I Wish You Would

6 Dancing With a Wolf


Who's gonna listen when you run out of lies? Who's gonna hear you, when your words seem worthless? Who's gonna save you when you're out of time? So don't you call my name.

Funguei passando as costas da minha mão em uma das minhas bochechas, limpando as minhas lágrimas e tentando me controlar, não podia chegar em casa nesse estado e eu ainda tinha que pensar em uma resposta para a mais óbvia pergunta dos meus pais: "Você não ia dormir fora?".

Eu queria ter pais normais, aqueles tipos de pais que não gostam que a filha durma na casa do namorado — ex namorado — e que ficam em cima deles enquanto eles namoram, querendo manter a dignidade da filha. Mas meus pais eram atuais demais para isso, eles achavam maravilhoso todo esse ato de liberdade de namoro e de tudo mais.

Talvez eles fossem irresponsáveis por conta da liberdade que meus avós maternos, que eram meio hippies, deram a eles, e o fato da sua primeira filha — no caso eu — ter nascido na metade do ensino médio de ambos e ter passados os primeiros anos da sua vida sendo criada por sua avó paterna, apenas contribuiu para que eles vivessem a todo vapor com a liberdade que eles tiveram.

E isso deve ter contribuído para que eu me tornasse uma pessoa um pouco mais responsável do que eles, não que o meu pai não fosse, ele realmente era responsável, mas quando ele tinha suas crises de irresponsabilidade, os danos eram enormes. O Malcolm tinha tanto o que aprender, ele ainda era novo demais para questionar se deveria ou não fazer tal coisa, mas por enquanto faltar na escola e ir dormir na hora que ele quiser é incrível para o mesmo.

– O que houve com vocês? Estavam bem quando sai para levar a Anfitrite. — o pai do meu ex namorado finalmente questionou, quebrando o silêncio do carro.

– Nós brigamos por causa de nós, de quem somos. — falei sentindo mais lágrimas caírem nas minhas bochechas. — Não culpe o Percy, Poseidon, ele é um bom garoto no fundo e...

– É impressionante como você sempre tira o melhor das pessoas.

– Eu cresci sem muito carinho, tendo que me virar sozinha, acho que isso me ajudou a não ver o lado ruim das pessoas a partir do momento que parei de ver o lado ruim dos meus pais. — murmurei vendo o carro parar na frente da minha casa escura, iluminada apenas pela inútil luz da varanda. — Eu posso sempre ver o lado bom das pessoas, mas eu também tenho um lado difícil de lidar e o Percy se cansou dele... Ele quer sexo e eu não estou pronta.

– E ele terminou com você por isso? — ele arqueou a sobrancelha, revirando os olhos em seguida. — Meu filho é um idiota.

– Não fale assim dele, você sabe que quando ele quer, ele é incrível. — esbocei um sorriso para ele. — Eu prometi coisas para ele que eu sou incapaz de cumprir e ele tem toda razão... Além de que as coisas não estão fáceis para mim aqui em casa, meus pais estão se divorciando e está tudo uma bagunça... Malcolm acredita que o meu pai vai viajar a trabalho. — soltei uma risada sem humor, vendo ele arquear a sobrancelha, surpreso.

Umedeci meus lábios com a ponta da língua e apertei as mangas da minha blusa, olhando fixamente para o painel do carro e me proibindo de chorar ainda mais por causa disso, por causa do meu pai. Ele não merecia mais nenhuma lágrima minha, ou da minha mãe, na realidade, desde o começo da semana, ele apenas tem me causado repulsa. E isso tudo por causa da sua irresponsabilidade.

– Eu gosto muito do Percy, eu amo ele de verdade e não sei como as coisas serão daqui para a frente, por isso quero te pedir uma coisa, se não for abusar demais da sua boa vontade. — falei e em seguida mordi meu lábio inferior, olhando para ele.

– Você sabe que pode me pedir qualquer coisa, Annabeth. — Poseidon sorriu com carinho.

– Não seja duro com o seu filho, mas também não seja mole demais com ele, tente achar o equilíbrio e ser os dois. — pedi soltando o cinto de segurança e colocando a mão na maçaneta da porta. — O Percy ainda tem muito o que aprender, todos nós temos, somos adolescentes e não vimos quase nada da vida, só que o meu medo é que ele acabe se tornando uma pessoa mesquinha e fútil quando for mais velho... — fiz uma longa pausa, olhando para a minha casa e calculando a velocidade que teria que correr até a varanda para não entrar encharcada em casa e chamar mais ainda a atenção dos meus pais. — Obrigada pela carona.

– Disponha, Annie, sempre que precisar. — ele piscou para mim. Me inclinei e dei um beijo na sua bochecha, sorrindo assim que me afastei para sair do carro. — E eu vou seguir o seu conselho, não precisa se preocupar.

– Tudo bem. — abri a porta e respirei fundo. — Boa noite, Posêidon.

– Boa noite, Annabeth.

...

Abracei o meu travesseiro contando para a Rachel e para a Reyna tudo o que havia acontecido ontem de noite, explicando detalhe por detalhe enquanto sentia a mão da Rachel deslizar pelo meu cabelo lentamente.

Nenhuma das duas falaram ou me cortaram enquanto eu contava para elas, Reyna estava andando de um lado para o outro e Rachel estava sentada ao meu lado, fazendo uma careta estranha enquanto eu falava. Eu tentava não chorar mais, havia feito isso até a hora em que dormi e depois acordei chorando novamente por causa de um sonho idiota com ele.

Não era nenhuma novidade eu estar chorando por causa do Percy, eu realmente amava ele e, diferente de como havia sido com o Michael, era sincero e eu não era capaz de imaginar que iriamos acabar assim depois de anos de amizade, a última coisa que eu esperava era amá-lo como eu amo hoje.

– Eu queria ter feito as coisas de maneira diferente. — solucei afundando meu rosto no travesseiro, chorando ainda mais e sentindo o meu corpo tremer inteiro, talvez pelo frio, talvez por causa da dor e do choro. — Se eu tivesse sido menos complicada, talvez isso não tenha acontecido.

– Annabeth, você está supondo que o Percy te traiu com a Calipso, acredito que isso aconteceria mesmo que você abrisse as pernas para ele. — Reyna disse apenas me fazendo chorar mais. — Rachel!

– Onde anda a sua sensibilidade? Ela está sofrendo. — Rachel rosnou me puxando para um abraço, não se importando se as minhas lágrimas iriam encharcar a sua blusa.

– Estou sendo sincera! Acha mesmo que sexo impediria ele de traí-la? Lógico que não, ele é homem, não pode ver um par novo de peito e de coxa, sem falar na bunda, não é? — Reyna resmungou se sentando na cama. — Homens são todos uns babacas, eles sempre acabam traindo.

– Você é tão amarga. — Rachel disse em um suspiro, me afastando dela e limpando as minhas lágrimas. — Realmente ter sido diferente poderia não ter mudado tudo, Annie, o Percy é imprevisível e eu vi que você deu muito mais que o seu melhor nesse namoro, mas você ainda tinha que manter as suas restrições em algumas coisas, entende? Ele tinha que ser capaz de entendê-la nesse aspecto.

– Ele disse que era incapaz de lidar com outra mulher insana na vida dele. — falei apertando meus olhos, sentindo mais lágrimas caírem. — Ele me comparou a Sally.

– Você não é a Sally, você é melhor do que ela e muito melhor do que a Calipso, entenda isso, você é capaz de conquistar o que quiser. — Reyna disse se aproximando de mim novamente. — Lembra daquele concurso que falou para a Rachel e para mim? Por que não se inscreve nele e tira aquela sua dúvida, tenho certeza absoluta que passa.

Rachel concordou com a cabeça e se levantou em seguida, buscando o meu laptop pelo quarto e depois se sentando no mesmo lugar de antes. Reyna pegou alguns lenços e limpou o meu rosto, com um sorriso gentil nos lábios e não se importando de passar o lenço em uma ou outra lágrima que ainda caia.

Coloquei meu cabelo atrás da orelha e respirei fundo, olhando para o meu laptop e vendo o papel de parede dele, esboçando um sorriso partido e sentindo os meus olhos marejarem novamente, mas eu me impedi de chorar e puxei o laptop para o meu colo, colocando ele sobre as minhas coxas e abrindo primeiramente a galeria, decidida a trocar a foto com o Percy por qualquer outra.

– Eu gosto dessa. — Reyna afastou a minha mão do laptop e abriu uma foto, me fazendo perceber que era a foto que nós três havíamos tirado juntas no Halloween e vendo o quão bonita estava. — Fiquei maravilhosa de Cruella, não é?

– Deveria pintar o cabelo assim. — Rachel brincou, recebendo em troca o dedo do meio da Reyna. — Annie, sua fantasia foi, sem dúvida, a melhor de todas, desculpa, Reyna.

– Por que sou a sua amiga mesmo? — ela arqueou a sobrancelha, me fazendo rir por saber a resposta óbvia da Rachel.

Você me ama.

– Vocês são as melhores e mais estranhas amigas do mundo. — murmurei colocando a foto como papel de parede do laptop. Fechei a galeria e abri o navegador, digitando o endereço do link já decorado e esperando a página abrir, torcendo para que o número de inscrições não estivesse crescido tanto. — Se eu me inscrever e passar, vou ir para New York e ficar lá até eu terminar o curso, são dois anos.

– Dois anos passam rapidinho e nós vamos dar um jeito de tentar falar com você o máximo de vezes possíveis durante a semana, Annabeth. — Rachel disse abrindo o formulário de inscrição e me incentivando a começar a preenchê-lo. — Além do mais, você só vai ir em meados de Janeiro, temos muito tempo para irritar você até implorar que a viagem chegue logo.

– Rachel, são apenas dois meses e meio. — Reyna disse fazendo as contas e acabando com a graça da ruiva.

– Estou falando que você é amarga! Você acabar uma velha ranzinza com cinquenta gatos e com cheiro de sabonete caseiro. — ela mostrou a língua e eu ri novamente, sabendo que as pragas da Rachel eram fracas.

– Depois eu faço a inscrição, fica difícil com vocês duas falando de velhice, gatos e sabonete caseiro. — falei fechando o laptop e colocando ele sobre a mesa de cabeceira da minha cama.

– Rachel está falando de velhice, gatos e sabonete caseiro, estou quietinha.

– Lógico. — Rachel revirou os olhos, mas tinha um sorriso sacana nos lábios. — O que pretende fazer, Annabeth?

– Pipoca, chocolate quente e cupcake para comer enquanto assistimos qualquer filmes engraçados.

– Sem o Zac Efron, por favor. — Reyna pediu juntando as mãos em um gesto de súplica, fazendo a Rachel e eu rir. — É sério, eu nem acho ele tudo aquilo e ele sempre tem que tirar a camisa em um filme, até parece que só sabe fazer isso!

– Tudo bem, você escolhe um filme, mas vamos fazer logo os cupcakes antes que a Annabeth decida voltar a chorar e falar que a vida dela é horrível. — Rachel disse me empurrando para fora da minha cama, me fazendo olhar para ela por cima do ombro com uma expressão bem incrédula. — Desculpe, mas é a verdade.

– Quando sou sincera demais ela quase arranca o meu pescoço, mas quando ela é sincera faz essa carinha de princesa e tudo fica bem. — Reyna revirou os olhos, soltando um suspiro dramático. — Esse mundo é tão injusto.

– Cala a boca. — falei dando risada, fazendo a Rachel e a Reyna rirem também.

...

Gritei mais uma vez para o Malcolm não correr, mas ele estava se fazendo de surdo e me desobedecendo, correndo a todo vapor pelo pier do Marina, indo na direção da roda gigante e me fazendo respirar fundo para segui-lo sem perder a paciência e sem ter que correr. Contanto que ele não fugisse do meu campo de visão, estava ótimo.

Meu pai estava indo embora hoje, fazia uma semana desde que eu e o Percy havíamos rompido e tanto meu pai quanto a minha mãe acreditavam que o fim do meu relacionamento era culpa deles, apesar da minha mãe colocar toda a culpa no meu pai. Eu já havia tentado explicar para eles o verdadeiro motivo, mas sempre acabava em discussão.

Então, para o Malcolm não ter que ver o caminhão de mudanças levando todas as coisas do nosso pai embora, decidi aproveitar que não estava chovendo para levá-lo ao shopping. Nos almoçamos lá e fizemos algumas compras, até que o meu irmão mais novo decidiu que queria tomar o chocolate quente do Dionísio Coffee, no pier do Marina e, como hoje eu havia dedicado o meu dia todo para ele, concordei.

Minha mãe havia emprestado o carro e como eu ainda não tinha permissão, idade e habilitação para dirigir, estava tomando mais cuidado do que nunca para não ser parada por nenhum policial. Mas eu estava tão boazinha hoje que até havia concordado em ouvir a rádio infantil com o Malcolm e também havia concordado que ele iria andar na roda gigante após o chocolate quente.

– Primeiro o chocolate quente, Malcolm, vamos, é ali na frente. — segurei a mão dele e apertei a mesma para ter certeza de que ele não iria sair correndo de novo.

– Você vai ir comigo, não é? — ele pediu apertando a minha mão também, acompanhando o meu ritmo. Concordei com a cabeça, vendo o painel de faixada da lanchonete. — Você não tem medo de altura, não é?

– Você sabe que não, pirralho. — sorri abrindo a porta para que ele passasse primeiro, ouvindo o tipico sino que havia sobre ela tocar. — Você tem medo de altura.

– Tenho mesmo, eu sou uma criança ainda. — ele se defendeu, correndo para a mesa livre que havia ao lado da janela e se sentando na cadeira que dava visão para a roda gigante. Acenei para a Bianca e caminhei na direção do meu irmão, me sentando de frente para ele e notando que seus olhos estavam fixos na roda gigante. — Quando eu crescer, não terei medo de altura.

– Não mesmo, você será o homem mas corajoso do mundo. — bati a ponta do meu dedo na ponta do seu nariz, fazendo ele me olhar e sorrir. — Vai querer apenas chocolate quente?

– Não, vou querer donuts! De chocolate e morango. — ele falou dando um sorriso largo.

– Tudo bem. — chamei a Bianca e fiz o nosso pedido. Acabei pedindo chá preto com leite e brownie de chocolate, ouvindo um: "já volto com os pedidos" da Bianca.

Ela era a irmã mais velha do Nico e estava na faculdade de publicidade, ela também era super divertida e apesar de não precisar de dinheiro, ela recusava a mesada dos pais desde que havia atingido a maioridade, então ela trabalhava nos finais de semana, feriados e nas férias para o Dionísio com o intuito de conseguir se sustentar sozinha. Pelo o que eu sabia ela estava conseguindo fazer isso muito bem.

Malcolm ainda não havia superado a idade dos porquês então começou a me fazer diversas perguntas enquanto o nosso pedido não chegava, pelo o que entendi, ele havia cansado de olhar para a roda gigante e estava tentando se distrair para o tempo passar mais rápido. Ele tinha seis anos, mas era bastante esperto em alguns quesitos.

Ouvi o sino da porta tocar quando a Bianca colocou nossos pedidos na nossa frente, só que eu estava de costas para a mesma e decidi não ser curiosa e não me virei para ver quem havia entrado. Agradeci a Bianca e peguei a xícara de chá, levando até os meus lábios sem me importar com a quentura do mesmo, ele estava bem milky, do jeito que eu gostava.

– Percy! — Malcolm exclamou e saiu correndo do seu lugar, indo na direção da porta. Coloquei a xícara sobre o piris e me virei rapidamente, vendo Malcolm fazer seu típico toque com o Percy e depois os dois caírem na gargalhada.

Senti minhas bochechas esquentarem quando Malcolm apontou na minha direção e Percy me olhou, esboçando um sorriso sem graça e acenando com a mão, sem muito jeito. Receosa, eu retribui o aceno, sem sorrir e depois olhei para o Malcolm, pedindo para que ele voltasse, mas ele estava estava entusiasmado demais e me ignorou, dando atenção para Calipso, a companhia do Percy.

Me virei para frente o mais rápido possível na intenção de não sofrer ainda mais por causa do término, por causa dele estar a poucos metros de mim e por causa dele estar com a Calipso, de novo, pela milésima vez na semana. Talvez ele estivesse tentando me torturar com isso, ou apenas tentando provar para si mesmo que não sentia mais nada por mim, mas era difícil de acreditar que o Percy era capaz de fazer isso comigo e com ele.

– Seu irmão é adorável. — Calipso disse se sentando na cadeira em que o Malcolm anteriormente estava, exibindo um sorriso exuberante. Ela estava com um suéter rosa claro e os primeiros botões do mesmo estavam abertos, mostrando parte dos seus seios volumosos. — Mas ele não se parece muito com você.

– Ele puxou o meu pai. — dei de ombros, bebericando meu chá mais uma vez e notando que ela me encarava fixamente. — Algum problema?

– O que aconteceu entre você e o Percy?

– Por que não pergunta para ele? — arqueei a minha sobrancelha, vendo o sorriso dela passar de exuberante para provocativo.

– Porque eu prefiro torturar você. — ela disse sem desmanchar o sorriso, piscando os olhos de maneira falsamente dócil. — Realmente achou que eu não sabia que vocês namoravam? Eu sou nova aqui, mas eu sou bem observadora e desde o dia em que eu vi o Percy, junto com você, aliás, eu o quis... Não fique brava comigo, temos que concordar que ele é um verdadeiro pedaço de mal caminho. Desculpe.

– Você está manipulando ele. — falei sentindo meus olhos lacrimejarem. Ela concordou lentamente com a cabeça, colocando uma mecha do cabelo louro escuro atrás da orelha e passando um lábio sobre o outro. — Por que?

– Porque eu gosto de ter os homens na palma da minha mão, faço eles acreditarem o contrário quando, na realidade, tudo não passa de um adorável jogo meu. — ela disse tranquilamente, sem tirar um minuto sequer os olhos de mim, do meu rosto. — Eu sou uma ótima jogadora, Annabeth, e eles, o Percy, é o próximo jogo que eu desejo zerar.

Abri e fechei a minha boca diversas vezes tentando descobrir o que fazer. Olhei por cima do meu ombro e vi que o Percy estava conversando com meu irmão, ambos estavam animados e não pareciam notar o que estava acontecendo aqui, Percy estava sendo lerdo o suficiente para não notar o que a Calipso estava fazendo com ele... Com nós!

– Eu vou contar tudo para ele. — falei piscando diversas vezes para as lágrimas sumirem, erguendo o meu queixo e esboçando um sorriso sem humor. Mas deve ter parecido muito mais com uma careta estranha.

– Você não vai não. — ela disse aproximando o seu rosto do meu. — Ele não vai acreditar em você, ele está afim de mim e qualquer coisa que disser a ele vai soar muito mais como a ex-namorada patética que quer voltar e que está com tanta dor de cotovelo a ponto de inventar mentiras, do que soar como a ex amiga que está tentando abrir os olhos. Ele vai acreditar na primeira opção e ainda vai ficar muito mais distante de você.

– Você é uma cobra.

– Não, Annabeth, eu sou mais esperta do que você, apenas. — ela piscou e se levantou, colocando a cadeira no lugar e dando dois passos na minha direção. — E, sabe, eu acho melhor você ficar longe do Percy, não vou poupar mentiras para manter vocês dois afastados e eu sou capaz de fazer exatamente tudo para ele odiá-la... A gente se vê, Annie.

...

Fazia cerca de cinco minutos que eu batia meus dedos freneticamente na minha escrivaninha, olhando para a ficha de inscrição do projeto de astronomia, com os dados já preenchidos e com apenas um detalhe faltando: a minha coragem para clicar no botão de enviar.

Eu já havia conferido a mesma cinco vezes, olhando para os números dos meus documentos e para os números que havia digitado para ter a certeza que não havia esquecido de nada, e eu realmente havia preenchido ela corretamente, isso era óbvio, mas eu continuava a criar asneiras para não enviá-la de uma só vez.

– Malcolm disse que vocês encontraram o Percy no Dionísio Coffee. — minha mãe invadiu meu quarto, me tirando do meu transe e me assustando. — Vocês voltaram?

– Já ouviu falar em "bater na porta"? — questionei me virando para ela, realmente indignada. — Não, nós não voltamos, ele já está namorando com outra garota.

– E você está bem com isso? — ela cruzou os braços, me fazendo revirar os olhos e bufar. — Olha o jeito que você me trata, Annabeth.

– Não venha me falar de educação, tudo bem? Você não faz a mínima ideia do que isso seja. E não é só porque você não aceitou que o papai te trocou por uma estudante de vinte e três anos que eu também não aceitei que o Percy tenha me trocado por outra que, felizmente, tem a nossa idade. — falei caminhando até ela e empurrando a mesma para fora do quarto. — Pare de ser essa pessoa liberal que você é e passe a agir como uma mãe de verdade, o Malcolm vai precisar disso, ele vai precisar de uma mãe daqui para frente, o papai nos abandonou hoje.

Bati a porta na sua cara e tranquei a mesma, não me importando se isso iria magoá-la, voltei a me sentar em frente ao laptop e respirei fundo, clicando no botão de enviar sem pensar muito mais nesse assunto.

Fugir era um bom começo.

Notas finais
Realmente eu quero pedir mil perdões pela demora para postar, não queria ter enrolado tanto tempo assim, mas a minha vida está uma bagunça e eu tinha planos para postar no feriado, mas não deu. Ok, o feriado foi a duas semanas e eu realmente havia escrito um capítulo, de madrugada, mas meu tablet travou e eu perdi ele inteiro e só consegui escrever ele de maneira quebrada durante a semana e ai, quarta feira, quando decido postar, o Nyah entra em manutenção. Acho que meu Karma anda meio ruim. Enfim, dedico esse capítulo para a Louca Por Cristo, que recomendou a fanfic YEAH PRIMEIRA RECOMENDAÇÃO MUITO OBRIGADA AMORE EU ADOREI! Me perdoem caso tenha algum erro ok? E não esqueçam de dizer o que acharam, eu amo comentários e como disse antes, você não vai morrer se comentar, apenas me incentivar mais. Mais um capítulo para o fim da 1 fase, podem se despedir da adolescência deles. P.S.: VOCÊS VIRAM A NOVA CAPA QUE LINDA? EU AMEI! Xx