I Wish You Would
5 Love Will Tear Us Apart.
When the routine bites hard and ambitions are low. And the resentment rides right but emotions won't grow. And we're changing our ways, taking different roads.
Se existia algo que eu odiava nesse momento, era literatura e a porcaria da época antiga, nada contra Homero, mas ninguém merecia ler os livros em forma de poemas dele ou os diálogos de Platão estrelando Sócrates para a merda de um trabalho de literatura que contava com um terço da nota final do semestre.
Super tranquilo.
– Queria conseguir ver você e a Annabeth como um casal, mas, não sei, não acredito que vocês dois combinem. — Calipso disse desviando a minha atenção da tela do laptop para ela, me fazendo perceber que a mesma estava segurando um porta-retrato.
Eu não precisava nem me aproximar para saber qual foto ela olhava, reconhecia pela moldura que era o porta-retrato com uma foto da Annabeth comigo no último aniversário dela, aniversário no qual ambos já estávamos juntos, todavia isso não se demonstrava na foto.
Também não precisava ser lá muito inteligente para perceber que quando a Calipso citou nós dois, ela estava tendo como base não só essa, mas também alguma das nossas outras fotos espalhadas pelo meu quarto, já que a mesma não parara de andar um segundo sequer enquanto eu lia a sua parte do nosso trabalho.
– Por que acha isso? — questionei relaxando as minhas costas no encosto da cadeira, vendo a garota loira me encarar e depois colocar a foto no lugar.
– Vocês são opostos, isso é tão visível, basta olhar para os dois... — ela disse dando de ombros, no literal, olhando para os posters de bandas colados nas paredes do meu quarto. — Ela é romântica, extremamente tímida e tem um sério problema em se socializar, além de você, ela apenas tem mais duas amigas, que pessoa sobrevive com isso? A Annabeth realmente é legal, no fundo, mas olha para você e depois olha para ela, você quer se divertir e é visível que ela segue as regras invisíveis... Aquele dia na festa eu ouvi muitos boatos sobre ela quando vocês dois chegaram juntos.
– Você é muito idiota por acreditar em boatos. — me virei para o laptop novamente, salvando o nosso trabalho e ligando a impressora para imprimí-lo. A cadeira ao meu lado se movimentou e eu nem precisei olhar para saber que a Calipso havia se sentando ali, finalmente. — Não discordo com você, eu e a Annabeth somos opostos em muitas coisas, crescemos de maneiras diferentes, mas é isso que faz a coisa toda funcionar, ela tem um bom senso crítico e ótimos argumentos para me convencer que, quando as coisas são erradas, elas são erradas.
– E isso soa patético! Qual é, Percy, você tem dezesseis anos, está na melhor fase da adolescência e realmente quer pensar no que está errado? — ela disse me fazendo encará-la, com uma das sobrancelhas arqueadas. Ela respirou fundo e colocou uma mecha do cabelo louro liso atrás da orelha, me olhando com paciência. — Se eu beijasse você agora, seria errado?
Provavelmente minha boca se abriu e se fechou umas quatro vezes enquanto eu tentava encontrar a minha voz e formular uma resposta firme para a Calipso, encarando os olhos cor de amêndoa da garota na minha frente e ouvindo, ao fundo, o som da impressora, o que era estranho o som estar tão distante já que a mesma estava ao meu lado.
Não era fácil encontrar um sinal de brincadeira no que a Calipso havia dito, pelo contrário, ela tinha a expressão neutra o suficiente para conseguir mascarar qualquer coisa, a não ser que ela realmente tivesse falando sério em relação ao beijo. Que não era errado, mas eu estava com a Annie e, ouvindo isso de mim mesmo, da minha própria mente, soava tão infantil.
– A sua falta de resposta indica que você não tem opinião própria e que, quando precisa opinar em algo, a Annabeth é a sua primeira e melhor opção. — ela disse dando um leve sorriso com os lábios fechados. Calipso tinha um sorriso bonito.
– Isso não é verdade.
– Tudo bem... — ela falou tranquila, quase dando de ombros. — Basquete ou Beisebol?
– Beisebol.
– Por que? — ela arqueou a sobrancelha e eu percebi que havia caído no jogo dela, era como um desafio para ela tirar a minha opinião.
Droga, a Annabeth saberia o que responder sem pensar e ainda, se o pensamento e a opinião da Calipso fosse basquete, o argumento da Annie seria forte o suficiente para convencer a garota que está na minha frente que beisebol é melhor e fazê-la mudar de opinião.
– Você não tem opinião própria.
– Lógico que tenho, gosto mais de beisebol porque foi o primeiro jogo que o meu pai me levou. — o que era mentira, afinal, meu primeiro jogo havia sido lacrosse e a Annabeth iria me mandar um olhar bem severo se estivesse aqui.
Por que diabos a Calipso tinha que estar certa? Era mais fácil de lidar quando a minha falta de opinião estava entrelinhas.
– Por algum motivo isso não me convenceu, mas vou deixar passar e esperar você criar uma opinião própria. — ela disse dando uma piscadela e se virando para frente, estendendo o corpo sobre o meu para pegar as folhas do trabalho de literatura.
Não pude deixar de sentir o cheiro do perfume dela, era algo floral, todavia não era tal doce ou enjoativo, era suave e combinava com ela. Me afastei dela quando percebi a nossa proximidade assustadora e quando os fios mais curtos do seu cabelo começaram a me incomodar por estarem batendo nos meus olhos.
Agora que eu estava com a Annabeth tudo parecia estar desandando, e não era no bom sentido. Meus melhores amigos não nos apoiavam juntos e, durante toda a semana, não consegui deixar de pensar no que meus amigos, ultimamente, estavam me dizendo muito.
Annabeth andava muito estranha desde o começo da semana e havia passado a mesma inteira na casa da Rachel ou da Reyna estudando com as duas, ela tentava se manter perto de mim na escola, mas nada mudava fora dos corredores vazios ou do fundo da sala, onde ninguém reparava em nós dois. Rachel e Reyna pareciam saber o que estava acontecendo com a minha namorada, mas eu não, nem sabia ao menos o motivo dela ter sumido na hora do almoço hoje.
Calipso era uma garota incrível, nos havíamos nos aproximado muito nessa última semana e, por incrível que pareça, Thalia havia achado ela adequada o suficiente para ser sua amiga nas horas vagas, o que não fazia a loira fugir dos comentários inadequados ou da personalidade forte da minha prima.
As diferenças entre a Annabeth e a Calipso eram claras e a mais gritante era a facilidade que a Calipso tinha em ser legal e sociável com as pessoas, o que não funcionava muito com a Annabeth, que nunca conseguia ser gentil, ou apenas legal, ou apenas sociável, com alguém logo de cara.
– Você corresponderia? — questionei sem pensar, mas não me arrependi. Calipso, que estava atenta ao conteúdo do nosso trabalho, me olhou surpresa e desentendida, esperando que eu me explicasse. — O beijo.
– Por que não iria corresponder um beijo no qual eu tomei a iniciativa de começar?
Inclinei meu corpo na direção dela, tirando com cuidado uma mecha do seu cabelo que estava caída sobre a sua bochecha e, toda vez que ela piscava, os fios presos nos seus longos cílios se mexiam de maneira quase imperceptível. De perto eu podia ver os pontinhos mais escuros nas suas íris, o anel quase preto que envolvia a mesma e podia enchegar as sardas cor de mel nas suas bochechas e no seu nariz, quase da mesma cor que a sua pele.
Falando em pele, quando os meus dedos tocaram a pele do seu rosto, ela tremeu de leve e se arrepiou, mas eu apenas conseguia sentir a maciez do mesmo em contato com a minha pele. Não era nada sobrenatural ou diferente, era apenas macia e gostosa de se tocar.
Ela aproximou seu rosto, deixando-o na altura do meu, olhando no fundo dos meus olhos e colocando a sua mão minúscula sobre a minha, desdobrando meus dedos e apoiando melhor minha mão sobre a sua bochecha.
Calipso deslizou sua bunda até a ponta da cadeira e jogou seus braços sobre os meus ombros, passando suas unhas de maneira leve pelo meu pescoço, deixando nossos lábios perigosamente próximos demais. Quebrei qualquer espaço que sobrava entre nossos lábios, precionando os meus lábios contra os dela, não enrolando muito para pedir passagem com a língua e ver a garota brincar comigo, mas não enrolando muito para ceder e dar início ao beijo.
Não era descompassado, mas também não era lento, nem voraz e sem sentindo, era como dançar de acordo com a música, nadar na direção da maré e sentir ela te levar.
Tirei a minha mão do seu rosto e a deslizei ambas pelo seu corpo cheio de curvas, parando na sua cintura e prendendo elas ali, de maneira firme, para então puxar a garota na minha direção e fazer a mesma se sentar sobre as minhas pernas, com cada uma das suas pernas de um lado do meu corpo.
Ela mordeu e puxou meu lábio inferior, afastando seus lábios dos meus e passando suas mãos pelo meu pescoço e em seguida deslizando elas pelo meus ombros, empurrando eles para trás até que as minhas costas estivessem completamente encostada na cadeira.
– Nosso trabalho ficou ótimo. — ela murmurou dando beijos molhados na linha do meu maxilar, até chegar ao lóbulo da minha orelha. — Mas, talvez, ele possa ficar um um final ainda melhor.
– Concordo com você. — falei pegando ela pela coxa e levantando ambos, sentindo a loura envolver suas pernas na minha cintura e atacar meus lábios novamente enquanto, as cegas, eu procurava a minha cama para poder jogá-la ali.
...
Annabeth caminhava ao meu lado de maneira quieta pelo jardim, olhando para o céu negro e sem estrelas, até mesmo sem a presença da lua, iluminado apenas pelos raios que dançavam por ele, as vezes acompanhados de altos trovões indicando a tempestade que estava por vim.
– O que aconteceu com você? — questionei abraçando ela de lado, não parando nenhum de nós dois. — Está estranha desde o começo da semana.
– Você sempre me achou estranha. — ela esboçou um sorriso, olhando para as rosas vermelhas que, por incrível que pareça, eram cultivadas e cuidadas pelo meu pai.
Eu sabia que a rosa vermelha era a flor favorita da Annabeth, segundo ela, a flor era charmosa, todavia, se não tomasse cuidado com seu caule, poderia acabar se machucando com seus espinhos.
Após terminar com o Michael Yew, quando ela estava aos prantos, ela me contou que desejava ser como uma rosa, charmosa, porém perigosa se não tomasse cuidado.
O que era totalmente desnecessário, e que graças aos céus não se tornou real, ela superou o término e continuou a mesma Annabeth que eu sempre conheci, doce e sensível, que se abala fácil e que, as vezes, desmorona como um castelo de cartas.
– Mal nos falamos hoje, como você está? — ela me olhou quando parou ao lado da roseira, ficando na minha frente. — Parece exausto.
– Bem, é sexta-feira, meio difícil chegar ao fim do semana com cem porcento de energia, Ann. — respondi percebendo que ela usava mais maquiagem do que o normal, além de que seus cabelos estavam modelados em belos cachos. — Seu cabelo está bonito.
– Reyna arrumou ela para mim e a Rachel inventou de brincar de boneca comigo, me maquiando. — ela disse dando de ombros, levando os dedos para mexer no cabelo, mas eu a impedi.
– Você é mil vezes mais linda do que a Barbie. — entrelacei meus dedos nos seus, em ambas as suas mãos.
– Antigamente você tinha mais ciúmes de mim. — ela falou olhando por cima dos meus ombros, ficando levemente na ponta dos pés. — Poseidon!
Antes que eu pudesse responder algo, ela soltou da minha mão e saiu caminhando em passos largos e rápidos na direção do meu pai, me fazendo virar e ver ele acompanhado de Anfitrite, o que me surpreendeu. Ele raramente apresentava suas namoradas para Annabeth, apesar da loira gostar de todas elas, tirando a Medusa.
Enfiei minhas mãos nos bolsos dianteiros da minha calça e suspirei. Como é que eu iria explicar para a Annabeth tudo o que aconteceu hoje? Não que eu achasse errado o que eu havia feito, em momento nenhum me senti culpado, só que ela não merecia isso, eu havia traído a mesma, da mesma forma que ela havia me enrolado quando disse que ia mudar e absolutamente nada mudou.
Eu ainda estou preso no julgamento dela e, durante a tarde com a Calipso, eu pude sentir o gostinho de escapar, mesmo que apenas por pouco tempo, da solitária que a Annabeth me envolvia, provando do proibido e, sinceramente, gostando muito do sabor.
Caminhei na direção dos três, desviando meus olhos do abraço entre meu pai e ela para o céu cheio de raios livres, fazendo o que eles queriam e o que melhor sabiam fazer: encantar alguns com seus movimentos, assustar outros e, na minha opinião, serem livres para se movimentar no espaço infinito que eles tinham.
Meus olhos recairam novamente na figura dos três, focando em Anfitrite e me permitindo esboçar um sorriso satisfeito, meu pai tinha bom gosto com mulheres e, mesmo assim, havia se superado dessa vez com a escolha.
Anfitrite tinha uma beleza comum, mas ao mesmo tempo exuberante, os olhos negros, assim como os longos fios de cabelo, entravam em contraste com a sua pele branca e com os seus lábios cheios e rosados. Ela não era alta, todavia não era minúscula também, tinha uma estrutura mediana e curvas proporcionais ao seu corpo e, sobretudo, ela não era gananciosa e visivelmente não estava com meu pai por dinheiro.
Não sabia muito sobre ela, o pouco que meu pai havia me contado um dia desses mal passava de migalhas de detalhes na minha mente. Ela era jovem, mas não como uma universitária, deveria ter entre trinta e trinta e cinco anos, além de que ela tinha uma boa base social e trabalhava como decoradora de interiores e exteriores, nada muito extravagante.
– Achei que demoraria mais. — anunciei após cumprimentar Anfitrite, olhando para os olhos do meu pai. — Jenna disse que você havia avisado que iria se atrasar e nem adianta colocar a culpa no trânsito, moramos em Brighton, não tem trânsito aqui.
– Mas em Londres tem. — Annabeth disse quase me repreendendo. — E ele nem demorou tanto assim, não faz muito tempo que cheguei.
– Que bom que não te deixei esperando muito tempo, apesar de você ser de casa, ainda não é educado da minha parte deixá-la esperando. — ele falou afagando um dos ombros da loira e me fazendo arquear a sobrancelha. — Vamos entrar? Pedi para Jenna preparar seu prato preferido, Ann.
– Está brincando que vamos ter Canard a I'Orange? — ela virou para ele com o sorriso mais radiante da semana, o que me fez sorrir levemente também enquanto meu pai concordava com a cabeça. — Você não existe, Poseidon!
– Ah, ele existe sim, caso contrário não faria isso. — Anfitrite disse com um sorriso gentil enquanto Annabeth cobria a boca com as mãos e os seus olhos brilhando como a lua que, hoje, estava coberta por nuvens.
– Você é a melhor nora que eu já tive e espero não perdê-la, faço qualquer coisa por você, Annie, sabe disso. — meu pai disse, o que me fez vacilar meu passo e ficar para trás enquanto os três iam, tranquilamente e conversando de maneira animada sobre o quanto Annabeth era especial para o meu pai, para o lado de dentro da casa.
O que meu pai iria fazer se descubresse que eu havia traído a Annabeth?
...
Beijei a ponta do nariz da Annabeth, sentindo ela se encolher um pouco abaixo de mim e colocar suas mãos, com seus dedos frios, no meio pescoço, acariciando levemente aquela região e me causando arrepios.
Calipso também havia me causado arrepios, muitos, mas eram com suas unhas afiadas deslizando levemente pelos meus ombros, pela minha nuca e as minhas costas. Seus lábios e dentes também haviam me feito arrepiar feito um garoto virgem que estava tendo a sua primeira transa, em certo ponto, alguns atos foram ridículos, mas isso era irrelevante.
Continuei beijando todo o rosto da minha namorada, ouvindo seus suspiros entre os risos e ficando contente por causa disso, a risada dela era maravilhosa, como música para mim, não era fora do tom e muito menos extravagante. Era perfeita, uma das poucas coisas na Annabeth que eram perfeitas sem que a mesma se esforçasse para isso.
– Eu amo ouvir som da sua risada. — murmurei com os meus lábios próximos ao seu ouvido, descendo lentamente meu rosto e passando a beijar a linha do seu maxilar, tentado a ir na direção do seu pescoço.
Só que com a Annabeth tinha que ser como passos de bebê, lentamente e, as vezes, sorrateiramente.
– Minha risada é ridícula. — ela respondeu colocando os dedos entre os meus fios de cabelo, me fazendo sorrir. — Só você gosta do som dela.
– Que bom, isso me faz único. — beijei seu queixo, levantando meu rosto novamente e ficando com ele próximo ao seu, com nossos lábios a centímetros de distância. — Realmente não vai me dizer o que está acontecendo?
– Não é nada demais, eu apenas que ando dormindo mal ultimamente. — ela deu de ombros, com os olhos fixos nos meus. — Você, melhor do que ninguém, sabe como eu fico quando durmo mal.
– Deveria ter desconfiado disso antes. — dei um leve beijo nos seus lábios, separando eles rapidamente. — Voltou a beber chá antes de dormir? — ela concordou com a cabeça, sorrindo e fazendo as pequenas ruginhas surgirem nos cantos dos seus olhos. Eu achava isso lindo nela, só que ela não. — Então pare.
– Você sabe que eu não consigo, é um vicio. — ela acariciou a minha bochecha e em seguida passou o polegar sobre os meus lábios. — E você? Ficou estranho durante o jantar.
– Estou com um pouco de dor de cabeça, nada demais, fiquei a tarde toda fazendo o trabalho de literatura... É extremamente estressante, não sou como você.
– Calipso esteve aqui? — ela questionou e eu senti seu carinho falhar. Neguei com a cabeça, não de maneira desesperada, mas normal, e a beijei novamente, sem pressa dessa vez, sentindo aos poucos ela se ceder ao beijo.
Acariciei seu rosto enquanto beijava ela, afastando os fios de cabelo rebeldes que insistiam em cair sobre os seus olhos. Quando senti todo o seu corpo relaxar, acariciei seu pescoço, ombros e fui descendo pelos seus braços, até chegar na sua cintura e apertar ali delicadamente, mantendo seu corpo junto ao meu, o mais próximo possível.
O som das fortes gotas de chuva contra a janela do meu quarto abafavam o som dos meus beijos no pescoço dela, indo na direção da sua clavícula e me surpreendendo quando ela não me repreendeu por morder e chupar a pele do seu pescoço, ao contrário, ela suspiro e unhou levemente o meu couro cabeludo.
Acho que hoje foi um avanço, eu havia conseguido ultrapassar um dos limites da Annabeth, quando ela caiu em si, eu já havia beijado toda a parte exposta do seu seio e começava a abaixar as alças do seu sutiã, mordendo e chupando a pele dos seus ombros, um de cada vez, enquanto a sua blusa estava jogada em algum lugar do chão ao lado da minha cama.
– Percy... — ela falou apertando as unhas nos meus ombros ainda cobertos pela camiseta. — Por favor, eu não estou pronta.
– Annie, você só está nervosa, não precisa ficar, eu prometo não machucá-la. — ela tinha lágrimas nos olhos e tentava se afastar de mim, mas meu corpo era pesado demais. — Por que está chorando?
– Eu não consigo fazer isso, Percy, não dá! — ela finalmente conseguiu sair de baixo de mim, se afastando e se encolhendo na outra ponta da cama. — Eu não sou legal, não mesmo... Eu não consigo lidar com as palavras sinceras da Thalia, não consigo ser amiga dos seus amigos... Eu não consigo me entregar para você, pelo menos não agora, não com tudo isso... Desculpa, mas eu não posso.
– Está desistindo? — perguntei me sentando e vendo ela concordar com a cabeça, impedindo as lágrimas de caírem. — Desistindo do que, exatamente? De nós?
– Eu não quero, nem vou, desistir de nós, Percy, eu te amo e você sabe disso, só que mudar... Para mim não dá, não consigo ficar me agarrando com você na frente da escola toda, ou de ir a festas e não me preocupar com o que estou bebendo ou comendo, não consigo ser amiga do Jason depois do que ele me fez nas férias, me desculpa, não posso. — ela cobriu o rosto com as mãos e depois jogou os fios de cabelo para trás. Me olhando com a expressão partida.
– Faz uma semana que você está tentando.
– E foi o suficiente para ver que eu não iria conseguir. — ela se levantou e começou a procurar pela blusa. Eu podia ver seus seios, perfeitamente encaixados nas taças do sutiã que ainda estavam com as alças caídas dos seus ombros. — Eu não sou como... Como a Calipso.
– Onde a Calipso entra nessa história?
– Eu sei, 'tá legal? Ela ficou amiga da Thalia, passou pela aprovação dos seus amigos e ultimamente vocês tem almoçado juntos, eu sei que você ficou ao lado dela no Halloween e, sinceramente, magoou não saber disso pela sua boca. — ela se abaixou para pegar a blusa, finalmente arrumando as alças do sutiã.
– Está me cobrando sinceridade, Annabeth? Você fugiu de mim a semana inteira e voltou a me tratar como se fossemos amigos, quando na realidade somos muito mais do que isso, você sabe. — olhei para ela, que levantou sem nem ao menos pegar a blusa, com uma das mãos em um dos seus ombros e os olhos arregalados, não sei por que. — Faz quase seis meses que namorados e você continua usando a mesma desculpa toda vez que tento algo a mais com você: diz que não está pronta e, porra, eu fico me perguntando até quando vou ouvir isso.
Ela deu dois passos para trás e prendeu o ar, enquanto eu mantive meu olhar firme sobre ela, esperando que a mesma me respondesse e não me arrependendo nem um pouco de ter sido grosso com ela. Já estava cansando de ser o namorado tolerante e sensível.
– Está terminando comigo? — ela babucilhou, finalmente me fazendo desviar o olhar dela, me questionando se realmente estava fazendo isso com a mesma, terminando com ela.
– Eu não estou terminando com você. — respondi calmamente, vendo a mesma concordar com a cabeça quando olhei de novo. — Só quero que entenda o meu lado.
Ela não respondeu, se abaixou novamente e pegou a blusa, mas algo a manteve abaixada por mais alguns segundos e quando ela finalmente se ajoelhou para pegar o que havia chamado a sua atenção, me questionei se a Jenna não havia limpado direito o meu quarto e isso estava fazendo Annabeth questionar a minha higiene.
Mas não, o que ela havia pegado brilhava muito e me fez me aproximar para ver o que era, me surpreendendo ao encontrar o pingente do colar da Calipso que hoje, na euforia do momento, eu havia arrebentado sem querer. Eram duas letras entrelaçadas, claramente as iniciais do seu nome, Calipso Atlas, de forma que o A saia do C e na sua ponta havia um pequeno diamente, era o que brilhava tanto sob a luz do meu quarto.
– A Calipso não esteve aqui, não é? — ela disse colocando o pingente na minha mão e vestindo a camiseta rapidamente. — Você não é muito diferente do Michael, Percy.
– Não me compare a ele.
– Quer que eu te compare a quem então? Você está mentindo para mim da mesma maneira que ele mentia, não precisava ter negado que ela esteve aqui... Eu estou cansada de ter pessoas mentindo para mim e me fazendo de idiota. — ela disse deixando algumas lágrimas caírem nas suas bochechas.
Olhei para o pingente na minha mão, ele não devia ter mais que três centímetros de tamanho, era até bonito e combinava com a Calipso, mas quando olhei novamente para a Annabeth, percebi que ela terminava de amarrar o cadarço do seu all star.
Ela estava indo embora.
– Você não pode ir embora. — falei enquanto a mesma se levantava e pegava o casaco sobre a cadeira do computador, não me dando ouvidos. — Annabeth, está chovendo, o mundo parece que vai acabar lá fora!
– Eu moro a cinco quadras daqui, Percy. — ela deu as costas, vestindo o casaco pesado e o fechando em seguida. Ela tentava não chorar, mas algumas lágrimas ainda escorriam nas suas bochechas.
– Eu vou levar você. — falei seguindo ela porta afora, me perguntando onde meu pai havia deixado a chave do carro.
Droga, ele havia ido levar Anfitrite para casa.
– Você não tem carta. — ela disse com a voz falha, descendo a escada rapidamente na minha frente, até pulando alguns degraus. Quando finalmente chegamos ao hall de entrada, segurei ela pelo pulso e fiz a mesma me encarar.
– Deixa de ser infantil! — murmurei com a voz firme, não querendo chamar a atenção de ninguém. — Se sair lá fora, vai pegar uma pneumonia e morrer.
Ela olhou para o teto e respirou fundo, provavelmente contando na sua mente para não chorar. Olhei para o seu pulso, sentindo algo estranho nele e o virando para que eu pudesse ver o que tinha ali, pegando rapidamente o outro e vendo que os cortes de um, felizmente, não estavam no outro e que nem eram tão profundos assim.
– Está tentando se matar? — olhei para ela, vendo seus olhos se imundarem novamente e a mesma desabar em chorar. — Annabeth, o que está acontecendo?
– Eu não aguento, Percy... Eu não sou forte. — ela disse puxando os pulsos das minhas mãos e empurrando as mangas para baixo. — Desculpa.
– Está me pedindo desculpas por se automutilar? — soltei um riso sem humor algum, dando um passo para trás e sentindo meus pés esbarrarem na ponta da escada. — Eu te achava estranha, mas você é bem mais do que isso.
As minhas palavras apenas fizeram ela chorar ainda mais, as lágrimas começaram a cair com maior velocidade e logo seu corpo estava tremendo, com soluços escapando dos seus lábios enquanto eu assistia tudo. Meu pai abriu a porta e franziu o cenho, sem entender o que estava acontecendo ali, e eu respirei fundo.
Ele levaria ela embora.
– Quem não quer mais sou eu... Não consigo lidar com outra mulher insana.
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