
– Ele não foi embora depois que eu fui? — arqueei minha sobrancelha e vi ela negar com a cabeça. — Achei que tinha.
– A culpa provavelmente foi minha, falei para ele ficar mais um pouco e se a festa começasse a dar dor de cabeça ele iria embora... Nós nos divertimos muito juntos naquela noite, acho que foi meu Halloween favorito desde que tinha cinco anos.
O assunto morreu ali por causa da entrada da professora e o resto da aula percorreu sem nenhuma de nós duas trocarmos uma palavra sobre isso ou sobre qualquer outra coisa, só que eu tinha uma pulga atrás da orelha e todo aquele meu estado fora da gravidade havia se ido durante a nossa breve conversa.
Eu não devia ser ingênua demais para acreditar que ele iria embora depois daquela cena da Thalia, cena que ainda me deixava incomodada.
Ouvir as palavras dela foi como pisar em cacos de vidro e, de certo modo ela estava certa, pouco tempo depois de terminar com o Michael, eu já estava ficando com o Percy.
Entrei e sai de mais algumas aulas ainda com esse assunto me incomodando e quando o último sinal tocou, eu estava aérea o suficiente para perceber que fazia cinco minutos que isso havia acontecido e que quase todo mundo já havia saído, estando apenas eu, a Rachel e o professor de física avançada que apagava a lousa com paciência ou simplesmente com lerdeza.
Juntei o meu material e o guardei na minha bolsa, tirando de lá o meu celular e notando que havia uma mensagem na caixa de entrada. Rachel falava comigo sobre algo enquanto eu lia o curto conteúdo e não dava muita atenção para a garota, o pouco que entendi sobre o que ela disse foi algo relacionado a uma prova que o professor de física iria passar na próxima semana.
– Algum problema? — ela questionou quando eu parei.
Respirei fundo e engoli em seco, negando com a cabeça e colocando meu celular no bolso de trás da minha calça jeans. A mensagem era do Percy, ele dizia que iria demorar um pouco para sair pois tinha que ir até a biblioteca pegar o livro do seu trabalho de literatura e pediu para que eu esperasse ele, mas eu já havia ficado cinco minutos a mais dentro da sala de aula e eu acho que era tempo suficiente para ele ir e voltar.
– O que aconteceu na festa do Jason depois que fui embora? — questionei olhando para a garota ruiva, vendo a mesma morder o lábio inferior. — Com sinceridade, Rachel.
– Achei que não se interessasse por isso, mas tudo bem. Não ocorreu nada demais, Jason começou a distrair o pessoal depois daquele momento tenso e o Percy simplesmente desapareceu, esbarrei com ele na área da piscina e ele estava indo atrás de você. — ela disse tranquila, se aproximando de mim. — Ele não foi atrás de você?
– Não, eu voltei sozinha para casa. — murmurei olhando para os olhos verdes dela e vendo a mesma se surpreender. — Calipso me contou hoje na aula de francês que os dois haviam ficados juntos no resto da festa e comentou que ele era incrível e que eu era sortuda por ter um amigo como ele...
– Percy não contou para ela que vocês namoram?
– Pelo jeito não e ela nem me deu espaço para dizer. — falei me sentando em um banco, colocando minha franja atrás da orelha. — Acha que aconteceu algo entre eles e o Percy não quer me dizer?
Rachel se sentou ao meu lado e abriu a boca para dizer algo, mas seja lá o que ela iria dizer, ficou preso dentro de si, assim como o seu olhar estava fixo na porta de saída do colégio. Me virei para ver o que havia feito a ruiva perder a fala e me arrependi disso no mesmo instante, preferia ter ficado olhando para a cara de perdida da minha melhor amiga.
Realmente era melhor olhar isso do que ver o meu namorado saindo do colégio ao lado da Calipso Atlas, os dois estavam rindo de algo e realmente pareciam alegres, separados por alguns míseros centímetros. Percy não parou de rir quando me viu, ainda a alguns metros de distância, mas ele se virou para a Calipso e disse algo que fez a mesma rir ainda mais e abraçar ele de maneira rápida, dando em seguida um beijo na bochecha do moreno.
Travei meu maxilar e tentei respirar fundo, virando o meu rosto para a Rachel mais uma vez e tentando me acalmar antes que o Percy chegasse até nós duas, até a Rachel não havia gostado daquela cena e me encarava como se eu pudesse traduzir ou desmentir o que ambas havíamos acabado de ver.
Só que não havia o que explicar, era bem claro.
– Eu só espero que não esteja acontecendo de novo, o Percy daquela época era insuportável. — Rachel murmurou se lembrando de quando o meu namorado virou um verdadeiro cafajeste no início do colegial, ele realmente era insuportável e eu me desdobrei em dez para fazê-lo abrir os olhos e ver o estrago que estava causando com o furacão que ele estava sendo. — Não quero brigar com ele mais uma vez por causa disso, foi insuportável da primeira vez e não quero que exista uma segunda vez.
– O que não pode existir pela segunda vez? — Percy questionou parando na frente de nós duas, pegando a conversa pela metade.
– A primeira prova de física desse semestre, fui horrível e foi insuportável recuperar a nota com os meus pais falando na minha cabeça e agora vai ter uma outra — Rachel mentiu dando um leve sorriso sem humor. — Qual é a da Calipso?
– Estamos juntos no trabalho de literatura e, bem, ela é legal. — ele deu de ombros, acenando para a garota que entrava em um carro escuro e tentando não sorrir ainda mais. — Ainda quer ir no kart, Ann?
– Quero, por que? Você não quer? — disse e me arrependi logo depois, vendo ele me olhar desentendido. — Enfim, kart ou boliche, tanto faz.
– Vocês vão sair?
– Sim, Annabeth Chase foi abduzida por extraterrestres hoje e decidiu viver a vida. — Percy disse me puxando para cima e me fazendo levantar do banco. — Primeiro a camiseta do Flash e depois a história do kart ou boliche.
– Não é nada demais, você que é exagerado. — dei de ombros, pegando minha bolsa e jogando ela no meu ombro. — Rachel, eu te ajudo a estudar essa semana, a prova é segunda que vem.
– Obrigada, Ann e, vocês dois, se divirtam. — ela abraçou o Percy e em seguida deu um beijo na minha bochecha, para então pegar as suas coisas e sair andando.
Percy me puxou para perto dele e passou seu braço sobre os meus ombros, começando a caminhar e a me puxar junto com ele na direção do TeamSport. Ele parecia ter muita coisa para me contar sobre as suas últimas aulas, como o surto da professora maluca de história e a nova encrenca do Luke com o professor de física, uma aula antes da minha e isso justificava o mal humor fácil de perceber do professor, mesmo eu estando aérea.
Eu queria ser corajosa o suficiente para questionar a ele essa história, queria saber a verdade e tinha medo disso colocar tudo a perder. Eu não seria capaz de entrar em um círculo novamente, não queria passar a desconfiar do Percy e, nesse momento, tudo o que eu mais queria, era ter ficado ao lado dele durante aquela festa.
Mesmo que ele e a Calipso sejam apenas amigos, eu devia ter ficado ao lado dele.
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